A busca pelas suas origens: como uma mulher transformou essa dor em um farol para outras

Por Maximino Brügger Perez

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05.08.2026 às 05h51m

Sandra Oliveira carregou durante anos uma dor que poucas pessoas conseguem compreender: a de não saber de onde veio. Aos 17 anos, descobriu que havia sido adotada. Aos 57, após uma longa jornada de busca, ela usa essa dor em força para cumprir uma missão sagrada: ajudar outras mulheres que enfrentam a mesma angústia de desconhecer suas origens.

 

A coragem de buscar a verdade

 

A busca por suas origens exigiu uma coragem que Sandra hoje transmite para outras mulheres. Ela adiou essa procura por anos, temendo magoar o pai adotivo, a quem amava incondicionalmente. Foi apenas após a partida desse pai, quando Sandra tinha 52 anos, que ela finalmente abriu a caixa de Pandora de sua própria história. Nas suas buscas, fez exame de DNA pelo Genera, o que a ajudou demais, segundo ela.

 

Sandra conta que não quer saber da história do passado que deu origem ao seu nascimento, mas algo muito maior. “Um preenchimento em meu coração de simplesmente saber o nome dos possíveis pais biológicos que me fizeram chegar à família que tive e que me fez ser como eu sou, me dando muito amor e carinho. Deus me deu a graça de tê-los como meus”, diz ela sobre a família que a acolheu.

 

A missão de ajudar outras

 

É exatamente por conhecer o peso de verdades emocionais, identitárias e biológicas que Sandra hoje estende a mão para outras mulheres. Ativa em grupos de apoio nas redes sociais, ela se tornou uma voz de acolhimento para quem busca suas raízes. Ela sabe que este universo esconde situações difíceis e é justamente porque conhece esses abismos que ela dá orientações para quem busca suas origens.

 

“Você tem que saber que pode ser fruto de algo complicado e por isso tem que fazer a pergunta: eu quero saber? Eu assumo as consequências? Existem coisas que prendem a tua vida e você precisa desativar, tirar esses nós. Se você tem convicção, se arrisque. A verdade pode doer, mas ela liberta”, alerta ela, com a franqueza de quem já percorreu esse terreno minado.

 

Quebrando ciclos para as gerações futuras

 

Hoje, o maior passo de Sandra não é apenas a descoberta de sua árvore genealógica, mas a decisão consciente de quebrar os ciclos de dor. “Eu corto todas as correntes negativas para construir um mundo melhor para os meus filhos”, decreta. A menina que um dia se sentiu mergulhada em uma tristeza profunda floresceu em uma mulher de fé inabalável e essa fé é o que ela transmite para outras mulheres. “Deus coloca você na sua vida e não faz você nascer fraca, ele faz você nascer forte”, diz Sandra.

 

Quando ela compartilha essas palavras com mulheres que se sentem perdidas, está dizendo que a dor não é o fim da história, mas o começo de uma transformação. Sandra entende que cada história que ela compartilha, cada conselho que ela oferece, cada mão que ela estende é um ato de amor que transforma sua própria dor em propósito e, finalmente, em cura.

 

A separação é vista como proteção 

 

Tudo começou em 1969, quando Sandra foi doada assim que nasceu. Essa história de separação forçada é exatamente o que ela quer que outras mulheres entendam. “O que eu mais gostaria de falar é que eu sinto muito, sinto muito por tudo que aconteceu com minha mãe biológica, por ela ter colocado no ventre e me amado tanto, mesmo com muito medo, e que quis ficar comigo”, conta Sandra, imaginando o encontro que a vida lhe negou, já que descobriu recentemente que sua mãe é falecida.

 

Quando ela compartilha isso com outras mulheres que buscam suas origens, Sandra oferece algo precioso: a possibilidade de compreender que a dor da separação não significa rejeição, mas muitas vezes proteção e amor impossível.

 

Essa dor é exatamente o que Sandra reconhece quando outras mulheres passam por isso e estão feridas e confusas. É por conhecer essa dor tão profundamente que ela se dedica a guiá-las pela escuridão.