Jornalistas sob ameaça: combater a impunidade também é defender a liberdade de expressão das mulheres

Por Maximino Brügger Perez

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02.11.2026 às 10h35m

O dia 2 de novembro marca o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2013, para chamar a atenção para a violência, as ameaças e os assassinatos de profissionais da imprensa, além da necessidade de responsabilizar os autores desses crimes

 

Mais do que uma homenagem àqueles que exercem a profissão, a data representa um alerta sobre os riscos enfrentados por jornalistas em diferentes partes do mundo e a importância de garantir condições para que possam trabalhar com liberdade, independência e segurança. Quando um profissional é ameaçado, agredido ou assassinado por exercer sua atividade, não é apenas a imprensa que sofre: a sociedade também perde o direito de ser informada.

 

Entre os profissionais mais expostos a determinadas formas de violência estão as mulheres jornalistas, que enfrentam desafios adicionais relacionados à desigualdade de gênero. Além de intimidações, perseguições, ameaças de morte e agressões físicas, muitas são alvo de ataques misóginos, assédio sexual, comentários ofensivos sobre sua aparência e tentativas de desqualificação de seu trabalho.

 

O ambiente digital tornou esse cenário ainda mais preocupante. Redes sociais e plataformas on-line são frequentemente utilizadas para disseminar ameaças, discursos de ódio, campanhas de difamação, exposição de dados pessoais e imagens manipuladas, inclusive com o uso de inteligência artificial. Muitas dessas agressões ultrapassam o ambiente virtual e passam a representar riscos concretos à integridade física e à segurança das profissionais.

 

Dados divulgados pela UNESCO apontam que aproximadamente 75% das mulheres jornalistas entrevistadas em um estudo internacional haviam sofrido violência on-line relacionada ao exercício da profissão. Outro levantamento identificou que mais de 40% das mulheres que enfrentaram violência digital também sofreram algum tipo de violência fora da internet.

 

Outro problema é o impacto dessas ameaças na liberdade de atuação. O medo de represálias pode levar jornalistas a evitar determinados assuntos, reduzir a exposição pública, abandonar investigações ou até mesmo deixar de expressar opiniões. Esse silenciamento compromete não apenas a trajetória profissional dessas mulheres, mas também a diversidade de vozes e perspectivas necessárias ao debate público.

 

A impunidade agrava ainda mais esse cenário. Segundo dados da UNESCO, aproximadamente 86% dos assassinatos de jornalistas registrados desde 2006 permaneciam sem solução judicial no levantamento divulgado pela organização. A ausência de investigações eficazes e de punição aos responsáveis transmite uma mensagem perigosa: a de que atacar quem trabalha para informar a sociedade pode não trazer consequências.

 

“Defender a liberdade de imprensa é proteger a democracia e o direito da sociedade à informação, garantindo que ninguém seja ameaçado ou silenciado por exercer o compromisso de levar a verdade ao público”, destaca Rafa Tayão, jornalista fundadora da Elas & Fatos.

 

Combater a impunidade exige investigação rigorosa, responsabilização dos agressores, mecanismos de proteção e políticas efetivas de segurança, inclusive no ambiente digital. Também é fundamental que empresas de comunicação, instituições públicas, plataformas tecnológicas e a sociedade reconheçam a gravidade dessas agressões e não tratem ameaças contra jornalistas como situações normais do exercício da profissão.

 

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