Esclerose múltipla: reconhecer os primeiros sinais pode mudar uma vida

Por Maximino Brügger Perez

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21.08.2026 às 12h47m

No Dia Nacional de Conscientização sobre a doença (30), neurologista alerta para sintomas que muitas vezes são confundidos com cansaço ou problemas passageiros

 

Uma pessoa jovem começa a enxergar embaçado de repente. Outra sente formigamento ou dormência em uma parte do corpo. Há quem perceba uma fraqueza em um braço ou uma perna, dificuldade para caminhar, perda de equilíbrio ou um cansaço muito forte que não melhora mesmo depois de descansar.

 

Para muitas famílias, esses sinais podem parecer passageiros. É justamente aí que está um dos desafios da esclerose múltipla (EM): nem sempre os primeiros sintomas são facilmente reconhecidos.

 

A doença é neurológica, crônica e autoimune. Em palavras simples, é uma situação em que o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar estruturas do sistema nervoso, podendo prejudicar a comunicação entre o cérebro e as diferentes partes do corpo. No Brasil, estima-se que cerca de 40 mil pessoas convivam com a doença.

 

Para a neurologista Dra. Carla Renata Aparecida Vieira Stella, especialista em neurologia e com atuação na área de neuroimunologia, informação é uma das principais ferramentas para que a doença seja identificada mais cedo. “É importante que a família não ignore mudanças que aparecem de forma diferente do habitual, principalmente quando são sintomas neurológicos. Procurar atendimento médico é o primeiro passo para entender o que está acontecendo”, orienta a especialista.

 

Formigamento, visão embaçada e dificuldade para andar merecem atenção

 

Os sinais da esclerose múltipla podem variar bastante de uma pessoa para outra. Entre eles estão alterações na visão, dormência ou formigamento, fraqueza muscular, dificuldade de equilíbrio e coordenação, fadiga intensa e alterações cognitivas ou emocionais.

 

Um ponto importante é que ter um desses sintomas não significa necessariamente ter esclerose múltipla. Muitas outras doenças podem provocar manifestações semelhantes. Por isso, a recomendação não é tentar descobrir o diagnóstico sozinho, mas procurar atendimento de saúde.

 

“Não é preciso saber o nome da doença para procurar ajuda. Se alguma coisa mudou no corpo e essa mudança não parece normal, converse com um profissional de saúde”, reforça Dra. Carla.

 

O primeiro caminho pode ser o serviço público de saúde

 

Para famílias que não têm condições de pagar uma consulta particular, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou outro serviço público de saúde disponível em sua cidade. A partir da avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado para atendimento especializado quando houver necessidade.

 

O diagnóstico e o acompanhamento precoces são importantes porque existem tratamentos capazes de controlar a atividade da doença e reduzir o risco de novos episódios, sempre de acordo com a avaliação médica individual. O Ministério da Saúde destaca justamente a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

 

Ciência e cuidado caminham juntos

 

A Dra. Carla Stella tem participação em estudos científicos relacionados às doenças neurológicas e à neuroimunologia. Em 2016, foi coautora de estudo publicado internacionalmente que analisou casos de dengue em pessoas com esclerose múltipla em tratamento com medicamentos específicos.

 

Mais recentemente, participou de estudo publicado em 2023 sobre um caso de esclerose múltipla progressiva com início na infância, desenvolvido por pesquisadores ligados à Divisão de Neuroimunologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

Na ACESA Capuava, o olhar para o paciente vai além da doença

 

A médica também tem uma atuação próxima da comunidade. A Dra. Carla Stella é Diretora Clínica da ACESA Capuava, organização que desenvolve atendimento multidisciplinar e ações voltadas às pessoas com deficiência e suas famílias.

 

“Quando falamos de uma doença crônica, não estamos falando apenas de um diagnóstico. Estamos falando de uma pessoa, de uma família e de uma rotina que pode mudar. O cuidador precisa olhar para todos esses aspectos”, destaca a neurologista.

 

Um alerta para as famílias

 

Neste “Agosto Laranja”, mês dedicado à conscientização sobre a esclerose múltipla, a principal mensagem é simples: não ignore os sinais. Se alguém da família apresentar uma alteração neurológica que não tinha antes, como perda de visão, dormência, formigamento, fraqueza, dificuldade para caminhar ou problemas de equilíbrio, procure uma unidade de saúde.

 

Não é preciso ter dinheiro para começar a investigar. É possível procurar o serviço público de saúde e pedir orientação. Reconhecer um sinal, procurar ajuda e chegar ao diagnóstico pode ser o primeiro passo para que uma pessoa tenha acesso ao tratamento e possa seguir sua vida com mais qualidade.

 

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