Seu rosto está cansado ou sua rotina está aparecendo na pele?
Por Maximino Brügger Perez
10.07.2026 às 15h32m
Estresse, noites mal dormidas e excesso de telas compromete a regeneração da pele e podem acelerar o envelhecimento antes mesmo dos primeiros sinais da idade
Dormir pouco deixou de ser exceção para se tornar parte da rotina de milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, passamos cada vez mais horas diante de celulares, computadores e tablets, muitas vezes até poucos minutos antes de dormir. Essa combinação, somada ao estresse constante, vem produzindo efeitos que vão além da saúde física e mental: ela também começa a aparecer no espelho.
Nos consultórios, cresce o número de pessoas que procuram atendimento incomodadas com um aspecto permanentemente cansado.
Olheiras mais marcadas, perda de luminosidade, flacidez precoce, linhas de expressão e uma pele sem viço nem sempre estão relacionados apenas ao envelhecimento natural. Muitas vezes, refletem uma rotina marcada por poucas horas de sono, excesso de trabalho, alimentação inadequada e altos níveis de estresse.
“A pele é um dos primeiros órgãos a refletir aquilo que acontece dentro do organismo. Quando o corpo passa por períodos prolongados de estresse e privação de sono, ele entra em um estado de inflamação persistente que compromete a regeneração celular e acelera o envelhecimento cutâneo”, explica a médica Telma Giordani, especialista em saúde da pele e medicina estética.
Um dos principais responsáveis por esse processo é o cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. Em níveis elevados por longos períodos, ele favorece a degradação das fibras de colágeno e elastina, reduz a capacidade de reparação da pele e intensifica processos inflamatórios, contribuindo para a perda de firmeza e elasticidade.
Dormir bem também é cuidar da pele
Durante o sono, o organismo ativa importantes mecanismos de reparação celular, produção de colágeno e recuperação dos tecidos. Quando esse processo é interrompido de forma repetitiva, a pele perde parte da sua capacidade de regeneração.
“Dormir bem não é apenas descansar. É durante o sono que a pele realiza grande parte do seu processo de reparação. Quando esse ciclo é interrompido de forma frequente, ela perde a capacidade de se recuperar adequadamente, e isso começa a aparecer no rosto”, afirma a médica.
Estudos recentes também demonstram que o uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir está associado à pior qualidade do sono, maior dificuldade para adormecer e menor tempo de descanso. Embora muitas pessoas atribuam esse efeito apenas à luz emitida pelas telas, especialistas explicam que o maior problema está no hábito de permanecer conectado até tarde, mantendo o cérebro em constante estado de alerta.
“Não é apenas a tela que preocupa. Muitas vezes, o problema é responder mensagens, trabalhar ou consumir conteúdos altamente estimulantes até o momento de dormir. O cérebro demora mais para desacelerar e isso compromete um período essencial para a recuperação da pele e de todo o organismo”, ressalta Telma.
Cosméticos ajudam, mas não fazem milagres
Segundo a especialista, um dos maiores equívocos é acreditar que apenas cremes ou procedimentos estéticos conseguem reverter os sinais provocados por uma rotina desequilibrada.
“Hoje sabemos que cuidar da pele vai muito além dos cosméticos. Alimentação equilibrada, atividade física, controle do estresse e uma boa rotina de sono são tão importantes quanto qualquer creme ou procedimento. A medicina estética consegue potencializar resultados, mas ela não substitui hábitos saudáveis.”
A boa notícia é que pequenas mudanças podem produzir benefícios significativos ao longo do tempo. Dormir entre sete e nove horas por noite, reduzir o uso de telas antes de dormir, manter uma rotina de atividade física, controlar o estresse e investir em uma rotina de cuidados adequada ajudam a preservar não apenas a aparência da pele, mas também sua saúde e capacidade natural de regeneração.
“No consultório, muitas vezes tratamos a pele, mas também precisamos conversar sobre rotina, sono e qualidade de vida. O rosto não revela apenas a passagem do tempo; ele também conta a história dos nossos hábitos. Quando cuidamos do organismo como um todo, a pele responde de forma muito mais saudável e duradoura”, conclui a Dra. Telma.
Sobre a fonte
Dra. Telma Giordani é médica, palestrante e especialista em saúde da pele e medicina estética. Com 17 anos de experiência, atua com foco em tratamentos personalizados que unem ciência, tecnologia e naturalidade.
É criadora do Clube da Pele e uma das principais formadoras de opinião do segmento de beleza e bem-estar no país, reunindo mais de 611 mil seguidores no Instagram e mais de 111 mil no TikTok. Em suas redes sociais, compartilha informações sobre skincare, longevidade, autoestima e qualidade de vida. @dratelmagiordani
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