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Atualização da Academia Americana de Pediatria publicada em 2026 recomenda que famílias priorizem brincadeiras, convivência e momentos longe dos dispositivos digitais durante o recesso
As férias escolares costumam significar mais tempo livre para as crianças e, consequentemente, mais horas diante de celulares, tablets, computadores e videogames. O cenário tem chamado a atenção de especialistas em desenvolvimento infantil e motivado novas orientações sobre o uso da tecnologia na infância.
Em uma atualização publicada em 2026, a Academia Americana de Pediatria (AAP) mudou o foco das recomendações sobre telas. Em vez de concentrar o debate apenas na quantidade de horas de exposição, a entidade passou a orientar que pais e responsáveis observem principalmente o contexto em que os dispositivos são utilizados e evitem que eles substituam experiências essenciais para o desenvolvimento infantil, como brincadeiras, atividade física, leitura, sono e convivência familiar.
O documento também recomenda que as famílias estabeleçam momentos livres de dispositivos eletrônicos, retirem celulares e tablets dos quartos das crianças, evitem o uso durante as refeições e interrompam o contato com as telas antes do horário de dormir. Segundo a entidade, o objetivo não é eliminar a tecnologia da rotina, mas garantir que ela faça parte de um ambiente equilibrado de desenvolvimento.
Nesse contexto, atividades presenciais que unem lazer e aprendizado têm ganhado espaço durante o recesso escolar. Entre elas estão as colônias de férias voltadas à estimulação cognitiva, que utilizam jogos, desafios e atividades práticas para desenvolver habilidades como atenção, memória, raciocínio lógico, criatividade, percepção visuoespacial e trabalho em equipe.
Segundo a neurocientista Lívia Ciacci, o cérebro responde de forma positiva quando o aprendizado desperta curiosidade e prazer. “O humor nasce da forma como o cérebro projeta e antecipa situações.
Quando ocorre uma quebra de expectativa, surge o riso. Essa leveza faz com que o esforço cognitivo seja mais agradável e aumenta o envolvimento das crianças nas atividades.”
A especialista explica que o cérebro possui mecanismos naturais voltados para identificar novidades, característica que favorece metodologias baseadas em desafios variados e progressivos.
“O cérebro procura naturalmente aquilo que é novo. Quando as atividades apresentam variedade e um grau de dificuldade adequado, conseguimos manter a curiosidade, a motivação e o engajamento por mais tempo.”
Outro princípio importante é a alternância entre diferentes tipos de tarefas. De acordo com Ciacci, isso permite que determinadas regiões do cérebro descansem enquanto outras permanecem em atividade.
“O ábaco, por exemplo, exige bastante concentração, mas pode ser uma atividade relaxante justamente porque desloca o foco da atenção para uma tarefa diferente. Essa mudança também ajuda a reduzir a sensação de cansaço mental.”
Para Andreia Oliveira, especialista em aprendizagem e diretora da unidade Supera Alto de Pinheiros, as férias também podem ser um período de descobertas e desenvolvimento. “Quando a criança encontra desafios que despertam a curiosidade, ela aprende de forma espontânea e prazerosa. As férias são uma excelente oportunidade para ampliar esse repertório por meio de atividades presenciais que estimulam o raciocínio, a criatividade, a autonomia e a convivência.”
Segundo Lívia Ciacci, iniciativas desse tipo ajudam a ampliar o repertório de experiências das crianças justamente em um período em que o uso de dispositivos eletrônicos tende a aumentar, favorecendo a interação social, a criatividade, a autonomia e a resolução de problemas por meio de atividades presenciais.
Programação
Durante o mês de julho, unidades do Supera promovem colônias de férias para crianças entre 5 e 12 anos. A programação reúne jogos de raciocínio, desafios de memória, exercícios de criatividade e atividades colaborativas que estimulam habilidades cognitivas e socioemocionais de forma lúdica. Na unidade do *Supera Alto de Pinheiros, em São Paulo, as atividades acontecem às terças-feiras, das 17h às 19h, e às sextas-feiras, das 10h ao meio-dia.*
Por que o recesso escolar pode ser decisivo para o bem-estar e a aprendizagem de crianças e adolescentes
Educadores do Mão Amiga defendem que a pausa no calendário letivo vai além do descanso; pausa ajuda a reorganizar emoções, fortalecer vínculos familiares e ampliar repertórios fora da sala de aula
O mês de julho costuma trazer uma cena conhecida para muitas famílias: de um lado, crianças e adolescentes contando os dias para as férias; de outro, pais e responsáveis tentando conciliar trabalho, rotina da casa e a expectativa de oferecer férias “bem aproveitadas”. No meio dessa equação, uma pergunta aparece com frequência: afinal, o que faz das férias um período realmente importante para o desenvolvimento dos estudantes?
Para educadores, a resposta passa menos por viagens ou atividades planejadas e mais por algo simples — e difícil de sustentar na correria do ano: tempo para desacelerar, conviver e reorganizar a rotina emocional depois de um semestre intenso. No Mão Amiga VIS Foundation Brasil, colégio filantrópico localizado em Itapecerica da Serra, o recesso é entendido como parte do desenvolvimento dos estudantes, influenciando a forma como retomam a aprendizagem, a convivência e o restante do ano letivo.
“Durante o semestre, a criança lida com provas, trabalhos, adaptação, novos professores, relações sociais e frustrações. Tudo isso exige muito dela. As férias oferecem uma pausa para ajustar as emoções e recuperar a energia. Esse intervalo não interrompe a aprendizagem, pelo contrário, ajuda a elaborar o que foi vivido, porque aprender também depende do bem-estar emocional”, afirma Aline Araújo, professora do Fundamental I do Mão Amiga VIS Foundation.
Essa percepção parte da observação cotidiana de crianças e adolescentes que chegam ao fim do semestre mais cansados, dispersos ou emocionalmente sobrecarregados. Entre os adolescentes, esse processo costuma ser ainda mais intenso, já que a fase é marcada por mudanças, busca por pertencimento e pressões acadêmicas. As férias oferecem um tempo para processar as experiências dos meses anteriores e, muitas vezes, o que a criança precisa não é de mais estímulo, mas justamente de uma chance de diminuir o ritmo.
Para Igor Alves Garcia, Tutor do Fundamental II no Mão Amiga, “a escola é uma das maiores responsabilidades da vida deles. O recesso chega como esse respiro para acordar um pouco mais tarde, ficar mais tempo em casa, ouvir música, ver um filme, conviver com a família e voltar depois com mais fôlego”. Ele ainda diz que “muitas vezes, o que a criança precisa não é de mais estímulo, mas justamente de uma chance de diminuir o ritmo”.
Segundo os educadores, esse intervalo também ajuda a explicar por que muitos alunos retornam às aulas mais disponíveis para se engajar nas propostas pedagógicas e nas relações dentro da escola. O descanso, nesse contexto, não aparece como um “tempo vazio”, mas como parte do próprio processo de desenvolvimento.
Menos agenda, mais presença
Se as férias costumam gerar ansiedade nas famílias, isso também tem relação com a pressão para “dar conta” do período. Na avaliação dos professores, é comum que pais e responsáveis associem um bom recesso a viagens, passeios ou uma programação intensa. Mas, do ponto de vista das crianças, o que costuma ganhar é outra coisa. “Sempre aconselhamos os pais de que as férias não precisam ser perfeitas. O que mais marca a infância, muitas vezes, são as experiências simples de convivência”, afirma Aline.
Na volta às aulas, ela diz ouvir relatos que reforçam essa percepção: a ida à casa da avó, o pastel na feira, uma refeição feita em família, um filme assistido junto, uma brincadeira na calçada, uma conversa sem pressa.
Férias não é sinônimo de programações caras, mas dos vínculos e do tempo de qualidade construídos nesse período. Para muitos alunos, essa é a chance de estar mais perto da família em uma rotina que, no restante do ano, costuma ser apertada. “Tem criança que sai de casa muito cedo e não consegue tomar um café da manhã com os pais durante o ano letivo. Às vezes, o recesso permite viver coisas que parecem pequenas, mas têm um peso enorme: passar mais tempo com a família. Isso constrói vínculos”, observa Garcia.
Essa percepção é especialmente importante em contextos em que pais e responsáveis continuam trabalhando durante julho e, por isso, carregam culpa por não conseguirem acompanhar os filhos como gostariam. “Nem sempre vai ser possível passar o dia inteiro com a criança, e tudo bem. O ponto é que, no tempo disponível, ela possa se sentir realmente acolhida”, diz Aline.
No fundo, o que os educadores defendem é uma mudança de perspectiva sobre o recesso escolar. Em vez de enxergar as férias apenas como uma interrupção no calendário ou como um problema logístico para as famílias, eles propõem olhar para esse período como uma dimensão importante da própria formação de crianças e adolescentes. Garcia reforça que, no fim das contas, o recesso é também um lembrete de algo essencial. “Criança precisa ter oportunidade de ser criança. Nem tudo nas férias precisa virar meta, atividade ou desempenho. Às vezes, o mais importante é justamente aquilo que não parece produtivo aos olhos do adulto, mas que, para a infância, é fundamental.”
Sobre o Mão Amiga VIS Foundation Brasil
Ativo há 20 anos, o Mão Amiga VIS Foundation é uma Organização da Sociedade Civil (OSC), que atua na educação de crianças e adolescentes, do ensino infantil ao fundamental, no município de Itapecerica da Serra, na região metropolitana da cidade de São Paulo, um local de grande vulnerabilidade social. Atualmente, a equipe do colégio leciona para mais de 700 alunos, oferecendo educação de qualidade, atividades de cultura, esporte e desenvolvimento social para mais de 500 famílias da região.
“Os pais nem imaginam”: Discord, Reddit e os perigos ocultos que atraem crianças na internet
Segundo dados da UNICEF, cerca de 1 em cada 5 crianças e adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos sofreu algum tipo de violência sexual facilitada pela tecnologia em apenas um ano
Isso representa aproximadamente 3 milhões de jovens expostos a aliciamento, chantagem, coerção para envio de imagens íntimas ou circulação de conteúdo sexual sem consentimento. Houve um tempo em que os pais temiam a rua.
A bicicleta sem freio, o tombo no meio-fio, o joelho ralado, a bola que atravessava a avenida, o estranho parado na esquina. A infância tinha poeira nos pés, suor no cabelo e uma liberdade vigiada pelo grito da mãe no portão. Hoje, o perigo não precisa mais estar na rua. Ele entra pelo Wi-Fi.
A criança permanece no quarto, sentada no sofá, dentro de casa, às vezes ao lado dos próprios pais. Mas, pela tela, atravessa portas que nenhum adulto abriu, entra em comunidades que a família desconhece e assiste a cenas que antes pertenciam aos porões mais escuros da vida adulta. Enquanto a infância parece protegida entre quatro paredes, muitos meninos e meninas estão sendo apresentados a uma violência que chega sem bater, sem fazer barulho e sem deixar marcas visíveis no corpo.
É nesse cenário que plataformas mais fechadas, como Reddit e Discord, passaram a preocupar autoridades, pesquisadores e investigadores. Diferentemente das redes sociais tradicionais, esses ambientes funcionam em fóruns anônimos, servidores privados e comunidades de difícil monitoramento. Muitos pais sequer sabem como funcionam. Outros nunca ouviram falar. O palco perfeito para a violência extrema sem monitoramento e, pior, sem ninguém para responsabilizar, totalmente anônima. Os pais nem imaginam, mas seus filhos já estão lá.
Em 2026, um relatório do Núcleo de Observação Digital da Polícia Civil de São Paulo revelou o monitoramento de mais de 1,2 mil alvos ligados a crimes digitais envolvendo crianças e adolescentes. As investigações apontam circulação de pornografia extrema, automutilação, incentivo ao suicídio, violência sexual, humilhações coletivas e transmissões violentas em tempo real. Aproximadamente 359 crianças e adolescentes precisaram ser resgatados de situações classificadas como risco iminente.
O problema é que a violência digital não chega mais como exceção. Ela aparece diluída e compartilhada como entretenimento. Um vídeo de humor leva a outro. Um meme leva a um fórum. Um link leva a um servidor privado. E, quando os adultos percebem, a infância já foi atravessada por imagens, linguagens e estímulos que o cérebro infantil ainda não possui maturidade emocional para compreender. E posso afirmar com convicção, muitos adultos também não teriam estômago para encarar o conteúdo desses canais, eu não tive.
Mas o cérebro humano não diferencia completamente aquilo que é vivido daquilo que é assistido repetidamente. A neurociência já demonstrou que exposição contínua à violência altera circuitos ligados à empatia, regulação emocional e percepção de ameaça, especialmente durante a infância e adolescência, períodos em que o cérebro ainda está em intensa reorganização neural.
Estamos falando de crianças crescendo em contato diário com conteúdos que nenhuma geração anterior teve acesso tão cedo. O que antes era impensável para uma criança tornou-se rotina: assistir agressões; acompanhar humilhações públicas; consumir pornografia violenta; ver desafios autodestrutivos; presenciar estupros transformados em espetáculo digital. E talvez exista algo ainda mais grave acontecendo: isso tudo está sendo normalizado.
A infância brasileira está crescendo em um ambiente onde a violência deixou de interromper o entretenimento para se tornar parte dele. O abominável virou resultado do algoritmo para retenção de atenção. E plataformas digitais descobriram que medo, erotização e violência mantêm usuários conectados por mais tempo. A discussão vai muito além de apenas “tempo de tela”, ela ficou pequena demais diante da dimensão do problema.
*Sheron Mendes é Bióloga, especialista em Neurociência do Comportamento e professora dos cursos de pós-graduação em Educação na UNINTER.
Celular na adolescência: mediação ativa e ‘detox’ são as estratégias reais de proteção
Especialista da UniCesumar defende a presença dos responsáveis no ambiente virtual e pondera que uso diário do aparelho; proibição agrava os riscos
Pesquisas recentes apontam que o aumento intenso do uso de celulares entre os jovens está diretamente ligado à queda no desempenho escolar e ao crescimento de relatos de solidão. No Brasil, o acesso também é massivo: de acordo com o estudo TIC Kids Online 2025, a internet faz parte da rotina de 92% da população de 9 a 17 anos. Diante da exposição diária e, muitas vezes, sem filtros, adolescentes ficam vulneráveis a abusos, pressões digitais e danos diretos à formação da identidade.
“Proibir totalmente o uso de telas atualmente é quase impossível, porque a vida gira em torno da internet, que é uma infraestrutura essencial para educação e socialização. Quando os pais tentam proibir o acesso, a relação se desgasta. Os adolescentes começam a esconder o que estão fazendo, tentam recuperar a conexão a qualquer custo e passam a usar a rede em locais sem nenhuma supervisão”, afirma Leonardo Pestillo de Oliveira, doutor em Psicologia e professor Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da UniCesumar de Maringá (PR).
O cenário impõe um desafio prático para as famílias e a resposta imediata de muitos responsáveis é o bloqueio do acesso, estratégia que os dados e a análise comportamental demonstram ser obsoleta. Em vez de simplesmente retirar o aparelho da mão dos adolescentes, a abordagem correta exige estabelecer estratégias reais para dosar o uso e garantir a segurança.
Os desafios das redes sociais
Oliveira explica que a superexposição em redes sociais afeta de forma mensurável a saúde mental e as plataformas são desenvolvidas para fornecer recompensas neurológicas imprevisíveis, operando em um cérebro adolescente que ainda não possui maturidade plena para controlar impulsos. “Os adolescentes estão expostos a conteúdos irrealistas que afetam diretamente a identidade e a autoestima. Com a exposição constante, a ausência de validação imediata, como curtidas e comentários, passa a ser interpretada como uma rejeição social”, complementa o docente.
Esse ambiente também abre portas para riscos práticos de segurança, como o cyberbullying e o aliciamento digital, nos quais adultos se aproximam de jovens para fins de exploração. O compartilhamento impulsivo de conteúdos aumenta o risco de chantagens e vazamentos de imagens íntimas.
Estratégias aplicáveis: detox digital e presença virtual
A proteção da nova geração requer que os responsáveis estejam tão presentes no mundo virtual quanto no físico. Isso não significa vigilância hostil, mas a implementação de ferramentas de controle aliadas ao diálogo. Estratégias como limites de tempo de uso e filtros de classificação etária devem compor a rotina familiar. “Essas ferramentas são um suporte importante na mediação. O objetivo não é exatamente monitorar 100% do tempo, mas preparar os adolescentes para uma capacidade de autorregulação e maturidade no ambiente digital. É preciso ter transparência sobre o uso dessas tecnologias”, orienta o psicólogo.
O “detox digital” programado também surge como ação corretiva para a dinâmica familiar. O afastamento pontual e planejado das telas reduz a hiperestimulação. “As pausas devem ser implementadas não como uma punição, mas como uma estratégia de saúde. Esse tipo de situação ajuda na recuperação da atenção e melhora a saúde mental, pois reduz os sintomas de ansiedade frente à necessidade constante de checar as telas. É importante que todos se permitam reconectar pessoalmente e melhorar a percepção sobre o mundo real”, acrescenta.
Construção de confiança: mediação ativa
A base para a eficácia dessas medidas é a construção de confiança. A mudança passa pela estruturação de uma rotina de mediação ativa. “Os pais devem participar desse momento, perguntar como os filhos jogam e como se comunicam, aprendendo sobre o universo deles. É preciso ensinar sobre os conteúdos consumidos e explicar os riscos reais. A manutenção de uma comunicação positiva e constante sempre é mais eficiente do que punições imediatas tomadas no calor de uma discussão”, conclui o professor da UniCesumar.
Sobre a UniCesumar
Com 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de mais de 500 mil alunos. Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça). No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campi de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR). Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com mais de 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado. Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.
Do berço para a cama: o que considerar nessa transição
Especialista ensina como adaptar o enxoval nessa fase
A transição do berço para a cama é um dos marcos mais importantes do desenvolvimento infantil e exige cuidado e atenção. Esse momento representa o início de uma nova fase de autonomia da criança e pede adaptações no ambiente e no enxoval para garantir conforto, segurança e praticidade no dia a dia, conforme explica Thayane Ramalho, especialista em decoração e enxovais infantis.
Segundo Thayane, diretora criativa da Biramar Baby, uma das marcas mais tradicionais de enxoval, não existe uma idade exata para realizar essa mudança, mas é preciso prestar atenção no comportamento da criança. “O aumento da autonomia, a curiosidade para sair do berço e o incômodo com o espaço limitado são sinais importantes. Mas o principal é observar se a criança já consegue se organizar fora daquele limite físico. Se ela ainda não tem essa regulação, a mudança pode gerar mais desorganização do que evolução”, explica.
A mudança do berço para a cama também transforma a função do enxoval. Itens típicos de berço, como protetores laterais e acessórios de contenção, deixam de ser necessários. Em contrapartida, peças mais funcionais ganham importância, como jogos de cama confortáveis e itens que sejam fáceis de trocar e lavar. Colchas leves e mantas versáteis de linhas infantis contribuem para deixar essa adaptação mais agradável.
Uma opção que vem ganhando força é a escolha de enxovais pensados para acompanhar o crescimento da criança. Um bom caminho é optar por produtos que permitam o reaproveitamento de peças utilizadas no berço em fases posteriores, como na mini cama ou na cama de solteiro infantil, garantindo uma transição prática e sustentável.
O estilo montessoriano também segue sendo uma forte tendência na montagem do quarto dos bebês. O método, desenvolvido pela médica e educadora Maria Montessori, prioriza desenvolvimento, autonomia e liberdade de escolha. Além da proposta educativa, o estilo montessoriano possibilita a montagem de quartos versáteis e funcionais, sendo uma boa escolha para famílias que valorizam a praticidade e o lúdico. “O quarto montessoriano tem uma relevância que é duradoura. É comum mesclar esse estilo com o atemporal, partindo de bases neutras e unindo a autonomia e o desenvolvimento da criança com a funcionalidade e a durabilidade do espaço”, aponta Thayane.
Um ponto importante nessa fase é evitar mudanças bruscas, mantendo elementos conhecidos e de valor afetivo. “A criança saiu de um espaço de contenção para um ambiente aberto. Se tudo muda, ela sente. Manter texturas, cheiros e cores semelhantes ao que ela já conhece deixa essa transição mais leve. Aproveitar peças do berço traz familiaridade e ajuda a criança a não sentir que perdeu aquele espaço”, comenta Thayane.
Vale lembrar que a segurança continua sendo prioridade nesse momento, mas passa a envolver todo o ambiente do quarto. A altura da cama e o espaço para circulação devem ser observados com atenção, assim como os itens que ficam ao redor. A praticidade, a resistência e o conforto das roupas de cama também são importantes.
Mais do que uma mudança física do espaço, a passagem do berço para a cama representa uma etapa simbólica do desenvolvimento infantil. “A transição não é só do berço para a cama, é da contenção para a autonomia. E o ambiente precisa acompanhar esse movimento”, conclui Thayane.
Sobre a Biramar Baby
A Biramar Baby & Kids é uma tradicional fábrica de enxovais e artigos para bebês e crianças, com sede em Ibitinga, no interior de São Paulo. Há 40 anos no mercado, a empresa se destaca pela confecção de kits completos para berços, roupas de cama para solteiros, além de roupas e acessórios infantis. A Biramar Baby é pioneira no segmento, oferecendo uma linha completa de roupinhas e complementos que coordenam perfeitamente com os enxovais, unindo qualidade, conforto e estilo em cada peça.
Mãe que temia diagnóstico do filho se torna cuidadora e ajuda alunos a evoluir
No mês das mães, história de mulher que se tornou cuidadora para compreender o autismo do próprio filho mostra como o cuidado pode transformar não só uma casa, mas a experiência da inclusão nas escolas
Ser mãe é, muitas vezes, aprender um novo jeito de ver o mundo. E, no mês dedicado a elas, a história de uma mulher que transformou dúvidas em conhecimento e ação revela como a maternidade, vivida em sua plenitude, pode ir além dos limites de uma casa e transformar caminhos ao redor.
Quando recebeu o diagnóstico de autismo não verbal do filho, ainda pequeno, Kelly Cristina Oliveira dos Santos, hoje com 49 anos, sentiu o mundo parar.
“Eu achava que nosso mundo tinha acabado. Tinha muito medo do sofrimento que ele poderia passar”, lembra.
Mas, ao invés de paralisar, ela escolheu um caminho que mudaria não só a vida do filho, mas também a de muitas outras famílias: decidiu aprender na prática. E foi além.
Kelly tornou-se cuidadora de alunos com deficiência na rede estadual de ensino. No dia a dia da escola, passou a conviver com adolescentes autistas, observar comportamentos, entender sinais e, principalmente, descobrir que inclusão não está em fórmulas prontas, mas em gestos simples.
Foi assim que o aprendizado atravessou os muros da escola e chegou em casa.
Às vezes, o que parece birra ou chatice para muita gente é só uma forma de uma pessoa com autismo expressar desconforto. Quando a gente entende isso, tudo muda”, diz.
Mãe do pequeno Noah, de 8 anos, que além do autismo também convive com TDAH e déficit de atenção, Kelly passou a olhar para o filho com mais escuta, mais paciência, firmeza e menos medo.
E os resultados começaram a aparecer aos poucos, no tempo dele. “Eu passei a incentivar mais a autonomia e a independência dele. E comecei a ver mudanças. Em um dia, ele conseguiu levar e buscar o próprio prato de comida e, no outro, já estava falando ‘batata frita’. Pode parecer bobeira, mas pra gente não é. Eu vibrei muito quando ouvi e vi aquilo”, conta ela, ressaltando uma frase que carrega um significado imenso para quem aprende a celebrar cada pequena conquista como um grande avanço.
“Hoje, eu entendo que cada dia é uma vitória com o autismo”, pontua Kelly.
Na escola estadual onde atua, em Guarulhos, Kelly também coleciona histórias que reforçam esse aprendizado.
Um dos alunos que ela acompanha, de 16 anos, tinha dificuldade em demonstrar afeto fora do ambiente familiar e resistia à rotina escolar. Com paciência e sensibilidade, ela construiu um vínculo.
“Com jeitinho, fui ganhando a confiança dele. Hoje, ele gosta de ir à escola e já teve momentos em que beijou minha mão. A mãe dele ficou emocionada quando soube”, lembra a cuidadora.
Histórias como essa fazem com que Kelly enxergue seu trabalho como algo maior.
“Eu encaro como se fosse os olhos das outras mães dentro da escola. Cuido dos meus alunos como se fossem meus filhos.”
Cuidado e inclusão
A trajetória dela reflete um movimento que cresce silenciosamente em escolas brasileiras. Kelly faz parte da equipe da Conviva Serviços, instituição que atende de forma terceirizada mais de 10 mil alunos com deficiência em escolas públicas paulistas, por meio de contratos com o Estado e prefeituras. E que também tem um dado revelador: 97% do quadro funcional é formado por mulheres, muitas delas mães.
Para a diretora-presidente da instituição, Maíra Pizzo, esse fenômeno mostra que o impacto da inclusão vai muito além da sala de aula.
“Temos muitas cuidadoras que são mães, tias ou irmãs de pessoas com deficiência e elas trazem uma sensibilidade muito grande e que ajuda no trabalho. O cuidador é peça essencial na inclusão, pois é responsável por auxiliar os estudantes com deficiência em atividades da rotina, como alimentação, locomoção e higiene, contribuindo também para a autonomia, a comunicação e a socialização”, explica Maíra.
“E isso tudo faz com que o aluno tenha acesso ao ambiente da escola regular de forma mais digna. E, muitas vezes, esse aprendizado todo até ultrapassa a escola e transforma também a dinâmica familiar, como vemos na história da Kelly e de tantas outras mães também cuidadoras”, finaliza a diretora-presidente da Conviva Serviços.
Sobre a Conviva
Com três décadas de atuação, a Conviva Serviços exerce importante papel para a educação inclusiva no Brasil. É considerada uma das principais entidades privadas a se especializar para atender aos alunos com deficiência na escola regular, através do cuidador, também chamado de Profissional de Apoio Escolar. A Conviva Serviços está presente em todo o território nacional com importantes atuações em São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo e outros estados. E, além do apoio escolar, oferece equipes multidisciplinares em seu quadro funcional.
Crianças que fazem refeições em família têm hábitos mais saudáveis e melhor saúde emocional
Estudos internacionais mostram o impacto do ambiente familiar na relação dos pequenos com a comida, a saúde e o comportamento
Em meio a agendas corridas, telas à mesa e refeições cada vez mais individualizadas, especialistas alertam para a importância de resgatar momentos de alimentação em família. Segundo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, o ambiente familiar é determinante na formação dos hábitos alimentares, influenciando a saúde metabólica, emocional e comportamental ao longo da vida.
Além disso, estudos internacionais, como o divulgado no início do ano pela Universidade de Cambridge, mostram ainda que crianças que participam regularmente de refeições em família têm melhor qualidade alimentar, com maior consumo de frutas, vegetais e nutrientes essenciais, além de menor risco de sobrepeso “crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. A forma como os adultos se relacionam com os alimentos influencia diretamente o comportamento alimentar dos pequenos”, afirma Gisele Pavin, head de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé Brasil.
Apesar dos benefícios, esses momentos têm se tornado menos frequentes, especialmente em contextos urbanos. Nesse sentido, uma pesquisa da Columbia University (CASA) aponta que adolescentes que jantam com a família 5 vezes ou mais por semana têm menos chances de ter dificuldades acadêmicas, e menor risco de depressão e isolamento social.
Entre as atitudes que podem ajudar no dia a dia estão:
- • Realizar refeições em família sempre que possível
• Dar o exemplo, incluindo variedade no prato
• Envolver as crianças no preparo dos alimentos
• Incentivar a experimentação de novos sabores
“Mais do que impor regras, o importante é criar um ambiente positivo e de troca. A relação com a comida começa na infância e tende a acompanhar a pessoa por toda a vida”, aponta Pavin. Além dos impactos na alimentação, esses momentos também fortalecem vínculos e contribuem para o desenvolvimento emocional das crianças, um fator cada vez mais relevante em um cenário de rotinas aceleradas.
Olhando para a importância de práticas saudáveis na infância, a Nestlé promove a iniciativa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis, que incentiva uma alimentação e hábitos equilibrados e apoia pais e cuidadores na construção de rotinas mais saudáveis para as famílias. Nos últimos anos, a iniciativa esteve presente em escolas públicas de todo o Brasil com ações que engajaram educadores da rede pública na promoção de novos hábitos no âmbito escolar, além de apoiarem a implementação de diversos projetos que promovem uma alimentação equilibrada e prática de atividades físicas.
Os pilares da iniciativa estão alinhados aos cinco comportamentos que o movimento Nestlé por Crianças Mais Saudáveis promove:
- • Alimentação nutritiva e variada
- • beber mais água
- • Comer melhor
- • Curtir as refeições juntos
- brincar ativamente
Sobre a Nestlé
A Nestlé tem mais de 100 anos de atuação no Brasil e segue renovando seu compromisso com a sociedade, como força mobilizadora que contribui para levar nutrição e bem-estar para bilhões de pessoas, criar um ambiente de inclusão e oportunidade para milhares de brasileiros e ser o produtor de alimentos mais sustentável do país. A empresa emprega mais de 30 mil pessoas direta e indiretamente no Brasil e tem 18 unidades industriais em operação localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Goiás, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, além de 12 centros de distribuição e mais de 70 brokers (responsáveis por vendas, promoções, merchandising, armazenamento e distribuição).
Comprometida com boas práticas que vão do campo à mesa do consumidor, a companhia conta com milhares de produtores fornecedores participando de programas de qualidade nas cadeias de cacau, café e leite, que garantem uma produção sustentável e que trazem modernidade ao campo. Além disso, mantém iniciativas nas fábricas como minimizar a utilização de água e energia e reduzir as emissões, ações de reflorestamento e inovações contínuas em embalagens cada vez mais sustentáveis. A Nestlé Brasil está presente em 99% dos lares brasileiros.
Elas são mães 40+ com filhos crescidos e desgaste emocional
Psicóloga fala sobre maternidade na maturidade e questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher, como a chamada “geração sanduíche”, de quem cuida de filhos crescidos e pais idosos
O mês das mães costuma ser ilustrado por imagens de crianças pequenas e de colo, mas, para uma parcela significativa das mulheres, a maternidade na maturidade traz desafios invisíveis e complexos. A Dra. Regina Nicolosi, psicóloga, fonoaudióloga e doutora em comunicação, chama a atenção para a realidade das mães 40+, que muitas vezes se veem no centro da chamada “geração sanduíche”.
De acordo com ela, “a maternidade na maturidade envolve muitas questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher, como o que aflige a ‘geração sanduíche’, em que mulheres acabam sobrecarregadas por terem filhos ainda dependentes financeiramente (adolescentes ou jovens adultos) e terem que cuidar, de maneira parcial ou integral, de seus pais ou parentes idosos”, explica.
Esse cenário de múltiplas demandas ocorre em um momento biológico delicado. A perimenopausa e a menopausa trazem alterações hormonais que intensificam sintomas como irritabilidade, lapsos de memória e exaustão física. Sem o devido acompanhamento, o desgaste emocional pode evoluir para quadros depressivos, alimentados por uma cobrança social de que a mulher “deve ser o pilar inabalável da família”.
Para ajudar mulheres a encontrar o equilíbrio, a Dra. Regina Nicolosi sugere a procura por ajuda psicológica, seja individual ou em grupo. De acordo com ela, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode contribuir para a reestruturação dos pensamentos e comportamentos, ainda mais em uma fase tão delicada. A especialista listou algumas dicas para lidar com a sobrecarga e a culpa:
,• Identifique os pensamentos automáticos:* Sabe aquela voz interna que diz “eu deveria estar fazendo mais”? Na TCC, chamamos isso de distorção cognitiva. Questione a veracidade dessa culpa. Você está realmente falhando ou apenas atingiu seu limite humano?
• Desconstrua o esquema da “Mãe Maravilha”:* A culpa nasce da distância entre quem você é e quem você acha que deveria ser. Aceitar que você não precisa dar conta de tudo sozinha é o primeiro passo para a saúde mental.
• Estabeleça limites saudáveis:* Filhos que já estão na fase final da adolescência, ou já são jovens adultos, precisam de autonomia e, para isso, assumir e realizar tarefas, como ajudar em casa e arrumar o próprio quarto. Pratique o automonitoramento: observe se você está assumindo responsabilidades que não são suas por hábito ou medo de desagradar.
• Resgate o autocuidado como prioridade:* Cuidar de si não é egoísmo; é estratégia de sobrevivência. Atividades que geram prazer e relaxamento ajudam a regular os níveis de cortisol, combatendo a exaustão da “geração sanduíche”.
A Dra. Regina destaca que a realidade da “geração sanduíche” não é privilégio de poucos. Segundo pesquisas divulgadas pela Agência Brasil, o envelhecimento progressivo da população brasileira intensifica esse fenômeno. Em 1980, apenas 4% da população tinha 65 anos ou mais. Em 2022, esse percentual já ultrapassava 10%, com tendência de crescimento nas próximas décadas. “Simultaneamente, as famílias ficam cada vez menores, concentrando o cuidado em menos pessoas, na maioria das vezes, nas mulheres.”
“Precisamos olhar para a transição demográfica. As pessoas estão vivendo mais, enquanto as famílias encolhem de tamanho. Na maioria das vezes, essa responsabilidade de cuidado recai sobre as mulheres”, analisa Dra. Regina Nicolosi.
Neste mês das Mães, é fundamental reconhecer que a “mãe 40+” não precisa carregar o mundo nos ombros. Buscar apoio emocional, reorganizar as demandas familiares e resgatar o próprio bem-estar são atos de coragem e autocuidado, e não de egoísmo.
Autocobrança na maternidade: o preço silencioso de ter que dar conta de tudo
Existe uma ideia que atravessa a maternidade contemporânea de forma quase invisível, mas extremamente potente: a de que a mãe precisa dar conta de tudo, e dar conta bem
Não é só cuidar. É cuidar com presença, com paciência, com leveza, com consistência emocional. É estar disponível, mas também produtiva. É educar, trabalhar, amar, organizar, nutrir, acompanhar… sem falhar. E, se possível, fazendo tudo isso com um sorriso no rosto. O problema é que essa conta não fecha.
Na clínica, isso aparece de forma recorrente. Mulheres exaustas, mas que não se permitem reconhecer o próprio cansaço. Mães que chegam dizendo: “eu sei que não posso reclamar”, “tem gente em situação pior”, “eu escolhi isso”. Como se o sofrimento precisasse de autorização moral para existir.
A autocobrança na maternidade não nasce do nada. Ela é construída socialmente. Vivemos uma época que reforça ideais quase inalcançáveis: a mãe que trabalha como se não tivesse filhos e cria filhos como se não trabalhasse. Esse padrão não é humano é idealizado.
Do ponto de vista psicológico, essa dinâmica costuma gerar um estado constante de inadequação. Porque, inevitavelmente, em algum lugar, a mãe sente que está falhando. E isso alimenta um ciclo: quanto mais ela sente que não está sendo suficiente, mais ela se cobra. E quanto mais se cobra, mais distante fica de qualquer sensação real de suficiência.
Existe também um ponto importante que muitas vezes passa despercebido: a dificuldade de sustentar limites internos. A maternidade convoca entrega, mas não deveria exigir anulação. Winnicott, um pediatra e psicanalista inglês, já apontava que a “mãe suficientemente boa” não é a que acerta sempre, mas é aquela que cuida, falha, repara e, nesse processo, permite que o filho se desenvolva e se torne quem é.
Já acompanhei pacientes que, mesmo extremamente sobrecarregados, não conseguiam delegar tarefas simples. Não por falta de ajuda, mas por uma crença rígida de que “se não for eu, não vai ser bem feito”. Isso não é sobre controle, é sobre valor pessoal atrelado ao desempenho.
E aqui entra uma reflexão fundamental: quando o valor de uma mãe passa a depender do quanto ela consegue dar conta, qualquer limite passa a ser vivido como fracasso. E a consequência disso é silenciosa, mas profunda. A mulher começa a se desconectar de si. Perde a referência do próprio limite, da própria necessidade, do próprio tempo.
E, muitas vezes, só se percebe quando o corpo ou a mente começam a dar sinais mais claros: ansiedade, irritabilidade, culpa constante, sensação de estar sempre atrasada na própria vida.
É importante dizer: a maternidade não precisa ser vivida nesse lugar de exaustão permanente para ser válida. Existe um caminho mais saudável, que passa por reconhecer que dar conta de tudo não é um indicador de competência, é, muitas vezes, um sinal de sobrecarga.
Passa também por aceitar que falhas existem, que cansaço é legítimo e que pedir ajuda não diminui ninguém.
Talvez o ponto central seja esse: sair da lógica da perfeição e entrar na lógica do possível. Porque filhos não precisam de mães perfeitas. Precisam de mães reais. E uma mãe real é aquela que, inclusive, reconhece seus próprios limites, e, ao fazer isso, ensina algo muito mais valioso do que qualquer ideal de desempenho: ensina humanidade.
* Michele Silveira é Psicóloga (CRP 05/26445), mestre em Psicologia pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Logoterapeuta, especialista em transtornos de ansiedade e autora do livro “Ansiedade do Nosso Tempo: do Mecanismo de Sobrevivência ao Adoecimento Silencioso”.
Ao longo de mais de 25 anos, construiu um olhar próprio sobre a ansiedade na contemporaneidade, desenvolvendo, assim, um modelo de compreensão clínica denominado “Ansiedade Pré-Conquista”. Atende em sua clínica, no Vogue Square, Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Leitura ganha papel estratégico na formação das crianças em meio ao avanço das telas
No dia 18 de abril foi celebrado o Dia Nacional do Livro Infantil, data que reforça a importância da leitura na infância e a formação de um hábito de leitura que transcende a obrigação escolar
Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, realizada pelo Instituto Pró-Livro, as crianças entre cinco e 10 anos leram em média 7,2 livros por ano e 62% delas são consideradas leitoras pelo critério da pesquisa (ler um livro inteiro ou em partes nos últimos três meses que antecedem a realização do estudo).
A diretora-pedagógica do ensino infantil da Rede Alfa CEM Bilíngue, Mariane Araújo, explica que a leitura na infância atua não só no processo de alfabetização, mas também no desenvolvimento da autonomia, senso crítico e saúde emocional da criança.
“A leitura na infância precisa ser construída com base no prazer de ler e na curiosidade de aprender. É importante permitir que a criança associe o livro a um momento de descoberta e escolha, e não a uma tarefa imposta, tornando-o uma necessidade orgânica em sua rotina ao invés de uma tarefa imposta”, comenta Mariane.
Ainda de acordo com o panorama feito pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, 68% das crianças nessa faixa etária usam a internet durante o seu tempo livre, 70% assistem televisão, 26% usam o WhatsApp ou Telegram e 10% usam Facebook, Twitter ou Instagram.
Em um mundo dominado por telas e vídeos curtos, a diretora ressalta que o livro físico mantém sua relevância devido à sensorialidade e ao ritmo que impõe, funcionando como um contraponto necessário à aceleração das telas.
“O livro físico exige que a criança pause, toque o papel e use a imaginação para completar a cena, enquanto as ilustrações funcionam como as ‘primeiras galerias de arte’ que a criança visita, favorecendo o foco e a regulação da ansiedade gerada pelo bombardeio digital”, reforça a diretora-pedagógica.
Para que o hábito se fortaleça, o envolvimento familiar também é necessário. Enquanto a escola age desmistificando a leitura e retirando-a do campo da avaliação técnica, projetos que incentivam rituais de leitura em casa, focados no compartilhamento, incentivam os pequenos a criarem gosto pelos livros.
“Atividades de leitura para serem feitas em família que priorizam a escuta são importantes para as crianças criarem uma memória afetiva com o livro, que será carregada por toda a vida”, explica Mariane.
Professor como mediador
O papel da literatura infantil é criar um ambiente divertido e interativo, mas também ir além do entretenimento. Diante das discussões contemporâneas sobre o conteúdo de obras clássicas, o papel dos educadores é atuar como mediadores críticos.
“O educador precisa atuar como um mediador que contextualiza o tempo em que o autor viveu ao invés de apagar o passado. A mediação crítica transforma a leitura em um diálogo, onde a criança é incentivada a questionar visões datadas e a identificar injustiças. Essa abordagem permite que o leitor desenvolva o senso ético”, explica a educadora.
Mariane explica que a capacidade da literatura de lidar com temas densos de forma acessível é essencial para o aprendizado do aluno. Por meio de metáforas e outras ferramentas gramaticais, os livros transformam conceitos abstratos, como emoções, diversidade e inclusão, em narrativas universais.
“Através de personagens que enfrentam o medo, a perda ou a exclusão, o pequeno leitor consegue vivenciar essas emoções de forma segura. Ao apresentar a diversidade como parte natural da trama, a literatura educa pelo afeto e serve tanto de espelho para a própria identidade quanto de janela para o mundo do outro”, conclui a educadora.
Sobre a Rede Alfa CEM Bilíngue
A Rede Alfa CEM Bilíngue foi idealizada através do sonho de uma professora de História e tem uma Filosofia Educacional que impulsiona a percepção do aluno, fazendo-o refletir, questionar e principalmente transformar.
Hoje, a Rede mantém uma sólida premissa de que o conhecimento humano é o maior tesouro a ser legado para as próximas gerações e que, ao mesmo tempo, a autonomia intelectual oferecerá ao estudante a capacidade de manusear o conhecimento, adquirido e/ou produzido, de maneira única e autêntica.
A Rede Alfa CEM Bilíngue aposta na diversificação metodológica para gerar o prazer da aprendizagem, seguida pelo desenvolvimento de múltiplas formas de aprender durante toda a vida, o que permite obter resultados em primeiro lugar nos últimos anos do ENEM em toda a Rede e manter a taxa de 100% de aprovação das Provas de Proficiência de Cambridge. Saiba mais em: alfacembilingue.com.br.