O que há por trás do retorno do naked dress usado pelas famosas?
Por Maximino Brügger Perez
25.02.2026 às 11h01m
Impulsionadas pela autoaceitação, celebridades apostam cada vez mais na transparência, até mesmo para bater de frente com a sociedade patriarcal em que vivemos
Atenção, fashionista! Se depender das celebridades, o naked dress está de volta, mas vamos combinar, que ele nunca saiu de moda. Só nos últimos meses, quatro celebridades cruzaram os tapetes vermelhos mundo afora mostrando a peça que customa ganhar forças em momentos mais conservadores quando os assuntos são os corpos e liberdade feminina.
Dakota Johnson apostou em um vestido transparente com renda preta exibindo a lingerie no mesmo tom, assinado pela Gucci. Mais cedo, no mesmo dia, Margot Robbie, que retornou às promoções do filme após nascimento do primeiro filho, escolheu um vestido em tom rosado bordado com pedrarias da Giorgio Armani para divulgar “A Grande Viagem de Sua Vida”.
A canadense Tate McRae e a artista sueca Zara Larsson cruzaram o tapete vermelho do Video Music Awards (VMA) com vestidos exibindo a silhueta. A primeira com um vestilo longo estilo lingerie de Ludovic de Saint Sernin e a segunda com um mini vestido com bordados florais de Sorcha O’Raghallaigh.
Naked dress: a transparência como símbolo de autoaceitação no red carpet
Dua Lipa, Rihanna, Jane Birkin, Madonna, Kendall Jenner, Sabrina Sato, entre outras celebridades, já concentraram os flashes dos fotógrafos ao cruzarem os red carpets das premiações e eventos mundo afora evidenciando os seios a partir dos looks escolhidos. A tendência do naked dress não é novidade, mas segue cada vez mais em alta com a emancipação e autoaceitação do corpo feminino alavancadas por movimentos feministas — aqui, podemos citar a famosa frase “meu corpo, minhas regras” — em contrapartida à censura das redes sociais, que derrubam imagens e vídeos com os mamilos das mulheres à mostra, e das ideias mais conservadoras, tradicionais e ultrapassadas da sociedade ainda patriarcal.
“O avanço do feminismo inspira e sustenta esse movimento do corpo mais à mostra. Ao mesmo tempo, mostrar tem a ver com autoestima, liberdade de escolha, praticar o belo e, para completar, servir de inspiração de moda. O feminismo está cuidando de outras pautas dentro da luta pela equidade. Essa força e essa evolução constante nos fazem sentir potentes para escolher: um dia estar de alfaiataria oversized, no outro, de transparência. Não é diretamente relacionado, mas influencia, sim”, diz Manu Carvalho, especialista em moda e comportamento.
Um dos vestidos com transparência mais comentados é o que Marilyn Monroe escolheu para cantar “Happy Birthday, Mr. President” para John F. Kennedy, em 1962. A mesma peça causou burburinho nas redes sociais ao ser usada novamente por Kim Kardashian durante o Met Gala, em 2022. Jane Birkin, que morreu em julho deste ano, ainda é dona de uma das imagens mais compartilhadas pelos fashionistas: a da première do filme Slogan, em que aparece de mãos dadas com Serge Gainsbourg usando um minivestido preto transparente, sem sutiã.
“O corpo feminino sempre foi o protagonista quando falamos na evolução da moda e da própria mulher. Só lembrar o destaque para os ombros e decotes nos seios dos séculos 15 ao 18. Se formos mais longe, chegamos em Cleópatra e Maria Antonieta, com vários acessórios em lugares estratégicos. Desde os anos1920, quando passamos a ver tornozelos e, nas décadas seguintes, com a Revolução Industrial, a criação do prêt-à-porter e a massificação das peças, o corpo da mulher ganhou cada vez mais holofote. Eu diria que a força do corpo feminino como protagonista do século passado começa em 1920, estourando no fim dos anos 1940 para a década de1950, devido às pinups. Uma década depois, veio a revolução com a minissaia e, nos anos 1970, vieram as transparências”, analisa Manu, que também trabalha como stylist de famosas.
Nos anos 1990, Jean Paul Gaultier retornou com a transparência na moda. É ele, inclusive, o responsável pelo look que Madonna usou e ficou conhecido como “topless filantrópico”. Em setembro de 1992, a rainha do pop fechou o desfile do estilista francês que aconteceu em Los Angeles, nos Estados Unidos. Para arrecadar mais fundos em prol da Fundação Americana de Pesquisa da AIDS (amfAR), a artista abriu o blazer risca–de-giz que usava, deixando os seios à mostra e os convidados chocados com a atitude.
“Imagino que cause mais desejo do que estranhamento. O estranhamento deve vir quando o desejo soar estranho, o que pode ser pessoal e também coletivo”, detalha.
Trinta anos depois, o naked dress ganhou ainda mais fôlego nas mãos do próprio Gaultier, que esgotou uma criação que remete à forma da silhueta feminina, principalmente com ênfase nos seios, após três anos com roupas mais básicas por conta das restrições em torno da Covid-19.
“A tendência do sexy se estabeleceu depois do ‘ciclo pijama’, devido aos moletons, tricôs e utilitários que usamos na pandemia.”
Se o corpo feminino esteve quase sempre no holofote da história e do comportamento da moda, por que quando as mulheres apostam nas transparências, seja com mamilos à mostra ou com tecidos mais leves por cima do corpo, elas viralizam nas redes sociais sob escrutínio do público?
“As plataformas digitais tendem a potencializar tudo devido ao alcance e ao poder de multiplicação. Quando o corpo da mulher está à mostra, a sociedade patriarcal ainda o vê como um produto, o contrário do que acontece com o corpo dos homens”, finaliza.
Fonte: Glamour
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