Mulher mais influente do momento lidera pesquisa inédita contra tetraplegia

Por Maximino Brügger Perez

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21.02.2026 às 19h41m

Descoberta da polilaminina coloca a UFRJ no centro da medicina regenerativa e abre caminho para testes clínicos no SUS

 

Após mais de 25 anos de dedicação à pesquisa científica, a Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, professora e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, tornou-se um dos principais nomes da medicina regenerativa no país. À frente de uma equipe multidisciplinar, ela desenvolveu a polilaminina, um biomaterial que vem sendo apontado como promissor no tratamento de lesões na medula espinhal.

 

A substância é um polímero criado a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano, especialmente na placenta. Diferentemente de abordagens exclusivamente paliativas, a polilaminina atua como uma malha regenerativa no local da lesão, estimulando a reconexão de neurônios e protegendo células ainda viáveis após o trauma.

 

A trajetória da pesquisadora começou em 1998, marcada por desafios estruturais comuns à ciência brasileira, como a busca contínua por financiamento. Ao longo de quase três décadas, Tatiana Sampaio consolidou estudos experimentais que avançaram da bancada de laboratório para pesquisas aplicadas. O projeto contou com parcerias institucionais, incluindo o laboratório Cristália, além de apoio da FAPERJ e da CAPES.

 

Os resultados preliminares chamaram atenção da comunidade científica ao indicarem melhora funcional em pacientes submetidos ao tratamento experimental. Um dos casos divulgados é o do bancário Bruno Drummond de Freitas, que sofreu lesão medular após um acidente em 2018. Ele recebeu a aplicação de polilaminina durante cirurgia de descompressão e apresentou recuperação progressiva de movimentos ao longo dos meses seguintes.

 

Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde e a Anvisa anunciaram o início dos estudos clínicos de fase 1 para tratamento de Trauma Raquimedular Agudo no âmbito do SUS. A etapa é considerada fundamental para avaliar segurança e eficácia do método antes de eventual disponibilização em larga escala.

 

Especialistas ressaltam que o tratamento ainda está em fase experimental e que os resultados precisam ser confirmados em estudos mais amplos. Ainda assim, a pesquisa liderada por Tatiana Sampaio representa um avanço relevante no campo da regeneração neural. Reconhecida por colegas como referência em biologia da matriz extracelular, a cientista afirma que sua motivação vai além do reconhecimento acadêmico.

 

O foco, segundo ela, é contribuir para devolver autonomia e qualidade de vida a pacientes que enfrentam limitações severas após lesões medulares.Com a polilaminina em fase de testes clínicos, o Brasil passa a ocupar posição estratégica nas pesquisas globais sobre regeneração da medula espinhal, alimentando expectativas cautelosas e renovando a esperança de milhares de pessoas.

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