Categorias
Beleza (42) Carreira & negócios (168) Comportamento (42) Cultura (13) Eventos (49) Gastronomia (3) Maternidade (52) Moda (32) Saúde & Bem-estar (130) Sem categoria (2)Como montar um kit de regulação sensorial para foliões neurodivergentes
Música alta, cores intensas, calor e grandes aglomerações: o Carnaval reúne estímulos auditivos, visuais e táteis ao mesmo tempo.
Para pessoas neurodivergentes — especialmente dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) — esse cenário pode aumentar o risco de sobrecarga sensorial e desregulação emocional. Para apoiar famílias e cuidadores, a equipe do Próximo Degrau orienta a montagem de um kit de regulação sensorial, com itens simples que ajudam a tornar a experiência mais segura e confortável.
“A inclusão no Carnaval passa por antecipação e suporte sensorial. Pequenos ajustes podem reduzir gatilhos e favorecer a autorregulação, sempre respeitando limites individuais”, explica Ana Maria, Gerente ABA do Próximo Degrau.
O que é e para que serve o kit de regulação sensorial
O kit de regulação sensorial é um conjunto de recursos pensado para minimizar impactos sensoriais e oferecer alternativas de autorregulação durante eventos de alta estimulação — como blocos e festas de rua.
Itens recomendados para o kit
• Abafadores de ruído
Diferentemente de fones comuns, modelos com redução de decibéis ajudam a proteger contra hipersensibilidade auditiva sem isolar totalmente do ambiente.
• Ferramentas de auto regulação (feedback tátil)
Objetos como pop-its, spinners e itens com diferentes texturas podem auxiliar na organização sensorial e na redução de ansiedade ao oferecer um estímulo previsível.
• Óculos de sol com proteção UV
Luzes intensas, reflexos e efeitos visuais podem gerar desconforto. Óculos adequados ajudam no conforto visual.
• Conforto térmico e tátil
Hidratação constante, borrifador de água e roupas de tecido natural (como algodão) são aliados importantes. Fantasias com tecidos sintéticos, etiquetas e costuras rígidas podem causar desconforto tátil.
A recomendação é que o kit seja apresentado antes do evento, em ambiente controlado, para familiarização. “Quando o recurso já faz parte da rotina, ele tende a ser aceito com mais facilidade no momento da folia”, completa Ana Maria.
Identificação e segurança em grandes eventos
Em ambientes lotados, o risco de desencontro aumenta — principalmente para crianças que podem apresentar comportamentos de fuga ou deambulação. Algumas medidas preventivas incluem:
• Identificação visual imediata
Pulseiras com nome e telefone do responsável. Para crianças não verbais, incluir mensagens como “Sou autista” e “Posso não responder a comandos verbais”.
• Tecnologia assistiva
Dispositivos de localização (AirTag/GPS) presos ao calçado ou em bolso interno permitem monitoramento pelo celular.
• Cartões de comunicação
Para quem usa comunicação alternativa, levar uma versão física plastificada com frases curtas: “Estou perdido”, “Quero minha mãe”, “Preciso de silêncio”.
Foto do dia
Registrar uma foto atual com a roupa do momento antes de entrar no bloco facilita a busca em caso de desencontro.
Carnaval também pode ser de baixo estímulo
O Próximo Degrau reforça que a inclusão não significa participação obrigatória em todos os eventos. Para muitas pessoas neurodivergentes, silêncio, previsibilidade e rotina são fatores centrais de bem-estar. Alternativas como Carnavais de baixo estímulo, sessões adaptadas e atividades em casa podem ser opções mais seguras para diversas famílias.
“Garantir o direito de escolher onde estar — e como vivenciar o lazer — também é inclusão”, finaliza Ana Maria.
Sobre o Próximo Degrau
Com sede em Alphaville, o Próximo Degrau é reconhecido por seu trabalho de excelência no atendimento a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista e outros perfis neurodivergentes. O centro oferece intervenções personalizadas, apoio contínuo às famílias e investe no desenvolvimento técnico e humano dos profissionais que atuam na instituição.
Quais são os melhores exercícios físicos para cada fase do ciclo menstrual?
Treino de força ou aeróbico? Qual estilo escolher? Especialistas em fitness e saúde feminina explicam a seguir
Na internet, há muitas informações sobre como adaptar o treinamento às fases do ciclo menstrual. “Embora algumas afirmações possam ser exageradas, é verdade que as mudanças hormonais podem influenciar o desempenho e como cada mulher se sente ao treinar”, afirma Kelly Sierra, nutricionista especializada em saúde hormonal e nutrição esportiva.
Contudo, ela ressalta: “Em mulheres com um ciclo hormonal saudável, não é estritamente necessário modificar o treinamento em todas as fases. Apenas em dias específicos, quando há mais desconfortos, como na fase menstrual ou lútea, pode ser útil ajustar a intensidade ou a carga”.
Existem opções de adaptação do treinamento (sempre sob supervisão de um especialista) que podem ser benéficas em casos específicos. Por exemplo, para lidar com sintomas como dor, alterações de humor, cansaço e insônia. A seguir, detalhamos as opções.
Conheça seu ciclo: registre sensações físicas e emocionais
Como saber em qual fase do ciclo estamos?
“Muitas mulheres têm dificuldade em identificar a fase do ciclo menstrual em que estão, pois não conseguem relacionar mudanças físicas e emocionais com as etapas do ciclo”, explica a treinadora Paula Godoy García, graduada em Ciências do Esporte.
Ela acrescenta: “O mais simples é observar mudanças no fluxo vaginal, maior sensibilidade nos seios ou alterações de humor. Para mulheres esportistas, pode haver mais indicadores, como sensação de cansaço ou fadiga precoce, especialmente durante a menstruação, devido à perda de sangue e, em algumas mulheres, sinais de anemia causados pela redução de ferro.”
Laura Carreño Fernández, treinadora especializada em mulheres, destaca: “A chave para entender seu corpo é aprender a ouvi-lo. Recomendo registrar sensações físicas e emocionais: nível de energia, emoções, resposta física ao treino, tipo de fluxo. Por exemplo, é comum sentir-se mais enérgica após a fase menstrual e menos disposta após a ovulação.”
Porém, é importante lembrar que nem todas as mulheres passam pelas mesmas mudanças. “Por isso, é essencial adotar um enfoque individualizado para monitorar a influência do ciclo menstrual no treinamento, sem generalizações, mas compreendendo características gerais de cada fase”, afirma Mario Cañizares, gerente de atividades no David Lloyd Málaga.
Fases do ciclo menstrual e os treinos mais indicados
• Fase folicular (antes da ovulação)
Características: Níveis de estrogênio e testosterona começam baixos, mas aumentam progressivamente, resultando em mais energia e força.
Treino recomendado
Priorize treinamento de força, com aumento gradual de volume e intensidade. Inclua exercícios de alta intensidade (HIIT) e tarefas coordenativas. Nesta fase, a capacidade de recuperação muscular é maior.
• Fase ovulatória (liberação do óvulo)
Características: Pico de estrogênio e testosterona, proporcionando força e explosividade.
Treino recomendado
Treinamento com pesos e cargas mais altas. Ajuste o volume caso sinta desconfortos, como inchaço ou sensibilidade. Mantenha consistência, mesmo que diminua a intensidade.
• Fase lútea (após a ovulação)
Características: Progesterona predomina, energia e força ainda elevadas, mas com tendência a redução na segunda metade da fase.
Treino recomendado
Foque em força-resistência e ajuste a intensidade conforme necessário. Inclua treinamento aeróbico (spinning, caminhadas, HIIT). Atividades leves como yoga ou pilates podem ajudar a equilibrar o corpo.
• Menstruação
Características: Níveis de estrogênio e progesterona são os mais baixos, sintomas variam entre mulheres.
Treino recomendado
Reduza a intensidade, mas mantenha alguma atividade, se sentir-se bem. Exercícios leves (caminhadas, yoga) podem aliviar sintomas como dor abdominal e inchaço. Escute seu corpo: descanse se necessário ou adapte as cargas.
Após diagnóstico de depressão, casal cria projeto que alia carreira e qualidade de vida
Os mentores Mauro e Fabiana Koch passaram por diagnósticos de depressão e burnout, o que os levou a viver uma experiência de um ano em dez países diferentes, enquanto continuaram trabalhando de forma remota
A depressão nem sempre surge depois de uma grande tragédia ou crise. Ela pode aparecer mesmo quando tudo parece estar no lugar — carreira consolidada, rotina saudável e sucesso financeiro. Foi exatamente nesse contexto que Mauro e Fabiana Koch receberam os diagnósticos de depressão e burnout em 2024, o que se transformou no ponto de partida para uma jornada por dez países em busca de saúde mental e reconexão.
Com a estrada, vieram aprendizados que já estão se transformando em temas de palestra e também em um canal no YouTube, para documentar não o roteiro, mas os aprendizados da viagem. O casal trabalha com mentoria de carreira e palestras há 17 anos, e sempre teve paixão por viajar e conhecer novas culturas.
Depois de muito planejamento, eles partiram em dezembro de 2024, sem saber ao certo quando voltariam. A maior parte dos móveis e pertences em Jaraguá do Sul, cidade onde moravam, foram vendidos, e os clientes da Fique Bem, empresa que tocam juntos, foram avisados de que o atendimento passaria a ser on-line.
“Os clientes entenderam e até mesmo as pessoas que compravam nossas coisas sentiam que estavam ajudando o projeto de alguma forma”, explica Fabiana.
Mauro conta que a ideia era fazer uma viagem estendida quando chegassem aos 60 anos, mas com a saúde mental em cheque, decidiram antecipar.
“Nós sempre tivemos essa vontade de viajar pelo mundo e conhecer lugares novos. Quando viajamos, nós gostamos de utilizar transporte público e conhecer restaurantes que os locais frequentam, justamente para estarmos inseridos na cultura. Com o diagnóstico, vimos que ainda estávamos com condições físicas aos 52 anos e sentimos que era o momento. Os nossos filhos já tinham saído de casa, o que também contribuiu para a decisão”, explica.
Cada país teve uma contribuição para a experiência. No Canadá, o casal pegou pela primeira vez temperaturas extremas de até -30ºC, o que os ajudou a curar da estafa e a dormir 10 horas por noite. Eles fizeram o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, onde levaram 31 dias para andar quase 800 km a pé. Passaram por lugares que sonhavam em visitar, como Grécia e Bali, e também foram para outros locais apenas para visitar amigos, fazendo com que a viagem também fosse pelas pessoas.
O casal decidiu que era hora de voltar no final de 2025, após um ano da partida. “O que fizemos não foi turismo, porque a gente foi com esse olhar de aprender, de vivenciar as culturas. O objetivo do canal no YouTube não era ser guia turístico, mas falar do que aprendemos com o caminho efetivamente”, conta Fabiana.
Hoje eles seguem tocando a empresa de forma presencial e on-line. “Percebemos cada vez mais que o material tem que nos servir e não nós servirmos ao material, sermos escravos dele. Fazer escolhas conscientes, essa é a grande mensagem que queremos passar para as pessoas”, finaliza Mauro.
Entre a festa e a saúde: cuidados essenciais no Carnaval 2026
Especialistas do São Cristóvão Saúde ensinam a aproveitar a festa, sem riscos à saúde
O Carnaval é marcado por calor intenso, longas horas de festa, consumo de bebidas alcoólicas e mudanças na rotina alimentar. Esse cenário exige atenção especial à saúde, principalmente no que diz respeito ao coração, à hidratação e à alimentação. Especialistas alertam que alguns excessos comuns durante a folia podem trazer riscos sérios ao organismo.
Mistura de álcool e energéticos preocupa especialistas
O consumo de bebidas alcoólicas e energéticas cresce no Brasil, especialmente em períodos festivos. De acordo com o cardiologista do São Cristóvão Saúde, Dr. Fernando Barreto, a combinação dessas bebidas é especialmente perigosa. “O consumo regular de energéticos aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, elevando o risco de arritmias. Já o álcool em excesso está associado à hipertensão, insuficiência cardíaca e arritmias como a fibrilação atrial. Pequenas quantidades podem ser toleradas em pessoas saudáveis, mas não existe um consumo universalmente seguro”, explica.
As bebidas energéticas, ricas em cafeína e estimulantes, podem causar taquicardia, aumento da pressão arterial, ansiedade, irritabilidade, insônia e tremores. Em casos mais graves, há risco de arritmias e convulsões, especialmente em pessoas predispostas.
Segundo o cardiologista, a associação entre álcool e energéticos é comum em festas e blocos, mas representa um risco adicional. “Os energéticos mascaram a sensação de embriaguez, levando a pessoa a beber além do limite sem perceber os sinais de intoxicação. Isso aumenta significativamente o risco de intoxicações graves e acidentes”, alerta.
Alimentação adequada ajuda a manter energia e evitar a ressaca
Durante o Carnaval, pular refeições ou optar por alimentos pouco nutritivos pode comprometer o bem-estar. A coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, reforça que manter uma alimentação equilibrada é essencial para garantir disposição ao longo da folia.
“Nosso corpo precisa estar bem alimentado para fornecer energia suficiente durante os dias de festa”, afirma. A orientação é evitar longos períodos de jejum e apostar em carboidratos integrais, proteínas e gorduras saudáveis. No café da manhã, combinações como pão, ovo, frutas e café com leite ou iogurte natural ajudam a começar o dia com energia. Já no almoço e no jantar, saladas, legumes e verduras são fundamentais para o aporte de vitaminas e minerais.
O consumo de álcool também impacta diretamente a hidratação. Por isso, Cintya recomenda intercalar bebidas alcoólicas com água. “Recomendo beber 200 ml de água a cada 200 ml de bebida alcoólica, assim mantemos a hidratação e evitamos a embriaguez e a ressaca no dia seguinte”, orienta.
Para reduzir os efeitos do álcool, além da água, água de coco e isotônicos ajudam a repor sais minerais. Frutas ricas em água, como melancia, melão, morango e abacaxi, auxiliam na hidratação e na recuperação do organismo. Chás de hortelã ou gengibre e água com limão também favorecem a digestão e aliviam náuseas. “Com ingredientes naturais, todos têm seus benefícios e podem ser escolhidos de acordo com a preferência”, explica.
Desidratação: sinais de alerta durante a folia
Com calor, suor excessivo e consumo de álcool, o risco de desidratação aumenta significativamente no Carnaval. Cintya Bassi, explica que a desidratação ocorre quando há baixa disponibilidade de água no organismo e pode trazer consequências graves, por isso, a recomendação é de 35 a 40ml por kg de peso.
Entre os principais sinais estão: sede exagerada, boca e pele seca, olhos fundos, diminuição da sudorese, cansaço, dor de cabeça e tontura. Em casos mais graves, pode haver queda da pressão arterial, perda de consciência, convulsão, coma, falência de órgãos e até morte.
A especialista reforça ainda a importância de começar o dia se hidratando. “Durante o sono, o organismo consome muita água e já acordamos desidratados. O ideal é ingerir pelo menos 500 ml de água ao acordar”, orienta.
Com atenção à hidratação, alimentação adequada e consumo consciente de bebidas, é possível aproveitar a folia com mais segurança e reduzir os riscos à saúde.
Sobre o Grupo São Cristóvão Saúde
Administrado pela Associação de Beneficência e Filantropia São Cristóvão, o Grupo São Cristóvão Saúde possui 10 Unidades de Negócio, que englobam: Hospital e Maternidade, Plano de Saúde, Centros Ambulatoriais, Centro Cardiológico, Centro Laboratorial (CLAV), Centro Endogástrico (CEGAV), Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS I e II), Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP Dona Cica) e Filantropia.
Referência em saúde, na cidade de São Paulo, a Instituição completou 113 anos em dezembro de 2024. O Grupo promove uma grande modernização e expansão em sua estrutura física e tecnológica, investindo em equipamentos, certificações e profissionais qualificados. Atualmente, o complexo hospitalar conta com 309 leitos, além de oito Centros Ambulatoriais, que realizam milhares de consultas, proporcionando qualidade assistencial às mais de 165 mil vidas do Plano de Saúde e 28 mil vidas do Plano Odontológico.
O Grupo São Cristóvão Saúde tem como Presidente/ CEO o Engº Valdir Pereira Ventura, responsável pelas Unidades de Negócio e, desde 2007, atuando à frente das decisões Institucionais.
A história da terapeuta Emi Moraes: uma jornada de transformação
A história de Emi Moraes mostra que emagrecer vai muito além da balança. Terapeuta e treinadora comportamental, ela encontrou seu propósito no momento mais desafiador da própria vida. Antes disso, seu caminho era outro: formada em Engenharia de Materiais, com mestrado no ITA e início de doutorado na UFRJ, vivia em um universo de lógica e processos, até que a maternidade começou a redirecionar seus passos. O ponto de virada veio após seu segundo aborto.
Fragilizada e cansada da luta contra o próprio corpo, Emi iniciou um processo profundo de autoconhecimento e mergulhou em formações terapêuticas, como Terapia Holística, estudos de comportamento humano, inteligência emocional, neurociência aplicada e práticas integrativas. Foi aí que descobriu que o problema nunca foi a comida, mas emoções reprimidas. Ao transformar crenças, padrões automáticos e dores antigas, o corpo respondeu: a compulsão diminuiu, a ansiedade acalmou e ela emagreceu 36kg, mantendo o resultado.
Dessa vivência, nasceu o Finalmente Magra, programa criado por Emi para guiar outras mulheres no processo de emagrecer de dentro para fora. Ele integra mentalidade, regulação emocional, estratégias comportamentais e espiritualidade, oferecendo muito mais do que perda de peso: devolve autoestima, liberdade e poder pessoal.
Hoje, aos 48 anos, Emi vive sua melhor fase e é referência em emagrecimento emocional. Seu propósito é ajudar mulheres 40+ a conquistarem a mesma libertação que transformou sua vida. Para ela, emagrecer não é o fim: é o reencontro com quem você realmente é.
“Quando você se conecta com a alma, o corpo acompanha. Emagrecer é consequência do reencontro consigo mesma”, afirma a terapeuta.
Para acompanhar o trabalho de Emi, siga o perfil no Instagram: @euemi_moraes ou entre em contato por e-mail [email protected] e pelo WhatsApp: (21) 99512-2170
Conheça também o podcast “Emagreça de dentro para fora” e acesse a página no Facebook: Emilena Moraes Terapeuta.
Canetas emagrecedoras: as perguntas que você deve fazer ao médico antes de começar a usar
De indicações reais a riscos pouco falados, um guia para entender quando o tratamento faz sentido, o que ele pode entregar e quais limites existem
Nos últimos anos, os novos remédios para obesidade, conhecidos como canetas emagrecedoras, caíram no debate público. Palavras que até pouco tempo causavam estranheza — como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, semaglutida e tirzepatida — passaram a fazer parte do vocabulário das pessoas.
Os medicamentos são vistos por muitos como um atalho para a perda de peso. Para a medicina, no entanto, as canetas fazem parte do tratamento de uma doença crônica, a obesidade, e exigem avaliação cuidadosa, acompanhamento contínuo e mudanças de estilo de vida para que os benefícios sejam reais e sustentáveis. Antes de iniciar o uso, há perguntas essenciais que precisam ser feitas no consultório.
Eu tenho indicação de usar a caneta?
De acordo com a bula, as canetas são indicadas para pessoas com IMC a partir de 30 (obesidade) ou acima de 27 quando há comorbidades associadas ao peso, como diabetes tipo 2, hipertensão ou gordura no fígado. Lembrando que o IMC é calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.
Na prática clínica, porém, a avaliação vai além do número da balança. Histórico de ganho de peso, predisposição genética, uso de medicamentos que aumentam o apetite, presença de compulsão alimentar e composição corporal também entram na análise.
“Talvez uma pessoa com IMC 26 mas com glicemia de jejum alterada, gordura no fígado e excesso de gordura central possa ter indicação de usar a medicação”, diz a endocrinologista Karen de Marca, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
O que não é indicação: uso para perder três ou quatro quilos, para despachar gordura localizada ou para controlar o peso antes de uma viagem, por exemplo.
Quais benefícios posso esperar desses remédios?
O principal benefício é a perda de peso, sobretudo por meio de gordura corporal, embora também possa haver perda de massa magra se não houver atividade física adequada. “Além disso, os estudos mostram melhora de parâmetros metabólicos como glicemia, colesterol, pressão arterial e redução da gordura no fígado”, aponta de Marca.
Há ainda benefícios indiretos: melhora da disposição para atividade física, da autoestima e, no caso da tirzepatida, redução da gravidade da apneia do sono. A longo prazo, a perda de peso sustentada está associada à diminuição do risco de infarto, AVC, alguns tipos de câncer, artrose e doença renal crônica.
“Esses ganhos estão diretamente ligados à normalização do peso e são mais eficazes quando o uso da medicação vem acompanhado de mudanças sustentáveis no estilo de vida, como alimentação equilibrada e atividade física”, afirma o endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Quais efeitos colaterais são comuns no tratamento e quais são sinais de alerta?
Os mais frequentes são gastrointestinais, especialmente no início do tratamento. Náusea, refluxo, distensão abdominal, constipação, diarreia e, em alguns casos, vômitos podem ocorrer. Dor de cabeça também se manifesta, muitas vezes associada à desidratação.
Os mais frequentes são gastrointestinais, especialmente no início do tratamento. Náusea, refluxo, distensão abdominal, constipação, diarreia e, em alguns casos, vômitos podem ocorrer. Dor de cabeça também se manifesta, muitas vezes associada à desidratação.
Esses sintomas costumam diminuir com o tempo e podem ser amenizados com ajustes na alimentação, hidratação adequada e progressão gradual da dose.
Entre os sinais de alerta que não são considerados normais e exigem avaliação médica estão: vômitos persistentes ou incontroláveis, dor abdominal contínua, sinais de desidratação (boca seca, redução do volume urinário, tontura), icterícia, dor no peito e alterações de humor importantes.
Fonte: Marie Claire
O que seu dentista consegue ver antes mesmo de você sentir dor
Muita gente acredita que o dentista só deve ser procurado quando algo dói. Mas quando a dor aparece, o problema já está avançado. A odontologia moderna permite identificar alterações muito antes de qualquer sintoma — e esse é o grande objetivo da prevenção.
Durante uma consulta de rotina, o dentista consegue identificar inflamações iniciais, início de lesões de cárie, sinais de desgaste por bruxismo, retrações gengivais, alterações na mordida, pequenas fraturas, início de uma perda óssea.
Exames complementares — como tomografias, radiografias, testes de saliva, escaneamento digital 3D — revelam detalhes invisíveis a olho nu e ajudam no diagnóstico precoce. Esse olhar atento evita tratamentos longos, dolorosos e custosos, preserva estruturas naturais e garante mais conforto e saúde.
A dor é o último aviso do corpo. Cuidar antes dela aparecer é o caminho mais inteligente.
* Dra. Bárbara Galdeano é cirurgiã-dentista com mais de 20 anos de experiência clínica.
Fundadora da Galdeano Odontologia & Saúde, é idealizadora do Programa ECOA, um modelo de atenção odontológica focado na prevenção, acolhimento e educação do paciente. Reconhecida por sua atuação ética, humanizada e atualizada com as inovações da odontologia digital, acredita que a saúde bucal é parte essencial da saúde geral e deve ser promovida com proximidade, escuta e propósito.
Para conhecer você pode ligar para o Whatsapp: (21) 98135-0401
Acessar o Instagram: https://www.instagram.com/galdeanoodontologia ou o site www.galdeanoodontologia.com.br
Cerca de 62% dos brasileiros adultos estão acima do peso
Os números são alarmantes: 62% dos brasileiros adultos estão acima do peso, e cerca de um em cada quatro convive com a obesidade. Se você acha que isso é assustador, saiba que em apenas duas décadas, o Brasil praticamente dobrou seus índices de obesidade, tornando-se um dos países com maior crescimento dessa condição no mundo.
A pandemia de Covid-19 acelerou ainda mais essa crise silenciosa. Durante o isolamento social, o ganho de peso médio por brasileiro foi de 7 quilos, segundo dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). E não, não foi apenas o sedentarismo ou o acesso facilitado à geladeira, foi algo muito mais profundo.
Para as mulheres entre 35 e 55 anos, esse cenário é ainda mais crítico. Dados recentes mostram que 70% das mulheres nessa faixa etária tentaram emagrecer nos últimos 12 meses. E aqui está o dado mais revelador: a vasta maioria falhou. Não por falta de esforço, mas porque tentaram da forma errada.
Os custos vão além da balança. A obesidade é hoje a principal causa evitável de morte no Brasil, superando até mesmo o tabagismo. Ela está diretamente relacionada a diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, diversos tipos de câncer e problemas articulares. O Sistema Único de Saúde (SUS) gasta bilhões anualmente tratando doenças relacionadas à obesidade.
Mas por trás desses números frios existe uma realidade devastadora: são 27,9 milhões de mulheres brasileiras com sobrepeso ou obesidade, cada uma carregando suas próprias histórias de frustração, culpa e dor. Mulheres que já gastaram entre R$ 5 mil e R$ 20 mil tentando emagrecer e ainda assim estão presas no ciclo interminável do efeito sanfona.
A epidemia é silenciosa porque o verdadeiro sofrimento acontece nos bastidores, longe dos holofotes. Acontece quando você evita espelhos e fotos. Quando guarda roupas de três tamanhos diferentes “para quando emagrecer”. Quando cancela viagens e eventos porque não quer ser vista assim. Quando o relacionamento íntimo esfria porque você não se sente desejável. Quando seus filhos comentam sobre seu peso e você morre por dentro.
O que não está funcionando
Se você já tentou emagrecer seguindo uma dieta restritiva, se já contou cada caloria obsessivamente, se já eliminou carboidratos ou gorduras completamente da sua vida, se já se matriculou naquela academia cara com promessa de “transformação em 90 dias” você não está sozinha.
E se esses métodos não funcionaram a longo prazo, você definitivamente não está sozinha.
A verdade inconveniente que a indústria bilionária do emagrecimento não quer que você saiba é esta: 95% das dietas restritivas falham em um prazo de 5 anos. Se 95% das pessoas falham, será que o problema está nas pessoas ou no método? Você não é fraca. Não é preguiçosa. Não tem “falta de força de vontade”. O método que está sendo vendido para você é que está falido.
O mercado de emagrecimento movimenta bilhões de reais anualmente vendendo a mesma promessa embalada de formas diferentes: “coma menos, exercite-se mais, tenha disciplina”. Shakes substitutos de refeição. Dietas com nomes chamativos (low carb, cetogênica, jejum intermitente, detox). Aplicativos que transformam a alimentação em matemática obsessiva. Planos alimentares que eliminam completamente o prazer de comer.
E o mais absurdo? Recentemente vimos a explosão dos “remédios milagrosos” para emagrecimento, injeções semanais que prometem perda de peso rápida e fácil. Ozempic, Wegovy, Mounjaro viraram quase moda nas rodas de conversa. E o que ninguém te conta é que assim que você para de tomar, o peso volta. Porque, mais uma vez, estamos tratando o sintoma e ignorando a causa. Tudo isso focado exclusivamente no corpo físico. Como se você fosse apenas um saco de carne que precisa de menos combustível.
O resultado? Um ciclo vicioso e doloroso que você conhece muito bem:
- Você começa uma nova dieta cheia de motivação e esperança (outra vez)
Segue as regras rigidamente, privando-se de alimentos que ama - Perde alguns quilos inicialmente (sim!) O corpo entra em modo de escassez, o metabolismo desacelera A vida acontece: estresse no trabalho, problema familiar, uma emoção difícil. Você “quebra” a dieta e come aquilo que estava proibidoVem a culpa avassaladora, a sensação de fracasso familiar.
O peso volta (às vezes com juros, o temido efeito sanfona)
- Você se sente ainda pior do que antes
- Espera um pouco e procura a próxima dieta milagrosa, pensando “desta vez será diferente”
Esse ciclo não é uma falha sua. É uma falha estrutural do método
Pesquisas mostram que mulheres entre 35 e 55 anos, em média, já tentaram entre 15 e 30 dietas diferentes ao longo da vida. Trinta tentativas. Trinta fracassos. Trinta vezes se sentindo culpada, incapaz, envergonhada.
E a cada tentativa, algo piora: o efeito sanfona não apenas te faz recuperar o peso, mas muitas vezes você ganha mais do que perdeu. Seu metabolismo fica cada vez mais confuso. Sua autoconfiança vai pro chão. E o pior: você começa a acreditar que o problema é você.
Quando tratamos a obesidade apenas como uma questão de calorias que entram versus calorias que saem, estamos simplificando brutal e perigosamente um problema complexo, multifatorial e profundamente humano.
Estamos ignorando décadas de pesquisas em neurociência, psicologia comportamental e ciência do trauma que nos mostram uma verdade incômoda: se a solução fosse apenas comer menos e se exercitar mais, por que tantas mulheres inteligentes, determinadas, bem-sucedidas em suas carreiras, capazes de gerenciar casa, filhos, trabalho e mil responsabilidades.
Por que essas mulheres ainda lutam ano após ano com seu peso? A resposta está justamente onde ninguém está olhando: dentro de você.
A verdade invisível
Deixe eu te contar algo que pode mudar completamente sua perspectiva sobre seu peso: você não tem um problema com comida. Você tem um problema que está tentando resolver com comida. Ao longo dos meus 4 anos trabalhando exclusivamente com emagrecimento comportamental e das mulheres que já atendi, descobri um padrão que se repete quase universalmente: a comida deixou de ser apenas alimento.
Ela virou conforto quando você se sentiu sozinha, recompensa quando ninguém reconheceu seu esforço, companhia quando a solidão doía demais. Pausa quando a vida estava caótica demais, Punição quando você se sentiu culpada, controle quando tudo ao redor parecia fora de controle, anestésico para emoções que você não sabia como processar.
A neurociência nos mostra algo fascinante: quando comemos alimentos altamente palatáveis (ricos em açúcar, gordura e sal), nosso cérebro libera dopamina, o mesmo neurotransmissor liberado por drogas como cocaína e heroína. Por isso a expressão “viciado em açúcar” não é metáfora. É literalmente o que acontece no seu cérebro.
Mas aqui está o ponto crucial: você não desenvolveu esse padrão porque é fraca ou sem controle. Você desenvolveu porque é humana, e seu cérebro encontrou uma forma rápida e acessível de aliviar dores emocionais que não sabia como processar de outra forma.
Pense em quando você come sem fome de verdade. O que normalmente está acontecendo
- Você acabou de ter uma discussão com alguém?
- Recebeu uma crítica no trabalho?
- Está se sentindo invisível no relacionamento?
- Passou o dia inteiro cuidando de todo mundo menos de você?
- Está ansiosa com alguma situação futura?
- Se sentiu rejeitada ou excluída de alguma forma?
- Está exausta de carregar tantas responsabilidades sozinha?
É aí que mora a verdade: você não está com fome. Você está com uma ferida emocional aberta. Em meus anos trabalhando com essa dor, identifiquei cinco feridas emocionais principais que alimentam (literalmente) os padrões de compulsão e descontrole alimentar. Sáo elas:
1. A Ferida da Rejeição
Se você cresceu sentindo que não era boa o suficiente, que precisava ser diferente para ser aceita, a comida pode ter se tornado a única coisa que te “aceitava” sem julgamentos. Ela nunca te rejeitou. Estava sempre ali, disponível, sem fazer perguntas.
2. A Ferida do Abandono
Se você experimentou perdas significativas, separações dolorosas ou sentiu que as pessoas importantes saíram da sua vida, especialmente na infância, pode ter desenvolvido uma relação de dependência emocional com a comida.
3. A Ferida da Humilhação
Se você foi ridicularizada, envergonhada ou humilhada, especialmente em relação ao seu corpo, peso ou aparência, pode ter desenvolvido dois padrões opostos mas igualmente destrutivos:
Padrão 1: comer como forma de autopunição (“já que dizem que sou gorda mesmo, dane-se, vou comer tudo”).
Padrão 2: usar o peso como armadura protetora. Uma forma inconsciente de se tornar “invisível” ou menos sexual, para não correr o risco de ser machucada novamente.
4. A Ferida da Traição
Se você sentiu que sua confiança foi quebrada, que foi traída por pessoas em quem acreditava (pais, parceiros, amigos), pode ter desenvolvido dificuldade profunda em confiar, inclusive em si mesma. O padrão de “sabotar” repetidamente a própria dieta ou processo de emagrecimento está frequentemente ligado a essa ferida: “Se eu me decepciono primeiro, pelo menos não dou chance para ninguém me decepcionar.”
5. A Ferida da Injustiça
Se você cresceu em um ambiente rígido, com regras excessivas, onde seus sentimentos não eram validados e você precisava ser “perfeita”, pode ter desenvolvido uma relação de rigidez e rebeldia com a alimentação.
Cada uma dessas feridas cria padrões neurológicos específicos. Quando você experimenta uma emoção difícil relacionada a essas feridas, rejeição no trabalho, sensação de abandono em um relacionamento, humilhação em uma situação social, seu cérebro automaticamente busca a solução que já aprendeu e registrou como eficaz: comer.
Não é falta de força de vontade. É um padrão neurológico automático que foi criado para te proteger da dor emocional. E aqui está a parte mais importante: enquanto você continuar tratando apenas o sintoma (o peso, a comida), sem olhar para essas feridas emocionais, você vai continuar nesse ciclo infinito.
Você pode até perder peso temporariamente com dietas restritivas ou até mesmo com medicações, mas as feridas continuam ali, abertas, esperando o momento certo para serem “alimentadas” novamente. É por isso que tantas mulheres me procuram dizendo exatamente isto: “Eu sei o que preciso fazer, sei o que devo comer, mas simplesmente não consigo fazer.” Porque o problema nunca foi sobre saber. Foi sempre sobre sentir.
O caminho: emagrecer de dentro para fora
Se você chegou até aqui, provavelmente já está tendo alguns insights sobre sua própria jornada. Talvez esteja começando a conectar os pontos entre situações da sua vida e seus padrões com comida. E se isso está acontecendo, saiba que o processo de transformação mais importante já começou: a consciência.
O emagrecimento verdadeiro e sustentável, aquele que não volta mais, não começa na geladeira ou na academia. Começa quando você para de guerrear contra si mesma e começa a entender o que realmente está acontecendo. Começa quando você deixa de ver a comida como inimiga e passa a vê-la como mensageira, uma forma que seu corpo e mente encontraram de comunicar que algo precisa ser cuidado.
Emagrecer de dentro para fora significa tratar a causa raiz, não apenas o sintoma. Minha própria jornada é prova viva disso. Foram anos fazendo dietas, tentando todos os métodos, perdendo e ganhando peso repetidamente, até que finalmente olhei para dentro e entendi que meu peso era apenas a manifestação física de dores emocionais não curadas.
Quando finalmente transformei minha relação com a comida, quando aprendi a processar minhas emoções de formas saudáveis, quando parei de usar comida como anestésico foi aí que emagrecimento real aconteceu. E ela permanece até hoje.
Nos meus quatro anos trabalhando exclusivamente com emagrecimento comportamental para mulheres, desenvolvi uma metodologia que integra cinco pilares fundamentais:
1. Mentalidade
Antes de mudar o que você come, precisamos mudar como você pensa sobre comida, sobre seu corpo e sobre si mesma. Isso inclui identificar e desafiar crenças limitantes que você carrega há anos:
- “Eu sempre fui gorda e sempre vou ser”
- “Eu não tenho força de vontade”
- “Emagrecer é sofrer”
- “Meu metabolismo está destruído”
- “Eu sou diferente, comigo não funciona”
Essas crenças criam sua realidade. Quando transformamos a mentalidade, transformamos as possibilidades.
2. Regulação emocional
Aqui está o coração da transformação. Você precisa aprender formas saudáveis de processar e regular suas emoções que não envolvam comida. Isso significa desenvolver repertório emocional: reconhecer o que está sentindo (muitas vezes nem sabemos nomear a emoção), validar essas emoções sem julgamento (“não sou fraca por sentir isso”), e ter ferramentas práticas baseadas em Terapia Cognitivo-Comportamental e neurociência para lidar com elas.
É sobre curar as feridas emocionais que alimentam os padrões compulsivos. Não dá para pular essa parte.
3. Estratégias praticas
Sim, a alimentação importa. O movimento importa. Mas não da forma punitiva e restritiva que você está acostumada. Trabalhamos com estratégias alimentares flexíveis, que respeitam suas preferências, sua rotina, sua humanidade e sua realidade de mulher com mil responsabilidades.
Nada de listas intermináveis de alimentos proibidos. Nada de pontos ou matemática obsessiva. Apenas orientações baseadas em evidências científicas que você consegue sustentar pelo resto da vida porque são compatíveis com a sua vida real.
4. Mudança de comportamento
Baseada na terapia cognitivo-comportamental, esta parte foca em identificar gatilhos, padrões automáticos e criar novos circuitos neurológicos. É aqui que o conhecimento vira prática. Onde você aprende a agir diferente mesmo quando a emoção está gritando para você agir da forma antiga. Onde construímos, tijolinho por tijolinho, novos hábitos que se tornam automáticos.
5. Espiritualidade
Não estou falando necessariamente de religião, mas de conexão com algo maior que você mesma. De encontrar propósito, significado e aceitação profunda. De entender que você é muito mais do que um número na balança.
Esse pilar traz a paz interior necessária para que a transformação seja gentil, amorosa e duradoura e não mais uma guerra brutal contra você mesma.
Quando integramos esses cinco pilares, algo quase mágico acontece: você para de fazer dieta e começa a viver de forma diferente. Naturalmente. Sem esforço excessivo. Sem sofrimento. A verdade libertadora é esta: quando você transforma sua relação com a comida, o emagrecimento acontece como consequência natural, não como objetivo forçado.
Você para de comer compulsivamente porque não precisa mais anestesiar emoções, você aprendeu a senti-las e processá-las de forma saudável. Você para de sabotar suas escolhas porque não está mais em guerra consigo mesma, você finalmente está do seu próprio lado.
Você para de oscilar entre restrição extrema e descontrole total porque encontrou equilíbrio, um caminho do meio que honra suas necessidades físicas e emocionais. E o mais importante: você para de ver emagrecimento como punição pelo corpo que tem e passa a ver como um ato de amor próprio, de cuidado, de honrar a mulher incrível que você é.
A epidemia não vai se resolver com mais dietas
Agora você entende por que essa epidemia é silenciosa: porque estamos olhando para o lugar errado. Estamos tratando corpos quando deveríamos estar cuidando de pessoas. Estamos contando calorias quando deveríamos estar validando emoções. Estamos prescrevendo dietas quando deveríamos estar olhando para as emoçôesl. Estamos vendendo remédios milagrosos quando deveríamos estar ensinando regulação emocional.
A epidemia de obesidade não vai se resolver com mais dietas restritivas, mais aplicativos de contagem de calorias, mais shakes substitutos de refeição, mais injeções semanais ou mais campanhas simplistas de “coma menos, mova-se mais”. Ela só vai começar a se resolver quando mudarmos completamente o paradigma.
Quando entendermos que obesidade não é uma falha moral, mas uma resposta adaptativa a um ambiente emocional e social desafiador. Quando pararmos de culpabilizar indivíduos e começarmos a oferecer ferramentas reais de transformação. Precisamos de uma mudança de paradigma que reconheça a complexidade do ser humano. Que integre corpo, mente e emoções. Que ofereça compaixão em vez de julgamento. Que cure feridas em vez de apenas prescrever privações.
Então, se você está lendo este artigo e reconheceu sua própria história nas palavras, quero que você pare por um momento. Respire fundo. E se faça estas perguntas:
Que emoções estou tentando evitar quando como compulsivamente? Qual ferida emocional pode estar por trás dos meus padrões com comida? O que meu corpo está tentando me dizer através do meu peso? Se minha relação com comida pudesse falar, o que ela estaria pedindo? As respostas a essas perguntas são infinitamente mais importantes do que quantas calorias você consumiu hoje ou quantos quilos a balança marcou esta manhã. Porque a verdade mais libertadora que posso te oferecer é esta: você não está com fome. Você está ferida. E feridas não se curam com restrição, privação ou punição. Elas se curam com cuidado, compreensão e compaixão. Quando você finalmente olha para elas com coragem e amor, quando você as acolhe em vez de negá-las, quando você busca a transformaçâo verdadeira é aí que o milagre acontece.
O corpo que você sempre quis, a paz que você tanto busca, a liberdade que parece impossível, nada disso está do outro lado de mais uma dieta restritiva ou de uma injeção semanal. Está do outro lado da cura emocional.
E essa jornada, apesar de desafiadora, é a mais libertadora que você pode fazer. Porque quando você finalmente emagrece de dentro pra fora, a transformação é permanente.
* Emi Moraes, psicoterapeuta especializada em emagrecimento comportamental, criadora da metodologia “Emagreça de dentro pra fora”.
Instagram: @euemi_moraes
Áudios motivacionais gratuitos: clique aqui!
Obesidade é hoje um dos maiores inimigos da fertilidade, alerta especialista
OMS estima que 17,5% dos adultos enfrentarão problemas para engravidar, cuidados simples de rotina ajudam a proteger a saúde reprodutiva
Antes mesmo de causar problemas cardíacos ou diabetes, a obesidade já pode afetar o sonho de ter filhos. O excesso de peso interfere em hormônios essenciais à ovulação e à produção de espermatozóides, dificultando a gravidez.
“O excesso de peso provoca alterações hormonais capazes de prejudicar a produção de espermatozoides e a ovulação tornando a fecundação mais difícil para os dois sexos”, explica Dr. Maurício Chehin, ginecologista e especialista em medicina reprodutiva do Grupo Huntington.
De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade, 68% dos brasileiros vivem hoje com excesso de peso; 31% têm obesidade e 37% estão com sobrepeso. No caso das mulheres, a obesidade pode gerar ciclos menstruais irregulares e diminuir a frequência de ovulação.
“Recomendamos que pacientes com obesidade ou sobrepeso busquem acompanhamento médico e nutricional antes de engravidar, seja de forma espontânea ou por Fertilização in Vitro. A perda de peso aumenta as chances de sucesso e reduz riscos importantes na gestação”, afirma Chehin.
Entre os homens, os impactos também são significativos. A obesidade afeta tanto a quantidade quanto a qualidade dos espermatozoides e pode comprometer a função sexual. “O acúmulo de gordura altera o equilíbrio hormonal reduzindo a testosterona e aumentando o risco de disfunção erétil. Isso repercute diretamente na motilidade e concentração dos espermatozoides”, acrescenta o especialista.
O crescimento da obesidade no país é impulsionado por padrão alimentar inflamatório, sedentarismo e longos períodos de exposição às telas. Para o médico, esse conjunto tem ampliado os desafios reprodutivos no Brasil. “Já vemos quase um terço da população vivendo com obesidade e isso tem consequências claras para a saúde reprodutiva”, observa.
Riscos durante a gestação
Além de dificultar a gravidez, o excesso de peso aumenta taxas de aborto e complicações obstétricas. “A obesidade eleva o risco de hipertensão, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, parto prematuro e problemas durante o parto. Controlar o peso antes da gestação é um fator de proteção fundamental para mãe e bebê”, destaca Chehin.
Estilo de vida e prevenção
Mudanças simples de rotina têm impacto direto na fertilidade. “Dormir bem, não fumar, manter peso saudável pra, praticar atividade física, moderar o consumo de álcool, adotar uma alimentação equilibrada e manter relações sexuais regulares cerca de três vezes por semana são medidas que favorecem a saúde reprodutiva”, orienta o especialista.
Chehin faz ainda dois alertas importantes: o uso de lubrificantes vaginais inadequados que podem comprometer a mobilidade dos espermatozoides e o risco das infecções sexualmente transmissíveis.
“As ISTs são causas frequentes de infertilidade e muitas vezes só são percebidas quando já provocaram danos”, afirma.
O médico reforça que consultas periódicas com ginecologistas e urologistas são essenciais para monitorar a saúde reprodutiva. “O acompanhamento regular permite identificar e corrigir fatores de risco e preservar a fertilidade antes que ocorram danos irreversíveis”, finaliza.
O que a ciência já sabe sobre o uso da testosterona pelas mulheres
Especialista em menopausa, a médica e pesquisadora Fabiane Berta explica por que o hormônio, longe de ser um “atalho estético”, tem papel neuroativo essencial e quando seu uso realmente é indicado
A testosterona voltou ao centro do debate sobre saúde feminina. Nos consultórios e nas redes sociais, cresce o interesse pelo hormônio frequentemente associado, de forma equivocada, a mais energia, emagrecimento rápido ou ganho estético. Mas a ciência aponta para outro caminho.
Segundo a pesquisadora e especialista em menopausa Fabiane Berta, o efeito mais conhecido e comprovado está na modulação do desejo sexual, da motivação, da cognição e da clareza mental. Esses benefícios são especialmente relevantes no contexto da menopausa, quando os níveis séricos (quantidade de uma determinada substância no sangue), caem para cerca de 25% do pico observado aos 20 anos.
“Testosterona não é suplemento de disposição e não é atalho estético. É um hormônio neuroativo, com ação direta sobre desejo sexual, motivação, cognição e clareza mental”, explica a médica.
Berta acompanha os avanços no uso clínico do hormônio, enfatizando que a testosterona, quando usada em níveis fisiológicos, pode participar diretamente da regulação da chamada “névoa cerebral”, que é caracterizada por lapsos de memória, dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e redução da fluência verbal, com substrato neurobiológico.
“Mulheres na peri e pós-menopausa frequentemente relatam melhora desses sintomas. Quando essa névoa melhora, melhora na dose certa, bem prescrita, monitorada e dentro da faixa fisiológica. Nunca em protocolos inflacionados vendidos como solução mágica”, reforça Fabiane.
Berta também destaca que a indicação do hormônio com consenso global trata do transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD) em mulheres pós-menopausa, utilizando formulações transdérmicas em doses fisiológicas e recomendação apoiada por um conjunto de 11 sociedades científicas internacionais.
“É evidência de nível I, grau A. Fora desse cenário, não há base sólida suficiente para recomendar o hormônio”, explica a médica. O que tem se popularizado nas redes, superdosagens, protocolos de performance, uso para emagrecimento ou ganho de massa sem critério preocupa a especialista.
“Nesses casos, o que aumenta não é o benefício, é o risco”, diz a médica. Entre os efeitos adversos documentados estão acne, hirsutismo, alteração de humor, labilidade emocional e, mais grave, modificações irreversíveis na voz. E ainda há impactos de longo prazo que a ciência simplesmente não conhece”, alerta.
Para Berta, a discussão precisa voltar ao eixo científico. “Hormônio não é tendência de consultório nem viralização de rede social. É decisão clínica que começa no diagnóstico, passa pela prescrição individualizada e se sustenta em monitorização e evidência, não em promessas”, finaliza.
Sobre Fabiane Berta:
Fabiane Berta é médica e pesquisadora (CRMSP 151.126), integrante do Science Medical Team – OB-GYN Specialist. É mestranda no setor de Climatério | Menopausa e pesquisadora adjunta no setor da Endometriose | Dor pélvica pela UNIFESP. Possui pós-graduação em Endocrinologia, Neurociências e Comportamento.
É fundadora do MyPausa, iniciativa que propõe um registro nacional da menopausa nos 27 estados do Brasil para promover uma reforma na saúde feminina, com foco em acessibilidade a tratamentos atualizados e respeito à diversidade regional. Atua como PI sub e chefe do Steering Committee do Estudo MyPausa (Science Valley) e como coordenadora da Saúde Feminina para a Arnold Conference 2026.