Agosto Lilás reforça o combate à violência contra a mulher e destaca a importância de romper o silêncio

Por Maximino Brügger Perez

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05.08.2026 às 09h10m

Criado para conscientizar a sociedade sobre a violência contra a mulher e fortalecer as ações de enfrentamento, o Agosto Lilás é uma das mais importantes campanhas de mobilização social do país

 

A iniciativa marca o mês de aniversário da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), considerada um dos principais instrumentos de proteção às mulheres brasileiras, e busca ampliar o debate sobre prevenção, acolhimento, denúncia e combate a todas as formas de violência.

 

Os números mostram que o problema continua alarmante. Segundo a pesquisa “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, 54% das brasileiras que já tiveram relacionamento com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência praticada por seus parceiros ou ex-parceiros.

 

A violência contra a mulher pode se manifestar de diferentes formas, muitas delas silenciosas e difíceis de identificar. Entre elas estão a violência física, caracterizada por agressões ao corpo; a violência psicológica, que envolve humilhações, ameaças, manipulação, isolamento e controle; a violência moral, marcada por calúnia, difamação e injúria; a violência patrimonial, quando há destruição, retenção ou controle de bens e recursos financeiros da vítima; e a violência sexual, que inclui qualquer ato sexual sem consentimento ou imposto por meio de intimidação ou coerção.

 

Para a psicanalista Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo e do NPP – Núcleo Brasileiro de Pesquisas Psicanalíticas, o Agosto Lilás vai além de uma campanha de conscientização: representa um convite para que toda a sociedade assuma seu papel na construção de relações mais saudáveis e no enfrentamento da violência.

 

“Grande parte das vítimas permanece em silêncio por medo, culpa, dependência emocional ou financeira e pela esperança de que o agressor mude. A violência costuma acontecer de forma progressiva, começando muitas vezes com o controle, a desvalorização e a manipulação emocional antes de chegar às agressões físicas. Por isso, reconhecer os primeiros sinais é fundamental para interromper esse ciclo”, explica.

 

Segundo Araceli, é igualmente importante compreender que as marcas deixadas pela violência não são apenas físicas. “As consequências emocionais podem acompanhar a mulher por muitos anos, comprometendo sua autoestima, sua capacidade de estabelecer vínculos afetivos e até sua saúde mental. O acolhimento, o acesso à informação e o suporte psicológico são essenciais para que ela consiga reconstruir sua história.”

 

A especialista reforça que o Agosto Lilás também é um período para ampliar o diálogo dentro das famílias, escolas, empresas e comunidad incentivando a denúncia e mostrando às vítimas que elas não estão sozinhas. “Combater a violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva. Cada informação compartilhada, cada denúncia realizada e cada rede de apoio fortalecida pode representar uma oportunidade de salvar vidas.”