Sintomas da menopausa entram no debate sobre saúde mental no trabalho com a NR-1
Por Maximino Brügger Perez
11.07.2026 às 13h11m
Estudo aponta perda superior a 2 bilhões por ano e mostra que 1,9 milhão de brasileiras deixam de trabalhar por sintomas climatéricos
A menopausa começa a ganhar espaço na discussão sobre saúde mental, produtividade e permanência das mulheres no mercado de trabalho. A Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor na última terça-feira, dia 26, amplia a atenção das empresas aos riscos psicossociais, incluindo sintomas como insônia, ansiedade, irritabilidade, fadiga, névoa mental e ondas de calor passando a exigir um olhar mais atento nas organizações.
O estudo do Instituto Esfera de Estudos e Inovação, aponta que os sintomas da menopausa geram perda superior a 2 bilhões de reais por ano à economia brasileira apenas por afastamentos formais. A pesquisa foi conduzida por Clarita Costa Maia, doutora em Direito pela USP e pesquisadora em relações internacionais e regulação, e Fabiane Berta, médica, pesquisadora em climatério na Unifesp e integrante da International Menopause Society.
“A menopausa ainda é tratada como algo que a mulher precisa suportar em silêncio, mas os sintomas aparecem no corpo, no humor, no sono, na cognição e também no trabalho. Quando uma mulher não dorme, tem ondas de calor, perde concentração, sente ansiedade ou fadiga extrema, isso afeta sua rotina profissional”, afirma Fabiane Berta.
O levantamento estima que 29 milhões de mulheres estejam em fase climatérica ou pós-menopausa no país, com prevalência de sintomas em 87,9% dessa população. Desse total, 63% são economicamente ativas. Outras 33% respondem como principais provedoras da renda familiar, o que amplia o impacto social e econômico do tema.
De acordo com o estudo, 1,9 milhão de brasileiras perdem dias de trabalho todos os anos por sintomas climatéricos. A conta considera apenas os afastamentos formais. Não inclui presenteísmo, redução de jornada, pedidos de demissão, aposentadorias precoces e custos médicos indiretos, fatores que podem elevar ainda mais o impacto real.
“A lista de manifestações vai além dos calorões. Muitas mulheres relatam dificuldade para dormir, cansaço persistente, irritabilidade, lapsos de memória, dores articulares, queda de libido, ressecamento vaginal, sudorese noturna e sensação de névoa mental. Esses sintomas podem ser confundidos com estresse, burnout, ansiedade ou depressão, o que atrasa o diagnóstico”, conta a médica.
Dados técnicos sobre perimenopausa mostram que 70% das mulheres latino-americanas enfrentam sintomas antes dos 45 anos. Uma em cada quatro considera os sintomas menopáusicos completamente debilitantes. Entre as queixas mais frequentes estão dificuldade para dormir, cansaço ou pouca energia, ganho de peso, dores musculares, irritabilidade, ansiedade, ondas de calor e sudorese noturna.
“A mulher no climatério não está deixando de ser produtiva, ela atravessa uma fase biológica que exige cuidado. A falta de preparo das empresas e dos sistemas de saúde transforma sintomas tratáveis em afastamento, queda de desempenho e, em muitos casos, saída precoce do mercado de trabalho”, diz a médica, pesquisadora e especialista em menopausa.
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