Pesquisadores e terapeutas identificam padrão: conflitos familiares tendem a se repetir entre gerações

Por Maximino Brügger Perez

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20.08.2026 às 16h51m

Práticas sistêmicas apontam que lealdades e papéis herdados explicam dinâmicas que resistem a mudanças mesmo quando os envolvidos querem agir diferente

 

Em algumas famílias, os conflitos parecem mudar de personagem, mas conservam a mesma dinâmica. Brigas por dinheiro, dificuldade de diálogo, relações marcadas por culpa, afastamentos entre pais e filhos e histórias de controle ou abandono podem atravessar gerações sem que os envolvidos percebam a repetição. Esses padrões costumam ser tratados como coincidência, temperamento ou característica familiar.

 

Para profissionais que trabalham com leitura sistêmica, porém, eles podem estar ligados a lugares emocionais aprendidos dentro do próprio sistema familiar. Segundo a terapeuta e consteladora sistêmica Vannia Parma, muitas pessoas chegam à vida adulta repetindo respostas aprendidas como forma de manter vínculo, sobreviver emocionalmente ou pertencer.

 

“A família é o primeiro sistema de pertencimento. É ali que a pessoa aprende, muitas vezes sem perceber, como amar, se proteger, reagir ao conflito, lidar com perdas e ocupar um lugar”, afirma.

 

Como o padrão se forma

 

Padrões familiares são formas de funcionamento que se repetem dentro das relações e aparecem na maneira como a família lida com dinheiro, afeto, autoridade, silêncio, doença, separação e cuidado. Uma filha pode crescer vendo mulheres da família assumirem tudo sozinhas e repetir essa postura no casamento.

 

Um filho pode aprender que demonstrar fragilidade é perigoso e se tornar um adulto incapaz de pedir ajuda. Uma pessoa pode sentir culpa ao prosperar porque, dentro da própria história, crescer parece uma forma de se afastar dos seus.

 

“A pessoa não acorda decidindo repetir um sofrimento. Ela repete porque aquele caminho, em algum momento, foi associado a amor, segurança ou pertencimento”, explica Vannia.

 

Papéis que se mantêm na vida adulta

 

Um dos pontos observados nas práticas sistêmicas é o papel que cada pessoa ocupou na família. Há filhos que se tornam mediadores dos pais, crianças que aprendem a cuidar emocionalmente de adultos, irmãos que carregam responsabilidades desproporcionais e pessoas que se acostumam a ser a força da casa. Na infância, esse papel pode parecer necessário.

 

Na vida adulta, vira sobrecarga, e a pessoa continua tentando consertar relações, evitar conflitos ou provar valor no trabalho sem perceber que está respondendo a uma função antiga.

 

Perdas, separações traumáticas, segredos e rupturas também podem continuar influenciando a dinâmica familiar mesmo quando não são discutidos abertamente.

 

“Olhar para a família com maturidade não é procurar culpados. É entender de onde certos movimentos vieram para que não continuem sendo repetidos sem consciência”, afirma Vannia.

 

Como interromper ciclos

 

Esses padrões costumam ficar mais evidentes em fases de transição: casamento, nascimento de filhos, separação, envelhecimento dos pais, morte de familiares e conflitos por herança tendem a ativar dinâmicas antigas.

 

Nessas situações, o conflito atual pode carregar uma carga emocional maior do que o episódio em si justificaria. O processo de mudança pode envolver terapia, práticas integrativas, constelação sistêmica e outras formas de acompanhamento. Em situações de violência, abuso ou sofrimento intenso, o cuidado com profissionais de saúde qualificados é indispensável.

 

“A consciência não muda a história que aconteceu, mas muda a forma como a pessoa passa a se posicionar diante dela”, diz Vannia.

 

Quem é Vannia Parma

 

Vannia Parma é mestre em sistemas de Gestão Pessoal e Desenvolvimento Humano, terapeuta vibracional, consteladora sistêmica, instrutora e palestrante. Há mais de 20 anos trabalha com estudos do comportamento humano e transformou sua trajetória em um trabalho voltado à consciência, à escuta e à cura.

 

Hoje, dirige o Afinação da Alma, projeto dedicado à cura energética, à educação espiritual e à inteligência emocional, onde desenvolve cursos, vivências, atendimentos individuais, em grupo e organizacionais, conectando som, meditação, terapia e processos de transformação.

 

Também é responsável por formações e experiências terapêuticas que unem Constelações Sistêmicas, Yoga do Som, Acupuntura Sonora com Frequências Planetárias, Respiração, Meditação e Pranic Healing, sempre com foco na reorganização de padrões emocionais e na ampliação da consciência.

 

@vanniaparmaconstelacao

 

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