Mulheres são 84% na gestão de viagens corporativas, mas homens seguem com salários mais altos, diz pesquisa
Por Maximino Brügger Perez
24.07.2026 às 11h19m
Estudo traça o perfil dos profissionais responsáveis por um mercado que faturou R$ 147,8 bilhões em 2025
Responsáveis por coordenar uma atividade que movimentou R$ 147,8 bilhões no Brasil em 2025, os gestores de viagens corporativas vêm assumindo um papel cada vez mais estratégico dentro das empresas. De acordo com o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (ALAGEV), o setor registrou faturamento recorde no ano passado, com crescimento de 6,3% em relação a 2024.
É o que mostra o estudo “Panorama do Gestor de Viagens no Brasil 2026: desafios, oportunidades e expectativas”, patrocinado pela Paytrack em parceria com a ALAGEV, que ouviu 119 profissionais entre março e abril deste ano. A pesquisa liderada pela ALAGEV indica que a gestão de viagens corporativas atravessa um momento de transformação. Ao mesmo tempo em que assume maior relevância estratégica nas empresas, a área ainda busca avanços em eficiência operacional, integração tecnológica e valorização profissional.
Por trás desses números estão profissionais que administram políticas de viagens, controle de despesas, negociação com fornecedores, compliance e experiência dos viajantes, além de uma série de responsabilidades que extrapolam a gestão da mobilidade corporativa. A área, de acordo com a pesquisa, é composta majoritariamente por mulheres, que representam 84% dos respondentes, enquanto os homens correspondem a 16%.
Em relação à faixa etária, predominam profissionais entre 35 e 44 anos, grupo que representa 45% da amostra, seguidos pelos gestores entre 45 e 54 anos, que correspondem a 23% dos entrevistados. O levantamento também aponta um elevado nível de qualificação. Mais da metade dos profissionais possui pós-graduação lato sensu ou MBA (55%), 35% têm graduação e 70% investem em cursos e certificações voltados à área.
Diferença salarial
O estudo chama a atenção para questões relacionadas à valorização da carreira. Embora as mulheres representem 84% dos profissionais da gestão de viagens corporativas, elas continuam mais concentradas nas faixas salariais inferiores. A pesquisa mostra que 61% dos gestores recebem até R$ 8 mil por mês. Entre as mulheres, a concentração é maior nas faixas de até R$ 5 mil e entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Já os homens, de acordo com a pesquisa, aparecem proporcionalmente nas faixas salariais mais elevadas, com salários que podem ultrapassar os R$ 12 mil.
Multifuncionais
A pesquisa mostra que a gestão de viagens raramente atua de forma isolada dentro das empresas. Além das responsabilidades relacionadas à mobilidade corporativa, 74% dos profissionais também respondem por outras áreas, como recursos humanos, compras, facilities, financeiro e eventos. O perfil encontrado pela pesquisa é composto majoritariamente por profissionais experientes. Cerca de 43% atuam há mais de dez anos no setor, o que ajuda a explicar a ampliação de suas responsabilidades e participação em decisões corporativas.
“A gestão de viagens deixou de ser uma atividade predominantemente operacional. Hoje, o profissional participa de discussões relacionadas à eficiência financeira, governança e experiência dos colaboradores, o que exige atualização constante e uma atuação multidisciplinar”, diz a executiva.
Desafios da operação
Entre os principais desafios enfrentados pelos gestores de viagens corporativas, a redução de custos aparece em primeiro lugar, apontada por 73% dos entrevistados. Em seguida aparecem questões relacionadas a compliance (60%), a falta de integração entre sistemas e processos, citada por 54%, e o engajamento dos viajantes, apontado por 52% dos respondentes.
“Os desafios da área deixaram de estar concentrados apenas na gestão de orçamento. Hoje existe uma combinação de fatores que envolve tecnologia, dados, governança e comportamento dos viajantes. Isso exige uma atuação cada vez mais estratégica dos gestores”, afirma a diretora-executiva da ALAGEV.
Era digital
Embora a tecnologia tenha avançado na gestão de viagens corporativas, o estudo aponta que a transformação digital ainda está em curso. Apenas 30% das operações possuem alto nível de automação, enquanto 71% dos gestores ainda convivem com processos manuais em alguma etapa da operação.
Ao mesmo tempo, o uso de ferramentas digitais já é uma realidade para boa parte das empresas. Os Online Booking Tools (OBTs) estão presentes em 85% das operações, sistemas de Business Intelligence em 68% e ERPs (Enterprise Resource Planning, ou Planejamento de Recursos da Empresa) em 64% dos casos. A Inteligência Artificial também começa a ganhar espaço. Segundo a pesquisa, 91% dos gestores já utilizam algum tipo de IA em suas atividades, embora apenas 7% contem com a tecnologia integrada diretamente às plataformas de gestão.
O movimento acompanha uma tendência observada em diferentes setores, na qual o uso de dados, a automação e a capacidade de gerar resultados passam a ocupar papel central nas decisões corporativas. A própria digitalização aparece como prioridade de investimento para 48% das empresas ouvidas no estudo, sinalizando o caminho que deverá orientar a evolução da área nos próximos anos, seguida por negociação (23%), segurança (10%) e iniciativas relacionadas a ESG (6%).
A qualidade das informações disponíveis também aparece como um desafio relevante. O levantamento mostra que 44% dos gestores consideram ter apenas uma precisão moderada dos dados utilizados na operação. Outros 17% relatam baixa confiabilidade das informações e 11% afirmam trabalhar com dados fragmentados ou sem precisão consistente.
A situação torna-se ainda mais crítica em operações altamente dependentes de processos manuais. Nesses casos, 83% dos profissionais afirmam não confiar totalmente nos próprios dados, o que pode afetar processos como tomada de decisão, negociação com fornecedores, controle financeiro, compliance e previsibilidade operacional.
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