Lela Brandão transforma influência em empoderamento feminino e é premiada no Geração Glamour 2026

Por Maximino Brügger Perez

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29.10.2026 às 10h57m

Criadora de conteúdo, empresária, podcaster e escritora best-seller são algumas das atribuições que definem Lela Brandão

 

Entre todas elas, porém, a influenciadora destaca uma missão que considera essencial: incentivar as mulheres a desenvolverem o pensamento crítico e a questionarem o mundo ao seu redor. Na edição 2026 do Prêmio Geração Glamour, ela foi reconhecida na categoria Influência Positiva e ganhou destaque em uma das capas da edição de outubro da publicação.

 

“Me manter fiel ao que eu acredito é a principal condição para eu continuar fazendo o meu trabalho e ter isso reconhecido é surreal. Tudo valeu a pena, as partes difíceis e as partes boas. Eu sou muito grata”, diz Lela Brandão, premiada na categoria Influência Positiva do Prêmio Geração Glamour 2026, ao saber que seria prestigiada nesta edição.

 

Ainda cursando Arquitetura na faculdade, uma escolha que, segundo ela, aconteceu por não ter tido coragem de seguir a verdadeira vontade do coração, a paulistana já dedicava parte do tempo livre à criatividade e às expressões artísticas. Em 2015, entretanto, depois de aprofundar seus conhecimentos sobre a equidade de gênero, criou o perfil Frida Feminista e encontrou na arte um meio de disseminar suas ideias e defender uma causa.

 

A proposta era compartilhar esse conhecimento e levar a discussão a mulheres de diferentes regiões do país. Para isso, transferiu para a internet as mensagens sobre corpo, empoderamento e protagonismo feminino que já espalhava pelas ruas de São Paulo por meio de cartazes conhecidos como “lambe-lambes”.

 

“Eu criei uma comunidade, que ainda nem tinha esse nome, porque entendia que essas mensagens eram muito importantes. Passei por transtornos alimentares sérios e, depois que eu conheci o feminismo, pensei que talvez não tivesse corrido risco de vida ou criado uma relação tão difícil com o meu corpo, caso o ativismo ocupasse um espaço na minha vida antes disso. Sempre soube que a plataforma mais democrática para ampliar essa discussão eram as ruas. A internet chegou no meu projeto para que as pessoas de outras cidades tivessem acesso ao discurso”, relembra.

 

A mudança para o nome Lela Brandão aconteceu apenas em 2018, quando ela passou a aparecer pessoalmente e a dar voz aos debates que, até então, eram apresentados por meio de ilustrações. Além de abordar questões sociais, a criadora também compartilhava suas escolhas de vestuário e a maneira como se relacionava com a moda.

 

“Essa foi uma das ferramentas que criei para lidar com meus distúrbios alimentares. Entendi que as roupas poderiam ser minhas aliadas da mesma forma que elas foram minhas inimigas no passado. Assim construí um armário feito para respeitar o meu corpo”, explica.

 

Em 2020, com uma viagem que faria com o marido cancelada em razão da pandemia de coronavírus, o casal resolveu destinar o dinheiro que seria gasto no passeio à criação de uma marca de roupas voltada ao conforto. A iniciativa surgiu também da experiência anterior com produtos físicos desenvolvidos para sua comunidade, como uma coleção de camisetas estampadas com suas próprias ilustrações.

 

“A gente já tinha testado produtos físicos com a minha comunidade por meio de uma linha de camisetas com as minhas ilustrações. Comecei a estudar e perceber com muita clareza a crueldade da indústria da moda. A Lela Brandão Co. é uma materialização da ideia de que uma mulher confortável em si é uma revolução. Não precisamos que o nosso corpo se adapte à peça, mas, sim, o contrário”, enfatiza a empresária.

 

O empreendimento apresentou resultados expressivos desde o início. Em seu primeiro ano de atividade, a marca registrou um faturamento de R$ 2,2 milhões. Em 2024, o valor chegou a R$ 10 milhões. Ao longo dessa trajetória, a empresa também firmou parcerias que marcaram sua história, entre elas os licenciamentos das obras das artistas Tarsila do Amaral e Frida Kahlo, colaborações que despertam um orgulho especial na fundadora.

 

Depois de dedicar tantos anos à produção de conteúdo para as redes sociais, Lela começou a sentir o desgaste provocado pela dinâmica dessas plataformas. O desejo de escapar das limitações do algoritmo e encontrar um ambiente para aprofundar suas ideias deu origem, em 2023, ao podcast Gostosas Também Choram, que alcançou a 13ª posição entre os mais ouvidos do Brasil.

 

“Eu descobri que detesto produzir pequenas coisas em grande quantidade e queria falar sobre os assuntos que me interessam por mais tempo. Até pensei em desistir das redes sociais, mas me veio a ideia do podcast. Achei um microfone em casa e comecei a falar sozinha. O programa ficou maior que o meu perfil e várias editoras me sondaram para escrever um livro. Eu nunca nem tinha sonhado com isso porque não pensava que era uma possibilidade para mim”, diz.

 

A experiência abriu caminho para a literatura com o lançamento de Vertigem: A Coragem de Encarar o Vazio e Escutar Seu Corpo, publicado pela Editora Sextante em junho deste ano. A obra reúne inquietações pessoais da autora que dialogam com vivências comuns a muitas mulheres. Ao revisitar sua própria trajetória e apresentar diferentes questionamentos, Lela propõe reflexões sobre a relação com o corpo e a importância de fortalecer essa conexão.

 

Com mais de 500 mil seguidores somente no Instagram, Lela Brandão encara a influência digital como uma responsabilidade que exige comprometimento e coerência. Para ela, o trabalho construído ao longo dos anos precisa refletir os valores que defende e estimular transformações na forma como as mulheres percebem a si mesmas e a sociedade.

 

“Eu lido com uma cobrança extrema. Não viralizei de um dia para o outro. Tudo o que faço é pensando em como, no futuro, vou olhar para trás e ter orgulho do que construí. Em todas as áreas que atuo, seja no podcast, no livro, nas redes sociais ou na minha marca, eu tento inspirar as mulheres a questionarem. É exaustivo. Você fica com raiva. Mas, quando você faz perguntas, os caminhos se abrem”, argumenta.

 

Fonte: Glamour

 

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