Maternidade

Ampliação da licença-paternidade reforça corresponsabilidade parental e pode redefinir papel do pai na Justiça

Sancionada pelo presidente Lula nova Lei nº 15.371/2026 vai além dos direitos trabalhistas e dialoga com guarda dos filhos

 

O presidente Lula sancionou a lei que amplia a licença-paternidade para até 20 dias no Brasil. A nova legislação (Lei nº 15.371/2026) inaugura um movimento que vai além das relações de trabalho e começa a repercutir diretamente nas relações familiares. A medida representa um avanço importante na consolidação da corresponsabilidade parental — conceito que prevê a divisão equilibrada de deveres entre mãe e pai desde os primeiros dias de vida da criança.

 

Na prática, ao garantir mais tempo de convivência entre pais e filhos logo após o nascimento ou adoção, a legislação contribui para fortalecer vínculos afetivos e estabelecer uma participação mais ativa do pai na rotina familiar. Esse cenário pode impactar, inclusive, decisões futuras do Judiciário em casos de guarda, convivência e responsabilidades parentais.

 

De acordo com Patricia Valle Razuk, sócia do PHR Advogados e especialista em Direito de Família e Sucessões, a ampliação da licença-paternidade sinaliza uma mudança cultural relevante, que tende a se refletir nas disputas familiares.

 

“A discussão sobre corresponsabilidade parental já é bastante presente nas ações de guarda, e a ampliação da licença-paternidade reforça esse entendimento na prática. Quando o Estado incentiva a presença do pai desde o início, ele também consolida a ideia de que o cuidado é um dever compartilhado, o que pode influenciar diretamente a forma como a Justiça analisa o papel paterno”, explica.

 

Além disso, a medida também pode contribuir para reduzir a sobrecarga historicamente atribuída às mães, promovendo maior equilíbrio nas dinâmicas domésticas. “Essa mudança pode ter reflexos indiretos em temas como pensão alimentícia, divisão de responsabilidades e até na prevenção de conflitos familiares”, acrescenta a advogada.

 

Impactos para casais LGBTQIAPN+

 

Outro ponto de atenção está no potencial das novas regras para diferentes arranjos familiares. Afinal, a nova legislação não é direcionada apenas para pais biológicos. Portanto, para casais LGBTQIAPN+, é importante assegurar o princípio de igualdade perante à lei.

 

“O entendimento do STF é de que a licença deve proteger a criança e garantir isonomia entre os arranjos familiares. Na prática, quem gesta tem direito à licença-maternidade, independentemente de ser uma mulher cis ou um homem trans. Já o outro genitor ou responsável legal acessa a licença-paternidade, agora ampliada, sem distinção quanto à orientação sexual do casal”, conclui Razuk.

 

Sobre Patrícia Valle Razuk

 

Sócia e co-fundadora do PHR Advogados. Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), especialista em Direito de Família e Sucessões pela Escola Paulista de Direito (EPD). Especialista em Mediação de Conflitos pela Harvard Law School.

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Engravidar depois dos 50: até onde a maternidade pode ser adiada?

Cada vez mais mulheres adiam o sonho de ser mãe, mas o que realmente é possível depois dos 45 e quais são os riscos envolvidos?

 

Aos 56 anos, Margareth Mata voltou a viver algo que parecia pertencer a outra fase da vida: noites interrompidas e o cheiro inconfundível de bebê pela casa. Os três filhos já eram adultos, a rotina estava mais silenciosa e o casal começava a experimentar uma nova liberdade. Ainda assim, dentro dela, a maternidade não parecia encerrada.

 

“O desejo de ter mais um filho nunca foi completamente embora. Ele apenas ficou guardado, esperando o momento em que fosse impossível ignorá-lo”, afirma a funcionária pública, que vive no Espírito Santo.

 

Quando decidiu tentar novamente, Margareth sabia que não seria uma escolha simples. Sabia que envolveria conversas delicadas, avaliações médicas e, principalmente, coragem. “Meu marido achava que talvez não fosse o momento. Ele dizia que agora era a fase de aproveitar a vida a dois, já que os filhos já estavam criados. Mas, para mim, o sonho ainda estava vivo”, explica.

 

A gravidez aconteceu por meio da fertilização in vitro e transformou aquela etapa da família em algo inesperadamente intenso. E houve um detalhe que, para Margareth, tornou tudo ainda mais especial. “Antes de eu engravidar, minha mãe, que faleceu logo após o nascimento do meu bebê, sonhou com um menino de olhos azuis, exatamente como os do meu marido. Quando meu filho nasceu, com os olhos claros do pai, foi impossível não lembrar dela”, lembra Margareth.

 

Se por um lado a história emociona, por outro ela desperta curiosidade e questionamentos. Afinal, é mesmo possível engravidar depois dos 50? E quais são os limites do corpo feminino quando o desejo de maternar permanece?

 

Nos últimos anos, a maternidade tardia deixou de ser exceção isolada e passou a refletir uma transformação maior. Mulheres priorizam formação, carreira, estabilidade emocional, recomeçam relacionamentos, reorganizam planos. A decisão de ter filhos acontece mais tarde e, com isso, cresce também a busca por tratamentos de reprodução assistida.

 

Mas a medicina amplia possibilidades, não apaga os limites biológicos

Para a Dra. Thaís Domingues, especialista em reprodução humana da Huntington Medicina Reprodutiva, é fundamental que histórias inspiradoras venham acompanhadas de informação clara.

“Quando aparecem casos na mídia, pode parecer que é fácil engravidar depois dos 50, mas não é. De três a cinco anos antes da menopausa a chance de engravidar naturalmente já é menor que 5%, e após os 45 essa probabilidade pode ser inferior a 1% com óvulos próprios”, esclarece.

Além da dificuldade de engravidar, aumentam os riscos de alterações cromossômicas, aborto espontâneo e complicações como pressão alta na gestação, diabetes gestacional e parto prematuro. Por isso, após os 43 anos, a fertilização in vitro costuma ser a principal indicação médica e, acima dos 45, é comum que o tratamento envolva óvulos doados.

“Quando a paciente recebe um óvulo de uma mulher jovem, ela passa a ter a chance de gravidez daquela idade. Isso melhora as possibilidades, mas não elimina completamente os riscos relacionados à idade materna”, explica a Dra. Thaís.

Mesmo com acompanhamento especializado, cada caso precisa ser avaliado individualmente. No Brasil, a recomendação é que os tratamentos sejam realizados até os 50 anos, sempre com acompanhamento médico rigoroso.

Margareth sabe que sua história chama atenção. E sabe também que os olhares vêm acompanhados de suposições.

“Eu sabia que muita gente ia questionar, e isso acontece até hoje. Muitas vezes, quando estamos em lugares públicos, como no parque ou na praia, as pessoas ficam olhando, tentando entender se somos os avós da criança. Mas isso não interfere na minha escolha, não me importo. O que eu sei é que, se eu não tivesse tentado, ia carregar essa vontade para sempre”, revela.

Entre limites biológicos e avanços da ciência, a maternidade depois dos 50 continua sendo rara, exige acompanhamento e envolve riscos. Mas, para algumas mulheres, ela representa algo ainda maior: a possibilidade de não silenciar um desejo que resistiu ao tempo.

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Além do banho: como criar um ritual de sono que realmente funciona para o bebê

Especialista Bruna Ramos explica como a combinação de ambiente, rotina e estímulos sensoriais pode ajudar o bebê a relaxar e dormir melhor

 

Na tentativa de melhorar o sono dos bebês, muitas famílias apostam em um único recurso: o banho antes de dormir. Mas, na verdade, o que realmente faz diferença não é uma ação isolada e sim um conjunto de práticas que preparam o corpo e o cérebro da criança para o descanso.

 

Segundo a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, o chamado ritual do sono é uma ferramenta essencial, e ainda subestimada, na rotina dos bebês.

 

“O ritual do sono é uma sequência de ações realizadas sempre antes do sono noturno. Ele sinaliza para o bebê que a hora de dormir está chegando, gerando previsibilidade e ajudando no relaxamento”, explica.

 

O poder da repetição e a importância da transição

 

O ritual do sono pode, e deve, começar desde os primeiros dias de vida. “Desde que o bebê chega da maternidade já é possível iniciar o ritual. Quanto mais cedo ele é implementado, mais rápido o bebê se adapta e entende essa sequência”, orienta Bruna. Não existe um modelo único: cada família deve adaptar à sua realidade, mas a repetição é essencial. “A repetição diária é o que cria o hábito. Quando o bebê reconhece os sinais, ele relaxa com mais facilidade.”

 

Outro ponto fundamental, e muitas vezes negligenciado, é o período anterior ao ritual.

 

“Não adianta começar o ritual se a casa ainda está agitada. O desacelerar é fundamental para preparar o bebê para o sono”, alerta.

 

Cerca de duas horas antes de dormir, a recomendação é reduzir estímulos: diminuir as luzes, evitar telas, baixar os sons e deixar de lado brincadeiras agitadas. “Essa transição ajuda na produção de melatonina e no relaxamento do bebê”, explica.

 

O que incluir no ritual?

 

O ritual pode ser adaptado à realidade de cada família e incluir etapas como banho, massagem, leitura, canções, troca de roupa ou fralda e amamentação. “O banho não é obrigatório. Se o bebê relaxa, ótimo. Se ele se irrita, deve ser feito em outro horário”, ressalta Bruna.

 

A massagem pode ajudar no relaxamento e aliviar desconfortos como gases, enquanto a leitura e músicas calmas contribuem para desacelerar o bebê. Em geral, a mamada costuma ser o último passo.

 

Menos tempo, mais consistência

 

A duração também importa — mas sem exageros. “O ideal é que dure entre 20 e 30 minutos. Mais importante do que o tempo é a constância”, afirma. Para a especialista, o segredo está na previsibilidade. “O bebê não entende horários, mas entende padrões. Quando ele reconhece o que vem a seguir, se sente seguro — e isso facilita muito o sono.”

 

É importante compreender que o ritual de sono é apenas o encerramento do dia, ele não substitui a necessidade de uma rotina diária equilibrada. “Não adianta ter um dia caótico e esperar que apenas os preparativos finais resolvam o descanso do bebê”, acrescenta Bruna.”

 

Sobre Bruna Ramos:

 

Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.

 

Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças.

 

Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.

Siga: @obebe_chegou

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Joana Azevedo: apoiando mães na amamentação e no taping pós-parto

Moradora do Recreio, Joana Azevedo é fisioterapeuta e especialista em amamentação e taping pós-parto
Há 11 anos dedica sua carreira à saúde materno-infantil, com foco na prevenção e resolução de dificuldades durante a amamentação e no acompanhamento do desmame sem culpa.
A trajetória empreendedora de Joana começou com a abertura de uma clínica na Barra, mas foi após o nascimento do filho que descobriu sua verdadeira vocação.

 

“Comecei ajudando vizinhas e amigas, e uma foi indicando para outra”, relembra.

 

A experiência pessoal com o aleitamento, marcada por informação e acolhimento, despertou o desejo de apoiar outras mulheres. Hoje, como consultora em amamentação, Joana ajuda mães a amamentarem sem dor e a desmamar sem culpa, além de compartilhar conteúdos nas redes sociais, promovendo uma maternidade mais leve, informada e segura.

 

Para acompanhar o trabalho de Joana, siga o perfil no Instagram: @joana.amamentacao, ou entre em contato pelo WhatsApp: (21) 99951-9674.

 

* O taping pós-parto é uma técnica para reduzir inchaços, aliviar dores, melhorar a postura e dar suporte abdominal após cesárea ou parto normal

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Preparação para amamentar deve começar antes do nascimento do bebê

Focar apenas no parto pode causar intervenções desnecessárias e trazer dificuldades e insegurança para as futuras mamães, alerta especialista!

 

Durante a gestação, grande parte das mulheres concentra seus estudos e expectativas no parto. A amamentação costuma ficar para “depois”. O problema é que, quando o bebê nasce, o cenário é outro: cansaço, adaptação, emoções intensas e uma enxurrada de palpites.

 

Para a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, essa é uma das principais falhas que dificultam o início da amamentação.

 

“O preparo para amamentar começa na gestação. Depois que o bebê nasce, tudo é novo. A mãe está cansada, sensível e aprendendo a cuidar de um recém-nascido. Estudar nesse momento pode ser muito mais difícil”, explica.

 

Segundo ela, cada dia importa. “Cada intervenção desnecessária e cada dificuldade que se prolonga podem tornar a situação mais complexa e demorada de resolver. Quanto antes a mãe estiver informada, mais segurança ela terá.”

 

O que realmente é preparo?

 

Ao contrário do que muitos ainda orientam, a preparação não envolve receitas caseiras ou “fortalecimento” da pele.

 

“A principal forma de se preparar é por meio da informação. Saber como é a pega correta, entender como funciona a produção de leite e conhecer o comportamento do recém-nascido fazem toda a diferença”, orienta.

 

Bruna alerta que algumas práticas antigas não são recomendadas:

 

• Esfregar os seios com bucha vegetal pode causar lesões e até infecções;

 

• O uso de hidratantes no mamilo pode deixar a pele mais fina e suscetível a machucados;

 

• Não há comprovação científica sobre a eficácia de tomar sol nos seios, embora exposições breves e seguras não sejam proibidas.

 

“Não existe preparo físico milagroso. Existe preparo emocional e informativo”, reforça.

 

Organização antes do nascimento

 

Além do conhecimento, a especialista recomenda atitudes práticas ainda na gestação: usar sutiãs confortáveis e respiráveis, já ter o contato de uma consultora de amamentação ou do banco de leite da cidade e, principalmente, alinhar expectativas com a rede de apoio.

 

“Converse com o parceiro e com as pessoas que estarão próximas. Deixe claro que você precisa de apoio e não de palpites que gerem insegurança. ”

 

Para Bruna, a mensagem é simples: “Se preparar antes é um investimento em tranquilidade. A amamentação pode ser aprendida. Informação reduz medo, evita intervenções desnecessárias e decisões precipitadas.”

 

Sobre Bruna Ramos:

 

Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.

 

Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde.

 

Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças. Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.

 

https://www.instagram.com/obebe_chegou/

 

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Mariana Ramaciote: acolhimento na jornada das mães e dos jovens

Fisioterapeuta com especialização em neuropediatria, neonatologia, equoterapia e psicomotricidade, Mariana Ramaciote construiu sua trajetória com um propósito claro: transformar vidas por meio do cuidado empático e do vínculo entre mãe e filho

 

Sua missão é promover o desenvolvimento infantil com técnica e afeto, fortalecendo famílias e oferecendo suporte, especialmente às mães que vivenciam a jornada atípica.

 

Foi com esse olhar sensível que nasceu o Espaço Passos de Transformação, na Barra da Tijuca. O ambiente foi idealizado para acolher mães que se sentem sobrecarregadas e buscam um lugar de escuta e reconexão.

 

Foi com esse olhar sensível que nasceu o Espaço Passos de Transformação, na Barra da Tijuca. O ambiente foi idealizado para acolher mães que se sentem sobrecarregadas e buscam um lugar de escuta e reconexão.

 

“Aqui, cada mãe é vista, ouvida e fortalecida”, explica Mariana.

 

Com o desejo de ampliar esse acolhimento, surgiu ainda o Projeto Abraça Mãe, criado para ouvir, apoiar e fortalecer mães atípicas — aquelas que convivem com os desafios de cuidar de filhos com necessidades especiais.

 

O projeto oferece encontros e rodas de conversa voltadas ao autocuidado, à troca de experiências e ao fortalecimento emocional. Além das mães atípicas, o espaço também recebe mães não atípicas, oferecendo rodas e vivências que promovem equilíbrio e bem-estar.

 

Mariana também olha com atenção para os jovens. O projeto Entre Nós acolhe adolescentes de 12 a 17 anos em encontros semanais que incentivam a expressão emocional, a autoestima e os vínculos saudáveis.

 

“Eles precisam ser escutados, vistos e acolhidos”, afirma.

 

Com o lema “cuide de si para cuidar melhor de quem você ama”, Mariana e sua equipe têm impactado positivamente mães, jovens e crianças, reforçando o poder do afeto e da escuta como ferramentas de transformação.

 

Para acompanhar o trabalho de Mariana Ramaciote, siga o perfil no Instagram: @mariramaciote.oficial, ou entre em contato pelo número (21) 97143-7991

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Dengue em crianças: sintomas que os pais não podem ignorar

Evolução rápida do quadro clínico torna a doença mais perigosa para os pequenos; pediatra alerta para sintomas que exigem atenção imediata

 

A dengue em crianças de até cinco anos exige um olhar atento, pois o quadro clínico pode variar com mais frequência e o risco de letalidade é consideravelmente mais alto, chegando a ser três vezes superior ao observado na faixa etária de 10 a 14 anos, segundo pesquisa da Fiocruz. Outro fator que preocupa muitos pais nesse cenário é a semelhança entre os sintomas da dengue e do resfriado comum. Porém, a pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Vivian Pereira, aponta que uma das diferenças entre a doença e um resfriado é que a dengue raramente apresenta sintomas respiratórios como coriza ou tosse.

 

“Dentre os sinais que os pais devem estar atentos está o estado de prostração, no qual a criança perde o interesse por brincadeiras, fica bastante sonolenta ou, no caso de bebês, apresenta uma irritabilidade difícil de ser acalmada. Outro sintoma mais característico da doença nos pequenos é o início súbito de uma febre alta, que geralmente oscila entre 39°C e 40°C”, explica a médica.

 

A doença em crianças, especialmente nas menores de cinco anos, é considerada mais perigosa. De acordo com Vivian, isso acontece devido a uma combinação de fatores biológicos e dificuldades no diagnóstico precoce.

 

“O corpo das crianças é composto por uma proporção maior de água e elas possuem uma reserva de líquidos menor do que os adultos. Isso faz com que a desidratação e o extravasamento de plasma, que ocorre em casos graves de dengue – ocasionando dificuldades respiratórias e sangramento –, aconteça de forma muito mais rápida”, comenta a pediatra.

 

Enquanto em adultos os sinais de gravidade costumam aparecer de forma gradual, em crianças o quadro pode evoluir de maneira repentina, muitas vezes logo após a febre baixar. Além disso, a imunidade das crianças ainda está se desenvolvendo.

 

“O sistema imunológico da criança, ainda em formação, pode reagir de maneira intensa à infecção. Em bebês menores de dois anos, a presença de anticorpos maternos pode, curiosamente, aumentar o risco de uma reação inflamatória mais grave em caso de infecção por certos sorotipos da dengue”, reforça Vivian.

 

Quais sintomas observar em crianças?

 

À medida que a doença progride, é comum o surgimento de dores musculares e articulares. Segundo a pediatra, como os pequenos nem sempre conseguem localizar a dor, eles podem manifestar esse desconforto através da recusa em andar e se movimentar.

 

“Outro sinal frequente é a falta de apetite, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Entre o segundo e o quinto dia de febre, também podem aparecer manchas avermelhadas pelo corpo, que às vezes coçam e podem ser confundidas com outras viroses exantemáticas (doenças infecciosas caracterizadas por erupções cutâneas)”, ressalta.

 

O ponto de maior atenção ocorre justamente quando a febre começa a ceder. Este período, que muitos pais interpretam como o início da melhora, é quando podem surgir os sinais de gravidade.

 

“Nesse momento, é necessário monitorar a presença de dor abdominal intensa, vômitos que não param e qualquer tipo de sangramento, seja no nariz ou nas gengivas. A hidratação rigorosa com água, soro e sucos é o principal cuidado, mas o acompanhamento médico é indispensável para evitar complicações”, explica Vivian.

 

A pediatra indica que os pais fiquem atentos à quantidade de fraldas molhadas. “Se a criança estiver urinando menos que o habitual, é um sinal claro de que a hidratação não está sendo suficiente e o médico deve ser consultado novamente com urgência”, conclui a especialista.

 

Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

 

No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.

 

As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica.

 

Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS.

 

A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.

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Peito murcho e bebê “brigando” para mamar. Será que isso é falta de leite?

Especialista em amamentação Bruna Ramos explica que com o tempo a produção se ajusta à demanda do bebê e essa mudança, que assusta muitas mães, é totalmente fisiológica. Entenda!

 

Entre as muitas inseguranças que surgem nos primeiros meses de vida do bebê, uma das mais comuns é a suspeita de baixa produção de leite. O peito deixa de vazar, parece mais “murcho” e o bebê começa a mamar mais rápido ou até a “brigar” no peito. Para muitas mulheres, isso soa como um alerta de que o leite está acabando.

 

Mas, segundo a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, essa mudança é esperada — e, na maioria dos casos, não indica problema algum.

 

“Quando o bebê nasce, o corpo da mulher ainda não sabe quanto ele mama. Então produz leite em abundância. É comum o peito ficar cheio, dolorido, vazando. Só que, conforme o bebê mama em livre demanda, o organismo entende qual é a necessidade real e ajusta a produção”, explica.

 

Esse ajuste costuma acontecer entre a 6ª e a 12ª semana de vida. Nessa fase, cerca de 80% do leite passa a ser produzido durante a própria mamada e não antes dela. “O peito deixa de ficar constantemente cheio, mas isso não significa falta de leite”, reforça Bruna.

 

A chamada “crise dos 3 meses”

 

Por volta do terceiro mês, é comum que o bebê fique mais impaciente no peito: mama por poucos minutos, se distrai, larga e volta ou demonstra irritação.

 

“É uma fase em que o bebê está mais curioso, quer explorar o ambiente e também precisa fazer um pouco mais de esforço para mamar, já que o leite agora é produzido principalmente durante a sucção. E isso é normal”, explica a especialista.

 

Segundo Bruna, esse esforço é, inclusive, benéfico. “A sucção ativa fortalece a musculatura da face e contribui para o desenvolvimento oral.”
O ganho de peso também pode gerar insegurança. “O bebê passa a gastar mais energia porque está mais ativo. É esperado que o ritmo de ganho de peso diminua em comparação aos primeiros meses. Isso não significa que há pouco leite.”

 

Quando é preciso atenção?

 

A preocupação deve surgir apenas em situações específicas. “Se o bebê mama em livre demanda, não usa chupeta ou mamadeira, está crescendo, se desenvolvendo, fazendo bastante xixi e ganhando peso, não há motivo para pensar em baixa produção”, orienta.

 

O uso de bicos artificiais pode interferir. “Chupeta e mamadeira podem gerar confusão de fluxo e de sucção, o que impacta a dinâmica da amamentação.”

 

Para evitar intervenções desnecessárias, como a introdução precoce de fórmula, Bruna reforça: “Peito murcho não é sinônimo de pouco leite. Vazamento não é termômetro de produção. E bebê que mama rápido não significa que está passando fome. Muitas vezes, é apenas o corpo funcionando como deveria.”

 

E conclui: “Essa fase passa. Entender o que está acontecendo traz segurança e ajuda a mãe a viver a amamentação com mais leveza e menos culpa.”

 

Sobre Bruna Ramos:

 

Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.
Criadora do perfil @obebe_chegou,

 

Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças. Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.

 

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Cinco ideias para criar um quarto infantil mais seguro, funcional e estimulante

Criar um quarto infantil seguro vai muito além da estética. O ambiente precisa favorecer o desenvolvimento da criança, permitir autonomia e reduzir riscos no dia a dia.

 

A seguir, especialistas em desenvolvimento infantil e design apontam cinco ideias que ajudam famílias a transformar o quarto em um espaço mais protegido, funcional e adequado a cada fase da infância.

  1. Priorizar móveis com cantos arredondados e materiais atóxicos
    Móveis sem quinas vivas e produzidos com materiais certificados ajudam a reduzir riscos de acidentes e evitam a exposição a substâncias nocivas. Essa escolha é especialmente importante nos primeiros anos, quando a criança explora o ambiente de forma mais intensa e espontânea.
  2. Apostar em móveis montessorianos para estimular autonomia
    Camas baixas, estantes acessíveis e módulos que a criança consegue usar sozinha favorecem a independência e o aprendizado prático. A proposta montessoriana respeita o ritmo infantil e incentiva decisões simples do cotidiano, como guardar brinquedos ou escolher livros, sempre em um ambiente seguro. Nesse contexto, a Little Duck vem ganhando destaque ao criar móveis de espuma montessorianos que combinam design modular, materiais seguros e uma proposta clara: apoiar o desenvolvimento infantil por meio do brincar e da autonomia no dia a dia.
  3. Criar áreas de brincar com superfícies macias
    Tapetes, módulos de espuma e pisos acolchoados ajudam a absorver impactos e tornam o espaço mais confortável para brincar no chão. Além da segurança, superfícies macias estimulam o movimento livre e a criatividade, especialmente em atividades físicas e sensoriais.
  4. Manter o ambiente organizado e com circulação livre
    A disposição dos móveis influencia diretamente a segurança. Ambientes com circulação desobstruída reduzem quedas e facilitam a supervisão dos adultos. Soluções modulares e multifuncionais ajudam a adaptar o quarto conforme a criança cresce, sem sobrecarregar o espaço.
  5. Pensar o quarto como um espaço que evolui com a criança
    Ambientes infantis precisam acompanhar as mudanças de interesse, mobilidade e rotina ao longo do crescimento. Escolher móveis flexíveis e soluções que se adaptem a diferentes fases permite que o quarto continue funcional por mais tempo, evitando trocas constantes e garantindo um espaço sempre adequado à idade.

 

Ao pensar o quarto infantil como um espaço de aprendizado, movimento e segurança, famílias conseguem criar ambientes mais acolhedores e alinhados às necessidades reais das crianças, unindo cuidado, funcionalidade e estímulo ao desenvolvimento desde cedo.

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Ciclos de violência silenciosa na infância: como romper?

A violência que marca tantas histórias na vida adulta raramente começa ali. Ao longo da minha trajetória profissional, tenho observado que ela costuma ser construída muito antes, nos vínculos afetivos, nos modelos de cuidado e nos silêncios que cercam a infância.

 

Em um país onde os índices de violência contra mulheres permanecem alarmantes, com registros oficiais apontando, no último ano, cerca de quatro mortes por dia, cresce a urgência de olhar para a origem desses ciclos: lares e ambientes onde crianças crescem sem afeto, limite, respeito e são abandonadas.

 

Vejo que a falta de atenção e de cuidados essenciais no desenvolvimento infantil está, frequentemente, associada à chamada pobreza afetiva, à sobrecarga dos cuidadores e à dificuldade de acesso à informação ou à saúde mental. Esse tipo de negligência emocional não se restringe a contextos de vulnerabilidade socioeconômica: também se manifesta em famílias com maior estabilidade material, nas quais o cuidado afetivo acaba sendo substituído por rotinas, exigências ou pela ausência de escuta, configurando formas silenciosas de violência, muitas vezes sem marcas visíveis.

 

Como psicopedagoga, constato, na prática escolar, que a violência vivida nesse ambiente (ainda que menos visível do que aquela que ocorre dentro de casa) é igualmente devastadora. Acredito que o espaço da escola precisa ser seguro para que a criança aprenda não apenas conteúdos, mas também vínculos, respeito e autoestima. Quando há agressões, exclusões ou negligência afetiva, o processo de aprendizagem é interrompido, pois o sofrimento passa a ocupar o lugar da atenção e da criatividade. Por isso, considero essencial promover conversas nas escolas e investir na formação emocional dos professores.

 

Percebo que sinais de sofrimento emocional podem aparecer de forma simbólica nos desenhos, nas brincadeiras e na fala das crianças. Desenhos escuros, figuras incompletas ou temas recorrentes de agressividade podem indicar a necessidade de atenção e olhar atento. Em alguns casos de violência sexual, podem surgir conteúdos sexualizados ou inadequados à idade nos desenhos e nas brincadeiras, o que exige avaliação cuidadosa de profissionais especializados.

 

Brincadeiras em que surgem dor, castigo ou submissão, assim como frases “se eu sumisse, ninguém ia notar”, costumam funcionar, a meu ver, como pedidos de socorro simbólicos, indicando a necessidade de uma atenção qualificada.

 

É urgente barrar a violência contra o público infantojuvenil e romper esse ciclo para proteger as futuras gerações, tendo em vista que crianças expostas a ambientes violentos podem crescer achando que aquilo é “normal” e reproduzirem isso em suas relações futuras. Afirmo que somente o afeto e a intervenção consciente quebram esse ciclo.

 

Em casos de suspeita de abuso, é fundamental agir sem acusar ou confrontar, abrindo espaço para o diálogo por meio de perguntas acolhedoras. Contar histórias que abordem situações de violência, perguntar se a criança ou o adolescente conhece alguém que passe por esse tipo de situação e criar conexão com os personagens são estratégias que fazem a diferença. E frases que ofereçam proteção, como “se houver algo difícil acontecendo, você pode me contar, estou aqui, sem pressa”, ajudam a promover um ambiente de confiança.

 

Procurar ajuda profissional imediatamente e acionar os canais oficiais de denúncia, como o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), o Conselho Tutelar e o Ministério Público, são importantes. Escolas, postos de saúde, igrejas e comunidades também podem atuar como pontos de atenção, acolhimento e encaminhamento. A ajuda deve vir sem medo nem vergonha. Pedir ajuda é proteger.

 

* Por Paula Furtado, psicopedagoga, escritora infantil, palestrante e contadora de histórias.

 

@paulafurtadopf