Medo de errar pode fazer crianças evitarem desafios. Veja como ajudá-las

Por Maximino Brügger Perez

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28.10.2026 às 20h13m

Pesquisas recentes investigam a relação entre a reação dos adultos aos erros e a maneira como as crianças enfrentam dificuldades na aprendizagem

 

Errar uma questão, não conseguir terminar uma atividade ou precisar refazer uma tarefa faz parte da aprendizagem. Mas, quando a possibilidade de falhar provoca frustração intensa ou leva a criança a evitar novos desafios, a situação merece atenção dos adultos. A forma como pais e professores reagem nesses momentos pode influenciar a maneira como ela interpreta as próprias dificuldades e se sente diante de novas tentativas.

 

Para Vanessa Moschetti, fundadora e diretora do St. John’s International School, o importante é entender o que está por trás do erro antes de apresentar uma solução. A criança pode não ter compreendido uma instrução, precisar de mais tempo para assimilar um conteúdo ou ainda estar desenvolvendo uma habilidade. Identificar essa diferença permite oferecer o apoio adequado sem transformar uma dificuldade pontual em um julgamento sobre sua capacidade.

 

Um estudo publicado em 2024 no British Journal of Educational Psychology investigou como conversas entre mães e filhos sobre situações de frustração estavam relacionadas ao medo de errar. Os pesquisadores analisaram interações de 231 crianças de oito anos com suas mães.

 

“Os resultados indicaram que reconhecer as emoções da criança e conversar com ela sobre maneiras de enfrentar dificuldades estava associado a um menor medo de falhar. Por se tratar de uma análise de associações, o estudo não permite afirmar que uma forma específica de conversa seja, isoladamente, responsável por esse resultado”, avalia Vanessa.

 

Uma pesquisa publicada em 2026 na revista Learning and Individual Differences, com 473 crianças chinesas, também investigou as atitudes infantis diante dos erros e sua relação com fatores familiares e resultados acadêmicos.

 

Os pesquisadores identificaram diferentes perfis de reação aos erros e observaram associações entre atitudes parentais relacionadas ao fracasso, comparação social e formas menos adaptativas de lidar com as falhas.

 

O trabalho reforça a importância de considerar não apenas o desempenho escolar, mas também como as crianças interpretam suas dificuldades.

 

“Na prática, isso não significa deixar de corrigir ou exigir dedicação. O desafio é fazer com que a correção ajude a criança a compreender o que precisa melhorar, em vez de aumentar o receio de tentar novamente”, pondera a diretora.

 

Como os pais podem ajudar 

  • • Entender o que aconteceu: perguntar como a criança chegou à resposta e em que momento sentiu dificuldade, antes de explicar a solução.
  • • Evitar comparações: o desempenho de irmãos e colegas não deve ser usado como medida do potencial individual.
  • • Incentivar novas tentativas: ajudar a criança a pensar em outras estratégias, sem assumir a tarefa por ela.
  • • Separar o erro da capacidade: mostrar que não conseguir realizar algo naquele momento não significa ser incapaz de aprender.
  • • Reconhecer o progresso: observar o que a criança já consegue fazer e quais avanços apresentou, mesmo quando o resultado ainda não é o esperado.

“A escola também tem um papel nesse processo ao oferecer desafios compatíveis com o estágio de aprendizagem de cada aluno e utilizar os erros para identificar dúvidas e orientar o ensino. Quando a criança encontra espaço para perguntar, rever respostas e pedir ajuda, pode desenvolver uma relação mais produtiva com as dificuldades. O objetivo não é eliminar a frustração, mas ajudar a criança a lidar com ela sem desistir diante do primeiro obstáculo. Aprender envolve reconhecer limites momentâneos, testar alternativas e compreender que uma resposta incorreta pode indicar o que precisa ser trabalhado a seguir”, conclui Moschett.

 

Sobre a St. John’s

 

Com 20 anos de trajetória no Brasil, a St. John’s é referência em educação internacional trilíngue, com alunos de 18 meses a 17 anos. A instituição desenvolve metodologia própria com base em padrões acadêmicos britânicos e prepara estudantes para universidades e carreiras globais, aliando rigor acadêmico, formação humanista e visão internacional.

 

Vanessa Moschetti fundadora e diretora da escola, é graduada em Direito, Pedagogia e Linguística, mestre em Educação Internacional, com extensão em Literatura Britânica. Possui certificações internacionais em língua inglesa, é examinadora licenciada e especialista em desenvolvimento curricular.

 

Ela é a idealizadora do desenvolvimento do IELS (International English Learning System), um modelo educacional estruturado internacionalmente, criado na Inglaterra e aplicado globalmente.

 

Com forte foco em educação internacional, liderança e inovação, ela lidera a expansão de um modelo acadêmico sistêmico e trilíngue que integra os currículos do IB, de Cambridge e do Poliedro (nacional).

 

Site: https://www.stjohns-brazil.com/?locale=pt-BR

 

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