Maternidade

Volta ao trabalho e amamentação: como manter o aleitamento mesmo após o fim da licença-maternidade

Especialista em aleitamento materno, Bruna Ramos, explica como planejar o retorno ao trabalho sem interromper a amamentação e sem sobrecarregar mãe e bebê

 

O retorno ao trabalho após a licença-maternidade costuma ser um dos momentos mais desafiadores da jornada materna — especialmente quando o assunto é como conciliar rotina profissional e amamentação. A especialista em aleitamento materno Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, explica que, com organização e informação, é possível manter o aleitamento mesmo depois da volta ao trabalho.

 

“Que a licença é curta para o período recomendado de amamentação exclusiva, já sabemos. Mas mesmo assim é possível manter essa amamentação se a mãe se programar e montar um estoque de leite materno”, orienta Bruna.

 

De acordo com a especialista, o planejamento deve começar pelo menos um mês antes do retorno. Isso envolve organizar a rotina de ordenhas, escolher quem ficará com o bebê, definir o dispositivo de oferta do leite e ajustar a logística diária.

 

“Aumentar a produção e montar o estoque pode levar tempo, então o ideal é se preparar com antecedência”, recomenda.
Bruna destaca ainda o que não deve ser feito nesse período.

 

A introdução alimentar precoce, por exemplo, não deve acontecer antes dos 6 meses, mesmo com a volta ao trabalho. “A introdução alimentar não é para encher a barriga, e sim para o bebê conhecer os alimentos. Antecipar esse processo pode gerar riscos de engasgo, alergias e obesidade no futuro.”

 

Outro erro comum é acreditar que é preciso desmamar para voltar à rotina profissional. “Não tem que desmamar para voltar ao trabalho. Mudanças vão acontecer, como retirar a livre demanda e organizar os horários, mas é possível continuar amamentando enquanto estiver com o bebê”, explica.

 

Bruna também reforça que a fórmula não é uma obrigatoriedade. “A mãe pode optar por aumentar sua produção de leite e deixar o leite materno ordenhado para ser dado ao bebê na sua ausência. É totalmente possível, desde que haja planejamento.”

 

Sobre o uso de mamadeiras, a especialista alerta que, embora muito comuns, não são a melhor opção. “A mamadeira pode trazer riscos à saúde bucal e respiratória do bebê, além de favorecer o desmame precoce. Copos abertos, copos 360, de bico rígido ou colher dosadora são alternativas mais seguras.”

 

Bruna também chama atenção para os direitos garantidos por lei às lactantes.
“Até os 6 meses do bebê a mãe tem direito a 2 intervalos de 30 minutos para amamentação que podem ser usados nas ordenhas. A conversa com o empregador é o melhor caminho para conseguir ordenhar e manter o aleitamento exclusivo”, explica.

 

Ela lembra que o aleitamento é uma questão de direito, tanto da mãe quanto do bebê.
“O Aleitamento é um direito do bebê pelo ECA e não tem limite de idade. Então Creche e escolas devem sim aceitar leite materno e não, não é mais complicado lidar com leite materno do que com fórmula”, reforça.

 

Com uma abordagem acessível e embasada na ciência, Bruna Ramos ajuda mães a passarem por esse momento de transição com mais confiança, reforçando que a volta ao trabalho não precisa significar o fim da amamentação — e sim uma nova fase de adaptação e vínculo.

 

“Que a licença é curta para o período recomendado de amamentação exclusiva, já sabemos. Mas mesmo assim é possível manter essa amamentação se a mãe se programar e montar um estoque de leite materno”, orienta Bruna Ramos

 

Serviço: https://www.instagram.com/obebe_chegou

Carreira & negócios Maternidade

Quando a culpa impulsiona: por que mães estão reescrevendo suas carreiras

Para muitas mulheres, a maternidade traz transformações profundas na forma de enxergar a vida – e a carreira. Entre os diversos fatores que motivam mudanças profissionais após a chegada dos filhos, a culpa materna se destaca, conforme explica a psicóloga de carreira, Fabiana Abath.


“Em termos profissionais, muitas mães se sentem pressionadas a atender às demandas familiares, pois a culpa materna é um sentimento complexo e exacerbado por expectativas sociais que idealizam a maternidade como uma dedicação integral,” comenta Fabiana.


Esse sentimento de culpa influencia silenciosamente as decisões de carreira. “A culpa por não estarem presentes durante os primeiros anos de vida dos filhos leva muitas mães a reavaliarem suas profissões. A pressão para estarem presentes em momentos importantes do desenvolvimento dos filhos cria um conflito com as aspirações profissionais e isso acaba direcionando muitas mulheres para carreiras mais flexíveis ou que oferecem maior controle sobre os horários,” observa Fabiana.


Quando a transição de carreira é a melhor opção


Para muitas mães, o desejo de mudar de carreira se torna mais evidente quando sinais de desconforto e sobrecarga começam a aparecer. Fabiana aponta que o aumento do desejo por flexibilidade, a percepção de que valores e objetivos mudaram após a maternidade e a sensação de que o trabalho atual interfere na qualidade de vida são sinais claros de que a transição de carreira pode ser uma solução viável.

“Se esses sentimentos se tornam persistentes, é o momento de refletir sobre uma mudança que permita uma integração mais equilibrada entre vida pessoal e profissional,” orienta a psicóloga.


Para essas mães, uma nova carreira pode representar uma forma de harmonizar aspirações pessoais e familiares. Como afirma Fabiana Abath, não há um único caminho, mas sim possibilidades adaptáveis que permitem à mãe se reinventar e criar um novo ciclo de realizações – pessoal e profissionalmente. Ela destaca a importância de reconhecer que as decisões de carreira podem – e devem – ser adaptáveis a cada fase da vida familiar e profissional.


“A autoconsciência é essencial para que a mãe identifique o que realmente importa para ela. Isso pode ajudar a libertá-la da pressão de corresponder a expectativas externas sobre o que é ser ‘suficientemente presente’. Criar uma rede de apoio e abrir o diálogo sobre as necessidades pessoais e familiares também ajudam a encontrar novas possibilidades de carreira que respeitem as novas prioridades,” acrescenta Fabiana.Descubra quais competências serão mais valorizadas nos próximos anos e como se preparar para o mercado em transformação. Estratégias práticas para equilibrar rotina, saúde mental e resultados mesmo trabalhando de casa.

Serviço:
Fabiana Abath – Psicóloga e orientadora de carreira
Site: www.fabianaabath.com.br
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