Comportamento

Estudo revela que 65% das mulheres não se sentem seguras para caminhar a noite sozinha

Análise inédita mostra que insegurança urbana restringe mobilidade, convivência e lazer e coexiste com o maior índice de otimismo já registrado entre brasileiros

 

Para a maioria das mulheres brasileiras, circular sozinha à noite não é um risco calculado. Dados do estudo O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026, conduzido pela pesquisadora da Ciência da Felicidade Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia, mostram que 65% das mulheres não se sentem seguras para caminhar sozinhas após o anoitecer. Entre os homens, o índice é de 40%, considerado alto para revelar que o problema não é de gênero apenas, mas de cidade.

 

No total, 53% dos brasileiros relatam essa restrição no cotidiano. Um número que, segundo a pesquisa, não se limita à percepção de violência, ele molda escolhas concretas sobre onde ir, com quem, em que horário. A insegurança deixou de ser uma estatística e passou a ser um organizador da rotina urbana.

 

Desconfiança que vem de cima

 

O dado de mobilidade não aparece sozinho. Ele integra um quadro mais amplo de erosão da confiança: 81% dos brasileiros percebem a corrupção como generalizada no governo e 66% nas empresas. Para Renata Rivetti, os dois fenômenos se alimentam. “Bem-estar não depende apenas de fatores individuais. Ele exige condições externas como segurança, confiança, previsibilidade, que permitem às pessoas viver com mais liberdade”, afirma.

 

Quando essas condições faltam de forma sistêmica, o impacto vai além do medo de sair à noite. Afeta a percepção de pertencimento, a disposição para o convívio social e, em última instância, a qualidade dos vínculos que sustentam o bem-estar coletivo.

 

O otimismo que resiste

 

O que a pesquisa revela com igual força é o que acontece apesar desse cenário. Mesmo diante da insegurança cotidiana e baixa confiança institucional, 93% dos brasileiros afirmam ter esperança em dias melhores, sendo 67% de forma plena e 27% ao menos parcialmente.

Não é ingenuidade. É, segundo Rivetti, uma forma ativa de resistência. “O brasileiro desconfia das instituições, mas continua acreditando no futuro. Essa resiliência é real, mas não pode ser confundida com ausência de problemas estruturais que precisam ser enfrentados”, explica.

 

Os números emocionais da pesquisa traduzem essa tensão com precisão: 46% dos entrevistados relataram preocupação frequente no dia anterior à entrevista, 33% apontaram ansiedade como emoção predominante e 29% descreveram o estresse como presença diária.

 

Metodologia

 

O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 é o primeiro diagnóstico nacional que investiga os fatores que influenciam o bem-estar da população brasileira, incluindo aspectos emocionais, sociais, econômicos e digitais, oferecendo uma leitura aprofundada sobre os impactos da tecnologia na vida cotidiana.

 

O estudo foi conduzido por Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. Foram realizadas 1.500 entrevistas em todas as regiões do país, entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, com 95% de confiança estatística e margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Comportamento

Síndrome do ninho vazio e o ingrediente essencial para uma vida longa

Muitas vezes, quando falamos sobre longevidade, o pensamento corre imediatamente para as farmácias, os exames de rotina ou a contagem de calorias

 

É claro que o corpo precisa de manutenção, mas há um ingrediente essencial para uma vida longa que não se compra em drogaria: o pertencimento. Viver muito e com qualidade é, acima de tudo, ter motivos para acordar e pessoas com quem partilhar o café da manhã. Afinal, a verdadeira arte de envelhecer bem reside na profundidade dos nossos vínculos e na capacidade de manter vivo o nosso legado.

 

Infelizmente, temos assistido a um fenômeno silencioso em nossas casas. A pressa, essa vilã da modernidade, está roubando o tempo da mesa e silenciando o coração da casa. Antigamente, a cozinha era um “santuário”, o lugar onde as receitas eram transmitidas não por papel, mas pela observação e pelo afeto.

 

Quando deixamos de sentar juntos para comer, perdemos muito mais do que o sabor de um tempero caseiro; perdemos a oportunidade de validar a sabedoria de quem já percorreu caminhos que ainda nem sonhamos em trilhar. Receitas de família são patrimônios imateriais que estão se perdendo porque não paramos mais para aprender o segredo de um assado com quem realmente entende do assunto e da vida.

 

Essa desconexão é um terreno fértil para a chamada Síndrome do Ninho Vazio. Quando os filhos partem e a agitação da casa silencia, os pais muitas vezes se deparam com um espelho que reflete apenas a ausência. Esse vazio não é apenas um sentimento; ele impacta severamente a saúde física, psicológica e social.

 

A sensação de que o papel de cuidar e proteger terminou pode levar ao desânimo e à negligência com a própria nutrição. O ser humano é um animal social e, na maturidade, o isolamento é um dos maiores venenos, combatido apenas com a percepção de que ainda se é útil e amado.

 

Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS), dentro da “Década do Envelhecimento Saudável”, ressalta que o bem-estar não depende apenas da ausência de doenças, mas da manutenção de habilidades e conexões que permitam à pessoa ser e fazer o que valoriza. Embora não haja um diagnóstico médico específico para a Síndrome do Ninho Vazio, a OMS reconhece que esta é uma pauta delicada que requer atenção cuidadosa.

 

Nesse contexto, a saída dos filhos de casa pode ser um momento de transição significativa para as famílias, pois pode coincidir com outras mudanças, como a aposentadoria e a menopausa, agravando sentimentos de baixa autoestima e até depressão.

 

Precisamos, portanto, resgatar a arte da escuta e entender que a sabedoria não está nos livros, mas nos olhos de quem já atravessou décadas de invernos e primaveras. Escutar uma pessoa mais madura ou uma pessoa idosa é um ato de cuidado profundo e uma forma de combater a invisibilidade que a idade muitas vezes impõe. Ao trazermos nossos mais velhos de volta para o centro das conversas, garantimos que eles continuem inseridos no fluxo da vida, sentindo que sua jornada faz sentido para as novas gerações.

 

Longevidade plena se faz com a alma alimentada por conexões reais. Que possamos desacelerar o relógio para reencontrar o tempo do outro e redescobrir o prazer da partilha. Que as memórias não se percam em cadernos empoeirados, mas ganhem vida nas mãos dos netos. Envelhecer com dignidade é saber que, mesmo com o ninho mudando de forma, o coração continua sendo um lugar de pouso, respeito e continuidade.

 

*Ingrid de Paula Ferreira é nutricionista, com especialização em Nutrição Clínica e Professora de Nutrição no Centro Universitário Internacional – UNINTER.

Comportamento

Redações latino-americanas traçam caminhos mais seguros para jornalistas mulheres

Após o fechamento do respeitado veículo guatemalteco elPeriódico, em maio de 2023 — depois de uma perseguição prolongada contra seu fundador, José Rubén Zamora —, alguns de seus jornalistas decidiram continuar o trabalho que marcou a publicação

 

“Eles tentaram nos silenciar, mas não conseguiram”, disse Gerson Ortiz, o último editor-chefe do elPeriódico, à LatAm Journalism Review (LJR) em julho de 2024. “Eles encerraram o elPeriódico, mas o jornalismo na Guatemala continua vivo.”

 

Ortiz, junto com a então diretora Julia Corado, lançou o eP Investiga em abril de 2024 — um veículo investigativo inspirado no jornalismo ambicioso e crítico de seu antecessor. Contudo, os desafios surgiram de imediato, e os obstáculos foram ainda maiores, pois ambos foram obrigados a codirigir o veículo a partir do exílio.

 

Uma repórter foi agredida por um advogado investigado por suposta fraude fiscal. E o site saiu do ar após um ataque de bots enquanto a equipe cobria a prisão de uma defensora dos direitos humanos no país vizinho, El Salvador.

 

A direção do veículo afirmou que a resposta das autoridades foi insuficiente ou até agravou os danos, expondo o quão pouco preparada estava a pequena equipe para enfrentar tais ameaças.

 

“Como somos um veículo novo, com uma redação enxuta, ainda temos pendências a resolver, como estabelecer protocolos de segurança e definir como reagir em caso de emergência”, contou à LJR uma das editoras, Shirlie Rodríguez.

 

Atenta a isso, a equipe do eP Investiga inscreveu-se para participar do programa “Salvaguardando Vozes Femininas: Aprimorando Estratégias de Segurança com Recorte de Gênero nas Redações”, uma iniciativa de um ano concebida para ajudar veículos a fortalecer suas medidas de segurança e lidar com os riscos específicos enfrentados por jornalistas mulheres. O eP Investiga foi um dos apenas três veículos da América Latina e Caribe selecionados.

 

A group of people in front oEquipe do meio guatemalteco eP Investiga, um dos três veículos da América Latina e do Caribe que fazem parte da iniciativa “Safeguarding Women’s Voices”. (Foto: Cortesia) O programa, administrado pela International Women’s Media Foundation (IWMF) e pela UNESCO, reúne 11 veículos de todo o mundo. Segundo a IWMF, os outros dois veículos latino-americanos preferiram não ter seus nomes divulgados.

 

Os participantes recebem apoio personalizado para desenvolver protocolos de segurança adaptados às ameaças que enfrentam — sejam elas de âmbito nacional ou ligadas à cobertura diária —, explicou à LJR a gerente do programa, Angelica Mayor.

 

A iniciativa começa com avaliações das vulnerabilidades de cada redação e das medidas de proteção já existentes, seguidas de grupos focais com as equipes participantes e colaboradores freelancers, além de treinamentos em segurança física e digital.

 

As necessidades variam bastante. Alguns veículos sofrem intimidação de autoridades públicas; outros lidam com desafios logísticos e jurídicos de operar além-fronteiras, como é o caso das redações no exílio, a exemplo do eP Investiga.

 

“Quando falamos de jornalistas no exílio, há muita compartimentalização, pois trabalham com colegas que ainda estão no país, enquanto outros estão fora, deixando a redação em situação bem precária”, disse Mayor.

 

Apesar dessas particularidades, as conversas iniciais permitiram à equipe do programa identificar padrões globais. Um deles envolve ameaças de agentes estatais, mais especificamente a vigilância sobre as redações. Grupos criminosos também vigiam, agora utilizando drones, assim como fazem os agentes estatais.

 

As redações também enfrentam assassinatos, extorsão e exposição a áreas de conflitos (cobertura de tiroteios, ataques etc.). No campo digital, contou Mayor, há inúmeros casos de phishing (alguns mais sofisticados que outros), ataques a sites e redes sociais, além de vigilância online. Casos envolvendo o spyware Pegasus e outros softwares estão entre as maiores preocupações.

 

“Muitas redações não têm uma estrutura de comunicação segura”, explicou Mayor, incluindo aí a proteção do contato com fontes. “Portanto, estamos trabalhando para garantir que usem autenticação de dois fatores, que reconheçam quando dispositivos pessoais são usados para o trabalho e como isso pode comprometer pessoas devido às informações armazenadas nesses dispositivos.”

 

Alguns veículos têm seus endereços físicos vinculados ao do jornalista ou editor, o que aumenta o risco de doxxing e até de violência física. “Também há o assédio online como tática para desencorajar a cobertura e isso atinge de forma predominante — ou desproporcional — jornalistas mulheres e profissionais de grupos marginalizados, o que desestimula ainda mais o trabalho jornalístico”, afirmou Mayor.

 

De fato, um estudo global de 2021 apontou que 73 % das jornalistas entrevistadas relataram ter sofrido assédio online em algum momento por causa de seu trabalho. Além disso, os ataques foram mais intensos contra mulheres que se identificavam como indígenas ou negras.

 

Esses casos levam à autocensura e até ao abandono da profissão por parte de mulheres. É justamente por isso que a iniciativa busca protegê-las. “O programa contempla todos os gêneros, mas sempre aplicamos um olhar sensível a gênero porque […] nossas pesquisas mostram que jornalistas mulheres e não bináries recebem mais ameaças por conta de sua identidade”, disse Mayor.

 

Rodríguez concorda; ela também observa que os ataques direcionados às mulheres da equipe tendem a ser sexualizados e misóginos — agressões que acabam levando ao abandono do jornalismo. Rodríguez cita o caso de violência física contra sua colega como particularmente “chocante”. Além da agressão em si, preocupava-os a falta de clareza, dentro da redação, sobre quais protocolos seguir e onde buscar assistência jurídica.

 

Algo semelhante ocorreu com um ataque digital, que deixou o site fora do ar por pelo menos seis horas. A equipe técnica detectou “atividade incomum de bots” originada dos Estados Unidos e de El Salvador — justamente no momento em que cobriam a detenção da defensora de direitos humanos Ruth López em El Salvador.

 

“Os riscos são maiores para as mulheres. Os ataques são dirigidos violentamente à pessoa delas — como indivíduos”, afirmou Rodríguez. “Com esta iniciativa, esperamos estar mais preparadas para lidar com esses problemas.”

Comportamento

O que pode mudar com a criminalização da misoginia no Brasil

Aprovado no Senado, projeto reconhece o ecossistema que sustenta a violência de gênero, equipara o ódio contra mulheres a outras formas de discriminação e endurece punições. Projeto ainda precisa do aval da Câmara dos Deputados e do presidente Lula

 

O Senado Federal aprovou um projeto que criminaliza a misoginia ao incluí-la na Lei de Crimes de Preconceito, legislação que já pune discriminação por raça, religião e origem. De acordo com esse texto, o ódio e a incitação à violência contra mulheres passam a ser reconhecidos como crime de preconceito, com penas que podem chegar a até cinco anos de prisão, além de multa.

 

De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB) e relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos), projeto segue agora para análise na Câmara dos Deputados e, se aprovado, será encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o aval de ambas as instâncias, a medida entra em vigor após a publicação no Diário Oficial. O termo misoginia se refere ao ódio, desprezo ou aversão às mulheres – fenômeno estrutural que atravessa diferentes esferas da sociedade. Isso pode se manifestar de forma explícita, através de ataques verbais, ameaças e violência, ou de maneira sutil, por meio da deslegitimação, da ridicularização e da tentativa de silenciamento.

 

Na prática, a inclusão da misoginia na Lei de Crimes de Preconceito faz com que ela deixe de ser tratada apenas como injúria e difamação e seja enquadrada como um crime específico. Isso facilita as investigações e permite punir, com mais rigor, casos de ataques verbais e campanhas de ódio – inclusive no ambiente digital. A mudança marca um avanço ao reconhecer a misoginia como uma forma estrutural de discriminação, semelhante a outras já previstas na legislação, como o racismo.

 

Por que a aprovação da lei é tão importante?

 

O projeto de criminalização da misoginia amplia o combate à violência de gênero para além das agressões físicas, passando a incluir também suas dimensões discursivas. Nesse sentido, complementa legislações já existentes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio. Isso significa que não apenas a agressão passa a ser punida, mas também a motivação misógina que a sustenta.

 

Essa mudança se torna ainda mais relevante em um momento em que o discurso de ódio contra mulheres ganha força na internet, impulsionado pela expansão de comunidades online associadas ao chamado movimento red pill. Esses espaços, em geral frequentados por homens alinhados a visões ultraconservadoras, disseminam conteúdos misóginos, teorias conspiratórias e narrativas que incentivam a hostilidade contra mulheres – muitas vezes por meio de campanhas coordenadas de ataque nas redes sociais e, em alguns casos, evoluindo para agressões também no offline.

 

* Se você ou alguém que você conhece está vivendo violência doméstica ou de gênero, denuncie pelo 180. O serviço é gratuito, 24 horas por dia e está disponível em todo o Brasil. Em caso de emergência, ligue 190.

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Estudo mostra que, quanto mais você fica com sua mãe, mais tempo de vida ela terá

Convidar sua mãe e sua avó para jantar pode prolongar e melhorar a qualidade de vida delas, mostra um novo estudo

 

Isso porque pesquisadores da University of California (EUA), descobriram que a solidão desempenha um papel importante no declínio, muitas vezes associado à velhice.

 

O estudo acompanhou 1.600 adultos, com uma idade média de 71 anos. Apesar de controlar o status socioeconômico e a saúde, os solitários consistentemente mantinham taxas de mortalidade mais altas. Quase 23% dos participantes solitários morreram dentro de seis anos do estudo. Os que relataram companhia adequada e faleceram nesse período, por sua vez, foram apenas 14%.

 

A necessidade que tivemos em nossas vidas inteiras – pessoas que nos conhecem, nos valorizam, que nos trazem alegria – que nunca vai embora”, explicou Barbara Moscowitz, assistente social geriátrica do Massachusetts General Hospital, ao The New York Times.

 

“Idosos dão grande valor a essas relações. Tudo se resume a importantes habilidades relacionais”, disse ao The New York Times a professora de desenvolvimento humano na Virginia Tech, Rosemary Blieszner. Estas habilidades, por sua vez, são as que nossos avós tiveram uma vida inteira para aprimorar.

 

“Eles são muito tolerantes com as imperfeições, características e comportamentos dos amigos, mais do que os jovens adultos”, ressalta ela. “Você traz muito mais experiência para suas amizades quando é mais velho. Você sabe pelo que vale e o que não vale a pena brigar.”

 

Além de convidar nossos parentes e amigos mais velhos para entrarem em nossas casas, é importante encorajar relacionamentos de idoso. É por isso que, apesar da crença popular, as pessoas mais velhas tendem a prosperar nas chamadas “casas de repouso” independentes ou assistidas. Esses arranjos de vida proporcionam mais maneiras de se misturar, conectar, prosperar.

Benefícios para todos

 

Passar tempo com pessoas mais velhas pode ajudá-los, mas isso também nos beneficia – a relação simbiótica é inegável. Eles têm o companheirismo e a conversa tão cruciais para a vida cotidiana, e nós recebemos suas histórias, seus abraços e, melhor de tudo, aquelas famosas e secretas receitas de biscoitos.

 

Fonte: ISTOÉ

Comportamento

O que você precisa saber sobre o Pacto Nacional Brasil contra o feminicídio

Com números recordes de feminicídio em 2025, os três poderes da República se unem e anunciam uma série de medidas para enfrentar o assassinato de mulheres por razões de gênero

 

Homens assassinam quatro mulheres por dia no Brasil. Grave bem esse número, porque ele escancara o quanto ficamos – sociedade civil e governo – inertes, sem que muita coisa fosse feita, até que as próprias mulheres se reunissem e gritassem “chega”. Se você acompanhou as notícias, sabe que o estopim aconteceu no fim de 2025, com uma sequência de feminicídios tão absurda, que, nas palavras do presidente Lula (na Folha de S. Paulo), “a gente não imagina que pudesse acontecer”.

 

As cenas de Taynara (atropelada e arrastada por mais de 1 km pelo carro do ex-namorado), Evelin (que estava no trabalho, quando levou cinco tiros, também do ex-companheiro), Allane e Layse (assassinadas por um colega de trabalho) e Mayara (esfaqueada e morta pelo ex-marido, depois de meses de ameaça) culminaram com o Levante Mulheres Vivas, que promoveu manifestações por todo o Brasil em 7 de dezembro de 2025, e ligou o sinal amarelo no Congresso, Judiciário e Executivo.

 

Mulheres, não custa lembrar, são mais da metade da população brasileira e maioria do eleitorado (52,4%). E, como disse a ministra Cármen Lúcia, única mulher no Supremo Tribunal Federal, em dezembro passado, “é preciso que a gente saiba que medidas tomar sobre isso, porque não é possível que agora, em plena luz do dia, na rua, os criminosos ataquem sem o menor constrangimento.”

 

O que é, afinal, o Pacto Nacional Brasil contra o feminicídio? 

 

Anunciado no mês passado pelo presidente Lula e assinado pelos representantes das três casas, o pacto, na prática, une os três poderes para reconhecer que o feminicídio tem precedentes estruturais, precisa de políticas públicas de prevenção e de mecanismos de proteção e responsabilização.

 

Tudo isso para garantir o que parece óbvio, mas não é: o direito à vida de meninas e mulheres em toda a sua diversidade. Uma espécie de manual para que o enfrentamento ao feminicídio se torne uma política transversal e permanente do Estado brasileiro – e não apenas algumas medidas importantes, como a tipificação de crime de feminicídio em 2015, mas isoladas.

 

O documento, que conta com um calendário estratégico de ações, ancoradas em efemérides, como Dia Internacional da Mulher (08/03) ou o Dia da Lei Maria da Penha (07/08), é, sem dúvida, um passo importante, uma sinalização de que a violência contra as mulheres não pode ser tolerada. Mas deixa muitas dúvidas.

 

Impacto esperado na redução do feminicídio

 

Embora elenque os objetivos do comitê, que tem quatro representantes de cada poder e coordenação da Presidência da República, por exemplo, não fica claro como tudo acontecerá na prática – tampouco, quando.

 

No quesito recursos, por exemplo, aparece no documento a “garantia de recursos orçamentários adequados”, sem citação a qualquer número ou porcentual do Orçamento. Também não fica explícito como a violência digital, apontada como um dos diferenciais e inovações do pacto, será combatida. As big tech serão finalmente regulamentadas? Punidas? E mais: isso acontecerá em tempo ágil, real time, ou só depois dos crimes cometidos?

 

Avanços iniciais

 

Talvez uma das maiores utilidades, por ora, seja o próprio letramento de políticos e membros do judiciário (vale recordar a violência jurídica sofrida por Mari Ferrer, também entrevistada da ELLE View de dezembro), além do reconhecimento, já apontado no relatório da ONU Mulheres “Feminicides in 2024“, de que o feminicídio costuma ser o desfecho mais trágico de um ciclo de violências anteriores.

 

Violência psicológica (condutas que causam danos emocionais, diminuem a autoestima ou controlam decisões mediante ameaça, humilhação, isolamento, vigilância constante e chantagem), assédio moral (que frequentemente e repetidamente humilha, constrange e desqualifica), stalking e indução ao suicídio fazem parte do grupo de violências que ainda costumam ser minimizadas, assim como as patrimoniais e morais (calúnia, difamação e injúria).

 

Muitas vezes, porém, elas são a licença silenciosa para que homens passem para a violência física e os desaparecimentos – no fim de 2025 também, a corretora Daiane Alves de Souza “desapareceu” após descer ao subsolo do seu condomínio em Caldas Novas para verificar a energia. Mês passado, o síndico confessou o crime e indicou o local do corpo.

 

Outros tipos de violências especificadas em bom português são as de natureza sexual e exploratória. Entram aqui, abuso sexual (qualquer forma de conduta sexual não desejada, verbal, não-verbal ou física), violência sexual (uso de força ou coação, incluindo o impedimento do uso de camisinha, por exemplo, ou a indução ao aborto), assédio sexual (toda tentativa de obter vantagem ou favorecimento sexual no ambiente esportivo ou no trabalho), e exploração sexual comercial (como as que vêm sendo divulgadas no caso Epstein, incluindo a de meninas e mulheres brasileiras).

 

Afinal, mais do que ver agressores punidos e quebrar o ciclo de violência, nós queremos não ter que passar por ele. Se o problema é estrutural, é preciso sacudir as estruturas.

 

Fonte; Elle

 

Comportamento

Uber lança opção para passageiras viajarem com motoristas mulheres no Rio de Janeiro

Ferramenta faz parte da expansão do recurso “Uber Mulher”, que começou a ser liberado em várias capitais brasileiras

 

Usuárias do aplicativo da Uber no Rio de Janeiro passam a contar, a partir de agora, com a possibilidade de solicitar viagens com motoristas mulheres. A novidade integra a expansão do recurso chamado “Uber Mulher”, que começou a ser disponibilizado gradualmente em capitais do país como São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza.

 

A ferramenta já vinha sendo testada em sete municípios brasileiros e agora passa por um processo de ampliação para grandes centros urbanos. O objetivo, segundo a empresa, é oferecer mais conforto e sensação de segurança às passageiras, permitindo que priorizem corridas conduzidas por mulheres.

 

Dentro do aplicativo, o recurso poderá ser utilizado de três formas diferentes. Uma delas é o Reserve Uber Mulher, que possibilita agendar a corrida com pelo menos 30 minutos de antecedência, garantindo que a viagem seja realizada por uma motorista.

 

Outra alternativa é ativar a opção “Preferência das Mulheres” nas configurações do perfil. Com a função ligada, o aplicativo passa a priorizar motoristas mulheres nas solicitações da categoria UberX. Contudo, a empresa destaca que essa preferência não garante que a corrida seja necessariamente realizada por uma mulher, já que a disponibilidade depende da quantidade de motoristas ativas na região.

 

Caso o tempo de espera seja elevado, o sistema pode direcionar automaticamente a viagem para o motorista mais próximo. A terceira modalidade é a opção “Uber Mulher” exibida diretamente na tela inicial do aplicativo. Nela, a usuária pode solicitar uma corrida imediata com motorista mulher.

 

Se não houver condutoras disponíveis rapidamente, o aplicativo pergunta se a passageira prefere continuar aguardando ou aceitar um motorista próximo. A funcionalidade também poderá ser utilizada por contas do Uber Teens, modalidade destinada a adolescentes entre 12 e 17 anos.

 

Nesse caso, os responsáveis podem acompanhar a viagem em tempo real e contam com recursos de segurança ativados automaticamente. De acordo com a Uber, a expansão do Uber Mulher faz parte de uma estratégia mais ampla voltada ao enfrentamento da violência contra mulheres, com iniciativas que incluem parcerias com organizações especializadas, campanhas educativas e conteúdos de orientação para motoristas e usuários.

 

A empresa também informa que vem buscando ampliar a participação feminina na plataforma desde 2019, quando lançou a modalidade U-Elas, que permite que motoristas mulheres escolham aceitar apenas corridas solicitadas por passageiras.

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Por trás do balcão: como mulheres que trabalham em bares se defendem do assédio

Elas são constantemente vítimas de assédio por parte de clientes e de colegas de trabalho. Uma de suas principais ferramentas para lidar com as importunações sexuais é a denúncia. Conheça aqui algumas histórias

 

“Fui ajudar uma amiga em um bar. Precisei ir até o estoque e, lá, sozinha, fui coagida. Um cara me agarrou e me beijou à força. Fiquei imóvel, sem saber o que fazer. Quando ele me soltou, falou que sempre quis sair comigo. Respondi que estava ali só para trabalhar e que ele estava entendendo as coisas errado.”

 

Essa é só uma da várias histórias que Stephanie Marink, mixologista e uma das sócias do Espaço 13, localizado no Bexiga, região central de São Paulo, guarda na memória sobre casos de assédio sexual pelos quais já passou em sua experiência de trabalhar em bares.”Tinha 18 anos quando isso aconteceu. Não tinha noção dessas coisas e de que poderia ter denunciado. Não estávamos no auge das discussões para que eu soubesse que isso poderia ser feito. Hoje, com 33 anos, seria diferente”, ela diz.

 

Os números confirmam que as experiências de Stephanie são uma realidade para muitas outras mulheres. Uma pesquisa realizada apenas na cidade de São Paulo pela Rede Nossa São Paulo e publicada em março de 2021 mostrou que 7% das mulheres ainda veem os bares e as casas noturnas como lugares de risco para serem assediadas, só perdendo para o transporte público (52%) e as ruas (20%).

 

Stephanie não apenas sofreu casos de assédio sexual, como também já presenciou e até evitou que mulheres que frequentam seu balcão passassem por algo do gênero. Como uma vez em que colocou um cliente para fora do seu bar.

 

“O cara estava sentado na minha frente e disse que precisaria de um favor. Falei ‘claro, como posso te ajudar?’. Ele respondeu que me daria 50 reais para que eu aumentasse as doses de bebida alcoólica no copo de uma menina para que ela ficasse mais louca e saísse com ele. Na hora, educadamente, respondi ‘quero que você se retire agora do meu bar’. E depois, quando vi a menina indo ao banheiro, fui atrás dela para avisar o que tinha acontecido e para que ela tomasse cuidado”, relata.

 

“Ele foi embora, mas não sem antes ficar me enfrentando, chamando pelo dono do bar. Respondi que eu era a dona e queria que ele saísse imediatamente. Quer dizer, por eu ser mulher e estar servindo não posso ser a proprietária do bar? Isso acontece direto.”

 

A conquista do balcão de bares pelas mulheres não é algo recente. A primeira a se destacar por seus coquetéis foi a inglesa Ada Coleman, ou Coley, que, no início do século XX e com apenas 24 anos, comandou o bar do icônico Savoy Hotel, em Londres, por duas décadas.

 

Mesmo com grandes destaques, ainda hoje, os bares e a noite estão relacionados a um trabalho masculino e, consequentemente, a um pensamento muito machista. Não há números que mostram quantas barmaids comandam balcões pelo país. No entanto, o que é possível afirmar é que o setor de bares e restaurantes tem, em sua maioria, mulheres na operação.

 

De acordo com dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), estima-se que existam 5,5 milhões de trabalhadores no setor de bares e restaurantes e, destes, 55% seja representado por mulheres.

 

Mesmo com a presença feminina dominante na operação, esses espaços ainda são muito hostis para elas, seja por seus corpos como objetos de desejo, seja também pelo questionamento de suas competências, uma vez que sempre é preciso lidar com uma cobrança redobrada de seus trabalhos.

 

Essa combinação explosiva faz com que elas sejam a linha de frente de muitas experiências que, por vezes, desejavam ficar esquecidas. Ganhadora de prêmios nacionais e internacionais na coquetelaria, Stephanie tem que constantemente reforçar sua posição. “No primeiro campeonato do qual participei, tive que escutar de um cara ‘só ganhou porque é mulher’.”

Cantadas e mais cantadas

 

Comentários desagradáveis são uma constante na vida dessas profissionais. “Escuto direto “nossa, você está muito sexy hoje”. Esses dias, um cliente já conhecido do bar falou “você poderia fazer Xvídeos para tirar uma grana e ficar pelada fazendo gim tônica”. Respondi que não concordava que, pelo fato de ser mulher, deveria fazer isso. Como a gente deve agir? Somos habituadas a ficarmos quietas e em uma posição tão oprimida que é difícil saber o que falar. Acabamos convivendo com essas situações porque, muitas vezes, não se tem escolha”, diz a mixologista.

 

A importunação com cantadas e propostas inconvenientes também é constante na vida da barmaid Alessa Maga. Atualmente morando em Lisboa, a carioca de 46 anos já perdeu as contas de quantas vezes ouviu comentários desse tipo. Como tática, ela diz que assume um comportamento mais sério para se proteger. “Sou muito simpática e, aqui em Portugal especialmente, muitos já confundiram achando que estava dando mole. Por isso fico mais fechada”, diz.

 

Mesmo assim, as lembranças incômodas de assédio são inúmeras. “Estava levando os drinks para a mesa de um grupo de homens. Percebi os olhares, cochichos e conversas sobre mim. Depois um deles veio pedir o telefone com a desculpa de que ‘quem sabe eu poderia fazer drinks para ele’. Fiquei desconfortável, falei que não daria o número e sai.”

Outra situação em que Alessa se sentiu incomodada foi quando um homem a esperou do lado de fora do bar para abordá-la na hora em que ela saísse. “Foi muito ruim. Tive que falar que ele estava se exaltando, que não queria ficar com ele e que não estava entendendo porque me esperava ali.”

 

A falta de apoio dos chefes e locais onde trabalham a deixam com medo de denunciar. “Às vezes, a gente tem que fingir que não ouviu. Não pode falar na frente do cliente senão perdemos o emprego”, diz.

“O medo é sempre nosso”

 

Para Carolina Oda, consultora em hospitalidade e bebidas e comunicadora, esse é um dos pontos mais difíceis de se lidar: o medo. “Nosso mercado é muito pequeno e ainda masculino, todo mundo se conhece. Quem vai comprar uma briga e denunciar um cara que, às vezes, é um dos grandes da área? No final, eles se protegem e a gente briga porque somos nós, mulheres, que sempre precisamos achar um caminho para saber como lidar com esse problema. O medo é sempre nosso.”

 

Ainda hoje Carolina sente o trauma de um caso de assédio sexual pelo qual passou em uma sessão de massagem em um salão de beleza paulistano. Mesmo com um boletim de ocorrência, seu agressor não foi punido. “A impunidade é um gatilho muito forte para mim. Sinto exatamente a mesma sensação no corpo de quando fui fazer o B.O. Meu peito fica manchado, os dedos formigam, sinto taquicardia”, diz. Mesmo assim, a consultora reforça a importância de todas as mulheres denunciarem. “É a única possibilidade de fazermos algo para mudar essas situações.”

 

Ela relembra um caso do começo da carreira, quando era garçonete em um bar de cervejas. “Virei para pegar uma bebida para um cliente e ele falou “isso, vai lá pegar uma cerveja para mim” e deu um tapa na lateral das minhas nádegas. Eu era muito inexperiente naquela época”, conta.

 

Isso, no entanto, não acontece apenas com clientes, mas também com colegas de profissão. “Um deles, famoso que já se posicionou contra assédios, passou a mão nas minhas nádegas duas vezes. Quando eu vi ele falando uma vez que era contra isso, tive o mesmo gatilho no meu corpo porque nada acontece com essas pessoas. Ele se posiciona como santo e faz outra coisa.”

 

Em mais um caso do qual Carol se recorda, foi contratada como consultora de um bar em São Paulo e começou a receber mensagens com segundas intenções. “Esse cara que me contratou estava fazendo um curso de fotografia e, certa vez, era uma hora da manhã, ficou me mandando mensagem dizendo para eu ir na casa dele, que queria fazer foto minha.

 

E ainda completou ‘e vem de fio dental que eu consegui ver, naquela reunião, que você estava usando’. Como ele não conseguiu o que queria, fala mal de mim no mercado. Isso acontece muito em consultoria: contratam o meu trabalho, mas acham que podem sair comigo porque a relação fica mais próxima.”

 

Reforçando o coro dessas profissionais está a barmaid Luisa Saito, de 24 anos, que trabalha no bar Nu I Cru, na Barra Funda, zona oeste da capital paulistana. “Para nossa infelicidade, essa é uma área dominada por homens que não entendem o que é ser mulher em um mundo machista. Aprendi a lidar a minha vida toda com isso. Quando algo acontece, sou bem seca, corto na hora e até bato boca ou tiro onda com os caras, dependendo da situação.”

 

Ela se lembra de uma vez, quando começou a trabalhar na coquetelaria, que tinha receio de ser a única mulher no bar. “Nessa época, teve uma situação com um cliente que ficou falando com as atendentes, passando a mão nas costas, na cintura, e nenhuma de nós se sentia à vontade para se defender ou avisar algum dos sócios, pensando que não ia adiantar de nada.”

 

Hoje, isso seria diferente. “Meu lugar de conforto é com o balcão entre eu e o cliente. Pode falar desaforo que a gente rebate, mas não chega perto e muito menos encoste em mim. Se for para trabalhar num bar em que o dono prefira que eu aceite desaforo, principalmente de homem machista, esse não é um lugar onde quero estar. É sobre priorizar a mim e a minha saúde mental. Se tiver que achar outro lugar para trabalhar, a gente corre atrás!”, finaliza.

 

Fonte: Marie Claire

Comportamento

Paula Vanessa: uma trajetória de superação, fé e sucesso no Rio de Janeiro

No coração do Rio de Janeiro, destaca-se a trajetória inspiradora de Paula Vanessa Araújo Guedes — mulher multifacetada que conquistou espaço como multiempresária, influenciadora digital, escritora e bispa. Sua história vai além do empreendedorismo: é um testemunho de resiliência, fé e coragem diante das adversidades.

 

Órfã de pai desde os dois anos de idade, vítima da violência que marcava a comunidade de Vila Norma, em São João de Meriti, Paula poderia ter se rendido às dificuldades. No entanto, escolheu o caminho oposto: transformou a dor em força e construiu sua vida sobre os pilares da determinação, da esperança e da fé.

 

Criada pela mãe e pela avó materna — suas maiores referências de amor e espiritualidade — iniciou sua jornada missionária aos 12 anos, levando alegria e a palavra de salvação às comunidades da Baixada Fluminense. Hoje, ao lado do marido, Rodrigo Guedes, exerce o chamado pastoral como bispa, impactando milhares de vidas.

 

Apesar do sonho inicial de seguir a carreira de delegada, foi no turismo que Paula encontrou sua verdadeira paixão. Formou-se em Direito em 2004, mas percebeu durante o estágio que sua vocação estava em outro caminho. Determinada a trilhar a própria rota, em 2008 fundou sua primeira empresa, a TAE TRANSFER, que evoluiu para a PHAM TURISMO.

 

Tornou-se, então, uma das mulheres pioneiras no setor no Rio de Janeiro, oferecendo experiências exclusivas que vão de passeios de helicóptero, cruzeiros internacionais e hospedagens de charme até serviços executivos de transporte e pacotes personalizados dentro e fora do Brasil.

 

“Minha missão é mostrar que, com fé e determinação, é possível transformar dor em propósito e desafios em vitória.”

 

Com sua visão inovadora, Paula não parou por aí. Criou o Método CEC – Confiança para Empreender e Crescer, no qual atua como psicanalista, mentora e palestrante, capacitando mulheres e empresários a desenvolverem habilidades em liderança, networking, gestão financeira e de tempo. Já ajudou a desbloquear o potencial de mais de 2.000 pessoas, tornando-se referência em transformação pessoal e profissional.

 

Agora, dá mais um passo em sua trajetória como escritora. Em breve, lançará o livro “Rasgando o Silêncio” , obra em coautoria em que revela pela primeira vez experiências nunca compartilhadas em suas redes, palestras ou no altar. Um projeto que promete impactar e libertar vidas por meio da verdade e da vulnerabilidade.

 

Paula Vanessa é, sem dúvida, uma história viva de superação e inspiração — um exemplo de que é possível transformar obstáculos em degraus rumo a um propósito maior.

 

Para acompanhar a trajetória de Paula, siga seu perfil no Instagram: @paulavanessaof.

Comportamento

Mulheres na estrada: dez dicas para quem deseja viajar sozinha

Saiba como escapar de micos no caminho e aproveitar ao máximo sua viagem solo com os conselhos e descobertas de viajantes experientes

 

Conhecer novos lugares, culturas e pessoas são alguns dos grandes prazeres proporcionados pelas viagens. Mas não é sempre que a gente vai encontrar companhia para encarar todas as aventuras possíveis. Ou, talvez, você prefira viajar sozinha – fazer a programação que quiser, ter a liberdade de mudar de ideia a hora que bem entender e conectar-se consigo mesma são experiências que valem a pena ser vividas.

 

Para diversas mulheres, no entanto, a viagem solo pode ser um sonho que vem acompanhado de um certo medo. Dúvidas sobre o destino, a hospedagem e, principalmente, a segurança costumam surgir. Mas não há nada que um bom planejamento e alguns cuidados não possam solucionar.

 

“Minha primeira viagem foi instigada muito pelas redes sociais e essa vontade de conhecer o mundo e de entender que eu sou capaz de fazer isso sozinha, apesar do medo, que é inerente”, conta a advogada Tiffany Sousa, de 23 anos.  Tiffany planejava encontrar a sua família em Buenos Aires, mas, antes, fez uma passagem solo pelo Uruguai.

 

“Desde criança eu desejava conhecer novas culturas e diferentes lugares. Quando passei a ter minha independência financeira, vi que poderia acessar aqueles locais. Em alguns casos, eu chamava as pessoas e ninguém estava disponível ou queria marcar para depois. Mas eu acompanhava muito conteúdo de mulheres que viajavam sozinhas e pensei: ‘Por que não?’”

 

Para inspirar você também a fazer sua viagem solo, convidamos as criadoras de conteúdo Iriane Veloso (@amarmarianomar), Sylvia Barreto (@viajaresimples), Tiffany Sousa (@vaitiffany) e Ariane Marques (@deusaari) para compartilhar as melhores dicas para mulheres que querem pôr o pé na estrada.

 

1 – Explore a cidade

Ao viajar desacompanhada você pode conhecer diferentes pessoas, mas a premissa é que você vai realizar grande parte das atividades sozinha. Por isso, começar a sair sem ninguém um período antes da viagem ajuda você a se habituar com essa configuração. Você pode ir ao cinema, conhecer um restaurante novo, ir a exposições, ao parque ou até a festas, para entender como age nos lugares sozinha, o que a incomoda ou agrada. Construir uma boa relação com a própria companhia é fundamental para curtir o período solo.

 

2 – Entenda qual é a sua praia (ou campo ou cidade)

No momento de planejar o roteiro e entender quanto tempo você deseja passar em cada lugar, é importante entender qual o seu estilo de viagem e o que é inegociável para você. Vale questionar se você prefere lugares mais conectados com a natureza ou cidades com diferentes programações. Outro ponto é compreender as suas prioridades como viajante. Se você deseja economizar em hospedagem e conhecer novas pessoas, hostels podem ser uma boa opção.

 

3 – Comece com viagens curtas

A primeira aventura solo pode causar diversos anseios e, por isso, começar com viagens curtas pode ajudar a ganhar confiança. Uma ida à praia, a alguma cidade histórica ou um destino de turismo ecológico são algumas das opções. Por estar mais perto dos locais que você conhece e da sua rede de apoio, você pode se sentir mais segura para dar os primeiros passos. Outro ponto importante é reservar hospedagem perto de regiões centrais e movimentadas ou próxima dos locais que você deseja conhecer.

 

4 – Procure relatos de outras viajantes

No momento de escolher o destino da sua viagem, além das informações de guias turísticos e reportagens, pesquise depoimentos de outras viajantes que já foram para aquele lugar. Nas redes sociais, é possível encontrar dicas de passeios e hospedagem, além de dados sobre a cultura local e o quanto aquele destino é recomendável para mulheres que viajam desacompanhadas. No mundo ideal, uma mulher deveria poder explorar sozinha qualquer canto que quisesse, mas é preciso ter precaução e colocar a segurança em primeiro lugar.

 

5 – Faça um planejamento financeiro e tenha uma reserva de emergência

Viajar pode parecer fora da realidade ou muito caro para diversas pessoas, mas estabelecer prioridades no orçamento pode ajudar a transformar esse sonho em realidade. Além da passagem e da hospedagem, o planejamento precisa prever outros gastos, como o transporte e a alimentação no local, e também estabelecer como o pagamento será feito, se vai ser à vista ou parcelado o cartão de crédito. Outra dica importante é ter uma reserva de emergência. Esse cuidado é útil em diversas situações.

 

6 – Monte uma bagagem funcional

Evitar o excesso de bagagem vai facilitar muito seus deslocamentos. Opte por peças versáteis, que podem ser utilizadas de diferentes maneiras. Carregue sempre um cadeado para trancar as suas coisas, principalmente se você for se hospedar em hostels. Lembre-se de levar itens básicos de primeiro-socorros e remédios para dores gerais, como dor de cabeça e enjoo. Além disso, vale usar pochetes ou doleiras para guardar documentos, cartões e dinheiro.

 

7. Compartilhe seu roteiro com pessoas de confiança

Pode ser um familiar, o cônjuge ou uma amiga – ou, melhor ainda, todas as opções. O importante é ter pessoas de confiança para compartilhar as informações do seu roteiro e se assegurar de que elas estarão te acompanhando durante o período da viagem.

 

8 – Conecte-se com outras viajantes solo

Viajar sozinha é também uma maneira de fazer novas amizades. E aí vale o bom senso: não dá para ir se abrindo logo com todo mundo nem desconfiar de todos a sua volta. No geral, evite falar que você está viajando sozinha e, se sentir algum tipo de movimentação estranha, se retire ou peça ajuda. Locais como hostels e passeios em grupo podem ser boas opções para conhecer novas pessoas, já que você encontrará outros viajantes solo com interesses em comum. Além disso, ao pesquisar sobre o destino, você pode entrar em contato com outros viajantes e tirar dúvidas sobre o local que você deseja visitar e, assim, começar novas conexões.

 

9 – Atenção com bebidas alcoólicas

Sozinha e longe de casa: definitivamente essa não é a melhor hora para meter o pé na jaca. Não use nada que vai alterar sua consciência. Se você tiver acostumada a tomar uma taça de vinho, por exemplo, tudo bem, mas evite beber muito. Quando você está com a consciência alterada – não precisa nem estar bêbada – não percebe algumas coisas. E é importante se manter ligada. Opte por bebidas lacradas e que você mesma abriu e não aceite bebidas, alcoólicas ou não, nem alimentos de estranhos ou recém-conhecidos.

 

10 – Aproveite a liberdade

A viagem solo é sobre liberdade. Esse é o momento em que você pode escolher seu destino, programação, horários, alimentação e se quer ou não permanecer sozinha durante esse período. Você consegue, enfim, se conectar com o seu desejo, seja ele acordar mais cedo para caminhar na praia ou passar o dia inteiro em museus. E essa autonomia é um grande aprendizado. Descoberta, por sinal, é a palavra que resume muito dessa experiência.