Maternidade

Do berço para a cama: o que considerar nessa transição

Especialista ensina como adaptar o enxoval nessa fase

 

A transição do berço para a cama é um dos marcos mais importantes do desenvolvimento infantil e exige cuidado e atenção. Esse momento representa o início de uma nova fase de autonomia da criança e pede adaptações no ambiente e no enxoval para garantir conforto, segurança e praticidade no dia a dia, conforme explica Thayane Ramalho, especialista em decoração e enxovais infantis.

 

Segundo Thayane, diretora criativa da Biramar Baby, uma das marcas mais tradicionais de enxoval, não existe uma idade exata para realizar essa mudança, mas é preciso prestar atenção no comportamento da criança. “O aumento da autonomia, a curiosidade para sair do berço e o incômodo com o espaço limitado são sinais importantes. Mas o principal é observar se a criança já consegue se organizar fora daquele limite físico. Se ela ainda não tem essa regulação, a mudança pode gerar mais desorganização do que evolução”, explica.

 

A mudança do berço para a cama também transforma a função do enxoval. Itens típicos de berço, como protetores laterais e acessórios de contenção, deixam de ser necessários. Em contrapartida, peças mais funcionais ganham importância, como jogos de cama confortáveis e itens que sejam fáceis de trocar e lavar. Colchas leves e mantas versáteis de linhas infantis contribuem para deixar essa adaptação mais agradável.

 

Uma opção que vem ganhando força é a escolha de enxovais pensados para acompanhar o crescimento da criança. Um bom caminho é optar por produtos que permitam o reaproveitamento de peças utilizadas no berço em fases posteriores, como na mini cama ou na cama de solteiro infantil, garantindo uma transição prática e sustentável.

 

O estilo montessoriano também segue sendo uma forte tendência na montagem do quarto dos bebês. O método, desenvolvido pela médica e educadora Maria Montessori, prioriza desenvolvimento, autonomia e liberdade de escolha. Além da proposta educativa, o estilo montessoriano possibilita a montagem de quartos versáteis e funcionais, sendo uma boa escolha para famílias que valorizam  a praticidade e o lúdico. “O quarto montessoriano tem uma relevância que é duradoura. É comum mesclar esse estilo com o atemporal, partindo de bases neutras e unindo a autonomia e o desenvolvimento da criança com a funcionalidade e a durabilidade do espaço”, aponta Thayane.

 

Um ponto importante nessa fase é evitar mudanças bruscas, mantendo elementos conhecidos e de valor afetivo. “A criança saiu de um espaço de contenção para um ambiente aberto. Se tudo muda, ela sente. Manter texturas, cheiros e cores semelhantes ao que ela já conhece deixa essa transição mais leve. Aproveitar peças do berço traz familiaridade e ajuda a criança a não sentir que perdeu aquele espaço”, comenta Thayane.

 

Vale lembrar que a segurança continua sendo prioridade nesse momento, mas passa a envolver todo o ambiente do quarto. A altura da cama e o espaço para circulação devem ser observados com atenção, assim como os itens que ficam ao redor. A praticidade, a resistência e o conforto das roupas de cama também são importantes.

 

Mais do que uma mudança física do espaço, a passagem do berço para a cama representa uma etapa simbólica do desenvolvimento infantil. “A transição não é só do berço para a cama, é da contenção para a autonomia. E o ambiente precisa acompanhar esse movimento”, conclui Thayane.

 

Sobre a Biramar Baby

 

A Biramar Baby & Kids é uma tradicional fábrica de enxovais e artigos para bebês e crianças, com sede em Ibitinga, no interior de São Paulo. Há 40 anos no mercado, a empresa se destaca pela confecção de kits completos para berços, roupas de cama para solteiros, além de roupas e acessórios infantis. A Biramar Baby é pioneira no segmento, oferecendo uma linha completa de roupinhas e complementos que coordenam perfeitamente com os enxovais, unindo qualidade, conforto e estilo em cada peça.

Maternidade

Mãe que temia diagnóstico do filho se torna cuidadora e ajuda alunos a evoluir

No mês das mães, história de mulher que se tornou cuidadora para compreender o autismo do próprio filho mostra como o cuidado pode transformar não só uma casa, mas a experiência da inclusão nas escolas

 

Ser mãe é, muitas vezes, aprender um novo jeito de ver o mundo. E, no mês dedicado a elas, a história de uma mulher que transformou dúvidas em conhecimento e ação revela como a maternidade, vivida em sua plenitude, pode ir além dos limites de uma casa e transformar caminhos ao redor.

 

Quando recebeu o diagnóstico de autismo não verbal do filho, ainda pequeno, Kelly Cristina Oliveira dos Santos, hoje com 49 anos, sentiu o mundo parar.

 

“Eu achava que nosso mundo tinha acabado. Tinha muito medo do sofrimento que ele poderia passar”, lembra.

 

Mas, ao invés de paralisar, ela escolheu um caminho que mudaria não só a vida do filho, mas também a de muitas outras famílias: decidiu aprender na prática. E foi além.

 

Kelly tornou-se cuidadora de alunos com deficiência na rede estadual de ensino. No dia a dia da escola, passou a conviver com adolescentes autistas, observar comportamentos, entender sinais e, principalmente, descobrir que inclusão não está em fórmulas prontas, mas em gestos simples.

 

Foi assim que o aprendizado atravessou os muros da escola e chegou em casa.

 

Às vezes, o que parece birra ou chatice para muita gente é só uma forma de uma pessoa com autismo expressar desconforto. Quando a gente entende isso, tudo muda”, diz.

 

Mãe do pequeno Noah, de 8 anos, que além do autismo também convive com TDAH e déficit de atenção, Kelly passou a olhar para o filho com mais escuta, mais paciência, firmeza e menos medo.

 

E os resultados começaram a aparecer aos poucos, no tempo dele. “Eu passei a incentivar mais a autonomia e a independência dele. E comecei a ver mudanças. Em um dia, ele conseguiu levar e buscar o próprio prato de comida e, no outro,  já estava falando ‘batata frita’. Pode parecer bobeira, mas pra gente não é. Eu vibrei muito quando ouvi e vi aquilo”, conta ela, ressaltando uma frase que carrega um significado imenso para quem aprende a celebrar cada pequena conquista como um grande avanço.

 

“Hoje, eu entendo que cada dia é uma vitória com o autismo”, pontua Kelly.

 

Na escola estadual onde atua, em Guarulhos, Kelly também coleciona histórias que reforçam esse aprendizado.

 

Um dos alunos que ela acompanha, de 16 anos, tinha dificuldade em demonstrar afeto fora do ambiente familiar e resistia à rotina escolar. Com paciência e sensibilidade, ela construiu um vínculo.

 

“Com jeitinho, fui ganhando a confiança dele. Hoje, ele gosta de ir à escola e já teve momentos em que beijou minha mão. A mãe dele ficou emocionada quando soube”, lembra a cuidadora.

 

Histórias como essa fazem com que Kelly enxergue seu trabalho como algo maior.

 

“Eu encaro como se fosse os olhos das outras mães dentro da escola. Cuido dos meus alunos como se fossem meus filhos.”

 

Cuidado e inclusão

 

A trajetória dela reflete um movimento que cresce silenciosamente em escolas brasileiras. Kelly faz parte da equipe da Conviva Serviços, instituição que atende de forma terceirizada mais de 10 mil alunos com deficiência em escolas públicas paulistas, por meio de contratos com o Estado e prefeituras. E que também tem um dado revelador: 97% do quadro funcional é formado por mulheres, muitas delas mães.

 

Para a diretora-presidente da instituição, Maíra Pizzo, esse fenômeno mostra que o impacto da inclusão vai muito além da sala de aula.

 

“Temos muitas cuidadoras que são mães, tias ou irmãs de pessoas com deficiência e elas trazem uma sensibilidade muito grande e que ajuda no trabalho. O cuidador é peça essencial na inclusão, pois é responsável por auxiliar os estudantes com deficiência em atividades da rotina, como alimentação, locomoção e higiene, contribuindo também para a autonomia, a comunicação e a socialização”, explica Maíra.

 

“E isso tudo faz com que o aluno tenha acesso ao ambiente da escola regular de forma mais digna. E, muitas vezes, esse aprendizado todo até ultrapassa a escola e transforma também a dinâmica familiar, como vemos na história da Kelly e de tantas outras mães também cuidadoras”, finaliza a diretora-presidente da Conviva Serviços.

 

Sobre a Conviva

 

Com três décadas de atuação, a Conviva Serviços exerce importante papel para a educação inclusiva no Brasil. É considerada uma das principais entidades privadas a se especializar para atender aos alunos com deficiência na escola regular, através do cuidador, também chamado de Profissional de Apoio Escolar. A Conviva Serviços está presente em todo o território nacional com importantes atuações em São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo e outros estados. E, além do apoio escolar, oferece equipes multidisciplinares em seu quadro funcional.

Maternidade

Elas são mães 40+ com filhos crescidos e desgaste emocional

Psicóloga fala sobre maternidade na maturidade e questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher, como a chamada “geração sanduíche”, de quem cuida de filhos crescidos e pais idosos

 

O mês das mães costuma ser ilustrado por imagens de crianças pequenas e de colo, mas, para uma parcela significativa das mulheres, a maternidade na maturidade traz desafios invisíveis e complexos. A Dra. Regina Nicolosi, psicóloga, fonoaudióloga e doutora em comunicação, chama a atenção para a realidade das mães 40+, que muitas vezes se veem no centro da chamada “geração sanduíche”.

 

De acordo com ela, “a maternidade na maturidade envolve muitas questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher, como o que aflige a ‘geração sanduíche’, em que mulheres acabam sobrecarregadas por terem filhos ainda dependentes financeiramente (adolescentes ou jovens adultos) e terem que cuidar, de maneira parcial ou integral, de seus pais ou parentes idosos”, explica.

 

Esse cenário de múltiplas demandas ocorre em um momento biológico delicado. A perimenopausa e a menopausa trazem alterações hormonais que intensificam sintomas como irritabilidade, lapsos de memória e exaustão física. Sem o devido acompanhamento, o desgaste emocional pode evoluir para quadros depressivos, alimentados por uma cobrança social de que a mulher “deve ser o pilar inabalável da família”.

 

Para ajudar mulheres a encontrar o equilíbrio, a Dra. Regina Nicolosi sugere a procura por ajuda psicológica, seja individual ou em grupo. De acordo com ela, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode contribuir para a reestruturação dos pensamentos e comportamentos, ainda mais em uma fase tão delicada. A especialista listou algumas dicas para lidar com a sobrecarga e a culpa:

 

,• Identifique os pensamentos automáticos:* Sabe aquela voz interna que diz “eu deveria estar fazendo mais”? Na TCC, chamamos isso de distorção cognitiva. Questione a veracidade dessa culpa. Você está realmente falhando ou apenas atingiu seu limite humano?

 

• Desconstrua o esquema da “Mãe Maravilha”:* A culpa nasce da distância entre quem você é e quem você acha que deveria ser. Aceitar que você não precisa dar conta de tudo sozinha é o primeiro passo para a saúde mental.

 

• Estabeleça limites saudáveis:* Filhos que já estão na fase final da adolescência, ou já são jovens adultos, precisam de autonomia e, para isso, assumir e realizar tarefas, como ajudar em casa e arrumar o próprio quarto. Pratique o automonitoramento: observe se você está assumindo responsabilidades que não são suas por hábito ou medo de desagradar.

 

• Resgate o autocuidado como prioridade:* Cuidar de si não é egoísmo; é estratégia de sobrevivência. Atividades que geram prazer e relaxamento ajudam a regular os níveis de cortisol, combatendo a exaustão da “geração sanduíche”.

 

A Dra. Regina destaca que a realidade da “geração sanduíche” não é privilégio de poucos. Segundo pesquisas divulgadas pela Agência Brasil, o envelhecimento progressivo da população brasileira intensifica esse fenômeno. Em 1980, apenas 4% da população tinha 65 anos ou mais. Em 2022, esse percentual já ultrapassava 10%, com tendência de crescimento nas próximas décadas. “Simultaneamente, as famílias ficam cada vez menores, concentrando o cuidado em menos pessoas, na maioria das vezes, nas mulheres.”

 

“Precisamos olhar para a transição demográfica. As pessoas estão vivendo mais, enquanto as famílias encolhem de tamanho. Na maioria das vezes, essa responsabilidade de cuidado recai sobre as mulheres”, analisa Dra. Regina Nicolosi.

 

Neste mês das Mães, é fundamental reconhecer que a “mãe 40+” não precisa carregar o mundo nos ombros. Buscar apoio emocional, reorganizar as demandas familiares e resgatar o próprio bem-estar são atos de coragem e autocuidado, e não de egoísmo.

 

Sobre Dra. Regina Nicolosi
Psicóloga, fonoaudióloga e doutora em comunicação, Dra. Regina Nicolosi dedica sua carreira a orientar e acolher mulheres na fase 40+. Com consultório em Moema (SP), une ética e compromisso clínico a uma abordagem leve e empática, focada no bem-estar feminino e na adaptação aos desafios da vida moderna. É autora do livro Imersão Digital e Suicídio: a mortificação do corpo na sociedade midiática (2025), disponível na Amazon.
Site: www.reginanicolosi.com.br e Instagram: @regina_nicolosi
Maternidade

Ovodoação permite engravidar mesmo depois dos 50

Especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington explica como técnica amplia as chances de gestação e destaca que idade da doadora, e não da receptora, é o principal fator de sucesso

 

Uma geração de mulheres que adiou a maternidade para investir na carreira, em projetos pessoais ou simplesmente por ainda não se sentir pronta está chegando ao climatério com o desejo de ser mãe ainda vivo. Para muitas, a notícia da menopausa soa como uma sentença,  mas os avanços da medicina reprodutiva mostram que não precisa ser. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres vivem essa fase, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas o acesso à informação sobre alternativas reprodutivas ainda é restrito: apenas 238 mil foram diagnosticadas pelo Sistema Único de Saúde, o que revela falhas no cuidado com a saúde feminina e amplia a urgência do debate sobre maternidade tardia.

 

A menopausa costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos e é caracterizada pela interrupção definitiva da menstruação e da função ovariana. Ainda assim, os avanços da reprodução assistida têm ampliado as possibilidades para mulheres que desejam engravidar após essa fase da vida.

 

Entre essas alternativas, a ovodoação vem ganhando espaço como uma opção segura e eficaz para mulheres em idade mais avançada. Nesse modelo, óvulos doados são fertilizados em laboratório e o embrião é transferido para o útero da paciente, que pode levar a gestação normalmente, mesmo já estando na menopausa.

 

De acordo com a especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, Dra. Thaís Domingues, o processo é viável porque, apesar da interrupção da produção de óvulos, o útero continua apto para receber uma gestação com o preparo hormonal adequado. “Mesmo sem menstruar, a mulher pode engravidar com óvulos doados. A medicina hoje permite que o útero seja preparado para receber esse embrião com segurança”, explica.

 

A idade da doadora, não da receptora, define as chances de sucesso

 

Um dos aspectos mais relevante (e menos conhecido) do tratamento é que as chances de sucesso não estão relacionadas à idade da mulher que irá gestar, mas sim à idade da doadora no momento da coleta dos óvulos. Esse fator muda completamente as perspectivas para pacientes em idade mais avançada.

 

“Costumamos dizer que é um gesto de empatia profunda, que possibilita a realização do sonho da maternidade para quem já não tem mais óvulos viáveis”, afirma a Dra. Thaís.

 

A técnica surge, assim, não apenas como uma alternativa médica, mas como resposta concreta a uma transformação social em curso: mulheres que chegaram ao climatério com projetos de vida ainda em aberto encontram na ciência uma possibilidade real de realizá-los.

 

Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva

 

Com 30 anos de história e tradição, a Huntington Medicina Reprodutiva é uma das principais referências em reprodução assistida no Brasil. Ao longo de sua trajetória, construiu reconhecimento nacional pela excelência médica, rigor científico e pelo cuidado humano oferecido a pacientes e famílias que buscam realizar o sonho da parentalidade.

 

A clínica atua com um portfólio completo de tratamentos em reprodução assistida, contemplando infertilidade feminina, masculina e do casal, congelamento de óvulos, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas, oncofertilidade, aconselhamento genético e tecnologias avançadas de laboratório, como o sistema time-lapse, sempre com uma abordagem individualizada e acolhedora.

 

Atualmente, a Huntington integra o Grupo Eugin, uma das maiores e mais respeitadas redes de reprodução assistida do mundo, presente em nove países. Essa conexão internacional fortalece o intercâmbio científico, a inovação contínua e o compromisso da Huntington com a evolução da medicina reprodutiva, mantendo o paciente no centro de todas as decisões.

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Ampliação da licença-paternidade reforça corresponsabilidade parental e pode redefinir papel do pai na Justiça

Sancionada pelo presidente Lula nova Lei nº 15.371/2026 vai além dos direitos trabalhistas e dialoga com guarda dos filhos

 

O presidente Lula sancionou a lei que amplia a licença-paternidade para até 20 dias no Brasil. A nova legislação (Lei nº 15.371/2026) inaugura um movimento que vai além das relações de trabalho e começa a repercutir diretamente nas relações familiares. A medida representa um avanço importante na consolidação da corresponsabilidade parental — conceito que prevê a divisão equilibrada de deveres entre mãe e pai desde os primeiros dias de vida da criança.

 

Na prática, ao garantir mais tempo de convivência entre pais e filhos logo após o nascimento ou adoção, a legislação contribui para fortalecer vínculos afetivos e estabelecer uma participação mais ativa do pai na rotina familiar. Esse cenário pode impactar, inclusive, decisões futuras do Judiciário em casos de guarda, convivência e responsabilidades parentais.

 

De acordo com Patricia Valle Razuk, sócia do PHR Advogados e especialista em Direito de Família e Sucessões, a ampliação da licença-paternidade sinaliza uma mudança cultural relevante, que tende a se refletir nas disputas familiares.

 

“A discussão sobre corresponsabilidade parental já é bastante presente nas ações de guarda, e a ampliação da licença-paternidade reforça esse entendimento na prática. Quando o Estado incentiva a presença do pai desde o início, ele também consolida a ideia de que o cuidado é um dever compartilhado, o que pode influenciar diretamente a forma como a Justiça analisa o papel paterno”, explica.

 

Além disso, a medida também pode contribuir para reduzir a sobrecarga historicamente atribuída às mães, promovendo maior equilíbrio nas dinâmicas domésticas. “Essa mudança pode ter reflexos indiretos em temas como pensão alimentícia, divisão de responsabilidades e até na prevenção de conflitos familiares”, acrescenta a advogada.

 

Impactos para casais LGBTQIAPN+

 

Outro ponto de atenção está no potencial das novas regras para diferentes arranjos familiares. Afinal, a nova legislação não é direcionada apenas para pais biológicos. Portanto, para casais LGBTQIAPN+, é importante assegurar o princípio de igualdade perante à lei.

 

“O entendimento do STF é de que a licença deve proteger a criança e garantir isonomia entre os arranjos familiares. Na prática, quem gesta tem direito à licença-maternidade, independentemente de ser uma mulher cis ou um homem trans. Já o outro genitor ou responsável legal acessa a licença-paternidade, agora ampliada, sem distinção quanto à orientação sexual do casal”, conclui Razuk.

 

Sobre Patrícia Valle Razuk

 

Sócia e co-fundadora do PHR Advogados. Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), especialista em Direito de Família e Sucessões pela Escola Paulista de Direito (EPD). Especialista em Mediação de Conflitos pela Harvard Law School.

Maternidade

Engravidar depois dos 50: até onde a maternidade pode ser adiada?

Cada vez mais mulheres adiam o sonho de ser mãe, mas o que realmente é possível depois dos 45 e quais são os riscos envolvidos?

 

Aos 56 anos, Margareth Mata voltou a viver algo que parecia pertencer a outra fase da vida: noites interrompidas e o cheiro inconfundível de bebê pela casa. Os três filhos já eram adultos, a rotina estava mais silenciosa e o casal começava a experimentar uma nova liberdade. Ainda assim, dentro dela, a maternidade não parecia encerrada.

 

“O desejo de ter mais um filho nunca foi completamente embora. Ele apenas ficou guardado, esperando o momento em que fosse impossível ignorá-lo”, afirma a funcionária pública, que vive no Espírito Santo.

 

Quando decidiu tentar novamente, Margareth sabia que não seria uma escolha simples. Sabia que envolveria conversas delicadas, avaliações médicas e, principalmente, coragem. “Meu marido achava que talvez não fosse o momento. Ele dizia que agora era a fase de aproveitar a vida a dois, já que os filhos já estavam criados. Mas, para mim, o sonho ainda estava vivo”, explica.

 

A gravidez aconteceu por meio da fertilização in vitro e transformou aquela etapa da família em algo inesperadamente intenso. E houve um detalhe que, para Margareth, tornou tudo ainda mais especial. “Antes de eu engravidar, minha mãe, que faleceu logo após o nascimento do meu bebê, sonhou com um menino de olhos azuis, exatamente como os do meu marido. Quando meu filho nasceu, com os olhos claros do pai, foi impossível não lembrar dela”, lembra Margareth.

 

Se por um lado a história emociona, por outro ela desperta curiosidade e questionamentos. Afinal, é mesmo possível engravidar depois dos 50? E quais são os limites do corpo feminino quando o desejo de maternar permanece?

 

Nos últimos anos, a maternidade tardia deixou de ser exceção isolada e passou a refletir uma transformação maior. Mulheres priorizam formação, carreira, estabilidade emocional, recomeçam relacionamentos, reorganizam planos. A decisão de ter filhos acontece mais tarde e, com isso, cresce também a busca por tratamentos de reprodução assistida.

 

Mas a medicina amplia possibilidades, não apaga os limites biológicos

Para a Dra. Thaís Domingues, especialista em reprodução humana da Huntington Medicina Reprodutiva, é fundamental que histórias inspiradoras venham acompanhadas de informação clara.

“Quando aparecem casos na mídia, pode parecer que é fácil engravidar depois dos 50, mas não é. De três a cinco anos antes da menopausa a chance de engravidar naturalmente já é menor que 5%, e após os 45 essa probabilidade pode ser inferior a 1% com óvulos próprios”, esclarece.

Além da dificuldade de engravidar, aumentam os riscos de alterações cromossômicas, aborto espontâneo e complicações como pressão alta na gestação, diabetes gestacional e parto prematuro. Por isso, após os 43 anos, a fertilização in vitro costuma ser a principal indicação médica e, acima dos 45, é comum que o tratamento envolva óvulos doados.

“Quando a paciente recebe um óvulo de uma mulher jovem, ela passa a ter a chance de gravidez daquela idade. Isso melhora as possibilidades, mas não elimina completamente os riscos relacionados à idade materna”, explica a Dra. Thaís.

Mesmo com acompanhamento especializado, cada caso precisa ser avaliado individualmente. No Brasil, a recomendação é que os tratamentos sejam realizados até os 50 anos, sempre com acompanhamento médico rigoroso.

Margareth sabe que sua história chama atenção. E sabe também que os olhares vêm acompanhados de suposições.

“Eu sabia que muita gente ia questionar, e isso acontece até hoje. Muitas vezes, quando estamos em lugares públicos, como no parque ou na praia, as pessoas ficam olhando, tentando entender se somos os avós da criança. Mas isso não interfere na minha escolha, não me importo. O que eu sei é que, se eu não tivesse tentado, ia carregar essa vontade para sempre”, revela.

Entre limites biológicos e avanços da ciência, a maternidade depois dos 50 continua sendo rara, exige acompanhamento e envolve riscos. Mas, para algumas mulheres, ela representa algo ainda maior: a possibilidade de não silenciar um desejo que resistiu ao tempo.

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Além do banho: como criar um ritual de sono que realmente funciona para o bebê

Especialista Bruna Ramos explica como a combinação de ambiente, rotina e estímulos sensoriais pode ajudar o bebê a relaxar e dormir melhor

 

Na tentativa de melhorar o sono dos bebês, muitas famílias apostam em um único recurso: o banho antes de dormir. Mas, na verdade, o que realmente faz diferença não é uma ação isolada e sim um conjunto de práticas que preparam o corpo e o cérebro da criança para o descanso.

 

Segundo a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, o chamado ritual do sono é uma ferramenta essencial, e ainda subestimada, na rotina dos bebês.

 

“O ritual do sono é uma sequência de ações realizadas sempre antes do sono noturno. Ele sinaliza para o bebê que a hora de dormir está chegando, gerando previsibilidade e ajudando no relaxamento”, explica.

 

O poder da repetição e a importância da transição

 

O ritual do sono pode, e deve, começar desde os primeiros dias de vida. “Desde que o bebê chega da maternidade já é possível iniciar o ritual. Quanto mais cedo ele é implementado, mais rápido o bebê se adapta e entende essa sequência”, orienta Bruna. Não existe um modelo único: cada família deve adaptar à sua realidade, mas a repetição é essencial. “A repetição diária é o que cria o hábito. Quando o bebê reconhece os sinais, ele relaxa com mais facilidade.”

 

Outro ponto fundamental, e muitas vezes negligenciado, é o período anterior ao ritual.

 

“Não adianta começar o ritual se a casa ainda está agitada. O desacelerar é fundamental para preparar o bebê para o sono”, alerta.

 

Cerca de duas horas antes de dormir, a recomendação é reduzir estímulos: diminuir as luzes, evitar telas, baixar os sons e deixar de lado brincadeiras agitadas. “Essa transição ajuda na produção de melatonina e no relaxamento do bebê”, explica.

 

O que incluir no ritual?

 

O ritual pode ser adaptado à realidade de cada família e incluir etapas como banho, massagem, leitura, canções, troca de roupa ou fralda e amamentação. “O banho não é obrigatório. Se o bebê relaxa, ótimo. Se ele se irrita, deve ser feito em outro horário”, ressalta Bruna.

 

A massagem pode ajudar no relaxamento e aliviar desconfortos como gases, enquanto a leitura e músicas calmas contribuem para desacelerar o bebê. Em geral, a mamada costuma ser o último passo.

 

Menos tempo, mais consistência

 

A duração também importa — mas sem exageros. “O ideal é que dure entre 20 e 30 minutos. Mais importante do que o tempo é a constância”, afirma. Para a especialista, o segredo está na previsibilidade. “O bebê não entende horários, mas entende padrões. Quando ele reconhece o que vem a seguir, se sente seguro — e isso facilita muito o sono.”

 

É importante compreender que o ritual de sono é apenas o encerramento do dia, ele não substitui a necessidade de uma rotina diária equilibrada. “Não adianta ter um dia caótico e esperar que apenas os preparativos finais resolvam o descanso do bebê”, acrescenta Bruna.”

 

Sobre Bruna Ramos:

 

Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.

 

Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças.

 

Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.

Siga: @obebe_chegou

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Joana Azevedo: apoiando mães na amamentação e no taping pós-parto

Moradora do Recreio, Joana Azevedo é fisioterapeuta e especialista em amamentação e taping pós-parto
Há 11 anos dedica sua carreira à saúde materno-infantil, com foco na prevenção e resolução de dificuldades durante a amamentação e no acompanhamento do desmame sem culpa.
A trajetória empreendedora de Joana começou com a abertura de uma clínica na Barra, mas foi após o nascimento do filho que descobriu sua verdadeira vocação.

 

“Comecei ajudando vizinhas e amigas, e uma foi indicando para outra”, relembra.

 

A experiência pessoal com o aleitamento, marcada por informação e acolhimento, despertou o desejo de apoiar outras mulheres. Hoje, como consultora em amamentação, Joana ajuda mães a amamentarem sem dor e a desmamar sem culpa, além de compartilhar conteúdos nas redes sociais, promovendo uma maternidade mais leve, informada e segura.

 

Para acompanhar o trabalho de Joana, siga o perfil no Instagram: @joana.amamentacao, ou entre em contato pelo WhatsApp: (21) 99951-9674.

 

* O taping pós-parto é uma técnica para reduzir inchaços, aliviar dores, melhorar a postura e dar suporte abdominal após cesárea ou parto normal

Maternidade

Preparação para amamentar deve começar antes do nascimento do bebê

Focar apenas no parto pode causar intervenções desnecessárias e trazer dificuldades e insegurança para as futuras mamães, alerta especialista!

 

Durante a gestação, grande parte das mulheres concentra seus estudos e expectativas no parto. A amamentação costuma ficar para “depois”. O problema é que, quando o bebê nasce, o cenário é outro: cansaço, adaptação, emoções intensas e uma enxurrada de palpites.

 

Para a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, essa é uma das principais falhas que dificultam o início da amamentação.

 

“O preparo para amamentar começa na gestação. Depois que o bebê nasce, tudo é novo. A mãe está cansada, sensível e aprendendo a cuidar de um recém-nascido. Estudar nesse momento pode ser muito mais difícil”, explica.

 

Segundo ela, cada dia importa. “Cada intervenção desnecessária e cada dificuldade que se prolonga podem tornar a situação mais complexa e demorada de resolver. Quanto antes a mãe estiver informada, mais segurança ela terá.”

 

O que realmente é preparo?

 

Ao contrário do que muitos ainda orientam, a preparação não envolve receitas caseiras ou “fortalecimento” da pele.

 

“A principal forma de se preparar é por meio da informação. Saber como é a pega correta, entender como funciona a produção de leite e conhecer o comportamento do recém-nascido fazem toda a diferença”, orienta.

 

Bruna alerta que algumas práticas antigas não são recomendadas:

 

• Esfregar os seios com bucha vegetal pode causar lesões e até infecções;

 

• O uso de hidratantes no mamilo pode deixar a pele mais fina e suscetível a machucados;

 

• Não há comprovação científica sobre a eficácia de tomar sol nos seios, embora exposições breves e seguras não sejam proibidas.

 

“Não existe preparo físico milagroso. Existe preparo emocional e informativo”, reforça.

 

Organização antes do nascimento

 

Além do conhecimento, a especialista recomenda atitudes práticas ainda na gestação: usar sutiãs confortáveis e respiráveis, já ter o contato de uma consultora de amamentação ou do banco de leite da cidade e, principalmente, alinhar expectativas com a rede de apoio.

 

“Converse com o parceiro e com as pessoas que estarão próximas. Deixe claro que você precisa de apoio e não de palpites que gerem insegurança. ”

 

Para Bruna, a mensagem é simples: “Se preparar antes é um investimento em tranquilidade. A amamentação pode ser aprendida. Informação reduz medo, evita intervenções desnecessárias e decisões precipitadas.”

 

Sobre Bruna Ramos:

 

Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.

 

Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde.

 

Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças. Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.

 

https://www.instagram.com/obebe_chegou/

 

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Mariana Ramaciote: acolhimento na jornada das mães e dos jovens

Fisioterapeuta com especialização em neuropediatria, neonatologia, equoterapia e psicomotricidade, Mariana Ramaciote construiu sua trajetória com um propósito claro: transformar vidas por meio do cuidado empático e do vínculo entre mãe e filho

 

Sua missão é promover o desenvolvimento infantil com técnica e afeto, fortalecendo famílias e oferecendo suporte, especialmente às mães que vivenciam a jornada atípica.

 

Foi com esse olhar sensível que nasceu o Espaço Passos de Transformação, na Barra da Tijuca. O ambiente foi idealizado para acolher mães que se sentem sobrecarregadas e buscam um lugar de escuta e reconexão.

 

Foi com esse olhar sensível que nasceu o Espaço Passos de Transformação, na Barra da Tijuca. O ambiente foi idealizado para acolher mães que se sentem sobrecarregadas e buscam um lugar de escuta e reconexão.

 

“Aqui, cada mãe é vista, ouvida e fortalecida”, explica Mariana.

 

Com o desejo de ampliar esse acolhimento, surgiu ainda o Projeto Abraça Mãe, criado para ouvir, apoiar e fortalecer mães atípicas — aquelas que convivem com os desafios de cuidar de filhos com necessidades especiais.

 

O projeto oferece encontros e rodas de conversa voltadas ao autocuidado, à troca de experiências e ao fortalecimento emocional. Além das mães atípicas, o espaço também recebe mães não atípicas, oferecendo rodas e vivências que promovem equilíbrio e bem-estar.

 

Mariana também olha com atenção para os jovens. O projeto Entre Nós acolhe adolescentes de 12 a 17 anos em encontros semanais que incentivam a expressão emocional, a autoestima e os vínculos saudáveis.

 

“Eles precisam ser escutados, vistos e acolhidos”, afirma.

 

Com o lema “cuide de si para cuidar melhor de quem você ama”, Mariana e sua equipe têm impactado positivamente mães, jovens e crianças, reforçando o poder do afeto e da escuta como ferramentas de transformação.

 

Para acompanhar o trabalho de Mariana Ramaciote, siga o perfil no Instagram: @mariramaciote.oficial, ou entre em contato pelo número (21) 97143-7991