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Há uma frase que quase nenhuma mulher diz em voz alta e que se esconde embaixo de toda tentativa de emagrecer: “Quando eu chegar lá, eu finalmente vou prestar.”
É uma conta antiga. Aprendemos cedo que o corpo é currículo. Que a barriga lisa vale mais que a mente inteira. Que existe um número na balança capaz de decidir se merecemos amor, promoção, foto, verão.
Eu escuto essa conta todos os dias, dita por mulheres brilhantes.
Executivas que comandam times e não conseguem comandar a própria mão às dez da noite. Mães que dão conta de tudo e se sentem em falta consigo mesmas. Mulheres inteiras que se acham pela metade porque a calça de dois anos atrás deixou de fechar.
Precisamos desfazer essa conta. Seu valor vai além de um número na balança ou pendurado em uma etiqueta. Ele não sobe quando você perde três quilos, nem desce quando você recupera. Peso é informação sobre o seu corpo. Não é veredito sobre quem você é.
Aqui está um ponto muito importante, dizer que emagrecer não define o seu valor não é o mesmo que dizer que emagrecer não importa.
Importa sim. Só que por outro motivo.
Emagrecer, quando acontece de dentro pra fora, é uma consequência. É o resultado de quando uma mulher para de se punir e começa a se escutar. Quando percebe que o pote de sorvete das onze da noite não é fraqueza: é mensagem. Que aquilo que ela chama de “descontrole” quase sempre tem nome — cansaço, solidão, raiva engolida, um dia inteiro cuidando dos outros sem cuidar de si.
Comer é uma das formas mais rápidas de se acalmar. E também uma das mais caras.
Quando ela aprende a nomear o que sente antes de abrir a geladeira, algo muda de lugar. Ela para de brigar com o corpo e começa a conversar com ele. Emagrecer deixa de ser castigo e vira cuidado. Deixa de ser “preciso ficar aceitável” e se transforma em “quero ter energia para viver a vida que eu construí.”
Esse cuidado novo tem sinais discretos. Eu chamo de vitórias invisíveis: dormir melhor. Comer sentada. Perceber a fome antes que ela vire desespero. Dizer não sem se sentir culpada. Atravessar um dia difícil sem terminar dentro do armário da cozinha. Nada disso aparece na balança. Tudo isso muda uma vida.
A mulher que emagrece assim se conecta com si mesma. Ela a resgata. Não porque ficou menor, mas porque parou de se encolher por dentro.
Talvez seja essa a virada mais importante dos quarenta em diante: entender que o corpo não é uma dívida a ser paga. É uma casa a ser habitada. Cuidar dele deixa de ser sobre merecer o próprio espaço no mundo e passa a ser sobre ocupá-lo por inteira.
Você não precisa emagrecer para valer.
Você emagrece porque, finalmente, decidiu que vale.
Emagrecer vai muito além da balança.
* Emi Moraes, Terapeuta e Treinadora Comportamental Especialista em Emagrecimento. Criadora do método Emagreça de Dentro pra Fora. “Se eu consegui você também consegue, mas não da forma que te ensinaram”
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Aparelhos contra celulite funcionam? Especialista explica o que cada técnica faz
Drenagem linfática, eletrolipoforese, ultrassom e outros recursos têm objetivos diferentes; especialista explica por que a escolha depende do tipo de alteração encontrada na pele
O primeiro sinal de celulite costuma levar muitas mulheres à internet em busca de receitas, cremes e procedimentos capazes de melhorar rapidamente a aparência da pele. A oferta é extensa, mas os tratamentos não atuam da mesma forma e não devem ser apresentados como soluções equivalentes.
A celulite é uma alteração no relevo da pele, mais comum nas coxas, nos quadris e nos glúteos. Ela está relacionada à interação entre tecido adiposo, pele, circulação local e fibras do tecido conjuntivo, que podem tracionar a superfície e formar depressões. Por isso, não deve ser explicada apenas como excesso de gordura ou falta de exercícios.
O aspecto ondulado pode ocorrer em pessoas de diferentes pesos e não é explicado apenas por excesso de gordura ou falta de atividade física. Fatores hormonais, genéticos e a distribuição do tecido também participam desse processo. Estudos apontam que a condição é muito frequente entre mulheres após a puberdade.
“Não existe um tratamento universal. Antes de escolher uma técnica, é preciso entender o que está contribuindo para a aparência da pele e quais são as expectativas possíveis. Um recurso que ajuda no edema, por exemplo, não necessariamente corrige uma depressão profunda”, afirma a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto.
Eletrolipoforese
A eletrolipoforese utiliza agulhas finas para conduzir uma corrente elétrica de baixa intensidade na região tratada. A proposta é estimular respostas locais no tecido adiposo e na circulação.
Como envolve agulhas, o procedimento exige avaliação, higiene rigorosa, equipamento adequado e profissional habilitado. Não deve ser apresentado como técnica para emagrecimento ou como solução definitiva para a celulite.
“É importante esclarecer que a corrente não elimina gordura de forma automática. A indicação depende da avaliação do tecido, da região e das condições de saúde da paciente”, explica Mariana.
Drenagem linfática
A drenagem linfática manual é feita com movimentos leves e ritmados que favorecem o deslocamento de líquidos. Pode ser útil quando há edema, sensação de peso ou inchaço associado à celulite.
A técnica não desfaz as fibras que provocam depressões na pele, não quebra gordura e não promove uma “desintoxicação” do organismo. A redução de medidas após a sessão pode refletir a movimentação de líquidos e não uma mudança permanente no tecido.
“Drenagem linfática não precisa causar dor nem deixar hematomas. Quando a queixa principal é retenção de líquido, ela pode melhorar o conforto, mas não deve ser vendida como tratamento único para todos os graus de celulite”, diz a fisioterapeuta.
Ultrassom
O ultrassom terapêutico utiliza ondas mecânicas aplicadas por um cabeçote sobre a pele. Conforme os parâmetros utilizados, pode produzir efeitos térmicos e mecânicos nos tecidos.
Na fisioterapia dermatofuncional, o recurso pode fazer parte de protocolos para mobilidade tecidual, edema e textura da pele. A afirmação de que o aparelho “quebra a gordura” de maneira simples, porém, não representa todos os mecanismos envolvidos nem garante resultado para a celulite.
O tratamento deve ser adaptado para pessoas com alteração de sensibilidade, infecção, lesão de pele ou outras condições clínicas.
Thermojet
O Thermojet utiliza calor produzido por raios infravermelhos para aquecer a região tratada. O objetivo é estimular respostas circulatórias e metabólicas locais.
O calor pode ser usado como parte de um protocolo, mas não significa que a gordura será “derretida”. A temperatura deve ser monitorada para evitar queimaduras, especialmente em pessoas com sensibilidade reduzida.
“Sentir calor intenso não é prova de eficácia. Ardência, dor ou desconforto precisam ser comunicados durante a aplicação”, alerta Mariana.
Pressojet
O Pressojet utiliza botas que fazem compressões sequenciais nos membros inferiores. Dependendo do aparelho, a aplicação pode ser combinada ao aquecimento.
A compressão pode auxiliar no retorno venoso e linfático e aliviar a sensação de peso ou edema. No entanto, não atua diretamente nas estruturas responsáveis por depressões profundas da pele.
A técnica exige avaliação em pessoas com suspeita de trombose, doença arterial, infecções ou insuficiência cardíaca descompensada. O uso não deve ser decidido apenas pela sensação de pernas inchadas.
Estimulação russa
A estimulação russa utiliza corrente elétrica para provocar contrações musculares, principalmente em regiões como glúteos e pernas.
O recurso pode complementar o fortalecimento, mas não substitui exercícios ativos. A melhora do contorno depende também de força muscular, mobilidade, composição corporal e regularidade do treinamento.
“Se o objetivo é melhorar a sustentação muscular, a estimulação pode ser complementar. Mas ela não corrige sozinha a arquitetura da celulite”, afirma a especialista.
Endermologia
A endermologia utiliza uma ventosa, geralmente associada a roletes, para mobilizar a pele e os tecidos abaixo dela. A técnica pode melhorar temporariamente a circulação e a mobilidade local.
A intensidade precisa ser ajustada para evitar dor e hematomas. Marcas roxas não indicam necessariamente que o tratamento funcionou; podem representar trauma nos pequenos vasos da pele.
A endermologia pode integrar um plano individualizado, mas não elimina a celulite de forma permanente.
Termoliporedutor
No termoliporedutor, aplica-se um gel na região e, em seguida, uma corrente elétrica associada ao aquecimento. A proposta é estimular respostas circulatórias e metabólicas locais.
Como os nomes e os equipamentos podem variar entre clínicas, a paciente deve perguntar qual tecnologia será usada, quais são os parâmetros e quais resultados podem ser esperados.
“O nome comercial não garante segurança ou eficácia. É preciso verificar a indicação, as contraindicações, a habilitação profissional e a regularização do equipamento”, diz Mariana.
Outras opções
Radiofrequência, ondas acústicas e subcisão também aparecem nos estudos sobre celulite. A radiofrequência busca estimular o remodelamento do colágeno e melhorar a firmeza. Ondas acústicas podem atuar na textura e na circulação local. A subcisão é um procedimento minimamente invasivo que libera septos fibrosos associados a algumas depressões profundas.
Essas técnicas têm indicações, riscos e profissionais responsáveis diferentes dos recursos fisioterapêuticos. A escolha deve considerar o grau da celulite, a saúde da pele, o histórico da paciente e o objetivo do tratamento.
Avaliação evita falsas promessas
Segundo a Dra. Mariana, dor, vermelhidão, calor, inchaço unilateral ou aumento repentino de volume não devem ser atribuídos automaticamente à celulite. Esses sinais exigem avaliação antes de qualquer procedimento.
“O tratamento responsável não promete apagar todas as irregularidades. Ele explica o que cada técnica pode fazer, quais são seus limites e como preservar a segurança da paciente”, conclui a fisioterapeuta.
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Quando comer se torna um desafio: entenda a seletividade alimentar no autismo
Preferências são comuns; seletividade envolve restrições persistentes que podem afetar nutrição, saúde e convívio. No autismo, sensibilidade a textura, cheiro e temperatura é um fator relevante, mas não explica todos os casos
Não gostar de brócolis, preferir arroz a batata ou eleger um prato favorito não caracteriza, por si só, seletividade alimentar. Preferências fazem parte da alimentação e costumam coexistir com um repertório variado de alimentos.
A seletividade vai além. O quadro pode envolver repertório restrito, resistência persistente a alimentos novos e recusa motivada por características específicas, como textura, cheiro, sabor, temperatura, cor, apresentação e até marca ou embalagem.
Uma criança pode aceitar batata crocante, mas recusar a mesma batata amassada. Pode consumir um iogurte de determinada marca e rejeitar outro aparentemente semelhante porque percebe diferença na consistência. Em outros casos, aceita os alimentos separados, mas não consegue comê-los quando estão misturados ou encostados dentro do prato.
A diferença, portanto, não está apenas em “ser exigente”, mas na frequência da recusa, na extensão das restrições e no impacto que elas produzem sobre a saúde e a rotina.
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), define seletividade alimentar como um padrão de alimentação em que a criança ou o adolescente aceita um repertório reduzido de alimentos e apresenta recusa persistente de itens novos, conhecida como neofobia alimentar. Em documento destaca que esse comportamento pode ter repercussões nutricionais, emocionais e sociais e deve ser considerado nas estratégias de alimentação escolar.
Restrição pode ter diferentes graus
A seletividade alimentar não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Mais útil do que contar apenas quantos alimentos alguém aceita é observar o efeito da restrição no estado nutricional, nas refeições e na participação social.
Em situações de menor impacto, a pessoa pode evitar algumas texturas ou preparações, mas manter variedade suficiente para atender às necessidades nutricionais e participar das refeições sem sofrimento relevante.
Quando a restrição aumenta, o repertório pode diminuir gradualmente. A pessoa passa a depender de determinadas marcas, formas de preparo ou apresentações e encontra dificuldades para comer na escola, em restaurantes, na casa de familiares ou em viagens. Grupos alimentares inteiros podem deixar de ser aceitos.
Nos casos de maior gravidade, podem ocorrer alterações de peso ou crescimento, deficiência de nutrientes, sofrimento intenso durante as refeições e prejuízos importantes para a vida familiar e social.
Essas situações exigem avaliação clínica e nutricional e, quando indicado, investigação de transtornos alimentares, como o transtorno alimentar restritivo/evitativo (TARE).
A presença de autismo não é suficiente para explicar automaticamente uma restrição alimentar. O comportamento à mesa pode ser a manifestação mais visível de questões sensoriais, gastrointestinais, motoras orais, nutricionais, emocionais ou comportamentais.
Por que a seletividade é mais frequente no autismo
A seletividade alimentar é relatada com maior frequência entre crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA). Uma revisão sistemática publicada em 2025 identificou textura, aparência, apresentação, sabor e cheiro como fatores relevantes para as escolhas alimentares desse grupo.
O FNDE também aponta estudos que encontraram prevalências entre 40% e 80% de seletividade alimentar em estudantes com TEA. A faixa ampla reflete diferenças de definição, idade e metodologia entre pesquisas, mas sustenta a necessidade de atenção individualizada em casa e no ambiente escolar.
Uma das explicações possíveis está no processamento sensorial. Para algumas pessoas autistas, estímulos percebidos como corriqueiros por outras podem ser vividos com maior intensidade. A cremosidade de um purê, os grumos de uma sopa, fibras em uma carne ou a mistura de alimentos podem provocar desconforto relevante.
“Quando uma criança rejeita um alimento, a pergunta não deveria ser apenas ‘por que ela não quer comer?’. É importante observar o que existe naquela experiência: textura, cheiro, temperatura, apresentação, mistura ou imprevisibilidade. Em alguns casos, há um desconforto sensorial real por trás da recusa”, afirma a psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa.
A distinção ajuda a entender por que dizer que alguém “gosta” ou “não gosta” de um alimento pode ser insuficiente. A criança pode aceitar cenoura crua e rejeitar cenoura cozida. O alimento é o mesmo, mas a experiência sensorial mudou.
Sensibilidade não explica tudo
A textura é uma das causas possíveis, não uma resposta automática para toda recusa alimentar de pessoas autistas. Refluxo, constipação, dor abdominal, alergias ou intolerâncias alimentares, problemas odontológicos, dificuldades de mastigação e deglutição, ansiedade e medo de engasgar também podem tornar a alimentação desconfortável.
“Duas crianças podem apresentar repertório alimentar reduzido por razões distintas. Uma pode evitar alimentos por hipersensibilidade sensorial; outra pode sentir dor ao mastigar; outra pode ter desenvolvido medo depois de um engasgo. A estratégia só pode ser definida depois de se entender o que sustenta a recusa”, diz Luanda Rosa.
Essa distinção é relevante porque insistir para que uma criança coma, sem investigar a causa da aversão, pode ampliar a ansiedade e tornar refeições ainda mais difíceis. A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que dietas restritivas não devem ser adotadas indiscriminadamente para pessoas autistas. A exclusão de glúten, leite ou outros alimentos exige indicação clínica, como diagnóstico de alergia, intolerância ou doença celíaca, e acompanhamento profissional para evitar prejuízos nutricionais.
Quando procurar avaliação
Atenção especial é recomendada quando a seletividade deixa de ser uma preferência e passa a comprometer alimentação, crescimento, saúde ou participação social.
Sinais que justificam avaliação incluem:
- • Repertório alimentar cada vez menor.
- • Recusa persistente de grupos inteiros de alimentos.
- • Dependência de poucas marcas, embalagens, preparações ou formatos.
- • Reação intensa a textura, cheiro, temperatura, aparência ou mistura de alimentos.
- • Dificuldade para mastigar ou engolir, episódios frequentes de engasgo ou dor ao comer.
- • Vômitos, refluxo, constipação ou dor abdominal associados às refeições.
- • Perda ou ganho de peso sem explicação, alteração do crescimento, cansaço intenso ou suspeita de deficiência nutricional.
- • Dificuldade extrema para comer fora de casa ou participar de refeições escolares.
- • Choro, medo, fuga, crises ou conflitos frequentes durante as refeições.
Um sinal isolado não estabelece um diagnóstico. O que deve orientar a busca por ajuda é a combinação entre persistência, intensidade, sofrimento e impacto da dificuldade no cotidiano.
Como evitar que a refeição vire conflito
Forçar, ameaçar, punir, chantagear ou esconder ingredientes pode aumentar a aversão e associar alimentos novos a experiências negativas. A ampliação do repertório tende a ser mais segura quando ocorre de forma gradual e com metas possíveis.
Em alguns casos, o primeiro passo diante de um alimento novo não é comê-lo. Pode ser tolerá-lo sobre a mesa, colocá-lo no prato, observá-lo, tocá-lo ou sentir seu cheiro. A aceitação pode avançar com o tempo, de acordo com o perfil sensorial e a causa da recusa.
Entre as estratégias que podem ajudar estão:
- • Manter horários e ambiente previsíveis nas refeições.
- • Servir alimentos conhecidos junto a pequenas porções de itens ainda não aceitos.
- • Apresentar alimentos novos mais de uma vez, sem exigir consumo imediato.
- • Permitir aproximação gradual por meio da observação, do toque e do cheiro.
- • Envolver a criança no preparo, na escolha e na organização da refeição quando isso for possível.
- • Reduzir distrações, como telas, durante as refeições.
- • Registrar padrões de aceitação e recusa relacionados a textura, temperatura, cheiro, marca e forma de preparo.
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda uma postura neutra e acolhedora durante as refeições e exposição repetida a novos alimentos, respeitando idade, desenvolvimento, condições clínicas e necessidades de cada criança.
Cuidado pode envolver diferentes áreas
A seletividade alimentar não deve ser tratada apenas como questão de comportamento ou disciplina. Conforme o caso, o cuidado pode envolver pediatra, nutricionista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e escola.
O pediatra pode investigar crescimento, sintomas gastrointestinais, alergias, intolerâncias e outras condições orgânicas. O nutricionista avalia a variedade alimentar, a ingestão e o risco de inadequação nutricional. A fonoaudiologia pode investigar mastigação e deglutição, enquanto a terapia ocupacional pode contribuir diante de questões sensoriais relevantes. Aspectos emocionais e comportamentais também podem demandar acompanhamento específico.
Para Luanda Rosa, a pergunta que orienta o cuidado não deveria ser “como fazer essa criança comer?”, mas “por que comer está sendo difícil para ela?”.
“O objetivo não é que a criança aceite todos os alimentos de uma vez. É compreender os fatores envolvidos na recusa e, a partir daí, construir estratégias individualizadas para ampliar o repertório de forma segura, gradual e respeitosa, sem transformar as refeições em experiências de pressão ou sofrimento”, afirma.
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Dani Ezequiel: quando a luta pelo filho se transforma em propósito para acolher famílias
A trajetória de Dani Ezequiel nasceu da experiência mais transformadora de sua vida: a maternidade atípica
Mãe de Thomas, autista nível 3 de suporte, ela passou a conhecer de perto os desafios enfrentados diariamente por famílias que precisam buscar tratamento, acompanhamento especializado, inclusão e qualidade de vida para seus filhos.
Foi nesse caminho que percebeu uma realidade que ainda afeta milhares de pessoas: enquanto algumas famílias conseguem acessar uma rede de apoio estruturada, muitas outras enfrentam essa jornada praticamente sozinhas, limitadas pela falta de recursos financeiros e suporte adequado.
A partir dessa vivência, Dani transformou a dor em propósito. Seu desejo de ajudar outras famílias deu origem a um projeto de impacto social voltado ao acolhimento de pessoas autistas, especialmente aquelas com níveis de suporte 2 e 3, e também às mães atípicas, que muitas vezes carregam sozinhas o peso emocional e financeiro dessa caminhada.
Seu objetivo é criar uma rede multidisciplinar acessível, reunindo profissionais qualificados para oferecer atendimento por valores sociais e ampliando o acesso a terapias e acompanhamentos essenciais. Dani com o senador Romário, que reconhece a importância do seu trabalho.
“Cuidar da pessoa autista também significa cuidar de quem cuida. Por isso, a saúde mental das mães e familiares faz parte da essência do projeto.”
O momento que marcou profundamente sua vida foi o dia em que recebeu o diagnóstico do filho. Desde então, cada pequena evolução de Thomas se tornou uma grande conquista. Seu maior sonho é ouvir o filho chamá-la de “mamãe”, algo simples para muitos, mas que representa uma imensa vitória para uma família atípica.
Essa esperança fortalece sua determinação de continuar lutando não apenas pelo próprio filho, mas por tantas outras famílias que compartilham desafios semelhantes.
Hoje, Dani define sua trajetória como uma caminhada de amor, persistência, aprendizado e propósito. Sua atuação representa um empreendedorismo de impacto social que busca transformar acolhimento em ação, inclusão em realidade e esperança em oportunidade.
Seu compromisso é garantir que mais famílias tenham acesso ao cuidado, ao respeito e ao suporte que merecem, para que nenhuma delas precise enfrentar essa jornada sozinha.
Para acompanhar o trabalho de Dani Ezequiel, siga o perfil no Instagram, X, Facebook e TikTok: @daniezequielrj.
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Perdas gestacionais recorrentes podem indicar trombofilia e merecem investigação especializada
Ginecologista e obstetra Dra. Elis Nogueira alerta que o diagnóstico e tratamento adequados podem reduzir riscos e aumentar as chances de uma gestação saudável
A perda gestacional recorrente vai muito além de um desafio físico. Para muitas mulheres e casais, a sequência de abortamentos representa um sofrimento emocional intenso, frequentemente acompanhado por ansiedade, luto e até depressão, tornando indispensável o acompanhamento médico e o suporte psicológico.
Entre as possíveis causas está a trombofilia, condição que aumenta a predisposição do organismo à formação de coágulos sanguíneos. Quando não identificada e tratada, ela pode comprometer o desenvolvimento da gestação e elevar o risco de complicações maternas e fetais.
“As trombofilias podem ser hereditárias ou adquiridas. As hereditárias decorrem de alterações genéticas, enquanto a principal forma adquirida é a Síndrome Antifosfolípide (SAF), caracterizada pela presença persistente de anticorpos antifosfolípides, como os anticorpos anticardiolipina, o anticoagulante lúpico e os anticorpos anti-β2-glicoproteína I”, explica a ginecologista e obstetra Dra. Elis Nogueira.
Independentemente da origem, a trombofilia costuma permanecer silenciosa por muitos anos e, em diversos casos, só é descoberta após perdas gestacionais recorrentes, trombose, AVC, embolia pulmonar ou infarto do miocárdio.
“A mulher pode não apresentar nenhum sintoma ao longo da vida. Entretanto, durante a idade reprodutiva, episódios como abortamentos de repetição, perda fetal, pré-eclâmpsia precoce ou grave, restrição do crescimento fetal e parto prematuro relacionado à insuficiência placentária devem acender um importante sinal de alerta”, explica a especialista.
Durante a gestação, as alterações naturais da coagulação tornam esse risco ainda maior. De acordo com o Ministério da Saúde, mulheres grávidas apresentam probabilidade de tromboembolismo venoso quatro a cinco vezes superior à de mulheres que não estão gestantes.
Além das perdas gestacionais recorrentes, outros sinais que podem estar relacionados à trombofilia nas gestantes incluem:
• Perda fetal sem causa aparente;
• Pré-eclâmpsia;
• Restrição do crescimento do bebê;
• Inchaço, dor e vermelhidão em uma das pernas;
• Falta de ar repentina e dor no peito, em casos de embolia pulmonar.
Quando investigar?
A Dra. Elis Nogueira esclarece que a pesquisa dos anticorpos antifosfolípides não integra os exames de rotina do pré-natal e deve ser solicitada apenas quando existem fatores que indiquem maior suspeita clínica.
“Na Obstetrícia, essa investigação é recomendada especialmente para mulheres com histórico de três ou mais abortamentos espontâneos consecutivos antes de 10 semanas de gestação, perda fetal após 10 semanas ou parto prematuro antes de 34 semanas associado à pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia ou insuficiência placentária”, afirma.
A especialista destaca ainda que um resultado positivo não significa, necessariamente, que a paciente desenvolverá trombose ou enfrentará complicações na gravidez.
“O diagnóstico deve ser interpretado de forma individualizada, considerando o histórico clínico, o perfil dos anticorpos e a presença de outros fatores de risco.”
Tratamento aumenta as chances de uma gestação saudável
Embora a Síndrome Antifosfolípide (SAF) não tenha cura, ela pode ser controlada de maneira eficaz quando identificada.
Em mulheres com indicação médica, o tratamento pode ser iniciado ainda no planejamento da gestação e incluir ácido acetilsalicílico (AAS). Após a confirmação da gravidez, dependendo da avaliação clínica, pode ser indicada a utilização de anticoagulantes, como a enoxaparina sódica, mantidos durante toda a gestação e no pós-parto.
“O acompanhamento multidisciplinar e individualizado é fundamental. Quando o diagnóstico é realizado no momento adequado e o tratamento é conduzido corretamente, conseguimos reduzir significativamente o risco de tromboses e aumentar a possibilidade de uma gestação bem-sucedida, sempre monitorando cuidadosamente a saúde da mãe, do bebê e da placenta”, conclui a Dra. Elis Nogueira.
Sobre a Dra. Elis Nogueira
Dra. Elis Nogueira (CRM 98.344 | RQE 57.179), é especialista em ginecologia e obstetrícia pela AMB/FEBRASGO, possui certificação em Advanced Life Support in Obstetrics. Membro da SOGESP e da FEBRASGO, integra o corpo clínico das maternidades e hospitais São Luiz Star, Vila Nova Star, Pro Matre, Santa Joana, Albert Einstein, Sírio-Libanês e Santa Catarina, entre outros.
Nota ética: Este conteúdo possui caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação médica individualizada, não promove medicamentos ou tratamentos específicos e está em conformidade com as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) para comunicação pública.
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Mônica Calderari: ajudando mulheres a viverem a menopausa com mais qualidade de vida
A trajetória de Mônica Calderari é marcada pela coragem de recomeçar
Nutricionista, química e professora universitária, ela construiu uma carreira sólida na área da educação antes de descobrir uma nova missão: ajudar mulheres a atravessarem o climatério e a menopausa com mais energia, disposição e bem estar.
Filha de um taxista e de uma costureira, Mônica cresceu em uma família simples e acreditava que a estabilidade viria por meio do serviço público. Em 1994, tornou-se professora de Química da UERJ, conquistando a segurança financeira que sempre buscou. No entanto, a crise do Estado do Rio de Janeiro, em 2016, mudou sua visão sobre estabilidade e a levou a buscar novos caminhos.
Foi então que a Nutrição surgiu de forma inesperada. Após sonhar com essa possibilidade, decidiu prestar vestibular para a UERJ e iniciar uma nova graduação. Durante cinco anos, conciliou uma rotina intensa de estudos e trabalho, até descobrir uma verdadeira paixão: unir os conhecimentos da Química à Nutrição para compreender o corpo humano de forma mais profunda e personalizada.
Hoje, seu trabalho é dedicado especialmente às mulheres com mais de 40 anos que enfrentam os desafios do climatério e da menopausa. Com uma abordagem baseada na ciência, no acolhimento e na individualidade, Mônica acredita que a energia é o primeiro passo para qualquer mudança.
Afinal, quando uma mulher recupera sua disposição, ela volta a se movimentar, cuidar da saúde, realizar projetos e enxergar novas possibilidades para a própria vida.
Seu atendimento vai muito além da elaboração de planos alimentares.
Por meio do Método M.E.U. — Mapear, Equilibrar e Consolidar —, ela analisa sintomas, rotina, alimentação, composição corporal e estilo de vida para construir estratégias personalizadas que promovam resultados sustentáveis.
“O objetivo não é apenas melhorar indicadores de saúde ou alcançar metas na balança, mas devolver qualidade de vida, autoestima e protagonismo.”
Ao longo da carreira, Mônica coleciona histórias inspiradoras de mulheres que chegaram ao consultório sem energia e redescobriram o prazer de cuidar de si mesmas. São relatos que reforçam sua convicção de que a menopausa não representa uma pausa, mas uma nova fase repleta de possibilidades.
Segundo ela, nunca é tarde para começar um novo ciclo. Sua própria história prova que a idade não limita sonhos, projetos ou conquistas. Com conhecimento, persistência e propósito, ela segue ajudando mulheres a escreverem novos capítulos de suas vidas com mais saúde, confiança e vitalidade.
Para acompanhar o trabalho de Mônica Calderari, siga o perfil no Instagram: @nutrimonicacalderari, acesse o site: www.metodomeu.com, ou entre em contato pelo número: (21) 98663-1000.
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Ramona Ferreiro: uma jornada de superação e empoderamento pelo olhar da psicologia
Ramona Ferreiro é psicóloga, mentora terapêutica e empreendedora dedicada a ajudar mulheres a romperem ciclos de sofrimento emocional, financeiro e de saúde causados por padrões familiares e pessoais repetidos desde a infância.
Atuando há anos no atendimento clínico presencial e on-line, ela utiliza recursos como Hipnose Clínica, Teoria do Apego e Terapia Sistêmica para promover uma nova consciência e autoestima nas suas clientes.
Sua trajetória é marcada por um constante aprendizado e reinvenção, desde os primeiros passos no empreendedorismo até os desafios da psicologia contemporânea. Ramona compartilha sua história com o Portal Utilità, revelando os altos e baixos que enfrentou e o que a motiva a seguir transformando vidas.
Da veia empreendedora aos estudos em Psicologia
Antes de se formar em Psicologia, Ramona já mostrava sua inquietude criativa e empreendedora. Ela produzia velas, peças em madeira e bijuterias, negócios pequenos que lhe deram experiência prática no mundo dos negócios. A partir da graduação, o foco profissional inicialmente se dirigiu para o atendimento em hospitais e para o desenvolvimento de treinamentos destinados a empresas e escolas.
Porém, foi na clínica particular que Ramona encontrou sua verdadeira vocação. A paixão pelo trabalho direto com as pessoas levou-a a abrir seu consultório, combinando atendimentos presenciais e, após a pandemia, também virtuais. Ela conta que esse período de mudanças foi decisivo para ampliar sua atuação e alcançar um público ainda maior.
Enfrentando desafios e aprendendo a se reinventar
Os percalços da carreira não faltaram. “Os altos e baixos do mercado, as crises financeiras e a necessidade de estar sempre me reinventando foram grandes desafios”, relata Ramona. Para ela, o conhecimento técnico da Psicologia não bastava mais. Foi preciso aprender sobre marketing digital, redes sociais e vendas para se manter relevante e próxima das pessoas que buscavam ajuda.
Essa nova fase exigiu coragem e dedicação para dominar ferramentas tecnológicas e estratégicas, além de ampliar sua visão sobre o papel do psicólogo no mundo contemporâneo. Ramona transformou essas dificuldades em combustível para seguir adiante.
A inspiração que vem do compromisso com mulheres e suas histórias
O que faz Ramona levantar todos os dias é o desejo genuíno de ajudar mulheres a enxergarem seu merecimento e capacidade para romper padrões dolorosos e limitadores. Ela destaca que seu trabalho é uma maneira de “levar expansão de consciência, ressignificação de histórias, perdão e gratidão”.
Para suas clientes, o processo é uma oportunidade valiosa de aprender o auto perdão, a valorização pessoal e a responsabilidade por suas próprias vidas.
“Elas aprendem a adultecer, deixando a infância na infância e se autoresponsabilizarem em se dar o que faltou”, explica a psicóloga.
Conquistas que celebram a dedicação e o impacto
Cada etapa vencida na formação acadêmica foi uma vitória para Ramona, que enfrentou dificuldades para concluir seus cursos. Ainda assim, ela valoriza sobretudo o impacto que seu trabalho gera na vida das pessoas.
“Cada cliente que alcança seu objetivo na terapia e transforma sua realidade emocional ou material é também uma vitória minha”, compartilha.
Sua atuação inclui também o atendimento a pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), oferecendo avaliação, intervenção e educação específicas. Essa especialização amplia o alcance de sua clínica e reforça seu compromisso com o cuidado integral.
Ramona Ferreiro e o valor das conexões locais
Ramona também destaca a importância de participar de iniciativas como o Portal Utilità, que promove conexões entre profissionais locais e oferece oportunidades para aprendizado e colaboração.
Sobre essa experiência, ela afirma: “A Utilità sem dúvida é um trabalho pioneiro e importantíssimo, que traz conexão, parcerias, novas oportunidades e aprendizado pois aprendemos com as histórias de outros profissionais”.
Sua recomendação para quem está começando ou enfrentando dificuldades é clara: “Frequentar os eventos da Utilità, fazer boas conexões, aprender sempre, persistir e não desistir no primeiro obstáculo. Pois os obstáculos são para serem contornados e não para fazer você desistir”.
Um convite para conhecer o trabalho de Ramona Ferreiro
Para quem busca apoio para romper padrões repetitivos e encontrar uma nova forma de viver, o trabalho de Ramona Ferreiro oferece caminhos de autoconhecimento e fortalecimento. Seu atendimento é um convite para revisitar histórias pessoais com acolhimento e clareza.
Quem quiser saber mais pode acompanhar Ramona pelas redes sociais @psiramonaferreiro e @constelandocoma_alma ou entrar em contato pelo WhatsApp (21) 98144-9609.
Ramona Ferreiro convida todas as mulheres a se permitirem enxergar seu valor e a trilhar um caminho próprio, com consciência e coragem.
Sobre Ramona Ferreiro
Psicóloga, mentora terapêutica e empreendedora que transforma desafios em aprendizado e inspira mulheres a viverem com mais liberdade emocional e autoconfiança.
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De Khloé Kardashian a Jennifer Aniston: peptídeos viram febre e movimentam mercado bilionário
Adepta há mais de um ano, brasileira Gabriela Kulaif conta sua experiência com a tendência que conquistou celebridades e ganhou espaço no universo da longevidade e do bem-estar
Khloé Kardashian, Jennifer Aniston e Gwyneth Paltrow estão entre as celebridades que já falaram publicamente sobre peptídeos, assunto que ganhou espaço nas conversas sobre beleza, bem-estar e longevidade nos Estados Unidos. A movimentação já chegou ao mercado: estimativas citadas pela Reuters apontam um potencial de US$ 2,2 bilhões a US$ 3,3 bilhões no país. Mas, afinal, o que são peptídeos?
Em termos simples, são pequenas cadeias de aminoácidos, componentes que também formam as proteínas, cada um para uma determinada função, como a insulina, um hormônio peptídico utilizado terapeuticamente há mais de um século, e medicamentos que atuam no receptor de GLP-1.
Alguns já são conhecidos e utilizados pela medicina há décadas, como. Outros pegaram carona na onda do wellness e do biohacking e se popularizaram antes que existissem estudos clínicos suficientes para responder a todas as questões sobre segurança, eficácia e efeitos de longo prazo.
Morando nos Estados Unidos, a brasileira Gabriela Kulaif, atriz e produtora que lançou recentemente “BitterSweet” na Apple TV acompanhou essa febre de perto e decidiu pesquisar o assunto há cerca de um ano.
“Nunca gostei de tomar remédios e sempre me tratei com medicinas alternativas como homeopatia e acupuntura. Há 1 ano, com o boom dos peptídeos aqui nos Estados Unidos, decidi começar a pesquisar mais profundamente sobre o que são, como funcionam, possíveis efeitos colaterais e como usá-los de forma responsável. Foi aí que descobri um universo que mudou completamente a minha forma de enxergar saúde e longevidade.”
Gabriela passou a fazer uso de peptídeos e diz ter percebido mudanças na disposição e em questões relacionadas ao bem-estar. Os relatos são experiências pessoais e não significam que os mesmos resultados possam ser esperados por outras pessoas. Ela afirma que mantém acompanhamento de médicos especialistas e realiza exames periódicos.
“Fiquei tão impressionada com a eficiência que comecei a procurar cursos para aprender mais sobre o assunto, estou fazendo um curso de biohacking com foco em peptídeos, longevidade e otimização da saúde on line aqui nos Estados Unidos e já me planejando para outros cursos ainda mais especializados.”
Não é só “coisa de famoso”
As celebridades ajudaram a colocar os peptídeos no radar, mas Gabriela diz que o cenário que encontra hoje nos Estados Unidos já é outro.
“O uso de peptídeos aqui cresceu muito. Já deixou de ser algo restrito a atletas, e celebridades. Cada vez mais vejo médicos e clínicas de wellness incorporando tratamentos com peptídeos. E o público também se ampliou muito: são pessoas buscando desde performance e ganho de massa muscular até recuperação de lesões, melhora metabólica, estética, energia e longevidade.”
A corrida da ciência
A popularidade, porém, corre mais rápido do que as respostas da ciência para algumas dessas substâncias. Em julho, um comitê consultivo da FDA, agência reguladora americana, analisou sete peptídeos que vêm ganhando espaço no mercado e recomendou permitir a manipulação de seis deles. Isso não significa que tenham sido aprovados pela FDA. Para algumas dessas moléculas, ainda faltam estudos clínicos robustos em humanos.
“O consumo já está acontecendo e não é de hoje. Na prática, existe um mercado que avançou muito mais rapidamente do que a regulamentação”, diz Gabriela. Ela chama atenção para o fato de que colocar todos os peptídeos no mesmo pacote também é um erro. A categoria é enorme e inclui moléculas com níveis de evidência muito diferentes.
“Existe uma certa generalização quando se diz que ‘faltam estudos sobre peptídeos’, porque estamos falando de uma categoria enorme de moléculas. Alguns peptídeos realmente ainda precisam de estudos clínicos robustos em humanos, mas outros fazem parte da medicina há décadas.”
No Brasil, algumas das substâncias que se tornaram populares nessa onda não possuem registro como medicamentos na Anvisa. A agência já fez alertas sobre produtos divulgados nas redes sociais e reforça que itens sem registro não passaram pela avaliação necessária para comprovar qualidade, segurança e eficácia. Outros, no entanto, já são amplamente comercializados, como a Tirzepatida e a Semaglutida, famosos emagrecedores.
Sem tempo a perder
Para Gabriela, mais do que importar a febre americana, o Brasil deveria acompanhar a discussão científica que veio junto com ela.
“Acho que o Brasil tem uma grande oportunidade de avançar nessa discussão. Precisamos investir mais em pesquisa sobre peptídeos, entender melhor seu potencial terapêutico e criar caminhos seguros para pesquisa, produção e regulamentação.”
Com o mercado crescendo e o assunto chegando cada vez mais às redes sociais, ela acredita que a pesquisa precisa correr para diminuir a distância entre a curiosidade do público e aquilo que a ciência consegue, de fato, afirmar.
“Quanto mais tempo a ciência levar para estudar essas substâncias, maior será a distância entre o que as pessoas estão fazendo na prática e as informações confiáveis disponíveis para orientá-las.”
Gabriela Kulaif nas redes
https://www.instagram.com/gabrielakulaif/
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A saúde sexual também está nos ossos
Na menopausa, falar de libido, desconforto e qualidade de vida sem olhar para a saúde óssea é deixar parte importante da história de fora
Existe uma pergunta que ainda fazemos pouco às mulheres: como você está vivendo essa fase da sua vida? Em geral, quando falamos sobre saúde sexual, pensamos em desejo, libido, desempenho ou relacionamento. Quando falamos sobre menopausa, pensamos em ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal e mudanças hormonais. E, quando falamos sobre osteoporose, pensamos em ossos e fraturas.
Como se fossem assuntos separados. Não são.
O organismo não funciona em compartimentos. A mesma mudança hormonal que pode repercutir sobre a sexualidade também pode afetar músculos, composição corporal, cérebro e tecido ósseo. É por isso que discutir saúde sexual é, necessariamente, discutir saúde integral.
Essa conexão fica especialmente evidente na menopausa. A queda do estrogênio pode estar associada a sintomas que interferem na sexualidade, como secura vaginal e desconforto, além de alterações que podem comprometer autoestima, intimidade e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, a redução desse hormônio altera o processo de remodelação óssea e pode acelerar a perda de massa óssea, especialmente nos primeiros anos após a menopausa.
São manifestações diferentes de uma mesma transformação biológica.
E talvez esteja justamente aí uma das maiores oportunidades de prevenção.
O osso não dói quando começa a desaparecer
A osteoporose tem uma característica que torna esse cuidado ainda mais importante: ela frequentemente é silenciosa.
Uma mulher pode perder massa óssea durante anos sem sentir dor ou perceber qualquer sinal específico. Muitas vezes, a primeira manifestação da doença é uma fratura por fragilidade. Isso muda completamente a lógica do cuidado.
Não deveríamos esperar uma fratura para começar a conversar sobre saúde óssea, assim como não deveríamos esperar que uma mulher deixe de ter uma vida sexual satisfatória para perguntar se há algo interferindo em seu desejo, conforto ou intimidade.
A menopausa pode ser uma oportunidade para fazer essa avaliação de maneira mais ampla. Não porque toda mulher na menopausa terá osteoporose, não terá. Mas porque a transição menopausal representa uma mudança hormonal importante e merece uma avaliação individualizada dos fatores de risco.
Uma consulta pode começar com uma queixa aparentemente específica, “minha libido mudou”, “estou sentindo desconforto”, “não tenho mais o mesmo desejo”, e abrir espaço para uma conversa muito maior sobre sono, humor, atividade física, alimentação, saúde cardiovascular, músculos e ossos. Esse é o cuidado que precisamos oferecer.
Sexualidade não é apenas sexo
Ainda existe uma tendência de tratar a sexualidade como algo secundário, quase opcional, principalmente à medida que a mulher envelhece. Mas sexualidade também envolve autoestima, intimidade, desejo, conforto, relacionamento e percepção de bem-estar.
Quando uma mulher sente dor durante uma relação sexual, por exemplo, não estamos falando apenas de um sintoma localizado. Aquela experiência pode afetar sua autoestima, sua relação afetiva e sua disposição para a intimidade.
Da mesma maneira, alterações do sono, do humor, da disposição e da percepção corporal podem interferir na sexualidade mesmo quando não existe um problema exclusivamente sexual. Por isso, uma queixa sexual merece ser ouvida. Não deve ser automaticamente atribuída ao envelhecimento, muito menos naturalizada com a ideia de que “é assim mesmo depois de certa idade”. Envelhecer é inevitável. Sofrer sem necessidade não deveria ser.
E os homens?
Essa conversa também precisa incluir os homens, embora sem transformar processos diferentes em equivalentes. Os hormônios sexuais também participam da manutenção da saúde óssea masculina, e alterações hormonais podem ocorrer ao longo do envelhecimento. Entretanto, o envelhecimento masculino não deve ser tratado como uma versão da menopausa feminina.
Nos homens, uma queixa de disfunção sexual pode, em determinadas circunstâncias, justificar investigação da testosterona, especialmente quando aparece associada a outros sinais ou fatores de risco, como perda óssea ou fratura por baixo impacto.
Mas há uma diferença importante entre um sinal que merece investigação e um diagnóstico. Disfunção sexual, isoladamente, não confirma deficiência de testosterona nem significa que todos os homens devam fazer rastreamento hormonal.
Mais uma vez, a medicina precisa olhar para o indivíduo, e não apenas para uma idade ou um sintoma.
O cuidado com os ossos começa muito antes da menopausa
Talvez um dos maiores erros seja pensar na saúde óssea apenas quando os hormônios começam a cair. A massa óssea é construída ao longo da vida. Chegar à menopausa com uma boa reserva óssea e manter hábitos que favoreçam sua preservação são parte importante da prevenção.
Alimentação adequada, com ingestão suficiente de cálcio e proteínas, atividade física regular, exercícios de força e resistência e, quando indicados, exercícios com impacto ajudam a preservar a saúde musculoesquelética. Não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool e manter níveis adequados de vitamina D também são medidas importantes.
Mas prevenção não significa uma receita igual para todas as mulheres. A necessidade de investigação e tratamento depende de fatores individuais, como idade, menopausa, histórico pessoal e familiar de fraturas, uso de determinados medicamentos e doenças que podem interferir no metabolismo ósseo.
Por isso, não existe uma idade mágica que determine quando todas as pessoas devem investigar a saúde dos ossos.
Existe, sim, o momento adequado para cada pessoa conversar com seu médico.
E quando já existe osteoporose?
Existe ainda um silêncio particularmente desconfortável quando juntamos osteoporose e sexualidade. Receber um diagnóstico de osteoporose não significa deixar de ter vida sexual.
Também não existem, atualmente, diretrizes específicas das principais sociedades de osteoporose dedicadas exclusivamente à prática sexual nesses pacientes. Por isso, precisamos ter cuidado para não transformar recomendações individuais em proibições gerais.
Depois de uma fratura por fragilidade, a retomada da atividade sexual deve ser gradual e considerar a recuperação, a presença de dor e as características de cada paciente.
Em pessoas com fratura vertebral recente ou osteoporose grave, determinados movimentos de flexão ou torção brusca e sustentada da coluna podem exigir adaptações. Nesses casos, uma orientação individualizada, inclusive com fisioterapia quando indicada, pode ajudar a modificar movimentos e posições de maneira mais segura. O objetivo não é retirar autonomia ou prazer da vida da pessoa. É permitir que ela continue vivendo sua sexualidade com segurança.
O que precisamos mudar é a pergunta
O Dia Mundial da Saúde Sexual, celebrado em 4 de setembro, é uma oportunidade para ampliarmos essa conversa. Saúde sexual não deveria ser um assunto procurado apenas diante de uma disfunção. E saúde óssea não deveria entrar em pauta somente depois de uma fratura.
Precisamos antecipar o cuidado. Quando uma mulher chega à menopausa preocupada com sua libido, secura vaginal ou desconforto, talvez aquela seja também uma oportunidade para perguntar sobre atividade física, alimentação, sono, histórico de fraturas e outros fatores que interferem em sua saúde.
Não significa transformar toda consulta em uma lista interminável de exames. Significa enxergar a mulher para além da queixa que a levou ao consultório. Essa é, para mim, a essência do cuidado integral.
A menopausa não é apenas o momento em que a produção de determinados hormônios diminui. É uma fase de transição que pode repercutir em diferentes dimensões da vida e que merece ser acompanhada com informação, prevenção e, quando necessário, tratamento.
Por isso, quando uma mulher fala sobre sua sexualidade, precisamos ouvir também o que seu corpo inteiro está dizendo.
Porque cuidar da saúde sexual não é cuidar apenas do sexo. É cuidar da mulher. E, nessa história, até os ossos têm algo a dizer.
* Por Adriana Orcesi
Sobre a autora
Dra. Adriana Orcesi Pedro (CRM-SP 65.555 | RQE 97.826) é professora livre-docente em Ginecologia pela Unicamp e vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose da Febrasgo. Integra o Regional Advisory Board da International Osteoporosis Foundation (IOF), o Comitê de Ginecologia da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) e o Comitê de Climatério da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH). É também Menopause Society Certified Practitioner (MSCP) pela The Menopause Society e atua na Clínica Adriana Orcesi.
Sobre a ABRASSO
A Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) é uma sociedade médica dedicada à promoção do conhecimento, da prevenção, do diagnóstico e do tratamento das doenças que afetam a saúde óssea e o metabolismo. Reúne profissionais de diferentes especialidades envolvidos no cuidado e na pesquisa em osteoporose e outras condições osteometabólicas.
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Dia do nutricionista e profissional alerta: alimentação importa mesmo com reposição hormonal
A reposição hormonal pode fazer parte do cuidado da mulher na menopausa, quando indicada e acompanhada por um médico, mas não substitui um pilar essencial para acompanhar o tratamento: uma alimentação adequada
Para a nutricionista Mônica Calderari, especialista em nutrição da mulher 40+, climatério e menopausa, hormônios e alimentação cumprem papéis complementares.
“A reposição hormonal pode atuar onde o hormônio é necessário, mas não substitui a necessidade de uma alimentação adequada. Pense no organismo como uma fábrica: os hormônios comandam as máquinas, mas nenhuma máquina funciona sem matéria-prima.
No seu organismo, toda a matéria-prima vem da alimentação, responsável por dar energia e nutrientes que o organismo precisa diariamente”, explica.
Segundo Calderari, que também é Professora Titular de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) há 32 anos, ao depender apenas da reposição hormonal perde-se a oportunidade de tratar a causa pela raiz.
“A mulher deve ficar atenta aos sinais do seu corpo nessa etapa de sua vida, como flacidez, cansaço, sono ruim, dores articulares, névoa mental e barriga resistente. Uma alimentação equilibrada, mas adequada à sua rotina, ajuda na manutenção de músculos, ossos e saúde intestinal e mental, além de contribuir para o controle de doenças crônicas, como diabetes, pressão alta e gordura no fígado”, esclarece.
Mudança de peso na menopausa: o que fazer
A nutricionista também orienta sobre as mudanças de peso que ocorrem no climatério e na menopausa e dá um cartão vermelho para dietas radicais ou aquelas baseadas em restrições extremas.
“Mesmo quando se faz reposição hormonal, a alimentação continua tendo um papel fundamental. A mulher precisa ter consciência de que seu corpo mudou, e a dieta que funcionava aos 30 anos não funciona mais agora. Por isso, dietas da moda e radicais não fazem o menor sentido, pois não oferecem tudo o que a mulher precisa agora e, além disso, são insustentáveis”, comenta.
Pesquisa revela associação entre menopausa e alimentação
Uma pesquisa publicada na revista JAMA Network Open, uma revista conceituada na área da saúde, em maio de 2026, que acompanhou durante cerca de 12 anos 38.283 mulheres na fase da menopausa, período marcado por importantes mudanças hormonais, encontrou uma associação entre menor ganho de peso e menor risco de obesidade entre aquelas que consumiam mais vegetais, menos sal e ainda menor quantidade de frituras e carnes processadas.
Os resultados indicam que a qualidade da alimentação pode ter um papel importante no controle do peso e na saúde da mulher na menopausa. Para Mônica Calderari, os achados reforçam a importância de se ter uma alimentação que supre as necessidades da mulher nessa fase.
“Não se deve fazer uma dieta radical. Mas sim, aumentar o consumo de comida de verdade, como verduras, legumes, frutas, feijões ou outras leguminosas, castanhas e cereais integrais, e reduzir alimentos comprovadamente inflamatórios como os ultraprocessados, carnes processadas (embutidos como presunto), excesso de sal e frituras. O mais importante é construir uma alimentação equilibrada, gostosa e que a mulher consiga manter”, finaliza.
Sobre Mônica Calderari
Mônica Calderari é nutricionista especializada em nutrição da mulher 40+, climatério e menopausa, Doutora em Ciências, Professora Titular de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) há 32 anos e criadora do Método M.E.U.®️, metodologia que propõe Mapear, Equilibrar e conduzir a mulher até o seu momento “UAU”, representando a consolidação dos resultados desejados. Sua atuação une formação científica, experiência acadêmica e prática clínica.
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