Bebês por encomenda: o preço da perfeição e o risco de uma sociedade massificada
Por Maximino Brügger Perez
13.01.2026 às 17h09m
A empresa Nucleus Genomics chamou atenção em Nova York ao espalhar anúncios no metrô prometendo ajudar pais a terem o melhor bebê possível. A promessa, vendida quase como um produto de prateleira, inclui comparar embriões por mais de duas mil previsões genéticas e escolher características como altura, cor dos olhos, QI e até probabilidade de desenvolver transtornos, como o do espectro autista.O serviço custa cerca de 700 dólares e, apesar de não ser um valor exorbitante, ainda está distante da realidade da maioria da população.
O mais preocupante não é o valor, mas o que essa tecnologia anuncia: o nascimento de um mercado de seleção humana. Para além da barreira financeira, reside uma profunda inquietação ética. Historicamente, a concepção da vida é vista como um evento de acaso, complexidade e, para muitos, como um “presente divino” que resulta em seres singulares, portadores de uma ancestralidade irrepetível. Transformar a formação de um filho em uma decisão de consumo, quase um produto de prateleira, desvaloriza essa singularidade e aproxima a vida humana de um item de fast-food.
No Brasil, a legislação impede que pais escolham embriões por traços estéticos ou cognitivos, a lei é regida principalmente por normas éticas do Conselho Federal de Medicina (CFM), resolução CFM nº 2.320/2022. O processo de fertilização in vitro é regulamentado para garantir que apenas aspectos de saúde sejam considerados. E ainda bem. Afinal, a lógica de “encomendar” um bebê ao gosto do cliente não é apenas uma questão ética; é um projeto social que pode reforçar padrões estéticos, capacitistas e excludentes.
Transformar a concepção de um filho em uma decisão de consumo aproxima a vida humana de um produto de fast-food: basta escolher o pedido e esperar o que sai do outro lado. E o que isso diz sobre nós? Sobre a ideia de imperfeição, diversidade e singularidade? Por que parece tão difícil aceitar que seres humanos são únicos, imprevisíveis e, sobretudo, não moldáveis?
Práticas como as anunciadas pela Nucleus Genomics empurram a sociedade para um perigoso processo de massificação — um mundo em que todos tendem a ser moldados a partir de um ideal de perfeição criado, vendido e controlado pelo mercado.
Essa inquietação já foi retratada inúmeras vezes na cultura contemporânea: em Admirável Mundo Novo, onde seres humanos são produzidos em série; em O Doador de Memórias, onde a diferença é apagada; em Feios, que transforma o corpo em objeto de correção; e, claro, em Gattaca – A Experiência Genética, que imagina um futuro distópico em que o valor de uma pessoa é medido pelo seu código genético.
Será a vida imitando a arte, ou é apenas ficção? A sensação é que essas obras, antes tão distantes, estão cada vez mais próximas da realidade. E isso deveria nos fazer refletir profundamente sobre o tipo de sociedade que estamos, consciente ou inconscientemente, construindo.
Além disso, trata-se de uma tecnologia elitizada. Por enquanto, somente quem pode pagar tem acesso à promessa do “bebê perfeito”. Assim, as desigualdades sociais se amplificam: alguns terão filhos projetados para o sucesso, enquanto outros continuarão a depender do acaso, ou seja, do próprio valor da diversidade humana.
Beleza
Miss Cosmo Brasil 2026 será realizado em agosto e votação popular já está aberta
Concurso reúne 53 candidatas de todo o Brasil e elegerá a representante brasileira para o Miss Cosmo International O Miss Cosmo Brasil 2026 está chegando! No dia 27 de agosto, em uma grande casa de espetáculos, no Rio de Janeiro, 53 candidatas de diferentes estados brasileiros disputam o título nacional e a oportunidade de […]
Saúde & Bem-estar
Studio Elos: um novo espaço dedicado ao bem-estar e autocuidado
O cuidado com o corpo e o bem-estar sempre fizeram parte da trajetória profissional de Yanne Hancio e Gisele Oliveira Após anos realizando atendimentos individuais em espaços diferentes, as duas perceberam que era o momento de expandir e criar algo ainda mais completo, acolhedor e conectado com o propósito que compartilham. Assim nasceu o […]