Dia do nutricionista e profissional alerta: alimentação importa mesmo com reposição hormonal
Por Maximino Brügger Perez
31.08.2026 às 14h05m
A reposição hormonal pode fazer parte do cuidado da mulher na menopausa, quando indicada e acompanhada por um médico, mas não substitui um pilar essencial para acompanhar o tratamento: uma alimentação adequada
Para a nutricionista Mônica Calderari, especialista em nutrição da mulher 40+, climatério e menopausa, hormônios e alimentação cumprem papéis complementares.
“A reposição hormonal pode atuar onde o hormônio é necessário, mas não substitui a necessidade de uma alimentação adequada. Pense no organismo como uma fábrica: os hormônios comandam as máquinas, mas nenhuma máquina funciona sem matéria-prima.
No seu organismo, toda a matéria-prima vem da alimentação, responsável por dar energia e nutrientes que o organismo precisa diariamente”, explica.
Segundo Calderari, que também é Professora Titular de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) há 32 anos, ao depender apenas da reposição hormonal perde-se a oportunidade de tratar a causa pela raiz.
“A mulher deve ficar atenta aos sinais do seu corpo nessa etapa de sua vida, como flacidez, cansaço, sono ruim, dores articulares, névoa mental e barriga resistente. Uma alimentação equilibrada, mas adequada à sua rotina, ajuda na manutenção de músculos, ossos e saúde intestinal e mental, além de contribuir para o controle de doenças crônicas, como diabetes, pressão alta e gordura no fígado”, esclarece.
Mudança de peso na menopausa: o que fazer
A nutricionista também orienta sobre as mudanças de peso que ocorrem no climatério e na menopausa e dá um cartão vermelho para dietas radicais ou aquelas baseadas em restrições extremas.
“Mesmo quando se faz reposição hormonal, a alimentação continua tendo um papel fundamental. A mulher precisa ter consciência de que seu corpo mudou, e a dieta que funcionava aos 30 anos não funciona mais agora. Por isso, dietas da moda e radicais não fazem o menor sentido, pois não oferecem tudo o que a mulher precisa agora e, além disso, são insustentáveis”, comenta.
Pesquisa revela associação entre menopausa e alimentação
Uma pesquisa publicada na revista JAMA Network Open, uma revista conceituada na área da saúde, em maio de 2026, que acompanhou durante cerca de 12 anos 38.283 mulheres na fase da menopausa, período marcado por importantes mudanças hormonais, encontrou uma associação entre menor ganho de peso e menor risco de obesidade entre aquelas que consumiam mais vegetais, menos sal e ainda menor quantidade de frituras e carnes processadas.
Os resultados indicam que a qualidade da alimentação pode ter um papel importante no controle do peso e na saúde da mulher na menopausa. Para Mônica Calderari, os achados reforçam a importância de se ter uma alimentação que supre as necessidades da mulher nessa fase.
“Não se deve fazer uma dieta radical. Mas sim, aumentar o consumo de comida de verdade, como verduras, legumes, frutas, feijões ou outras leguminosas, castanhas e cereais integrais, e reduzir alimentos comprovadamente inflamatórios como os ultraprocessados, carnes processadas (embutidos como presunto), excesso de sal e frituras. O mais importante é construir uma alimentação equilibrada, gostosa e que a mulher consiga manter”, finaliza.
Sobre Mônica Calderari
Mônica Calderari é nutricionista especializada em nutrição da mulher 40+, climatério e menopausa, Doutora em Ciências, Professora Titular de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) há 32 anos e criadora do Método M.E.U.®️, metodologia que propõe Mapear, Equilibrar e conduzir a mulher até o seu momento “UAU”, representando a consolidação dos resultados desejados. Sua atuação une formação científica, experiência acadêmica e prática clínica.
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