Canetas emagrecedoras: as perguntas que você deve fazer ao médico antes de começar a usar
Por Maximino Brügger Perez
03.02.2026 às 09h27m
De indicações reais a riscos pouco falados, um guia para entender quando o tratamento faz sentido, o que ele pode entregar e quais limites existem
Nos últimos anos, os novos remédios para obesidade, conhecidos como canetas emagrecedoras, caíram no debate público. Palavras que até pouco tempo causavam estranheza — como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, semaglutida e tirzepatida — passaram a fazer parte do vocabulário das pessoas.
Os medicamentos são vistos por muitos como um atalho para a perda de peso. Para a medicina, no entanto, as canetas fazem parte do tratamento de uma doença crônica, a obesidade, e exigem avaliação cuidadosa, acompanhamento contínuo e mudanças de estilo de vida para que os benefícios sejam reais e sustentáveis. Antes de iniciar o uso, há perguntas essenciais que precisam ser feitas no consultório.
Eu tenho indicação de usar a caneta?
De acordo com a bula, as canetas são indicadas para pessoas com IMC a partir de 30 (obesidade) ou acima de 27 quando há comorbidades associadas ao peso, como diabetes tipo 2, hipertensão ou gordura no fígado. Lembrando que o IMC é calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.
Na prática clínica, porém, a avaliação vai além do número da balança. Histórico de ganho de peso, predisposição genética, uso de medicamentos que aumentam o apetite, presença de compulsão alimentar e composição corporal também entram na análise.
“Talvez uma pessoa com IMC 26 mas com glicemia de jejum alterada, gordura no fígado e excesso de gordura central possa ter indicação de usar a medicação”, diz a endocrinologista Karen de Marca, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
O que não é indicação: uso para perder três ou quatro quilos, para despachar gordura localizada ou para controlar o peso antes de uma viagem, por exemplo.
Quais benefícios posso esperar desses remédios?
O principal benefício é a perda de peso, sobretudo por meio de gordura corporal, embora também possa haver perda de massa magra se não houver atividade física adequada. “Além disso, os estudos mostram melhora de parâmetros metabólicos como glicemia, colesterol, pressão arterial e redução da gordura no fígado”, aponta de Marca.
Há ainda benefícios indiretos: melhora da disposição para atividade física, da autoestima e, no caso da tirzepatida, redução da gravidade da apneia do sono. A longo prazo, a perda de peso sustentada está associada à diminuição do risco de infarto, AVC, alguns tipos de câncer, artrose e doença renal crônica.
“Esses ganhos estão diretamente ligados à normalização do peso e são mais eficazes quando o uso da medicação vem acompanhado de mudanças sustentáveis no estilo de vida, como alimentação equilibrada e atividade física”, afirma o endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Quais efeitos colaterais são comuns no tratamento e quais são sinais de alerta?
Os mais frequentes são gastrointestinais, especialmente no início do tratamento. Náusea, refluxo, distensão abdominal, constipação, diarreia e, em alguns casos, vômitos podem ocorrer. Dor de cabeça também se manifesta, muitas vezes associada à desidratação.
Os mais frequentes são gastrointestinais, especialmente no início do tratamento. Náusea, refluxo, distensão abdominal, constipação, diarreia e, em alguns casos, vômitos podem ocorrer. Dor de cabeça também se manifesta, muitas vezes associada à desidratação.
Esses sintomas costumam diminuir com o tempo e podem ser amenizados com ajustes na alimentação, hidratação adequada e progressão gradual da dose.
Entre os sinais de alerta que não são considerados normais e exigem avaliação médica estão: vômitos persistentes ou incontroláveis, dor abdominal contínua, sinais de desidratação (boca seca, redução do volume urinário, tontura), icterícia, dor no peito e alterações de humor importantes.
Fonte: Marie Claire
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