Volta ao trabalho e amamentação: como manter o aleitamento mesmo após o fim da licença-maternidade

Por Maximino Brügger Perez

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10.12.2025 às 15h52m

Especialista em aleitamento materno, Bruna Ramos, explica como planejar o retorno ao trabalho sem interromper a amamentação e sem sobrecarregar mãe e bebê

 

O retorno ao trabalho após a licença-maternidade costuma ser um dos momentos mais desafiadores da jornada materna — especialmente quando o assunto é como conciliar rotina profissional e amamentação. A especialista em aleitamento materno Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, explica que, com organização e informação, é possível manter o aleitamento mesmo depois da volta ao trabalho.

 

“Que a licença é curta para o período recomendado de amamentação exclusiva, já sabemos. Mas mesmo assim é possível manter essa amamentação se a mãe se programar e montar um estoque de leite materno”, orienta Bruna.

 

De acordo com a especialista, o planejamento deve começar pelo menos um mês antes do retorno. Isso envolve organizar a rotina de ordenhas, escolher quem ficará com o bebê, definir o dispositivo de oferta do leite e ajustar a logística diária.

 

“Aumentar a produção e montar o estoque pode levar tempo, então o ideal é se preparar com antecedência”, recomenda.
Bruna destaca ainda o que não deve ser feito nesse período.

 

A introdução alimentar precoce, por exemplo, não deve acontecer antes dos 6 meses, mesmo com a volta ao trabalho. “A introdução alimentar não é para encher a barriga, e sim para o bebê conhecer os alimentos. Antecipar esse processo pode gerar riscos de engasgo, alergias e obesidade no futuro.”

 

Outro erro comum é acreditar que é preciso desmamar para voltar à rotina profissional. “Não tem que desmamar para voltar ao trabalho. Mudanças vão acontecer, como retirar a livre demanda e organizar os horários, mas é possível continuar amamentando enquanto estiver com o bebê”, explica.

 

Bruna também reforça que a fórmula não é uma obrigatoriedade. “A mãe pode optar por aumentar sua produção de leite e deixar o leite materno ordenhado para ser dado ao bebê na sua ausência. É totalmente possível, desde que haja planejamento.”

 

Sobre o uso de mamadeiras, a especialista alerta que, embora muito comuns, não são a melhor opção. “A mamadeira pode trazer riscos à saúde bucal e respiratória do bebê, além de favorecer o desmame precoce. Copos abertos, copos 360, de bico rígido ou colher dosadora são alternativas mais seguras.”

 

Bruna também chama atenção para os direitos garantidos por lei às lactantes.
“Até os 6 meses do bebê a mãe tem direito a 2 intervalos de 30 minutos para amamentação que podem ser usados nas ordenhas. A conversa com o empregador é o melhor caminho para conseguir ordenhar e manter o aleitamento exclusivo”, explica.

 

Ela lembra que o aleitamento é uma questão de direito, tanto da mãe quanto do bebê.
“O Aleitamento é um direito do bebê pelo ECA e não tem limite de idade. Então Creche e escolas devem sim aceitar leite materno e não, não é mais complicado lidar com leite materno do que com fórmula”, reforça.

 

Com uma abordagem acessível e embasada na ciência, Bruna Ramos ajuda mães a passarem por esse momento de transição com mais confiança, reforçando que a volta ao trabalho não precisa significar o fim da amamentação — e sim uma nova fase de adaptação e vínculo.

 

“Que a licença é curta para o período recomendado de amamentação exclusiva, já sabemos. Mas mesmo assim é possível manter essa amamentação se a mãe se programar e montar um estoque de leite materno”, orienta Bruna Ramos

 

Serviço: https://www.instagram.com/obebe_chegou