Luto nas festas de fim de ano: como atravessar o Natal e o Ano Novo diante da ausência de quem se ama

Por Maximino Brügger Perez

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24.12.2025 às 11h06m

Psicóloga explica por que rituais, tradições e atenção aos sinais de alerta ajudam a lidar com a dor em um período marcado por celebrações

 

As festas de fim de ano costumam ser associadas a momentos de alegria, união e celebração ao lado de familiares e amigos. No entanto, para quem vive o luto pela perda de um ente querido, e também para muitas outras pessoas, o Natal e o Ano Novo podem intensificar sentimentos de saudade, tristeza e solidão, tornando esse período especialmente desafiador.

 

A sobrecarga emocional típica das festas de fim de ano é uma realidade para muitas pessoas. Um estudo da IKEA, mostra que quase metade dos entrevistados (49,3%) relatou sentir estresse durante esse período, e 24,6% afirmaram vivenciar problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Esses números ajudam a compreender por que emoções como tristeza, ansiedade e exaustão emocional tendem a se manifestar com mais intensidade nessa época, especialmente entre quem enfrenta o luto.

 

Mais do que relembrar a morte, esse momento convida à reflexão sobre a vida, os vínculos construídos e o significado da ausência. Em meio às celebrações, pequenos gestos podem ajudar a ressignificar a dor e manter viva a memória de quem partiu, como acender uma vela, colocar uma foto à mesa, mencionar o nome da pessoa durante a ceia, preparar um prato de que ela gostava ou compartilhar lembranças e histórias marcantes.

 

Segundo especialistas da área de Psicologia, o primeiro passo para lidar com o luto é reconhecer os próprios sentimentos e permitir-se viver esse processo com autenticidade e acolhimento. O luto é uma experiência única, vivida de formas diferentes por cada pessoa e em tempos distintos. Não há um prazo definido para sentir ou uma maneira certa de lidar com a dor. Em datas simbólicas, como as festas de fim de ano, sentimentos relacionados a perdas antigas podem voltar à tona e isso é absolutamente natural.

 

A psicóloga Priscilla Rodrigues, professora da Universidade São Judas, explica que, nesse período, a ausência da pessoa amada tende a se tornar ainda mais evidente. “Está tudo bem sentir saudade, desejar que a pessoa ainda estivesse aqui e permitir que risadas e lágrimas coexistam. É no reconhecimento da falta e da saudade que conseguimos seguir em frente com a nossa vida, mesmo sem as pessoas mais significativas fisicamente presentes”, afirma.

 

Manter tradições e rituais pode ter um valor psicológico profundo para quem está em luto, pois ajuda a dar continuidade aos vínculos afetivos mesmo diante da ausência física. Atos como preparar a comida preferida de quem partiu, repetir um passeio que faziam juntos, visitar um local significativo ou observar as decorações dessa época funcionam como formas simbólicas de presença, oferecendo conforto emocional e sensação de pertencimento.

 

Esses rituais ajudam o cérebro a organizar a experiência da perda, validam a saudade e reduzem o sentimento de isolamento, comum nas festas de fim de ano. “Se havia uma tradição, como um almoço especial, um passeio, uma visita a um parque ou até observar as decorações dessa época juntos, mantê-la pode trazer conforto. As lembranças e a certeza de que houve momentos afetivos verdadeiros fazem diferença para lidar com a saudade”, destaca Priscilla.

 

Durante o período de luto, é fundamental respeitar os limites do corpo e da mente. A tristeza é esperada, mas o sofrimento merece atenção quando começa a aparecer em situações do dia a dia, como dificuldade constante para dormir ou excesso de sono, irritabilidade frequente, cansaço extremo, falta de concentração, desânimo para atividades antes prazerosas, afastamento de amigos e familiares ou sensação persistente de vazio. Quando esses sinais se prolongam e passam a interferir na rotina, no trabalho ou nas relações, pode ser um indicativo de que é importante buscar ajuda profissional.

 

Para Priscilla, não existe uma fórmula pronta para aliviar a dor da perda, mas é possível encontrar formas mais gentis de atravessar esse processo. “Não há uma receita para preencher o vazio que fica quando perdemos alguém que amamos, mas podemos celebrar a vida e as lembranças construídas. As risadas, os momentos bons e até os difíceis fazem parte da história que nos levou a amar essa pessoa. Assim, temos a certeza de que, mesmo sem a presença física, esse amor continua existindo — apenas de outra forma”, completa.

 

Dicas para lidar com o luto

 

As especialistas reforçam que acolhimento, escuta e respeito ao próprio tempo são fundamentais nesse processo. Confira algumas recomendações:

 

  • • Permita-se sentir: negar a dor não faz com que ela desapareça; o luto precisa ser vivido.
  • • Respeite o seu tempo: cada pessoa tem um ritmo diferente para elaborar a perda.
  • • Compartilhe o que sente: conversar com amigos, familiares ou grupos de apoio ajuda a ressignificar a dor.
  • • Mantenha rituais e lembranças: celebrar a vida e a história construída com quem partiu pode trazer conforto.
  • • Cuide do corpo e da mente: atenção ao sono, alimentação e momentos de descanso.
  • • Procure ajuda profissional: psicólogos e terapeutas podem auxiliar na reconstrução emocional.
  • “Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. É uma forma de cuidado consigo mesmo e de transformar a dor em aprendizado”, reforça a especialista.

 

Sobre a São Judas

 

A São Judas integra o maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima de Educação. Com mais de 50 anos de história, tem Conceito Institucional máximo concedido em 2023 pelo Ministério da Educação (MEC). Com 11 unidades localizadas na Capital, Grande São Paulo e Baixada Santista, conta com mais de 130 cursos de Graduação e Pós-Graduação Lato e Stricto Sensu.

 

A instituição combina qualidade e acessibilidade, tradição e inovação, com o uso de novas metodologias educacionais, laboratórios multidisciplinares de aprendizagem integrada e programas de desenvolvimento de competências socioemocionais. Além disso, o estudante aprende na prática desde o primeiro dia de aula, em seus mais de 200 laboratórios e núcleos de atendimento à população.

 

Sobre a Ânima Educação

 

Com o propósito de transformar o Brasil pela educação, a Ânima é o maior e o mais inovador ecossistema de ensino de qualidade para o país, com um portfólio de marcas valiosas e um dos principais players de educação continuada na área médica. A companhia é composta por cerca de 381 mil estudantes, distribuídos em 18 instituições de ensino superior, e em mais de 500 polos educacionais por todo o Brasil.

 

Integradas também ao Ecossistema Ânima estão marcas especialistas em suas áreas de atuação, como HSM, HSM University, EBRADI (Escola Brasileira de Direito), Le Cordon Bleu (SP), SingularityU Brazil, Inspirali, Community Creators Academy, e Learning Village, primeiro hub de inovação e educação da América Latina, além do Instituto Ânima.

 

Em 2023, a Forbes, uma das revistas de negócios e economia mais respeitadas no mundo, elencou a Ânima entre as 10 maiores companhias inovadoras do país e, em 2022, o ecossistema de ensino, também foi destaque do Prêmio Valor Inovação – parceria do jornal Valor Econômico e a Strategy&, consultoria estratégica da PwC – figurando no ranking de empresas mais inovadoras do Brasil no setor de educação. Desde 2013, a companhia está na Bolsa de Valores, no segmento de Novo Mercado, considerado o de mais elevado grau de governança corpoorativa.

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