Elas são mães 40+ com filhos crescidos e desgaste emocional

Por Maximino Brügger Perez

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20.05.2026 às 09h35m

Psicóloga fala sobre maternidade na maturidade e questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher, como a chamada “geração sanduíche”, de quem cuida de filhos crescidos e pais idosos

 

O mês das mães costuma ser ilustrado por imagens de crianças pequenas e de colo, mas, para uma parcela significativa das mulheres, a maternidade na maturidade traz desafios invisíveis e complexos. A Dra. Regina Nicolosi, psicóloga, fonoaudióloga e doutora em comunicação, chama a atenção para a realidade das mães 40+, que muitas vezes se veem no centro da chamada “geração sanduíche”.

 

De acordo com ela, “a maternidade na maturidade envolve muitas questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher, como o que aflige a ‘geração sanduíche’, em que mulheres acabam sobrecarregadas por terem filhos ainda dependentes financeiramente (adolescentes ou jovens adultos) e terem que cuidar, de maneira parcial ou integral, de seus pais ou parentes idosos”, explica.

 

Esse cenário de múltiplas demandas ocorre em um momento biológico delicado. A perimenopausa e a menopausa trazem alterações hormonais que intensificam sintomas como irritabilidade, lapsos de memória e exaustão física. Sem o devido acompanhamento, o desgaste emocional pode evoluir para quadros depressivos, alimentados por uma cobrança social de que a mulher “deve ser o pilar inabalável da família”.

 

Para ajudar mulheres a encontrar o equilíbrio, a Dra. Regina Nicolosi sugere a procura por ajuda psicológica, seja individual ou em grupo. De acordo com ela, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode contribuir para a reestruturação dos pensamentos e comportamentos, ainda mais em uma fase tão delicada. A especialista listou algumas dicas para lidar com a sobrecarga e a culpa:

 

,• Identifique os pensamentos automáticos:* Sabe aquela voz interna que diz “eu deveria estar fazendo mais”? Na TCC, chamamos isso de distorção cognitiva. Questione a veracidade dessa culpa. Você está realmente falhando ou apenas atingiu seu limite humano?

 

• Desconstrua o esquema da “Mãe Maravilha”:* A culpa nasce da distância entre quem você é e quem você acha que deveria ser. Aceitar que você não precisa dar conta de tudo sozinha é o primeiro passo para a saúde mental.

 

• Estabeleça limites saudáveis:* Filhos que já estão na fase final da adolescência, ou já são jovens adultos, precisam de autonomia e, para isso, assumir e realizar tarefas, como ajudar em casa e arrumar o próprio quarto. Pratique o automonitoramento: observe se você está assumindo responsabilidades que não são suas por hábito ou medo de desagradar.

 

• Resgate o autocuidado como prioridade:* Cuidar de si não é egoísmo; é estratégia de sobrevivência. Atividades que geram prazer e relaxamento ajudam a regular os níveis de cortisol, combatendo a exaustão da “geração sanduíche”.

 

A Dra. Regina destaca que a realidade da “geração sanduíche” não é privilégio de poucos. Segundo pesquisas divulgadas pela Agência Brasil, o envelhecimento progressivo da população brasileira intensifica esse fenômeno. Em 1980, apenas 4% da população tinha 65 anos ou mais. Em 2022, esse percentual já ultrapassava 10%, com tendência de crescimento nas próximas décadas. “Simultaneamente, as famílias ficam cada vez menores, concentrando o cuidado em menos pessoas, na maioria das vezes, nas mulheres.”

 

“Precisamos olhar para a transição demográfica. As pessoas estão vivendo mais, enquanto as famílias encolhem de tamanho. Na maioria das vezes, essa responsabilidade de cuidado recai sobre as mulheres”, analisa Dra. Regina Nicolosi.

 

Neste mês das Mães, é fundamental reconhecer que a “mãe 40+” não precisa carregar o mundo nos ombros. Buscar apoio emocional, reorganizar as demandas familiares e resgatar o próprio bem-estar são atos de coragem e autocuidado, e não de egoísmo.

 

Sobre Dra. Regina Nicolosi
Psicóloga, fonoaudióloga e doutora em comunicação, Dra. Regina Nicolosi dedica sua carreira a orientar e acolher mulheres na fase 40+. Com consultório em Moema (SP), une ética e compromisso clínico a uma abordagem leve e empática, focada no bem-estar feminino e na adaptação aos desafios da vida moderna. É autora do livro Imersão Digital e Suicídio: a mortificação do corpo na sociedade midiática (2025), disponível na Amazon.
Site: www.reginanicolosi.com.br e Instagram: @regina_nicolosi