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Com o avanço da educação inclusiva, escolas e famílias passam a buscar produtos que favorecem organização, criatividade e diferentes formas de aprender
A lista de materiais escolares da volta às aulas está mudando. Mais do que cadernos, lápis e canetas, escolas e famílias passaram a buscar itens capazes de estimular organização, criatividade e diferentes formas de aprendizagem, acompanhando uma transformação que também acontece dentro das salas de aula brasileiras. O movimento reflete um cenário em que a inclusão deixou de ser uma pauta específica da educação especial para se tornar um princípio que orienta o planejamento pedagógico de toda a escola.
Essa mudança é respaldada pelos números. Segundo o Censo Escolar 2024, o Brasil alcançou 2.076.825 matrículas de estudantes público-alvo da Educação Especial. Desse total, 1.923.692, o equivalente a 92,6%, frequentam classes comuns do ensino regular, o maior percentual já registrado no país. Os dados evidenciam que a diversidade de perfis faz parte da realidade das escolas brasileiras e reforçam a necessidade de ambientes capazes de atender diferentes ritmos, habilidades e formas de aprender.
O cenário acompanha uma tendência observada internacionalmente. Organismos como a UNESCO defendem que sistemas educacionais inclusivos dependem não apenas de infraestrutura ou tecnologia assistiva, mas também da adoção de metodologias flexíveis e recursos pedagógicos capazes de contemplar diferentes maneiras de aprender, participar e demonstrar conhecimento. Nesse contexto, ganha força o conceito de Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), que propõe que conteúdos, atividades e materiais sejam planejados desde sua concepção para reduzir barreiras e ampliar as oportunidades de participação de todos os estudantes.
Na prática, essa mudança também chega ao estojo escolar. Marca-textos auxiliam na organização visual das informações; canetas coloridas favorecem mapas mentais e códigos de estudo; marcadores facilitam a categorização de conteúdos; enquanto lápis de cor, giz de cera, massinhas e outros materiais criativos estimulam diferentes formas de expressão, experimentação e participação nas atividades desenvolvidas em sala de aula.
Além da aplicação pedagógica, cresce entre famílias e escolas a procura por materiais que incentivem autonomia, organização da rotina e criatividade. A escolha da lista escolar passa a considerar não apenas qualidade e durabilidade, mas também recursos que permitam aos estudantes encontrar maneiras próprias de registrar informações, revisar conteúdos e desenvolver suas habilidades.
Para Sérgio Janikian, CEO da Master, a transformação da educação exige que a indústria acompanhe essa nova realidade. “Durante muito tempo, os materiais escolares foram desenvolvidos pensando em um aluno padrão. Hoje sabemos que esse aluno simplesmente não existe. Cada pessoa aprende de um jeito, organiza informações de maneira diferente e desenvolve sua criatividade por caminhos próprios. Nosso desafio é criar produtos que ampliem possibilidades e contribuam para que professores e famílias encontrem diferentes formas de estimular o aprendizado.”
Nos últimos anos, a Master ampliou seu portfólio acompanhando essa evolução do ensino, reunindo soluções como marca-textos apagáveis, canetas hidrográficas, marcadores artísticos, lápis de cor, giz de cera, massinhas e outros materiais voltados ao desenvolvimento da criatividade e da expressão.
Embora não possuam finalidade terapêutica, esses recursos podem integrar metodologias ativas de ensino e propostas pedagógicas que valorizam múltiplas formas de participação e construção do conhecimento. Um mesmo conteúdo pode ser explorado por meio da escrita, de esquemas visuais, desenhos, códigos por cores ou atividades práticas, oferecendo diferentes caminhos para que cada estudante se aproprie do aprendizado.
Essa mudança acompanha um movimento mais amplo na educação mundial, que substitui modelos excessivamente padronizados por abordagens mais flexíveis, capazes de reconhecer que cada estudante possui interesses, habilidades e maneiras próprias de compreender o mundo. Mais do que adaptar conteúdos, a proposta é criar ambientes em que diferentes estratégias estejam disponíveis desde o início, beneficiando todos os alunos.
Nesse cenário, os materiais escolares deixam de ser apenas instrumentos para escrever, desenhar ou colorir e passam a integrar a construção de ambientes mais acessíveis, criativos e participativos, tornando a volta às aulas uma oportunidade para repensar como pequenas escolhas podem contribuir para uma aprendizagem mais inclusiva.
“Acreditamos que criatividade e inclusão caminham juntas. Quando oferecemos diferentes possibilidades para que cada estudante aprenda, organize ideias e se expresse, contribuímos para uma educação mais rica para todos. Não se trata de desenvolver produtos para um grupo específico, mas de criar soluções que ampliem oportunidades de aprendizagem para qualquer pessoa”, conclui Sérgio Janikian.
Três lições da Educação Financeira para formar crianças conscientes
Atividades práticas e hábitos simples ajudam crianças a desenvolver consumo consciente e responsabilidade em casa e na escola
Tudo começa com pequenas escolhas. Aprender a importância de uma alimentação saudável, evitar o desperdício de água, comida e energia, cuidar dos materiais escolares e compartilhar com outras pessoas aquilo que já não é mais utilizado, mas que ainda está em bom estado de conservação, são atitudes simples que ajudam a desenvolver consciência, cidadania e senso de compromisso desde cedo. Situações que parecem comuns à infância são, na verdade, os primeiros passos para desenvolver responsabilidade sobre o consumo em casa. E não é de hoje que a educação financeira vem ganhando espaço também dentro das escolas. Uma das estratégias é aproximar o tema da realidade dos estudantes de forma prática e acessível, especialmente durante o Ensino Fundamental.
A proposta é mostrar que aprender sobre escolhas financeiras faz parte da formação cidadã. A iniciativa deve estar pautada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). No documento, que orienta a organização da Educação Básica em todo o país, a Educação Financeira está entre os Temas Contemporâneos Transversais. Na prática, isso significa que o assunto pode ser trabalhado em diferentes componentes curriculares e contextos, indo muito além da Matemática e estimulando reflexões sobre consumo, organização e tomada de decisões.
“Na infância, a Educação Financeira começa a ser desenvolvida em situações muito simples do dia a dia, como aprender a cuidar dos próprios brinquedos, fazer escolhas e até mesmo no planejamento cotidiano, como em uma lista de compras, quando possível. Ao desenvolver esse olhar desde cedo, há mais chance da criança construir uma relação de equilíbrio com o consumo e com o planejamento”, explica a editora de conteúdo de Matemática da
Aprende Brasil Educação Luana Baier.
As atividades voltadas ao Ensino Fundamental precisam ser pensadas para dialogar com a faixa etária dos estudantes. Nos Anos Iniciais, os conteúdos aparecem em histórias, atividades lúdicas e projetos temáticos que ajudam as crianças a diferenciar desejos e necessidades. Conforme a idade escolar avança, os estudantes passam a discutir planejamento, cooperação, organização e hábitos de consumo mais conscientes.
Participação da família é fundamental
A aprendizagem sobre Educação Financeira pode ser fortalecida com a participação da família, especialmente por meio de situações vivenciadas no dia a dia. Conversas durante as compras do mês, o uso consciente dos recursos financeiros, a definição de pequenas metas ou até decisões relacionadas ao reaproveitamento de materiais ajudam crianças e adolescentes a compreender que o dinheiro está diretamente ligado a escolhas, prioridades e consequências. Luana dá alguns exemplos de atividades para aplicar os princípios da Educação Financeira em casa:
1. Necessidades X Desejos
“Quando for às compras com a criança, em vez de apenas colocar os produtos no carrinho, dê a ela uma missão. Antes de sair, façam juntos uma lista dos itens que precisam ser comprados. Então, quando ela pedir algo extra, pergunte: ‘Isso é uma necessidade? Ou isso é um desejo e queremos apenas por prazer?’”, explica a especialista. Essa é uma forma de aplicar o pilar do consumo consciente, que ensina a criança a priorizar o que é uma necessidade e entender que o recurso é finito, nesse caso o dinheiro.
2. O grande sonho
Uma das prerrogativas da Educação Financeira é incentivar o planejamento. Então, em vez de apenas dar dinheiro à criança, sem falar sobre destino ou objetivo, procure conversar com ela e identificar objetivos de curto prazo, como um brinquedo, um livro ou um passeio. Cole uma foto desse objetivo no pote ou cofrinho que será usado para guardar o dinheiro. “Isso ensina a espera gratificada e o planejamento financeiro. A criança aprende que poupar é uma ferramenta para realizar escolhas futuras.”
3. Orçamento de pequenas decisões
Luana lembra que as crianças precisam exercitar a autonomia, mas com algum tipo de supervisão. “Dê autonomia para a criança em situações controladas. Diga a ela, por exemplo: ‘temos R$ 30,00 para escolher o lanche do piquenique de hoje. O que compensa mais comprar?’. E, então, deixe que ela compare sozinha preços e marcas”, aconselha. Situações como essa trabalham a tomada de decisão e a responsabilidade. Ao errar – por exemplo, comprando algo caro que acaba rápido -, os pequenos aprendem as consequências das escolhas que fazem em um ambiente seguro, desenvolvendo autonomia crítica.
A especialista reforça, no entanto, que a Educação Financeira vai muito além do aprendizado relacionado ao dinheiro. Esse é um tema que envolve o desenvolvimento de hábitos, valores e competências que contribuem para escolhas mais conscientes e responsáveis ao longo da vida. Com crianças de até dez anos, isso pode ser trabalhado por meio de experiências simples e significativas, como o reaproveitamento de alimentos em receitas – utilizando cascas de frutas para preparar geleias, bolos e outras receitas. Já com crianças e adolescentes de dez a 14 anos, é possível ampliar essa discussão por meio da construção de composteiras, da criação de hortas em casa ou nas comunidades, da análise de rótulos de produtos e da reflexão sobre temas que relacionam saúde, consumo e sustentabilidade, por exemplo.
Essa perspectiva está alinhada ao conceito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A Educação Financeira é o processo pelo qual indivíduos e sociedades desenvolvem conhecimentos, valores e competências que lhes permitem compreender oportunidades e riscos, tomar decisões informadas, buscar orientação quando necessário e adotar práticas que contribuam para seu bem-estar e para a construção de uma sociedade mais responsável e comprometida com o futuro. Dessa forma, ela não se limita à gestão de recursos monetários, mas abrange também o consumo consciente, o uso responsável dos recursos naturais, a valorização da saúde e o desenvolvimento da cidadania.
Sobre a Aprende Brasil Educação
A Aprende Brasil Educação atua em todo o território nacional, potencializando a educação pública brasileira, oferecendo soluções educacionais que estimulam o conhecimento e apoiam os estudantes da Educação Infantil aos anos finais do Ensino Fundamental no processo de aprendizagem. Saiba mais em aprendebrasil.com.br
Do papel à melodia: Lílian Ruas anuncia composição inédita que celebra o amor, a força e a vitória
A escritora, poetisa, compositora e multiartista Lílian de Souza Santos Ruas acaba de apresentar a letra de sua mais nova composição, “Venci com Amor”, uma obra que está sendo musicada no estilo de música de alta vibração e que, em breve, será lançada ao grande público
Reconhecida por sua trajetória dedicada à educação, à arte e ao desenvolvimento humano, Lílian Ruas é pedagoga, psicopedagoga, terapeuta integrativa, consteladora familiar e sistêmica, além de atuar como professora assistente do Departamento de Educação do Campus XV da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Em sua produção artística, ela une sensibilidade, espiritualidade e propósito, transformando palavras em mensagens de esperança e inspiração. A canção “Venci com Amor” transmite uma poderosa reflexão sobre superação, autoconhecimento e confiança na força do amor.
Com versos que dialogam com os elementos da natureza e exaltam a capacidade humana de transformar desafios em conquistas, a obra convida o público a reconhecer a própria luz e acreditar na vitória, mesmo diante das adversidades.
Entre os trechos mais marcantes da composição, destacam-se:
“Eu nasci para brilhar / Nasci para o amor / Nasci para vencer / Qualquer dor.”
E ainda: “Fluir como água / No ar corre o amor / A Terra me sustenta / O fogo queima a dor.”
A composição é assinada por Indira Ruas e Lílian Ruas, fortalecendo uma parceria artística que celebra a criatividade, a espiritualidade e a conexão com a essência humana.
Com uma mensagem universal de amor, resiliência e renovação, “Venci com Amor” promete emocionar o público e reafirmar a música como instrumento de cura, elevação da consciência e transformação.
O lançamento oficial da canção será anunciado em breve e promete marcar mais um importante capítulo na trajetória artística de Lílian Ruas, levando sua poesia para além das páginas e fazendo ecoar sua mensagem em forma de música.
Confira a letra completa:
“Venci com amor
Eu nasci para brilhar
Nasci para o amor
Nasci para vencer
Qualquer dor
A luta pode vir
Mais minha batalha é maior
Se eu posso vencer
Você vence também sem dó
Fluir como água
No ar corre o amor
A Terra me sustenta
O fogo queima a dor
O sol abraça o mar
A lua é o farol da Terra
Eu estou aqui
Já venci Guerra
Venci, venci
Venci e tô aqui …”
Mais uma composição de
Indira Ruas e
Lílian Ruas . Podcast edinhotaon/ Edno Mariano
Coletânea reúne histórias de mulheres que inspiram superação, propósito e transformação
Às vezes, tudo o que uma mulher precisa é encontrar outra que já passou pelo mesmo caminho
Há momentos em que uma mulher só precisa perceber que não está sozinha. Foi com esse propósito que a escritora e mentora literária Mônica Oliveira idealizou a 4ª edição da coletânea Mulheres de Impacto – Vibrando Poder e Gratidão, um livro que reúne histórias de 36 mulheres que decidiram transformar suas vivências em inspiração para quem também enfrenta desafios, recomeços e mudanças de vida.
Ao longo das páginas, a leitora encontra relatos sobre empreendedorismo, carreira, maternidade, espiritualidade, liderança, amadurecimento, cura emocional e propósito. São histórias diferentes, mas que se conectam por um sentimento comum: a certeza de que toda mulher enfrenta momentos de dúvida, medo e insegurança, mas também carrega uma força que, muitas vezes, só precisa ser despertada.
Segundo Mônica Oliveira, esse sempre foi o objetivo da obra. “Cada mulher carrega uma trajetória única, mas muitas vezes acredita que sua história não tem valor. O livro mostra justamente o contrário: que experiências reais podem inspirar, ensinar e transformar outras vidas”, afirma.
O livro convida a leitora a olhar para a própria história com mais carinho. Ao se identificar com mulheres que superaram obstáculos, mudaram de direção, reconstruíram a carreira ou encontraram um novo propósito, muitas acabam percebendo que também são capazes de recomeçar. A leitura funciona como um abraço silencioso, daqueles que dizem, sem precisar de muitas palavras: “você vai conseguir”.
A coletânea também transmite uma mensagem cada vez mais necessária: mulheres não precisam caminhar sozinhas. Em vez da comparação e da competição, as páginas reforçam o valor da colaboração, da e prática, as dores e os desafios umas das outras.scuta e do apoio entre mulheres que entendem, na
Transformação acontece antes do livro existir
Curiosamente, a transformação começa antes mesmo de o livro chegar às mãos das leitoras. Mônica conta que muitas autoras vivem um profundo processo de autoconhecimento enquanto escrevem seus capítulos.
“Muitas chegam dizendo que ainda não estão preparadas para a exposição, mas ao se abrirem para a experiência, descobrem o quanto é enriquecedor contribuir com outras pessoas compartilhando partes de sua trajetória. A primeira transformação acontece em quem decide participar”, destaca.
No fim, Mulheres de Impacto – Vibrando Poder e Gratidão deixa uma mensagem que ultrapassa as páginas: talvez a resposta que uma mulher esteja procurando não esteja em uma fórmula pronta, mas na história verdadeira de outra mulher que, um dia, também pensou que não conseguiria seguir em frente e descobriu que era muito mais forte do que imaginava.

Serviço:
Onde comprar o livro – https://encurtador.com.br/gDHt
Mônica Oliveira no Instagram –
https://www.instagram.com/soumonicaoliveira/
Coautoras em Mulheres de Impacto – Vibrando Poder e Gratidão
1 – Mônica Oliveira
2 – Alena Timoshina
3 – Bianca Passos
4 – Fabiene Zucoloto
5 – Maria Izabel Catalunha
6 – Edna Maria Chaves da Silva
7 – Liliane Perini Macedo
8 – Maria das Dores Benedicto Silva
9 – Ana Paula Passos da Penha Balbino
10 – Talitha Abi Harb
11 – Carla Andresa Nascimento Silva
12 – Liliane Libardi
13 – Flávia Benetele
14 – Juliana Malfacini
15 – Babhi Nunes
16 – Lucyana Barbosa Costa
17 – Shirles Coutinho Simões
18 – Paula de Paula
19 – Henriqueta Xavier de Gouvêa Lima.
20 – Maristela Villarinho
21 – Janete de Sá
22 – Sauza Oliveira
23 – Katiane Zomer da Silva
24 – Jessica Rodrigues Azanha
25 – Daniela Primazzi
26 – Márcia Pardinho
27- Lídia Ferreira
28 – Verônica Marcelle Barbosa de Jesus Fernandes
29 – Nádia Ignácio de Gouvêa
30 – Evanilda da Conceição de Mattos
31 – Misleine Campos Sampaio
32 – Rose Marie Melgaço
33 – Cristina de Andrade Conceição
34 – Angela Sodré
35 – Raquel Oliveira
36 – Suelen Falcão
Novo livro da escritora Jeanine Geraldo pergunta: o que significa ser mulher?
“Retratos de Mulher” traz 19 contos inéditos em seu quarto livro
Centrado na inquietação sobre a figura feminina, “Retratos de Mulher”, quarto livro publicado pela doutora em Literatura, professora e escritora Jeanine Geraldo e lançado pela editora Urutau, traz um amálgama de textos que têm algo em comum: o grande horror da vida não está no outro mundo, mas neste.
Os contos de “Retratos de Mulher” são únicos e a maioria, com poucas exceções, tem em seu cerne um ponto nevrálgico em comum: a experiência de ser mulher num mundo em que a violência, o abuso e o silenciamento são rotina.
O texto que abre o livro, intitulado “A enforcada”, traz a história de uma garotinha que como presente de aniversário, pede que o pai, vigia noturno de uma fábrica, a leve para conhecer seu trabalho. Lá, ela encontra o “tio” que a diverte com histórias de terror, em especial a de uma mulher que teria se enforcado em um dos galpões. O cenário noturno e os espaços vazios trazem uma narrativa de terror que não está ligada ao sobrenatural. Narrado do ponto de vista da menina, o conto retrata a experiência dilacerante do abuso infantil, com um desfecho dos mais surpreendes.
“Acho que minhas experiências pessoais e observações da sociedade não só influenciam as histórias: é a partir delas que as histórias nascem. De alguma forma, mesmo que a matéria do conto não parta de uma experiência autobiográfica, a forma como eu narro está fundamentada na minha maneira de experienciar o mundo.” – Jeanine Geraldo, professora e escritora.
Já “Lençóis Manchados de Vinho” traz um texto centrado no tema da sexualidade após a maternidade. Ao retratar a perda de identidade vivenciada pela narradora, o conto dessacraliza o tornar-se mãe: “Eu me vi refém daquele ser que crescia, respirava e se alimentava de mim. Tentava esconder que a cada semana eu morria um pouco para que esse outro vivesse. Quando estivesse pronto para vir ao mundo, eu teria partido”, traz o texto.
Jeanine Geraldo também nos oferece narrativas cujas temáticas atravessam outras questões, como vida e morte, medo e mar, com destaque para contos metalinguísticos que nos fazem refletir sobre o próprio gênero literário, como em “Quem tem medo do escuro?”, em que a narradora tenta lembrar de um conto que lhe foi contado há muito tempo sobre um personagem perseguido pela escuridão.
“Acredito que o verdadeiro objeto da arte seja aquela emoção que se acende no peito do leitor, a experiência profundamente humana retratada ali. E é esse tipo de emoção que eu desejo que meu leitor e minha leitora acessem. De forma bastante ambiciosa talvez, eu gostaria que cada história fosse também uma oportunidade de olhar para dentro”, afirma Jeanine Geraldo.
Por fim, o conto que dá nome ao livro encerra a coletânea numa inversão de expectativa. Aqui, a mulher retratada é vítima, mas também algoz. Vítima de uma sociedade que a silencia e oprime e que, por isso mesmo, produz a opressora: uma mulher que se aproveita dos mecanismos de proteção legal como vingança pessoal.
“Retratos de Mulher” se debruça sobre o “irreal mais real que existe”. As violências diárias que não têm nome, os fantasmas de infância que acompanham mulheres diuturnamente, os sonhos negados e os corpos dilacerados por dentro. Aqui, Jeanine Geraldo mostra não só domínio da linguagem, seu instrumento mor de trabalho, mas também certo grau de diversão através das palavras.
Elogios ao livro:
“A autora se insere no movimento que tem sido chamado de “boom” da literatura latino-americana feminina voltada para temas como o terror, o horror e o insólito que tem com como expoentes as argentinas Samanta Schweblin e Mariana Enriquez e que também tem laços no Brasil como as autoras Irka Barrios, Verena Cavalcanti, Paula Febbe, entre outras.” – Luiz Antônio Ribeiro, editor do Jornal Nota.
“Jeanine sabe criar imagens bonitas e fortes, dessas que seguem ecoando na memória do leitor.” – Giovana Madalosso, escritora.
Sobre a autora:
Jeanine Geraldoé escritora e professora no Instituto Federal do Paraná. Pós-doutoranda em Letras pela UFPR, é pesquisadora na área de Literatura com ênfase em crítica literária, e vive tentando conciliar a vida acadêmica, os treinos de jiu-jitsu e a urgência da escrita. É autora de O animal que me tornei (2018), As folhas vermelhas do outono (2020), premiado pela Secretaria de Cultura do Estado do Paraná (Edital 003/2020 – Licenciamento de Obras Digitais), Alcateia (2022) e Retratos de Mulher (2025), 2º lugar no I Prêmio Escritoras Brasileiras na categoria narrativas curtas.
Serviço:
Livro: Retratos de Mulher
Autora: Jeanine Geraldo (@jeanine.geraldo)
Editora: Urutau
Páginas: 164
Preço: R$ 58,00
Compre o livro através do link
Psicóloga trans lança livro sobre histórias de cura e acolhimento de minorias
- “Nas esquinas do cuidado: Brenda Lee e a redução de danos” mostra como, muito antes da aplicação de políticas públicas, grupos menores já atuavam com saúde pública
Para muitos considerado uma minoria descartável, as travestis são precursores em praticar o acolhimento aos seus pares. Nas ruas, os corpos desumanizados e as potências que reinventaram o cuidado muito antes de ele virar política pública ganha destaque no livro da psicóloga especialista em redução e danos Julia Bueno. “Nas esquinas do cuidado: Brenda Lee e a redução de danos” é fruto de sua tese de mestrado e que, agora, ganha as livrarias através de publicação da Editora Telha.
“Nas esquinas do cuidado” investiga as narrativas de pessoas trans e travestis sobre Redução de Danos, cuidado e transfobia, ampliando o debate sobre saúde e direitos humanos. A partir de uma perspectiva construcionista e feminista, a obra analisa como a Redução de Danos é entendida não apenas como tecnologia de saúde, mas como estratégia de sobrevivência que confronta as encruzilhadas do gênero e da vulnerabilidade social.
“Para mim foi muito importante perceber como existe uma narrativa que insiste em ver pessoas trans apenas como sujeitas marginalizadas que “precisam de cuidado”. Quando vamos a fundo na história, encontramos Brenda Lee, Cláudia Wonder, Jovana Baby e tantas outras que foram centrais na construção de políticas públicas e na transformação cultural do país. São trajetórias potentes, mas sistematicamente apagadas — quase como um projeto para nos expulsar da história e negar até o nosso direito à memória”, – Julia Bueno, psicóloga e escritora.
O livro discute como a transfobia permeia até mesmo espaços que se definem pela promoção de direitos, apontando a necessidade de abordar saúde de forma interseccional, considerando as condições estruturais que vulnerabilizam corpos trans. Ao iluminar essas experiências, a obra contribui para consolidar e expandir o campo da Redução de Danos, destacando a ética travesti como potência transformadora na promoção do cuidado.
“Nas esquinas do cuidado” também é uma homenagem à figura trans brasileira Brenda Lee, responsável por décadas atrás, tornar-se figura central no atendimento da população LGBTQIAPN+ antes mesmo dessa sigla ser criada. Seu cuidado, especialmente com pessoas soropositivas, foi um divisor de águas na atenção e no acolhimento dado a essa parcela da população ainda marginalizada em sua maioria.
Sobre a autora:
Julia Bueno é formada em Psicologia pelas Faculdades Integradas de Guarulhos-SP, especialista em Psicologia Política pela USP, mestra em Psicologia pela UFPE, doutoranda em Psicologia também na UFPE. É pesquisadora no GEMA (Grupo de estudos de gênero e masculinidades), também é redutora de danos, psicóloga clínica, poeta e escritora do livro de poesias “Amor & Revolta” e cofundadora do coletivo psicodelia baixo astral.
Sobre a Editora Telha:
Fundada no final de 2019, no Rio de Janeiro, a Editora Telha nasceu com o desejo de publicar com liberdade e abrir espaço para vozes plurais, muitas vezes fora dos grandes centros editoriais. Interdependente por natureza, acredita que o trabalho editorial se constrói em rede e que a diversidade de experiências amplia os caminhos da literatura. Já em sua estreia, com Motel Brasil: uma antropologia contemporânea, de Jérôme Souty, alcançou a marca de finalista do Prêmio Jabuti 2020, sinalizando desde o início seu compromisso em valorizar perspectivas que enriquecem o debate cultural.
Serviço:
Livro: Nas esquinas do cuidado: Brenda Lee e a redução de danos
Autoras: Julia Bueno
Editora: Telha
Preço: R$ 45,00
Disponível para venda através do link