Volta às aulas: materiais escolares ganham protagonismo na aprendizagem inclusiva
Por Maximino Brügger Perez
06.08.2026 às 09h19m
Com o avanço da educação inclusiva, escolas e famílias passam a buscar produtos que favorecem organização, criatividade e diferentes formas de aprender
A lista de materiais escolares da volta às aulas está mudando. Mais do que cadernos, lápis e canetas, escolas e famílias passaram a buscar itens capazes de estimular organização, criatividade e diferentes formas de aprendizagem, acompanhando uma transformação que também acontece dentro das salas de aula brasileiras. O movimento reflete um cenário em que a inclusão deixou de ser uma pauta específica da educação especial para se tornar um princípio que orienta o planejamento pedagógico de toda a escola.
Essa mudança é respaldada pelos números. Segundo o Censo Escolar 2024, o Brasil alcançou 2.076.825 matrículas de estudantes público-alvo da Educação Especial. Desse total, 1.923.692, o equivalente a 92,6%, frequentam classes comuns do ensino regular, o maior percentual já registrado no país. Os dados evidenciam que a diversidade de perfis faz parte da realidade das escolas brasileiras e reforçam a necessidade de ambientes capazes de atender diferentes ritmos, habilidades e formas de aprender.
O cenário acompanha uma tendência observada internacionalmente. Organismos como a UNESCO defendem que sistemas educacionais inclusivos dependem não apenas de infraestrutura ou tecnologia assistiva, mas também da adoção de metodologias flexíveis e recursos pedagógicos capazes de contemplar diferentes maneiras de aprender, participar e demonstrar conhecimento. Nesse contexto, ganha força o conceito de Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), que propõe que conteúdos, atividades e materiais sejam planejados desde sua concepção para reduzir barreiras e ampliar as oportunidades de participação de todos os estudantes.
Na prática, essa mudança também chega ao estojo escolar. Marca-textos auxiliam na organização visual das informações; canetas coloridas favorecem mapas mentais e códigos de estudo; marcadores facilitam a categorização de conteúdos; enquanto lápis de cor, giz de cera, massinhas e outros materiais criativos estimulam diferentes formas de expressão, experimentação e participação nas atividades desenvolvidas em sala de aula.
Além da aplicação pedagógica, cresce entre famílias e escolas a procura por materiais que incentivem autonomia, organização da rotina e criatividade. A escolha da lista escolar passa a considerar não apenas qualidade e durabilidade, mas também recursos que permitam aos estudantes encontrar maneiras próprias de registrar informações, revisar conteúdos e desenvolver suas habilidades.
Para Sérgio Janikian, CEO da Master, a transformação da educação exige que a indústria acompanhe essa nova realidade. “Durante muito tempo, os materiais escolares foram desenvolvidos pensando em um aluno padrão. Hoje sabemos que esse aluno simplesmente não existe. Cada pessoa aprende de um jeito, organiza informações de maneira diferente e desenvolve sua criatividade por caminhos próprios. Nosso desafio é criar produtos que ampliem possibilidades e contribuam para que professores e famílias encontrem diferentes formas de estimular o aprendizado.”
Nos últimos anos, a Master ampliou seu portfólio acompanhando essa evolução do ensino, reunindo soluções como marca-textos apagáveis, canetas hidrográficas, marcadores artísticos, lápis de cor, giz de cera, massinhas e outros materiais voltados ao desenvolvimento da criatividade e da expressão.
Embora não possuam finalidade terapêutica, esses recursos podem integrar metodologias ativas de ensino e propostas pedagógicas que valorizam múltiplas formas de participação e construção do conhecimento. Um mesmo conteúdo pode ser explorado por meio da escrita, de esquemas visuais, desenhos, códigos por cores ou atividades práticas, oferecendo diferentes caminhos para que cada estudante se aproprie do aprendizado.
Essa mudança acompanha um movimento mais amplo na educação mundial, que substitui modelos excessivamente padronizados por abordagens mais flexíveis, capazes de reconhecer que cada estudante possui interesses, habilidades e maneiras próprias de compreender o mundo. Mais do que adaptar conteúdos, a proposta é criar ambientes em que diferentes estratégias estejam disponíveis desde o início, beneficiando todos os alunos.
Nesse cenário, os materiais escolares deixam de ser apenas instrumentos para escrever, desenhar ou colorir e passam a integrar a construção de ambientes mais acessíveis, criativos e participativos, tornando a volta às aulas uma oportunidade para repensar como pequenas escolhas podem contribuir para uma aprendizagem mais inclusiva.
“Acreditamos que criatividade e inclusão caminham juntas. Quando oferecemos diferentes possibilidades para que cada estudante aprenda, organize ideias e se expresse, contribuímos para uma educação mais rica para todos. Não se trata de desenvolver produtos para um grupo específico, mas de criar soluções que ampliem oportunidades de aprendizagem para qualquer pessoa”, conclui Sérgio Janikian.
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