Mulheres assumem o protagonismo na compra de joias e bens de alto valor
Por Maximino Brügger Perez
16.08.2026 às 17h53m
Independência financeira transforma a relação feminina com o consumo e faz crescer o número de mulheres que compram para si aquilo que antes esperavam receber de presente
Comprar uma joia, um relógio, uma bolsa de luxo ou outro bem de alto valor já não está necessariamente associado à ideia de presente recebido de um parceiro. Para muitas mulheres, adquirir esses produtos com o próprio dinheiro representa autonomia, conquista pessoal e liberdade de escolha.
A mudança acompanha uma transformação na relação feminina com o dinheiro. O crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho e a busca por maior independência financeira também influenciam a forma como elas consomem e decidem onde investir seus recursos.
Nesse contexto, a compra de uma joia pode ter diferentes significados: realização pessoal, autoestima, qualidade, exclusividade ou simplesmente o desejo de adquirir algo que representa uma conquista.
Dinheiro e comportamento
A psicóloga Valéria Maria Meirelles, doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP e especialista em Psicologia do Dinheiro, é uma das profissionais que estudam a relação entre comportamento, mulheres e recursos financeiros.
Em sua tese de doutorado, a especialista analisou atitudes, crenças e comportamentos de homens e mulheres em relação ao dinheiro ao longo da vida adulta. O estudo ouviu 600 participantes, sendo 423 mulheres.
Sua trajetória ajuda a contextualizar uma mudança que ultrapassa o consumo: a construção de uma relação mais independente das mulheres com o próprio dinheiro.
Do presente à conquista pessoal
Durante muito tempo, joias, relógios e artigos de luxo estiveram culturalmente associados a presentes oferecidos por parceiros em datas especiais. Hoje, parte das consumidoras assume também o papel de quem escolhe e compra aquilo que deseja.
Isso não significa, necessariamente, consumo sem planejamento. A aquisição de um bem de alto valor pode ser uma decisão consciente quando está de acordo com a realidade financeira e não compromete necessidades essenciais ou objetivos futuros.
No mercado de luxo, pesquisas identificam que fatores como exclusividade, qualidade, autoexpressão e realização pessoal podem influenciar as decisões de compra das mulheres.
Mais do que comprar um objeto, a mulher que presenteia a si mesma pode estar celebrando uma conquista construída com o próprio trabalho e recursos. A joia, nesse caso, deixa de ser apenas um presente recebido e passa a representar uma escolha pessoal.
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