Preparação para amamentar deve começar antes do nascimento do bebê

Por Maximino Brügger Perez

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26.03.2026 às 10h39m

Focar apenas no parto pode causar intervenções desnecessárias e trazer dificuldades e insegurança para as futuras mamães, alerta especialista!

 

Durante a gestação, grande parte das mulheres concentra seus estudos e expectativas no parto. A amamentação costuma ficar para “depois”. O problema é que, quando o bebê nasce, o cenário é outro: cansaço, adaptação, emoções intensas e uma enxurrada de palpites.

 

Para a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, essa é uma das principais falhas que dificultam o início da amamentação.

 

“O preparo para amamentar começa na gestação. Depois que o bebê nasce, tudo é novo. A mãe está cansada, sensível e aprendendo a cuidar de um recém-nascido. Estudar nesse momento pode ser muito mais difícil”, explica.

 

Segundo ela, cada dia importa. “Cada intervenção desnecessária e cada dificuldade que se prolonga podem tornar a situação mais complexa e demorada de resolver. Quanto antes a mãe estiver informada, mais segurança ela terá.”

 

O que realmente é preparo?

 

Ao contrário do que muitos ainda orientam, a preparação não envolve receitas caseiras ou “fortalecimento” da pele.

 

“A principal forma de se preparar é por meio da informação. Saber como é a pega correta, entender como funciona a produção de leite e conhecer o comportamento do recém-nascido fazem toda a diferença”, orienta.

 

Bruna alerta que algumas práticas antigas não são recomendadas:

 

• Esfregar os seios com bucha vegetal pode causar lesões e até infecções;

 

• O uso de hidratantes no mamilo pode deixar a pele mais fina e suscetível a machucados;

 

• Não há comprovação científica sobre a eficácia de tomar sol nos seios, embora exposições breves e seguras não sejam proibidas.

 

“Não existe preparo físico milagroso. Existe preparo emocional e informativo”, reforça.

 

Organização antes do nascimento

 

Além do conhecimento, a especialista recomenda atitudes práticas ainda na gestação: usar sutiãs confortáveis e respiráveis, já ter o contato de uma consultora de amamentação ou do banco de leite da cidade e, principalmente, alinhar expectativas com a rede de apoio.

 

“Converse com o parceiro e com as pessoas que estarão próximas. Deixe claro que você precisa de apoio e não de palpites que gerem insegurança. ”

 

Para Bruna, a mensagem é simples: “Se preparar antes é um investimento em tranquilidade. A amamentação pode ser aprendida. Informação reduz medo, evita intervenções desnecessárias e decisões precipitadas.”

 

Sobre Bruna Ramos:

 

Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.

 

Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde.

 

Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças. Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.

 

https://www.instagram.com/obebe_chegou/

 

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