Sua empresa bate meta ou apenas tem meses bons?
Por Maximino Brügger Perez
21.09.2026 às 12h26m
Negócios com vendas recorrentes acompanham geração de demanda, conversão e funil comercial antes que o resultado apareça no faturamento
Depois de recuar 1,6% em abril, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro ficou praticamente estável em maio de 2026, com variação de 0,1%, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo IBGE em julho. No trimestre encerrado em maio, a média móvel caiu 0,2%.
Para Ray Gonçalves, formada em Marketing, empresária e fundadora da Geração de Demanda, consultoria especializada em crescimento empresarial, marketing e vendas, empresas que batem metas de forma recorrente tratam a receita como consequência de um processo iniciado antes da negociação. Desde 2012 de atuação no mercado educacional e digital, ela participou da estruturação do Grupo Acelerador, operação que ultrapassou R$ 200 milhões em quatro anos.
Se o varejo, que vende todos os dias e enxerga o resultado em tempo real, oscila nesse ritmo, negócios de ciclo de vendas mais longo sentem o mesmo movimento com semanas de atraso, normalmente quando já não sobra mês para reagir. Para transformar crescimento pontual em previsibilidade de receita, o desafio está em identificar o que gera demanda, acompanhar o funil de vendas e corrigir desvios antes que eles apareçam no faturamento.
Número de oportunidades geradas, origem dos contatos, conversão entre etapas, velocidade de atendimento, ticket médio, ciclo de vendas e recompra ajudam a identificar gargalos enquanto ainda existe tempo para corrigir a operação comercial. Esses indicadores permitem que o empresário acompanhe se a meta está sendo construída antes que o resultado apareça no caixa.
“Previsibilidade de receita não significa saber exatamente quanto a empresa vai faturar no mês seguinte. Significa conhecer os indicadores que mostram se a meta está sendo construída. Quando o empresário acompanha apenas o faturamento, ele descobre o problema depois que a venda deixou de acontecer”, afirma Ray Gonçalves.
A meta começa antes da venda
Um dos erros mais comuns, segundo a consultora, é transformar a meta em uma cobrança restrita à equipe comercial. A conta que sustenta o número costuma ser feita ao contrário.
Uma empresa que pretende faturar R$ 500 mil no mês e trabalha com ticket médio de R$ 10 mil precisa de 50 vendas. Se o time fecha uma proposta a cada cinco apresentadas, são 250 propostas. E se quatro em cada dez oportunidades qualificadas chegam à etapa de proposta, o funil precisa receber cerca de 625 oportunidades ao longo do mês, algo em torno de 150 por semana.
Esse cálculo permite identificar rapidamente se o problema está na geração de demanda ou apenas aparece no fechamento das vendas. Quando o funil é monitorado desde o início do mês, ainda existe tempo para corrigir a rota antes que a meta seja comprometida.
“Feita essa conta, a meta deixa de ser um número colocado no início do mês e vira uma quantidade de oportunidades que precisa entrar no funil já na primeira semana. Quando a empresa não faz esse cálculo, acaba cobrando o vendedor em novembro por uma decisão de marketing que ficou de fora em outubro”, explica Ray Gonçalves.
Uma queda na geração de oportunidades durante a primeira semana pode comprometer o faturamento semanas depois. Por isso, acompanhar o avanço do funil ao longo do mês permite corrigir a operação antes que o resultado apareça no caixa.
Um mês bom precisa deixar pistas
Um exemplo recente dessa lógica veio da Cimed. Durante a Copa do Mundo de 2026, a farmacêutica investiu R$200 milhões em ativações relacionadas à competição e afirma ter triplicado as vendas durante as ações, além de registrar crescimento de 178% nas vendas ao consumidor final. Depois dos resultados, a companhia decidiu levar parte da estratégia ao Campeonato Brasileiro, com campanhas envolvendo Palmeiras e Cruzeiro, segundo reportagem publicada pela EXAME em julho.
O orçamento não é replicável para a maior parte das empresas brasileiras, mas o movimento é. Para a fundadora da Geração de Demanda, o ponto relevante não está no tamanho da campanha, e sim na decisão de identificar o que funcionou e montar uma estrutura para repetir aquilo. Na avaliação da consultora, esse processo permite transformar um resultado pontual em um método capaz de gerar crescimento recorrente.
“Bater meta uma vez pode acontecer por uma campanha muito boa, uma indicação ou uma oportunidade fora da curva. O desafio empresarial é entender por que o resultado aconteceu e criar condições para repeti-lo. É essa capacidade de transformar vendas em processo que aumenta a previsibilidade de receita”, afirma.
Quem gera demanda depois da queda já começou atrasado
Quando uma empresa intensifica marketing e prospecção apenas diante da queda no faturamento, precisa lidar com o intervalo entre atrair novos contatos e transformá-los em oportunidades comerciais. Para Ray Gonçalves, esse comportamento ajuda a explicar por que alguns negócios passam boa parte do mês tentando recuperar resultados.
Segundo a empresária, empresas que trabalham apenas de forma reativa acabam iniciando ações comerciais quando parte do resultado do mês já está comprometida, porque existe um intervalo natural entre atrair novos contatos, qualificá-los e convertê-los em vendas.
“Quando a geração de demanda começa depois que a venda cai, a empresa passa o mês tentando recuperar o resultado. Negócios com maior previsibilidade alimentam o funil continuamente porque entendem que a venda de amanhã começa na demanda gerada hoje”, ressalta.
Na prática, três perguntas ajudam a medir a saúde da operação: quanto precisa ser vendido, quantas oportunidades são necessárias para atingir esse número e se o volume atual do funil é suficiente para chegar ao resultado.
As respostas ajudam a localizar o gargalo. Se há demanda, mas poucas propostas, o problema pode estar na qualificação ou na abordagem comercial. Se existem propostas, mas poucas vendas, preço, oferta ou negociação precisam ser avaliados. Se quase nenhuma oportunidade chega ao vendedor, aumentar a cobrança sobre a equipe comercial dificilmente resolverá a origem da queda.
Sobre Ray Gonçalves
Ray Gonçalves é empresária, consultora de marketing e fundadora da Geração de Demanda, consultoria especializada em crescimento empresarial, marketing e vendas.
A Geração de Demanda presta consultoria de marketing a empresários que querem vender mais e com mais consistência. O trabalho envolve posicionamento, estratégia de captação de clientes e alinhamento entre marketing e vendas, sempre atrelado às metas mensais do negócio. A base do atendimento é o Método 3C: conecta, convence e converte, criado por Ray para organizar a jornada do cliente desde o primeiro contato até o fechamento, e já aplicado por mais de 1000 empresários e profissionais de marketing.
Com mais de 14 anos de atuação no mercado educacional e digital, participou da estruturação do Grupo Acelerador, operação que ultrapassou R$200 milhões em quatro anos. Hoje atende empresários de diferentes setores com braço educacional, com foco em geração de receita, previsibilidade e margem.
Criadora da metodologia 3C, conecta, convence e converte, já impactou mais de 800 empresários e profissionais de marketing por meio de treinamentos presenciais e consultorias personalizadas, com foco na geração de demanda, previsibilidade de receita e escalabilidade de negócios.
Atualmente, atende empresários de diferentes setores, atuando na geração de receita com foco no alcance de metas mensais, com mais previsibilidade e margem para o negócio.
Para mais informações: (site: geracaodedemanda.com.br | instagram: @raygoncalvesoficial | facebook: raygoncalvess | linkedin: ray-gonçalves-678685223).
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