Como montar um kit de regulação sensorial para foliões neurodivergentes

Por Maximino Brügger Perez

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15.02.2026 às 10h01m

Música alta, cores intensas, calor e grandes aglomerações: o Carnaval reúne estímulos auditivos, visuais e táteis ao mesmo tempo.

 

Para pessoas neurodivergentes — especialmente dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) — esse cenário pode aumentar o risco de sobrecarga sensorial e desregulação emocional. Para apoiar famílias e cuidadores, a equipe do Próximo Degrau orienta a montagem de um kit de regulação sensorial, com itens simples que ajudam a tornar a experiência mais segura e confortável.

 

“A inclusão no Carnaval passa por antecipação e suporte sensorial. Pequenos ajustes podem reduzir gatilhos e favorecer a autorregulação, sempre respeitando limites individuais”, explica Ana Maria, Gerente ABA do Próximo Degrau.

 

O que é e para que serve o kit de regulação sensorial

 

O kit de regulação sensorial é um conjunto de recursos pensado para minimizar impactos sensoriais e oferecer alternativas de autorregulação durante eventos de alta estimulação — como blocos e festas de rua.

Itens recomendados para o kit

 

• Abafadores de ruído

 

Diferentemente de fones comuns, modelos com redução de decibéis ajudam a proteger contra hipersensibilidade auditiva sem isolar totalmente do ambiente.

 

Ferramentas de auto regulação (feedback tátil)

 

Objetos como pop-its, spinners e itens com diferentes texturas podem auxiliar na organização sensorial e na redução de ansiedade ao oferecer um estímulo previsível.

 

Óculos de sol com proteção UV

 

Luzes intensas, reflexos e efeitos visuais podem gerar desconforto. Óculos adequados ajudam no conforto visual.

 

Conforto térmico e tátil

 

Hidratação constante, borrifador de água e roupas de tecido natural (como algodão) são aliados importantes. Fantasias com tecidos sintéticos, etiquetas e costuras rígidas podem causar desconforto tátil.

 

A recomendação é que o kit seja apresentado antes do evento, em ambiente controlado, para familiarização. “Quando o recurso já faz parte da rotina, ele tende a ser aceito com mais facilidade no momento da folia”, completa Ana Maria.

 

Identificação e segurança em grandes eventos

Em ambientes lotados, o risco de desencontro aumenta — principalmente para crianças que podem apresentar comportamentos de fuga ou deambulação. Algumas medidas preventivas incluem:

 

Identificação visual imediata

 

Pulseiras com nome e telefone do responsável. Para crianças não verbais, incluir mensagens como “Sou autista” e “Posso não responder a comandos verbais”.

 

Tecnologia assistiva

 

Dispositivos de localização (AirTag/GPS) presos ao calçado ou em bolso interno permitem monitoramento pelo celular.

• Cartões de comunicação
Para quem usa comunicação alternativa, levar uma versão física plastificada com frases curtas: “Estou perdido”, “Quero minha mãe”, “Preciso de silêncio”.

 

Foto do dia

 

Registrar uma foto atual com a roupa do momento antes de entrar no bloco facilita a busca em caso de desencontro.

Carnaval também pode ser de baixo estímulo

 

O Próximo Degrau reforça que a inclusão não significa participação obrigatória em todos os eventos. Para muitas pessoas neurodivergentes, silêncio, previsibilidade e rotina são fatores centrais de bem-estar. Alternativas como Carnavais de baixo estímulo, sessões adaptadas e atividades em casa podem ser opções mais seguras para diversas famílias.

 

“Garantir o direito de escolher onde estar — e como vivenciar o lazer — também é inclusão”, finaliza Ana Maria.

 

Sobre o Próximo Degrau

 

Com sede em Alphaville, o Próximo Degrau é reconhecido por seu trabalho de excelência no atendimento a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista e outros perfis neurodivergentes. O centro oferece intervenções personalizadas, apoio contínuo às famílias e investe no desenvolvimento técnico e humano dos profissionais que atuam na instituição.