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A poucos dias da prova, cuidados com o sono, alimentação, momentos de lazer e apoio emocional podem ajudar a reduzir a ansiedade e tornar a reta final mais tranquila para os estudantes.
A pressão por um bom resultado no Enem não vem apenas dos estudos. Dentro de casa, a expectativa pela aprovação, as perguntas sobre o desempenho nos simulados e a preocupação com o futuro também podem aumentar a ansiedade dos adolescentes.
Mesmo quando a intenção dos pais é incentivar, o excesso de cobrança pode acabar prejudicando justamente aquilo que a família deseja: uma boa preparação para o exame.
Com as provas previstas para os dias 8 e 15 de novembro, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o desafio das próximas semanas vai além da revisão dos conteúdos. É preciso encontrar um equilíbrio entre estudo, descanso e saúde emocional, especialmente entre os estudantes que chegam a esta etapa com o cansaço acumulado ao longo do ano.
Para a psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato, a família tem um papel importante nesse processo, mas precisa compreender que aumentar a cobrança nem sempre melhora o desempenho.
“Existe uma diferença entre incentivar um adolescente a estudar e fazer com que ele sinta que seu valor está condicionado ao resultado de uma prova. Quando a família transforma o Enem no assunto principal de todas as conversas, o jovem pode começar a viver em um estado constante de preocupação, justamente em um momento em que precisa estar emocionalmente preparado para utilizar tudo o que aprendeu”, explica.
O que acontece no cérebro quando a pressão aumenta?
A ansiedade moderada diante de uma prova importante é uma resposta esperada. O problema aparece quando a preocupação se torna excessiva e começa a prejudicar o sono, a concentração e a rotina. Segundo Mayra, situações de estresse intenso podem comprometer processos importantes para a aprendizagem, como a atenção, a memória de trabalho e a capacidade de recuperar informações.
“Imagine um adolescente que estudou durante meses, mas chega à prova tão preocupado com a possibilidade de fracassar que tem dificuldade para organizar o pensamento. Ele conhece o conteúdo, mas a ansiedade pode atrapalhar o acesso àquilo que aprendeu. Por isso, preparar-se para o Enem também envolve aprender a lidar com as próprias emoções.”
A Organização Mundial da Saúde destaca que o sono adequado, a atividade física, as habilidades de regulação emocional e o apoio familiar são fatores importantes para a saúde mental na adolescência.
Estudar mais ou estudar melhor?
Na reta final, é comum que os estudantes tentem compensar a insegurança aumentando as horas diante dos livros. Entretanto, abrir mão do sono, abandonar atividades prazerosas e estudar até a exaustão pode ser contraproducente.
A orientação é priorizar uma rotina realista, com revisão dos conteúdos, resolução de questões, pausas e horários regulares para dormir.
“Dormir não é perder tempo de estudo. O sono participa da consolidação da memória, processo pelo qual o cérebro organiza e fortalece aquilo que aprendemos. Um adolescente que passa a madrugada estudando e chega exausto ao dia seguinte pode ter mais dificuldade para prestar atenção e reter novas informações”, explica Mayra.
Como os pais podem ajudar sem aumentar a pressão?
Na reta final para o Enem, o cuidado com a saúde física e emocional também faz parte da preparação. A psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato reúne oito orientações práticas para as famílias ajudarem os adolescentes a chegar à prova com mais tranquilidade e disposição.
- Troque a cobrança por acolhimento
- Em vez de perguntar diariamente quantas horas o filho estudou ou quantas questões acertou, experimente: “Como você está se sentindo?” ou “O que podemos fazer para tornar esses dias mais tranquilos?”. Às vezes, uma conversa sem cobranças é o melhor apoio.
- Aproveite a luz natural e os momentos ao ar livre
- Convide o adolescente para tomar um pouco de sol pela manhã, caminhar em uma praça ou simplesmente passar alguns minutos ao ar livre. A exposição à luz natural ajuda a regular o relógio biológico, favorecendo o ciclo de sono e vigília. O sol também participa da produção de vitamina D, embora isso não signifique que mais exposição solar produza menos ansiedade. É importante respeitar os cuidados de proteção solar.
- Proponha passeios leves em família
- Um piquenique no parque, uma ida ao cinema, um almoço especial ou até uma caminhada juntos podem ajudar a mudar o foco dos estudos por algumas horas. O importante é proporcionar momentos agradáveis, sem transformar o passeio em mais uma oportunidade para falar sobre notas e resultados.
- Incentive a atividade física, sem criar novas obrigações
- Se o adolescente já pratica algum esporte, vale preservar essa rotina. Caso contrário, uma caminhada, um passeio de bicicleta ou uma atividade de que goste podem contribuir para o bem-estar, aliviar a tensão e melhorar o humor. Não é necessário começar um treino intenso às vésperas da prova.
- Cuide do sono e reduza os estímulos à noite
- Evite incentivar madrugadas de estudo. Manter horários regulares, diminuir o uso de telas próximo da hora de dormir e criar um ambiente tranquilo são medidas importantes. O sono participa da consolidação da memória e é fundamental para a atenção e a aprendizagem.
- Dê atenção à alimentação e à hidratação
- Refeições equilibradas, horários regulares e consumo adequado de água ajudam a manter o bem-estar físico. Na véspera e no dia da prova, o ideal é priorizar alimentos habituais, evitando experiências alimentares que possam causar desconforto. Também é importante moderar o consumo de cafeína e energéticos, que podem prejudicar o sono e intensificar sintomas de ansiedade.
- Ajude na organização, sem assumir todas as responsabilidades
- Conferir o local de prova, planejar o transporte e separar documentos e materiais com antecedência evita preocupações desnecessárias. O ideal é fazer isso junto com o adolescente, incentivando sua autonomia e reduzindo os imprevistos de última hora.
- Mostre que a vida vai muito além de uma nota
- Evite comparações com colegas, irmãos ou outros estudantes. Converse sobre as diferentes possibilidades de formação e carreira e reforce que o Enem é uma oportunidade importante, mas não define a inteligência, o valor pessoal ou todo o futuro de alguém.
Para Mayra, a principal orientação é que os pais não transformem os últimos dias antes da prova em uma contagem regressiva de cobranças.
“O adolescente já sabe da importância do Enem. O que ele mais precisa nesse momento é sentir que tem uma família ao seu lado, que acredita nele e que continuará oferecendo apoio independentemente do resultado.”
Sobre a fonte
Mayra Gaiato é psicóloga, neurocientista, especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), com mais de 20 anos de experiência, autora de livros sobre desenvolvimento infantil e fundadora do Instituto Singular. Reúne mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e mais de 1 milhão de inscritos no YouTube, onde compartilha conteúdos baseados em evidências científicas sobre neurodesenvolvimento, comportamento, autonomia e saúde emocional.
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Medo de errar pode fazer crianças evitarem desafios. Veja como ajudá-las
Pesquisas recentes investigam a relação entre a reação dos adultos aos erros e a maneira como as crianças enfrentam dificuldades na aprendizagem
Errar uma questão, não conseguir terminar uma atividade ou precisar refazer uma tarefa faz parte da aprendizagem. Mas, quando a possibilidade de falhar provoca frustração intensa ou leva a criança a evitar novos desafios, a situação merece atenção dos adultos. A forma como pais e professores reagem nesses momentos pode influenciar a maneira como ela interpreta as próprias dificuldades e se sente diante de novas tentativas.
Para Vanessa Moschetti, fundadora e diretora do St. John’s International School, o importante é entender o que está por trás do erro antes de apresentar uma solução. A criança pode não ter compreendido uma instrução, precisar de mais tempo para assimilar um conteúdo ou ainda estar desenvolvendo uma habilidade. Identificar essa diferença permite oferecer o apoio adequado sem transformar uma dificuldade pontual em um julgamento sobre sua capacidade.
Um estudo publicado em 2024 no British Journal of Educational Psychology investigou como conversas entre mães e filhos sobre situações de frustração estavam relacionadas ao medo de errar. Os pesquisadores analisaram interações de 231 crianças de oito anos com suas mães.
“Os resultados indicaram que reconhecer as emoções da criança e conversar com ela sobre maneiras de enfrentar dificuldades estava associado a um menor medo de falhar. Por se tratar de uma análise de associações, o estudo não permite afirmar que uma forma específica de conversa seja, isoladamente, responsável por esse resultado”, avalia Vanessa.
Uma pesquisa publicada em 2026 na revista Learning and Individual Differences, com 473 crianças chinesas, também investigou as atitudes infantis diante dos erros e sua relação com fatores familiares e resultados acadêmicos.
Os pesquisadores identificaram diferentes perfis de reação aos erros e observaram associações entre atitudes parentais relacionadas ao fracasso, comparação social e formas menos adaptativas de lidar com as falhas.
O trabalho reforça a importância de considerar não apenas o desempenho escolar, mas também como as crianças interpretam suas dificuldades.
“Na prática, isso não significa deixar de corrigir ou exigir dedicação. O desafio é fazer com que a correção ajude a criança a compreender o que precisa melhorar, em vez de aumentar o receio de tentar novamente”, pondera a diretora.
Como os pais podem ajudar
- • Entender o que aconteceu: perguntar como a criança chegou à resposta e em que momento sentiu dificuldade, antes de explicar a solução.
- • Evitar comparações: o desempenho de irmãos e colegas não deve ser usado como medida do potencial individual.
- • Incentivar novas tentativas: ajudar a criança a pensar em outras estratégias, sem assumir a tarefa por ela.
- • Separar o erro da capacidade: mostrar que não conseguir realizar algo naquele momento não significa ser incapaz de aprender.
- • Reconhecer o progresso: observar o que a criança já consegue fazer e quais avanços apresentou, mesmo quando o resultado ainda não é o esperado.
“A escola também tem um papel nesse processo ao oferecer desafios compatíveis com o estágio de aprendizagem de cada aluno e utilizar os erros para identificar dúvidas e orientar o ensino. Quando a criança encontra espaço para perguntar, rever respostas e pedir ajuda, pode desenvolver uma relação mais produtiva com as dificuldades. O objetivo não é eliminar a frustração, mas ajudar a criança a lidar com ela sem desistir diante do primeiro obstáculo. Aprender envolve reconhecer limites momentâneos, testar alternativas e compreender que uma resposta incorreta pode indicar o que precisa ser trabalhado a seguir”, conclui Moschett.
Sobre a St. John’s
Com 20 anos de trajetória no Brasil, a St. John’s é referência em educação internacional trilíngue, com alunos de 18 meses a 17 anos. A instituição desenvolve metodologia própria com base em padrões acadêmicos britânicos e prepara estudantes para universidades e carreiras globais, aliando rigor acadêmico, formação humanista e visão internacional.
Vanessa Moschetti fundadora e diretora da escola, é graduada em Direito, Pedagogia e Linguística, mestre em Educação Internacional, com extensão em Literatura Britânica. Possui certificações internacionais em língua inglesa, é examinadora licenciada e especialista em desenvolvimento curricular.
Ela é a idealizadora do desenvolvimento do IELS (International English Learning System), um modelo educacional estruturado internacionalmente, criado na Inglaterra e aplicado globalmente.
Com forte foco em educação internacional, liderança e inovação, ela lidera a expansão de um modelo acadêmico sistêmico e trilíngue que integra os currículos do IB, de Cambridge e do Poliedro (nacional).
Site: https://www.stjohns-brazil.
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Época natalina vira cenário para romance entre dois continentes
Escrito por Samantha Chuva, “Senhora das Águas” é um livro que aborda realização de sonhos, saudade e amadurecimento.
Uma história que entrelaça França e Brasil e traz como pano de fundo o Natal. Assim pode ser descrito “Senhora das Águas”, livro de Samantha Chuva publicado pela Editora Fissura. A obra, que navega em temas como sonhos, pertencimento, amor, família, amadurecimento e a jornada para encontrar um lugar no mundo, conta com um texto sensível e poético.
A narrativa se enquadra no subgênero literário cozy-romance, um sinônimo para histórias aconchegantes, aquelas que deixam o coração quentinho.
A trama de “Senhora das Águas” acompanha Iara, uma jovem de quase trinta anos que se mudou para a França com o sonho de cursar mestrado em escrita e finalmente publicar o primeiro livro. Dividida entre a criação e o trabalho de babá, ela sente que nada do que planejou dá certo e que tudo à sua volta está desmoronando.
Durante uma viagem de volta ao Brasil, para as férias de Natal, Iara conhece um misterioso e belíssimo francês durante o voo, que só a deixa mais confusa sobre qual decisão tomar: voltar de vez ao Brasil após três longos anos longe da família ou retornar à França e insistir no sonho de ser escritora?
As respostas estão dentro dela mesma. No fim das contas, o que se revela mais valioso é saber que aqueles que a amam são os pilares que a sustentam e a incentivam.
“Me forçava a escrever em uma língua emprestada, porém não conseguia mais escrever na minha língua materna. Era como se o francês me explicasse o que se escondia por trás do meu esqueleto, me permitisse dizer aquilo que o português sufocava. Uma língua para a razão, outra para a emoção. Fragmentos de mim mesma, estilhaços de um espelho. Isso só podia dar azar.” (Trecho de “Senhora das Águas”)
Atualmente radicada na França, Samantha Chuva revela que a ideia de escrever este livro surgiu durante um voo para o Brasil. “Aproveitei um texto que escrevi em 2020 para minha dissertação de mestrado, um ensaio em fragmentos sobre como escrever em língua estrangeira e como passar as barreiras não apenas do medo, mas do julgamento, preconceito e da colonização linguística.
Transformei tudo isso na Iara, essa personagem que deseja escrever, mas não consegue, que busca autorização e libertação, mas se limita por causa de seus medos, sem perceber a coragem que ela já teve de ir atrás de seus sonhos”, comenta a autora.
Com “Senhora das Águas”, por meio dos personagens, a escritora convida o leitor a compreender que o caminho mais transformador pode ser aquele que leva às profundezas do coração e permite o autoconhecimento.
Além disso, ao colocar em debate assuntos como o preconceito linguístico, a posição da arte e dos artistas na sociedade e a valorização de imaginários brasileiros, Samantha Chuva rompe com paradigmas eurocêntricos que historicamente moldam as narrativas.

Foto por: Natália Amarante
Sobre a autora:
Samantha Chuva, autora de romance e fantasia, escreve mulheres complexas e reais antes de serem heroínas. Suas histórias convidam a experiências sensoriais em cenários cinematográficos. Outras publicações incluem “Bravas Viajantes” (2018) e “Cartas para o Papai Noel” (2025), narrativas sobre encantamento, liberdade e travessia.
Redes sociais:
Instagram: https://www.instagram.com/samanthachuvaautora/
TikTok: https://www.tiktok.com/@amoumromance
Serviço
Livro: Senhora das Águas
Autora: Samantha Chuva
Páginas: 236
Preço: R$ 69,90 (físico) e R$19,99 (e-book)
Disponível em: Editora Fissura e Amazon
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Mãe de duas meninas autistas transforma desafios da inclusão em livro infantil que já chegou às escolas
Inspirada nas próprias filhas, Isabela Feres criou uma história infantil sobre respeito às diferenças; a obra tem recurso de audiodescrição e já é utilizada por terapeutas e chegou às escolas de São Paulo
O que começou como uma tentativa de explicar às crianças as diferenças de suas duas filhas autistas ganhou as páginas de um livro infantil e agora também faz parte de atividades realizadas por terapeutas e escolas.
A história é da escritora e ativista Isabela Feres, de Londrina, no Paraná, autora de Todo Mundo É Legal na Floresta Tropical, obra que utiliza personagens e elementos da natureza para conversar com crianças sobre diversidade, respeito e inclusão.
Publicado pela Editora Agora Vai, com ilustrações de Bruno Leite, o livro nasceu de uma preocupação muito particular. Isabela queria ajudar outras crianças a compreender que suas filhas, Malu e Gabi, poderiam ter maneiras diferentes de se comunicar, brincar e interagir, mas que essas características não deveriam ser motivo de afastamento ou exclusão.
Inicialmente, a ideia era produzir uma cartilha artesanal para distribuir entre as crianças. Mas o projeto cresceu. Inspirada pela diversidade da natureza, a escritora decidiu transformar a proposta em uma narrativa infantil.
Na história, as irmãs Gabi e Malu descobrem, de maneira lúdica, que cada ser tem suas próprias características e que conviver com as diferenças faz parte da vida.
“Eu queria explicar para as outras crianças que as diferenças das minhas filhas não são só delas. Mesmo quem não tem uma deficiência também tem suas diferenças, porque ninguém é igual”, conta Isabela.
A preocupação com a inclusão também está presente no formato da publicação. Além das ilustrações e da narrativa infantil, Todo Mundo É Legal na Floresta Tropical conta com um recurso de audiodescrição, pensado para ampliar a acessibilidade da obra.
“Quando decidi escrever sobre inclusão, também pensei em como tornar o próprio livro mais acessível. Queria que crianças cegas e crianças com dislexia também tivessem a oportunidade de conhecer essa história. Afinal, não faria sentido falar sobre respeito às diferenças sem pensar em diferentes formas de acesso à leitura”, explica Isabela.
Das páginas do livro para as salas de aula
A proposta da escritora já começa a encontrar espaço em ambientes educacionais e terapêuticos. Segundo Isabela, profissionais utilizam a obra em atividades com crianças, e uma escola de São Paulo incluiu o título como leitura obrigatória para alunos do ensino fundamental.
“Já temos terapeutas trabalhando com o livro e escolas utilizando a história. Uma escola de São Paulo, inclusive, adotou a obra como leitura obrigatória para alunos do ensino fundamental. É muito especial perceber que uma ideia que nasceu dentro da nossa casa está chegando a outras crianças e ajudando a abrir conversas sobre inclusão”, afirma a escritora.
A experiência mostra como histórias infantis podem se transformar em ferramentas de diálogo. Ao acompanhar personagens com características diferentes, as crianças encontram oportunidades para conversar sobre amizade, convivência e pertencimento, inclusive quando essas questões ainda são difíceis de expressar em palavras.
Por que falar sobre diferenças desde a infância?
Na escola, as diferenças aparecem de muitas formas. Há crianças que precisam de mais tempo para realizar atividades, outras que se comunicam de maneiras distintas, apresentam sensibilidades sensoriais ou necessitam de apoio para participar de brincadeiras e interações.
Quando essas particularidades não são compreendidas, podem surgir situações de isolamento, preconceito e exclusão. Por isso, especialistas em educação inclusiva defendem que o respeito à diversidade seja trabalhado desde os primeiros anos de vida, tanto na escola quanto em casa.
A literatura infantil pode contribuir para esse diálogo ao apresentar experiências e personagens com os quais as crianças se identificam ou por meio dos quais conhecem outras realidades.
Uma dissertação de mestrado defendida em 2025 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), intitulada Entre voos, imagens e gestos: representações do autismo na literatura infantil, analisou três obras infantis e discutiu o potencial dessas narrativas para valorizar a diversidade, favorecer a identificação de crianças autistas com personagens e contribuir para práticas educativas mais inclusivas.
A pesquisa também destaca a importância da participação das famílias e das escolas na formação de leitores e na ampliação do acesso à literatura.
Uma maternidade atravessada por diferentes formas de inclusão
Cirurgiã-dentista de formação, Isabela se afastou da odontologia e passou a dedicar-se à escrita, à produção de conteúdo e à defesa da inclusão.
Mãe de Malu, que completa nove anos em janeiro, e Gabi, que faz oito em novembro, ela vive uma experiência familiar atravessada por diferentes dimensões da diversidade. Malu é negra e chegou à família por meio da adoção, quando Isabela já estava grávida de Gabi.
A maternidade de duas meninas autistas, uma delas por adoção interracial, também aproximou a escritora de discussões sobre racismo, capacitismo, identidade, pertencimento e os desafios enfrentados pelas famílias na busca por uma infância mais inclusiva.
Para Isabela, falar sobre diferenças com as crianças não deve se limitar à deficiência. A proposta é ampliar o olhar sobre aquilo que torna cada pessoa única, sem transformar essas características em barreiras para a convivência.
O papel das famílias e das escolas
A literatura, sozinha, não elimina preconceitos nem resolve os desafios da inclusão escolar. Mas pode abrir caminhos para conversas importantes, especialmente quando a leitura é acompanhada por adultos dispostos a ouvir perguntas, acolher dúvidas e incentivar o respeito.
Para famílias, professores e terapeutas, histórias que apresentam diferentes formas de existir e participar do mundo podem funcionar como ponto de partida para abordar o autismo, a deficiência, as diferenças raciais e a convivência entre crianças.
Mais do que ensinar que todos são diferentes, o desafio é mostrar que essas diferenças não diminuem o direito de ninguém de brincar, aprender, fazer amigos e pertencer.
É essa reflexão que Isabela procura levar às páginas de Todo Mundo É Legal na Floresta Tropical: a de que a inclusão também começa nas histórias que contamos às crianças e na maneira como ensinamos a olhar para o outro.
Sobre Isabela Feres
Isabela Feres é escritora, ativista e cirurgiã-dentista de formação, residente em Londrina (PR). Mãe de duas meninas autistas, uma delas negra e adotada, dedica-se à produção de conteúdo e à defesa da inclusão, abordando temas como maternidade atípica, autismo, adoção interracial, racismo, capacitismo e direitos das crianças com deficiência. É autora do livro infantil Todo Mundo É Legal na Floresta Tropical, publicado pela Editora Agora Vai, com ilustrações de Bruno Leite.
Instagram: @isaferes
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Outubro Rosa: conheça “O Recomeço” e inspire-se no mês do cuidado
Romance de Isa Colli, publicado pela Colli Books, traz uma história de amor e acolhimento diante do câncer e convida à reflexão sobre a importância das redes de apoio
Outubro é um mês de mobilização em torno da saúde da mulher e da conscientização sobre o câncer de mama. É também uma oportunidade para conversar sobre cuidado, escuta e acolhimento de quem enfrenta a doença. Nesse contexto, a literatura pode abrir espaço para reflexões sobre os sentimentos que nem sempre são fáceis de expressar.
Para quem procura uma leitura sobre esses temas, o romance “O Recomeço”, de Isa Colli, publicado pela Colli Books, apresenta uma história de amor atravessada pelo câncer. A narrativa acompanha João Carlos, um jovem surfista de Angra dos Reis, e Maria Paula, uma menina da cidade grande. A aproximação entre os dois ganha novos rumos quando a doença passa a fazer parte de suas vidas, trazendo incertezas e transformações para o relacionamento.
Diante dessa realidade, os personagens precisam rever suas expectativas e descobrir maneiras de cuidar um do outro.
Embora não trate especificamente do câncer de mama, a obra se aproxima das reflexões do Outubro Rosa ao abordar a experiência do adoecimento e a importância das relações de apoio. O romance convida o leitor a olhar para a pessoa que recebe o diagnóstico, seus vínculos e os desafios que passam a fazer parte do cotidiano.
O cuidado aparece, assim, como presença: ouvir, respeitar os sentimentos e acompanhar alguém em momentos de vulnerabilidade. Ao colocar essas questões na trajetória dos protagonistas, “O Recomeço” oferece um ponto de partida para conversas sobre empatia, solidariedade e os diferentes significados de seguir em frente.
A relação de Isa Colli com o tema também passa por sua experiência pessoal com o câncer, relatada pela escritora em entrevistas. Essa vivência aproxima a autora das questões emocionais que atravessam a narrativa e de seu interesse em falar sobre esperança e acolhimento.
Durante um mês dedicado à conscientização, a sugestão é reservar também um espaço para histórias que convidem à reflexão. Entre o romance e os desafios vividos pelos personagens, “O Recomeço” propõe um olhar sobre os laços que ajudam a atravessar períodos difíceis e a encontrar novos sentidos para a vida.

Serviço
Livro: O Recomeço
Autora: Isa Colli
Editora: Colli Books
Número de páginas: 208
Disponível em: edição impressa e e-book
Mais informações: O Recomeço — Colli Books
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Médica lança tratado sobre saúde capilar com participação de 26 especialistas
Organizada em parceria com Albina Ramalho, obra de 456 páginas reúne conhecimentos científicos, avanços em diagnósticos e tratamentos, além de abordar os impactos psicológicos e hormonais relacionados à saúde dos fios e do couro cabeludo
A médica Thálita Eufemia acaba de lançar o livro “Tratado de Tricologia – Da Biologia Folicular à Prática Clínica Baseada em Evidências”. A publicação, organizada em parceria com a pós-doutora em Clínica Médica Albina Ramalho, reúne conhecimentos científicos e abordagens multidisciplinares sobre a saúde dos fios e do couro cabeludo, com contribuições de outros 26 especialistas.
Fruto de aproximadamente um ano de trabalho, o livro foi produzido em parceria com a Associação Brasileira de Tricologia (ABT) Editorial. Com 456 páginas, a publicação é destinada a médicos, cientistas, pesquisadores, profissionais e estudantes da área da Saúde.
O lançamento oficial aconteceu no último domingo (18/10), durante o Seminário Internacional de Tricologia (ITSe) 2026, evento que reuniu, entre os dias 18 e 20 de outubro, cientistas mundialmente reconhecidos nas áreas de Cosmética e Saúde.
A obra, que conta com prefácio de Ana Moreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Integrativa (SPMI), foi uma das três selecionadas pela comissão organizadora do seminário para sessão de autógrafos e início da comercialização.
Uma trajetória dedicada à saúde capilar
Com o lançamento do tratado, Thálita contribui para a atualização de conceitos e práticas clínicas diante das descobertas científicas que vêm transformando os estudos sobre a saúde capilar nas últimas décadas.
“Eu e a Albina (Ramalho) jogamos luzes em discussões importantes sobre Tricologia. Digamos que, no mercado, este é o primeiro tratado do assunto, que engloba anamnese, quadro clínico, terapias regenerativas, transplante, cosmetologia, tratamentos e perspectivas, além de aspectos psíquicos e hormonais que influenciam nas doenças capilares. Reunimos nesta obra o que há de mais avançado em todo o mundo”, destaca Thálita.
Saúde capilar além dos fios
Um dos diferenciais da publicação é a abordagem multidisciplinar. Além de organizarem o tratado, Thálita e Albina assinam diversos capítulos e convidaram profissionais de diferentes especialidades para ampliar as discussões sobre os fatores que influenciam a saúde capilar.
Entre os 26 especialistas convidados estão médicos, psicólogos, farmacêuticos, físicos, biomédicos, visagistas e tricologistas.
A psicóloga e psicanalista Luciana Inocêncio, com especializações pelo Colégio de Psicoanalísis de Madrid, pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), participa com o artigo “A influência psíquica nas desordens capilares: contribuições da Psicologia para a Tricologia Clínica”.
Outra coautora é a médica Vanessa Ramagem, formada pela Faculdade de Medicina de Valença, com pós-graduação em Endocrinologia pelo Instituto de Pesquisa e Ensino Médico (Ipemed) e em Nutrologia pela USP. Ela assina o artigo “Influência hormonal, genética e ambiental no desenvolvimento das alopecias”.
Ao reunir diferentes especialidades, a obra amplia a compreensão das doenças capilares e destaca a importância de considerar aspectos clínicos, emocionais, hormonais e ambientais na avaliação e no cuidado com os pacientes.
Onde encontrar o livro
O livro “Tratado de Tricologia – Da Biologia Folicular à Prática Clínica Baseada em Evidências” está disponível por R$ 498 em livrarias, na Amazon e na Estante Virtual.
Mais informações podem ser consultadas no site da Associação Brasileira de Tricologia: https://tricologia-abt.com.br.
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Lu Rufino é protagonista da primeira edição da Revista Exclusiva TOK
Novo projeto editorial foi apresentado durante o Protagonistas TOK e estreia com uma publicação de 28 páginas sobre a vida, os desafios e as conquistas da empreendedora
A empreendedora Lu Rufino foi escolhida para estrear a Revista Exclusiva TOK, novo projeto da Revista TOK de Empreendedorismo que propõe dedicar uma publicação inteira à trajetória de uma única pessoa. O lançamento aconteceu durante o evento Protagonistas TOK, realizado no Rio de Janeiro, e apresentou ao público uma edição de 28 páginas que reúne fotografias, experiências pessoais, realizações profissionais e momentos importantes da vida de Lu.
Diferentemente das edições tradicionais, nas quais diferentes personagens e assuntos dividem espaço, a nova proposta editorial coloca uma única trajetória no centro de todo o conteúdo. A ideia é explorar com maior profundidade experiências, desafios, transformações e conquistas, oferecendo ao leitor uma visão mais ampla sobre a pessoa retratada.
Uma trajetória marcada pela transformação e pela representatividade
Empreendedora e defensora da inclusão das pessoas com deficiência, Lu Rufino construiu uma trajetória marcada pela capacidade de encontrar novas possibilidades diante de mudanças profundas em sua vida.
Após perder os movimentos das pernas e passar a utilizar cadeira de rodas, Lu precisou enfrentar uma nova realidade. Sua experiência, porém, não se resume à deficiência. Ao longo desse processo, desenvolveu projetos, fortaleceu sua atuação profissional e passou a ocupar espaços de diálogo sobre acessibilidade, inclusão e representatividade.
Uma de suas declarações mais conhecidas expressa a maneira como passou a enxergar essa transformação:
“Ao perder o movimento das pernas, ganhei asas.”
Sua caminhada também deu origem à expressão “Do luto à luta, da luta à representatividade”, utilizada pela TOK para abordar diferentes etapas de sua experiência.
Na publicação especial, esses acontecimentos são apresentados de maneira mais detalhada, permitindo que o público conheça diferentes aspectos de sua vida, desde os desafios pessoais até sua participação em iniciativas voltadas à inclusão social.
Uma história que ultrapassou os limites de uma capa
“Se você for uma mulher que não cabe em uma capa, seja uma revista.”
A frase de Lu Rufino ganhou uma representação concreta com o lançamento da Revista Exclusiva TOK. Escolhida para inaugurar o projeto, a empreendedora participou da apresentação da publicação e autografou exemplares durante o evento.
O momento simbolizou a proposta da iniciativa: reunir experiências e realizações em um material que possa ser preservado e compartilhado ao longo do tempo.
Mais do que aparecer na capa, Lu passou a ser o tema central de uma edição produzida para apresentar sua trajetória sob diferentes perspectivas.
Publicação personalizada contempla diferentes protagonistas
Apesar de ter uma mulher como personagem da edição inaugural, a Revista Exclusiva TOK foi desenvolvida para um público mais amplo.
O projeto pode contemplar homens, mulheres, casais, empresários e outras pessoas interessadas em registrar experiências pessoais, trajetórias profissionais, conquistas ou acontecimentos relevantes de suas vidas.
A proposta prevê que cada edição seja planejada individualmente, considerando as particularidades de quem será apresentado. A escolha das fotografias, a organização dos conteúdos, a linguagem e os elementos visuais são definidos de acordo com a trajetória abordada.
O número de páginas também pode variar. As 28 páginas destinadas a Lu Rufino correspondem ao projeto desenvolvido para a estreia e não estabelecem uma quantidade fixa para as próximas publicações.
Dessa forma, cada revista pode assumir características próprias, respeitando as experiências e os objetivos de seu protagonista.
Novo projeto amplia as possibilidades editoriais da TOK
A criação da Revista Exclusiva representa mais uma frente de atuação da Revista TOK de Empreendedorismo, que já desenvolve entrevistas, reportagens, capas e conteúdos especiais sobre profissionais e empreendedores.
Com o lançamento, a empresa passa a oferecer um formato voltado ao registro aprofundado de trajetórias individuais, reunindo em uma única publicação acontecimentos e experiências que ajudam a compreender a caminhada de seus protagonistas.
A iniciativa também destaca a importância da preservação de memórias pessoais e profissionais. Ao organizar fotografias, relatos e acontecimentos em uma revista, o projeto possibilita que essas experiências sejam revisitadas e compartilhadas com familiares, parceiros, clientes e outras pessoas.
Apresentada durante o Protagonistas TOK, a primeira edição materializou essa proposta ao transformar a experiência de Lu Rufino em uma publicação inteiramente dedicada à sua vida.
Para a Revista TOK de Empreendedorismo, o lançamento representa a ampliação de seu portfólio editorial. Para Lu Rufino, significa ter diferentes capítulos de sua trajetória reunidos em um único projeto.
E, para os próximos protagonistas, abre uma nova possibilidade de registrar e compartilhar suas próprias experiências.
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Protagonistas TOK: evento celebra trajetórias de empreendedorismo e apresenta novas edições da revista
Realizado na Barra da Tijuca, encontro reuniu profissionais de diferentes áreas para compartilhar experiências, ampliar conexões e celebrar o lançamento de novas publicações, incluindo um projeto editorial personalizado
O Espaço Alterdata, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, recebeu, no dia 28 de setembro, mais uma edição do Protagonistas TOK, iniciativa da Revista TOK de Empreendedorismo. O evento reuniu empresários, empreendedores, profissionais e representantes da imprensa em uma programação voltada à valorização de trajetórias profissionais, à troca de conhecimentos e à criação de novas conexões.
Organizado sob a liderança da jornalista Mônica Figueira, CEO da TOK, o encontro contou com palestras de Karol Mendez, Karla Fassini e Lu Rufino, além de entrevistas e oportunidades de networking. A abertura foi marcada por uma oração, mantendo uma tradição presente nas iniciativas do ecossistema TOK.
Entre os destaques da programação esteve a apresentação de quatro novas edições da Revista TOK de Empreendedorismo, que trouxeram à capa mulheres com experiências e atuações distintas. Lucy de Simone, esteticista, terapeuta e criadora do Encontro Incomparável; Viviane Oliveira, neuropsicopedagoga que atua nas áreas de desenvolvimento infantil e inclusão; Dona Jaffa, empreendedora de 84 anos com trajetória vinculada ao Grupo Rio Kogut e à Rommanel; e Márcia Lima, fundadora da PrivUs Tecnologia, que encontrou novos caminhos profissionais depois dos 40 anos, foram as homenageadas.
As publicações apresentaram diferentes perspectivas sobre empreendedorismo, determinação e capacidade de adaptação, evidenciando a diversidade de experiências femininas no mundo dos negócios.
Outra novidade anunciada durante o evento foi a Revista Exclusiva TOK, proposta editorial dedicada integralmente à trajetória de uma pessoa ou casal. A estreia do projeto aconteceu com uma edição de 28 páginas sobre Lu Rufino, reunindo aspectos de sua vida e de sua caminhada profissional. A iniciativa amplia as possibilidades de registro e divulgação de experiências pessoais e profissionais por meio de publicações individualizadas.
O Protagonistas TOK também recebeu a cobertura da TV TOK Online, do programa Geração Talento e da Hasart Produções, além da participação de integrantes da Comunidade Amigos da Cruz e do Resenha de Negócios. A programação incluiu sessões de autógrafos, entrevistas e encontros entre os participantes, fortalecendo o propósito da iniciativa de reconhecer realizações, estimular novas parcerias e ampliar a visibilidade de pessoas que se destacam por suas trajetórias de vida e atuação profissional.
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Quando a escrita transforma sentimentos em versos
Aos 29 anos, Kátia Mendonça lançou, em junho deste ano, seu primeiro livro, “Sem perceber, você virou verso e eu escrevi”, publicado de forma independente
A obra tem 126 páginas e está disponível em formato físico e e-book pela UICLAP e pela Amazon. A relação de Kátia com a escrita começou ainda na infância. Por volta dos 12 anos, ela descobriu nas palavras um espaço para expressar aquilo que nem sempre conseguia dizer em voz alta. Com o tempo, percebeu que escrever também era uma forma de se compreender.
“Com o tempo, percebi que escrever não era apenas uma forma de colocar sentimentos no papel. Era também uma forma de me entender”, conta.
Durante muitos anos, a escrita permaneceu como um espaço pessoal de liberdade, silêncio e descobertas. Mais tarde, Kátia passou a compartilhar poesias, frases, pequenos textos e pensamentos no Instagram, que se tornou uma extensão de sua escrita.
Foi nesse processo que surgiu o primeiro livro. O lançamento, em junho, marcou a concretização de um sonho antigo.
“O lançamento foi um daqueles momentos em que a gente olha para trás e percebe que um sonho antigo, que um dia parecia distante, agora existe de verdade em páginas, em uma capa, nas mãos de alguém”, afirma.
Para Kátia, a poesia também tem a capacidade de transformar experiências individuais em sentimentos compartilhados com outras pessoas.
“Talvez seja isso que mais gosto na poesia: ela consegue transformar aquilo que sentimos em algo que outra pessoa também pode sentir.”
Aos 29 anos, a escritora já trabalha em uma nova obra. Desta vez, um romance ambientado em 2005, em meio a distâncias. Como o projeto ainda está no início, Kátia prefere não revelar mais detalhes sobre a história.
A autora segue, assim, dando continuidade ao processo que começou na adolescência e que hoje também alcança seus leitores.
“Comecei a escrever para encontrar um lugar dentro de mim e hoje, continuo escrevendo para compartilhar esse lugar com quem se reconhece nas minhas palavras.”
Serviço
Kátia Mendonça
Escritora e poeta
Livro: Sem perceber, você virou verso e eu escrevi
Formato: físico e e-book
Onde encontrar: UICLAP e Amazon
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Projeto transforma estudantes em influencers da leitura e estimula escrita
Criado pela professora e escritora Kátie de Oliveira, o projeto Influencers da Leitura busca despertar o gosto pela leitura e estimular a escrita autoral entre estudantes da região Sul-Mineira
A iniciativa parte de uma estratégia simples: aproveitar a linguagem dos influenciadores digitais para aproximar crianças e adolescentes dos livros e transformá-los em mediadores de leitura, capazes de incentivar outras pessoas a ler.
O projeto nasceu da percepção de Kátie de que os alunos estavam mais conectados às telas do que aos livros. “Como escritora, quis inverter essa lógica: em vez de lutar contra a linguagem das redes, usar a lógica do ‘influencer’ a favor da leitura”, explica. Segundo ela, o principal objetivo é formar estudantes que leem, se encantam com as obras e influenciam outros a fazer o mesmo.
A proposta é resultado de mais de 30 anos de trajetória pedagógica de Kátie de Oliveira, que vem incentivando seus alunos a escrever com autonomia e criatividade. Ao longo desse período, ela desenvolveu obras simples em sala de aula e utilizou a escrita como uma forma de estimular a busca pelo conhecimento, a expressão e o reconhecimento dos estudantes no mundo.
Leitura para além da sala de aula
Atualmente, Kátie leva o projeto a escolas da região por meio de palestras, nas quais procura despertar nos jovens o encantamento pelas palavras e pelo universo literário. A proposta também é mostrar que experiências pessoais, ideias, memórias e formas próprias de expressão podem se transformar em conteúdos literários.
No Influencers da Leitura, o incentivo não parte da obrigação, mas do protagonismo. Os estudantes escolhem obras que dialogam com suas realidades e produzem resenhas em vídeo, posts e indicações de livros utilizando uma linguagem próxima à dos influenciadores digitais.
“Eu li, me marcou, e agora vou convencer você a ler também”, resume Kátie sobre a lógica da iniciativa.
A escrita também ganha espaço nos encontros. Os alunos são convidados a perceber que suas experiências de vida podem ser matéria-prima para a literatura. Quando um texto é lido em voz alta, publicado no mural da escola ou compartilhado nas redes do projeto, segundo a professora, surge o desejo de continuar escrevendo.
De leitores a mediadores
Para Kátie, uma das principais mudanças observadas desde o início do projeto está na atitude dos estudantes. Muitos que inicialmente diziam não gostar de ler passaram a indicar livros, gravar vídeos e incentivar os colegas a participar das atividades.
“A leitura deixou de ser tarefa e virou identidade”, afirma.
Ela também percebeu aumento da confiança para escrever e falar. Alunos que tinham vergonha de ler em voz alta passaram a apresentar textos autorais em saraus e palestras. Com isso, a escrita se tornou mais pessoal e espontânea.
Outra mudança observada foi na interpretação e no vocabulário. De acordo com Kátie, os estudantes passaram a argumentar melhor, estabelecer relações entre os livros e a realidade e utilizar novas palavras com mais segurança.
Histórias que mostram o impacto
Entre as experiências que marcaram a trajetória de Kátie está a de um aluno do 3º ano do ensino fundamental, da zona rural, durante a pandemia. No ensino remoto, o estudante recebia as atividades por apostila e o atendimento pelo WhatsApp. Com o apoio da professora e o envolvimento da família, desenvolveu suas habilidades de leitura e, posteriormente, enviou um vídeo lendo uma carta que ele próprio havia escrito.
O vídeo foi publicado no Facebook da escola e emocionou Kátie e outras pessoas que acompanharam o momento.
“Foi a prova de que a palavra conecta, mesmo à distância”, lembra.
Mais recentemente, uma mãe procurou a professora para contar que o filho continuava escrevendo suas próprias histórias dois anos depois de ter participado de uma palestra de Kátie. A mãe queria orientações sobre como publicar o livro que o menino havia escrito.
Outra experiência significativa aconteceu com uma aluna de 68 anos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ela frequentava as aulas para aprender a ler a Bíblia e, depois de uma palestra de Kátie, decidiu escrever para os netos os conselhos que havia aprendido durante a infância.
Para a professora, histórias como essas mostram o propósito maior do projeto: “formar leitores que se tornam autores da própria história — e que influenciam outros pelo exemplo”.
Leitura como ferramenta de pensamento
Na avaliação de Kátie, incentivar a leitura e a escrita se tornou ainda mais importante diante do excesso de informações rápidas consumidas atualmente por crianças e adolescentes.
“Hoje as crianças e os adolescentes estão cercados de informação rápida, mas nem sempre de compreensão profunda”, afirma.
Para ela, a leitura oferece espaço para interpretar, questionar, colocar-se no lugar do outro e construir o próprio ponto de vista. Já a escrita permite que os jovens organizem sentimentos, deem nome às próprias experiências e reconheçam o valor da própria voz.
“Escrever com autonomia é um ato de identidade e de resistência”, diz.
Próximos passos
O próximo objetivo de Kátie é ampliar o alcance do Influencers da Leitura e fazer com que a iniciativa deixe de ser uma ação isolada para se tornar uma política de incentivo à leitura na região.
A professora pretende apresentar o projeto às secretarias municipais de educação como uma proposta de parceria para contribuir com as metas educacionais dos municípios. Para ela, a iniciativa pode colaborar com o desenvolvimento da leitura e da escrita porque não se limita à preparação para avaliações.
“O projeto pode contribuir diretamente para isso, porque ele não treina apenas para a prova: ele forma leitores de verdade, que compreendem, interpretam e escrevem com autonomia”, afirma.
Entre os planos também estão a ampliação das palestras e oficinas para mais escolas, a formação de novos professores mediadores e a criação de uma rede de jovens influencers da leitura, para que os próprios estudantes possam multiplicar a iniciativa entre seus pares.
Serviço
Kátie Oliveira: https://www.instagram.com/katieoliveiracg?stkn=cGhmZjdnbzk4aDl5
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