Apenas uma a cada cinco mulheres faz reposição hormonal

Por Maximino Brügger Perez

|

17.07.2026 às 11h45m

Cerca de 30 milhões de brasileiras estão hoje no climatério e na menopausa, aproximadamente 7,9% da população feminina, segundo o IBGE

 

Ainda assim, dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) mostram que apenas cerca de 20% das mulheres climatéricas realizam terapia de reposição hormonal, um dos tratamentos indicados para o manejo dos sintomas e a prevenção de complicações associadas à queda hormonal, sempre de forma individualizada. O cenário evidencia um desafio crescente para a saúde pública diante do envelhecimento da população feminina.

 

A menopausa marca o fim da fase reprodutiva e ocorre, em média, aos 48 anos entre as brasileiras, segundo a FEBRASGO. Embora seja uma etapa natural da vida, a redução dos níveis de estrogênio pode provocar sintomas como ondas de calor, alterações do sono, fadiga, redução da libido e oscilações de humor. A longo prazo, a deficiência hormonal está associada a maior risco de doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes tipo 2 e depressão.

 

“Quando observamos que cerca de 30 milhões de brasileiras estão no climatério e na menopausa, mas apenas uma parcela tem acesso ao tratamento adequado, fica evidente que estamos diante de uma questão de saúde pública. A menopausa não deve ser tratada apenas como uma fase natural da vida, mas como um período que exige atenção, acolhimento e políticas estruturadas de cuidado”, destaca Vanessa Costa, nutricionista e fundadora da primeira menotech do Brasil.

 

O tema ganha relevância nas políticas públicas. Em 2025, comissões da Câmara dos Deputados discutiram projetos voltados à atenção à mulher no climatério e na menopausa no SUS  entre eles o PL 5602/19, que cria diretrizes de atenção integral, e o PL 876/25, sobre tratamento hormonal, ambos ainda em tramitação e dependentes de aprovação na Câmara e no Senado.

 

Em âmbito estadual, o Rio Grande do Norte sancionou a Lei nº 12.712/2026, que cria um programa de enfrentamento da depressão de mulheres no climatério e na menopausa. Já o município de Arujá (SP) instituiu, pela Lei nº 3.812/2026, política de conscientização e atenção integral à saúde da mulher nessas fases.

 

Dados: IBGE, FEBRASGO, Reds Research (2026), Câmara dos Deputados, Governo do Rio Grande do Norte e Prefeitura de Arujá (SP).

bem-estar

climatério

menopausa

mulher

Mulheres

reposição hormonal

saúde