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No mês das mães, história de mulher que se tornou cuidadora para compreender o autismo do próprio filho mostra como o cuidado pode transformar não só uma casa, mas a experiência da inclusão nas escolas
Ser mãe é, muitas vezes, aprender um novo jeito de ver o mundo. E, no mês dedicado a elas, a história de uma mulher que transformou dúvidas em conhecimento e ação revela como a maternidade, vivida em sua plenitude, pode ir além dos limites de uma casa e transformar caminhos ao redor.
Quando recebeu o diagnóstico de autismo não verbal do filho, ainda pequeno, Kelly Cristina Oliveira dos Santos, hoje com 49 anos, sentiu o mundo parar.
“Eu achava que nosso mundo tinha acabado. Tinha muito medo do sofrimento que ele poderia passar”, lembra.
Mas, ao invés de paralisar, ela escolheu um caminho que mudaria não só a vida do filho, mas também a de muitas outras famílias: decidiu aprender na prática. E foi além.
Kelly tornou-se cuidadora de alunos com deficiência na rede estadual de ensino. No dia a dia da escola, passou a conviver com adolescentes autistas, observar comportamentos, entender sinais e, principalmente, descobrir que inclusão não está em fórmulas prontas, mas em gestos simples.
Foi assim que o aprendizado atravessou os muros da escola e chegou em casa.
Às vezes, o que parece birra ou chatice para muita gente é só uma forma de uma pessoa com autismo expressar desconforto. Quando a gente entende isso, tudo muda”, diz.
Mãe do pequeno Noah, de 8 anos, que além do autismo também convive com TDAH e déficit de atenção, Kelly passou a olhar para o filho com mais escuta, mais paciência, firmeza e menos medo.
E os resultados começaram a aparecer aos poucos, no tempo dele. “Eu passei a incentivar mais a autonomia e a independência dele. E comecei a ver mudanças. Em um dia, ele conseguiu levar e buscar o próprio prato de comida e, no outro, já estava falando ‘batata frita’. Pode parecer bobeira, mas pra gente não é. Eu vibrei muito quando ouvi e vi aquilo”, conta ela, ressaltando uma frase que carrega um significado imenso para quem aprende a celebrar cada pequena conquista como um grande avanço.
“Hoje, eu entendo que cada dia é uma vitória com o autismo”, pontua Kelly.
Na escola estadual onde atua, em Guarulhos, Kelly também coleciona histórias que reforçam esse aprendizado.
Um dos alunos que ela acompanha, de 16 anos, tinha dificuldade em demonstrar afeto fora do ambiente familiar e resistia à rotina escolar. Com paciência e sensibilidade, ela construiu um vínculo.
“Com jeitinho, fui ganhando a confiança dele. Hoje, ele gosta de ir à escola e já teve momentos em que beijou minha mão. A mãe dele ficou emocionada quando soube”, lembra a cuidadora.
Histórias como essa fazem com que Kelly enxergue seu trabalho como algo maior.
“Eu encaro como se fosse os olhos das outras mães dentro da escola. Cuido dos meus alunos como se fossem meus filhos.”
Cuidado e inclusão
A trajetória dela reflete um movimento que cresce silenciosamente em escolas brasileiras. Kelly faz parte da equipe da Conviva Serviços, instituição que atende de forma terceirizada mais de 10 mil alunos com deficiência em escolas públicas paulistas, por meio de contratos com o Estado e prefeituras. E que também tem um dado revelador: 97% do quadro funcional é formado por mulheres, muitas delas mães.
Para a diretora-presidente da instituição, Maíra Pizzo, esse fenômeno mostra que o impacto da inclusão vai muito além da sala de aula.
“Temos muitas cuidadoras que são mães, tias ou irmãs de pessoas com deficiência e elas trazem uma sensibilidade muito grande e que ajuda no trabalho. O cuidador é peça essencial na inclusão, pois é responsável por auxiliar os estudantes com deficiência em atividades da rotina, como alimentação, locomoção e higiene, contribuindo também para a autonomia, a comunicação e a socialização”, explica Maíra.
“E isso tudo faz com que o aluno tenha acesso ao ambiente da escola regular de forma mais digna. E, muitas vezes, esse aprendizado todo até ultrapassa a escola e transforma também a dinâmica familiar, como vemos na história da Kelly e de tantas outras mães também cuidadoras”, finaliza a diretora-presidente da Conviva Serviços.
Sobre a Conviva
Com três décadas de atuação, a Conviva Serviços exerce importante papel para a educação inclusiva no Brasil. É considerada uma das principais entidades privadas a se especializar para atender aos alunos com deficiência na escola regular, através do cuidador, também chamado de Profissional de Apoio Escolar. A Conviva Serviços está presente em todo o território nacional com importantes atuações em São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo e outros estados. E, além do apoio escolar, oferece equipes multidisciplinares em seu quadro funcional.
Crianças que fazem refeições em família têm hábitos mais saudáveis e melhor saúde emocional
Estudos internacionais mostram o impacto do ambiente familiar na relação dos pequenos com a comida, a saúde e o comportamento
Em meio a agendas corridas, telas à mesa e refeições cada vez mais individualizadas, especialistas alertam para a importância de resgatar momentos de alimentação em família. Segundo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, o ambiente familiar é determinante na formação dos hábitos alimentares, influenciando a saúde metabólica, emocional e comportamental ao longo da vida.
Além disso, estudos internacionais, como o divulgado no início do ano pela Universidade de Cambridge, mostram ainda que crianças que participam regularmente de refeições em família têm melhor qualidade alimentar, com maior consumo de frutas, vegetais e nutrientes essenciais, além de menor risco de sobrepeso “crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. A forma como os adultos se relacionam com os alimentos influencia diretamente o comportamento alimentar dos pequenos”, afirma Gisele Pavin, head de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé Brasil.
Apesar dos benefícios, esses momentos têm se tornado menos frequentes, especialmente em contextos urbanos. Nesse sentido, uma pesquisa da Columbia University (CASA) aponta que adolescentes que jantam com a família 5 vezes ou mais por semana têm menos chances de ter dificuldades acadêmicas, e menor risco de depressão e isolamento social.
Entre as atitudes que podem ajudar no dia a dia estão:
- • Realizar refeições em família sempre que possível
• Dar o exemplo, incluindo variedade no prato
• Envolver as crianças no preparo dos alimentos
• Incentivar a experimentação de novos sabores
“Mais do que impor regras, o importante é criar um ambiente positivo e de troca. A relação com a comida começa na infância e tende a acompanhar a pessoa por toda a vida”, aponta Pavin. Além dos impactos na alimentação, esses momentos também fortalecem vínculos e contribuem para o desenvolvimento emocional das crianças, um fator cada vez mais relevante em um cenário de rotinas aceleradas.
Olhando para a importância de práticas saudáveis na infância, a Nestlé promove a iniciativa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis, que incentiva uma alimentação e hábitos equilibrados e apoia pais e cuidadores na construção de rotinas mais saudáveis para as famílias. Nos últimos anos, a iniciativa esteve presente em escolas públicas de todo o Brasil com ações que engajaram educadores da rede pública na promoção de novos hábitos no âmbito escolar, além de apoiarem a implementação de diversos projetos que promovem uma alimentação equilibrada e prática de atividades físicas.
Os pilares da iniciativa estão alinhados aos cinco comportamentos que o movimento Nestlé por Crianças Mais Saudáveis promove:
- • Alimentação nutritiva e variada
- • beber mais água
- • Comer melhor
- • Curtir as refeições juntos
- brincar ativamente
Sobre a Nestlé
A Nestlé tem mais de 100 anos de atuação no Brasil e segue renovando seu compromisso com a sociedade, como força mobilizadora que contribui para levar nutrição e bem-estar para bilhões de pessoas, criar um ambiente de inclusão e oportunidade para milhares de brasileiros e ser o produtor de alimentos mais sustentável do país. A empresa emprega mais de 30 mil pessoas direta e indiretamente no Brasil e tem 18 unidades industriais em operação localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Goiás, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, além de 12 centros de distribuição e mais de 70 brokers (responsáveis por vendas, promoções, merchandising, armazenamento e distribuição).
Comprometida com boas práticas que vão do campo à mesa do consumidor, a companhia conta com milhares de produtores fornecedores participando de programas de qualidade nas cadeias de cacau, café e leite, que garantem uma produção sustentável e que trazem modernidade ao campo. Além disso, mantém iniciativas nas fábricas como minimizar a utilização de água e energia e reduzir as emissões, ações de reflorestamento e inovações contínuas em embalagens cada vez mais sustentáveis. A Nestlé Brasil está presente em 99% dos lares brasileiros.
Elas são mães 40+ com filhos crescidos e desgaste emocional
Psicóloga fala sobre maternidade na maturidade e questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher, como a chamada “geração sanduíche”, de quem cuida de filhos crescidos e pais idosos
O mês das mães costuma ser ilustrado por imagens de crianças pequenas e de colo, mas, para uma parcela significativa das mulheres, a maternidade na maturidade traz desafios invisíveis e complexos. A Dra. Regina Nicolosi, psicóloga, fonoaudióloga e doutora em comunicação, chama a atenção para a realidade das mães 40+, que muitas vezes se veem no centro da chamada “geração sanduíche”.
De acordo com ela, “a maternidade na maturidade envolve muitas questões que podem prejudicar a saúde emocional da mulher, como o que aflige a ‘geração sanduíche’, em que mulheres acabam sobrecarregadas por terem filhos ainda dependentes financeiramente (adolescentes ou jovens adultos) e terem que cuidar, de maneira parcial ou integral, de seus pais ou parentes idosos”, explica.
Esse cenário de múltiplas demandas ocorre em um momento biológico delicado. A perimenopausa e a menopausa trazem alterações hormonais que intensificam sintomas como irritabilidade, lapsos de memória e exaustão física. Sem o devido acompanhamento, o desgaste emocional pode evoluir para quadros depressivos, alimentados por uma cobrança social de que a mulher “deve ser o pilar inabalável da família”.
Para ajudar mulheres a encontrar o equilíbrio, a Dra. Regina Nicolosi sugere a procura por ajuda psicológica, seja individual ou em grupo. De acordo com ela, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode contribuir para a reestruturação dos pensamentos e comportamentos, ainda mais em uma fase tão delicada. A especialista listou algumas dicas para lidar com a sobrecarga e a culpa:
,• Identifique os pensamentos automáticos:* Sabe aquela voz interna que diz “eu deveria estar fazendo mais”? Na TCC, chamamos isso de distorção cognitiva. Questione a veracidade dessa culpa. Você está realmente falhando ou apenas atingiu seu limite humano?
• Desconstrua o esquema da “Mãe Maravilha”:* A culpa nasce da distância entre quem você é e quem você acha que deveria ser. Aceitar que você não precisa dar conta de tudo sozinha é o primeiro passo para a saúde mental.
• Estabeleça limites saudáveis:* Filhos que já estão na fase final da adolescência, ou já são jovens adultos, precisam de autonomia e, para isso, assumir e realizar tarefas, como ajudar em casa e arrumar o próprio quarto. Pratique o automonitoramento: observe se você está assumindo responsabilidades que não são suas por hábito ou medo de desagradar.
• Resgate o autocuidado como prioridade:* Cuidar de si não é egoísmo; é estratégia de sobrevivência. Atividades que geram prazer e relaxamento ajudam a regular os níveis de cortisol, combatendo a exaustão da “geração sanduíche”.
A Dra. Regina destaca que a realidade da “geração sanduíche” não é privilégio de poucos. Segundo pesquisas divulgadas pela Agência Brasil, o envelhecimento progressivo da população brasileira intensifica esse fenômeno. Em 1980, apenas 4% da população tinha 65 anos ou mais. Em 2022, esse percentual já ultrapassava 10%, com tendência de crescimento nas próximas décadas. “Simultaneamente, as famílias ficam cada vez menores, concentrando o cuidado em menos pessoas, na maioria das vezes, nas mulheres.”
“Precisamos olhar para a transição demográfica. As pessoas estão vivendo mais, enquanto as famílias encolhem de tamanho. Na maioria das vezes, essa responsabilidade de cuidado recai sobre as mulheres”, analisa Dra. Regina Nicolosi.
Neste mês das Mães, é fundamental reconhecer que a “mãe 40+” não precisa carregar o mundo nos ombros. Buscar apoio emocional, reorganizar as demandas familiares e resgatar o próprio bem-estar são atos de coragem e autocuidado, e não de egoísmo.
Autocobrança na maternidade: o preço silencioso de ter que dar conta de tudo
Existe uma ideia que atravessa a maternidade contemporânea de forma quase invisível, mas extremamente potente: a de que a mãe precisa dar conta de tudo, e dar conta bem
Não é só cuidar. É cuidar com presença, com paciência, com leveza, com consistência emocional. É estar disponível, mas também produtiva. É educar, trabalhar, amar, organizar, nutrir, acompanhar… sem falhar. E, se possível, fazendo tudo isso com um sorriso no rosto. O problema é que essa conta não fecha.
Na clínica, isso aparece de forma recorrente. Mulheres exaustas, mas que não se permitem reconhecer o próprio cansaço. Mães que chegam dizendo: “eu sei que não posso reclamar”, “tem gente em situação pior”, “eu escolhi isso”. Como se o sofrimento precisasse de autorização moral para existir.
A autocobrança na maternidade não nasce do nada. Ela é construída socialmente. Vivemos uma época que reforça ideais quase inalcançáveis: a mãe que trabalha como se não tivesse filhos e cria filhos como se não trabalhasse. Esse padrão não é humano é idealizado.
Do ponto de vista psicológico, essa dinâmica costuma gerar um estado constante de inadequação. Porque, inevitavelmente, em algum lugar, a mãe sente que está falhando. E isso alimenta um ciclo: quanto mais ela sente que não está sendo suficiente, mais ela se cobra. E quanto mais se cobra, mais distante fica de qualquer sensação real de suficiência.
Existe também um ponto importante que muitas vezes passa despercebido: a dificuldade de sustentar limites internos. A maternidade convoca entrega, mas não deveria exigir anulação. Winnicott, um pediatra e psicanalista inglês, já apontava que a “mãe suficientemente boa” não é a que acerta sempre, mas é aquela que cuida, falha, repara e, nesse processo, permite que o filho se desenvolva e se torne quem é.
Já acompanhei pacientes que, mesmo extremamente sobrecarregados, não conseguiam delegar tarefas simples. Não por falta de ajuda, mas por uma crença rígida de que “se não for eu, não vai ser bem feito”. Isso não é sobre controle, é sobre valor pessoal atrelado ao desempenho.
E aqui entra uma reflexão fundamental: quando o valor de uma mãe passa a depender do quanto ela consegue dar conta, qualquer limite passa a ser vivido como fracasso. E a consequência disso é silenciosa, mas profunda. A mulher começa a se desconectar de si. Perde a referência do próprio limite, da própria necessidade, do próprio tempo.
E, muitas vezes, só se percebe quando o corpo ou a mente começam a dar sinais mais claros: ansiedade, irritabilidade, culpa constante, sensação de estar sempre atrasada na própria vida.
É importante dizer: a maternidade não precisa ser vivida nesse lugar de exaustão permanente para ser válida. Existe um caminho mais saudável, que passa por reconhecer que dar conta de tudo não é um indicador de competência, é, muitas vezes, um sinal de sobrecarga.
Passa também por aceitar que falhas existem, que cansaço é legítimo e que pedir ajuda não diminui ninguém.
Talvez o ponto central seja esse: sair da lógica da perfeição e entrar na lógica do possível. Porque filhos não precisam de mães perfeitas. Precisam de mães reais. E uma mãe real é aquela que, inclusive, reconhece seus próprios limites, e, ao fazer isso, ensina algo muito mais valioso do que qualquer ideal de desempenho: ensina humanidade.
* Michele Silveira é Psicóloga (CRP 05/26445), mestre em Psicologia pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Logoterapeuta, especialista em transtornos de ansiedade e autora do livro “Ansiedade do Nosso Tempo: do Mecanismo de Sobrevivência ao Adoecimento Silencioso”.
Ao longo de mais de 25 anos, construiu um olhar próprio sobre a ansiedade na contemporaneidade, desenvolvendo, assim, um modelo de compreensão clínica denominado “Ansiedade Pré-Conquista”. Atende em sua clínica, no Vogue Square, Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Leitura ganha papel estratégico na formação das crianças em meio ao avanço das telas
No dia 18 de abril foi celebrado o Dia Nacional do Livro Infantil, data que reforça a importância da leitura na infância e a formação de um hábito de leitura que transcende a obrigação escolar
Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, realizada pelo Instituto Pró-Livro, as crianças entre cinco e 10 anos leram em média 7,2 livros por ano e 62% delas são consideradas leitoras pelo critério da pesquisa (ler um livro inteiro ou em partes nos últimos três meses que antecedem a realização do estudo).
A diretora-pedagógica do ensino infantil da Rede Alfa CEM Bilíngue, Mariane Araújo, explica que a leitura na infância atua não só no processo de alfabetização, mas também no desenvolvimento da autonomia, senso crítico e saúde emocional da criança.
“A leitura na infância precisa ser construída com base no prazer de ler e na curiosidade de aprender. É importante permitir que a criança associe o livro a um momento de descoberta e escolha, e não a uma tarefa imposta, tornando-o uma necessidade orgânica em sua rotina ao invés de uma tarefa imposta”, comenta Mariane.
Ainda de acordo com o panorama feito pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, 68% das crianças nessa faixa etária usam a internet durante o seu tempo livre, 70% assistem televisão, 26% usam o WhatsApp ou Telegram e 10% usam Facebook, Twitter ou Instagram.
Em um mundo dominado por telas e vídeos curtos, a diretora ressalta que o livro físico mantém sua relevância devido à sensorialidade e ao ritmo que impõe, funcionando como um contraponto necessário à aceleração das telas.
“O livro físico exige que a criança pause, toque o papel e use a imaginação para completar a cena, enquanto as ilustrações funcionam como as ‘primeiras galerias de arte’ que a criança visita, favorecendo o foco e a regulação da ansiedade gerada pelo bombardeio digital”, reforça a diretora-pedagógica.
Para que o hábito se fortaleça, o envolvimento familiar também é necessário. Enquanto a escola age desmistificando a leitura e retirando-a do campo da avaliação técnica, projetos que incentivam rituais de leitura em casa, focados no compartilhamento, incentivam os pequenos a criarem gosto pelos livros.
“Atividades de leitura para serem feitas em família que priorizam a escuta são importantes para as crianças criarem uma memória afetiva com o livro, que será carregada por toda a vida”, explica Mariane.
Professor como mediador
O papel da literatura infantil é criar um ambiente divertido e interativo, mas também ir além do entretenimento. Diante das discussões contemporâneas sobre o conteúdo de obras clássicas, o papel dos educadores é atuar como mediadores críticos.
“O educador precisa atuar como um mediador que contextualiza o tempo em que o autor viveu ao invés de apagar o passado. A mediação crítica transforma a leitura em um diálogo, onde a criança é incentivada a questionar visões datadas e a identificar injustiças. Essa abordagem permite que o leitor desenvolva o senso ético”, explica a educadora.
Mariane explica que a capacidade da literatura de lidar com temas densos de forma acessível é essencial para o aprendizado do aluno. Por meio de metáforas e outras ferramentas gramaticais, os livros transformam conceitos abstratos, como emoções, diversidade e inclusão, em narrativas universais.
“Através de personagens que enfrentam o medo, a perda ou a exclusão, o pequeno leitor consegue vivenciar essas emoções de forma segura. Ao apresentar a diversidade como parte natural da trama, a literatura educa pelo afeto e serve tanto de espelho para a própria identidade quanto de janela para o mundo do outro”, conclui a educadora.
Sobre a Rede Alfa CEM Bilíngue
A Rede Alfa CEM Bilíngue foi idealizada através do sonho de uma professora de História e tem uma Filosofia Educacional que impulsiona a percepção do aluno, fazendo-o refletir, questionar e principalmente transformar.
Hoje, a Rede mantém uma sólida premissa de que o conhecimento humano é o maior tesouro a ser legado para as próximas gerações e que, ao mesmo tempo, a autonomia intelectual oferecerá ao estudante a capacidade de manusear o conhecimento, adquirido e/ou produzido, de maneira única e autêntica.
A Rede Alfa CEM Bilíngue aposta na diversificação metodológica para gerar o prazer da aprendizagem, seguida pelo desenvolvimento de múltiplas formas de aprender durante toda a vida, o que permite obter resultados em primeiro lugar nos últimos anos do ENEM em toda a Rede e manter a taxa de 100% de aprovação das Provas de Proficiência de Cambridge. Saiba mais em: alfacembilingue.com.br.
Silêncio corporal de crianças: a infância que desaprendeu a se mover
Entendemos o silêncio corporal de crianças como sinônimo de ordem, mas o cérebro infantil não foi desenhado para aprender em imobilidade prolongada. Ao contrário, ele se estrutura na ação
Adele Diamond demonstrou que funções executivas, o grande “gerente organizacional do nosso cérebro”, encarregado por gerenciar informações diferentes, entender o momento de parar e recalcular a rota, emergem de circuitos que não operam isoladamente no córtex pré-frontal. A interação entre cerebelo e córtex pré-frontal indica que movimento e cognição compartilham bases neurais. Não há um cérebro “pensante” separado de um corpo “executante”. Há um sistema integrado que aprende fazendo.
Essa integração aparece de forma consistente na literatura empírica. Marleen Oudgenoeg-Paz e colaboradores identificam que habilidades motoras nos primeiros anos de vida se associam a desfechos cognitivos posteriores. Em português claro, isso significa que ao explorar o ambiente com o corpo, a criança constrói hipóteses, testa limites e organiza informações.
Na mesma linha, Gesa Libertus evidencia que o desenvolvimento motor está relacionado não apenas à cognição, mas também à percepção e à interação social. Já Hui Shi destaca que atividades motoras que exigem adaptação, estratégia e tomada de decisão tendem a favorecer a eficiência cognitiva. Movimento não é bagunça, excesso de energia ou “hiperatividade”, é investimento neural.
Diante desse corpo teórico, a infância contemporânea apresenta um paradoxo instigante. Segundo a TIC Kids Online Brasil, crianças e adolescentes passam várias horas diárias em ambientes digitais. E o ponto central vai além do tempo de tela, mas na natureza da experiência. A maior parte dessas interações exige pouco deslocamento, pouca coordenação, pouca variação sensório-motora. O corpo participa pouco. O cérebro recebe muito. Essa assimetria pode ser devastadora.
Sem experiências corporais diversificadas, reduz-se a ativação de circuitos que sustentam o desenvolvimento das funções executivas. E, como consequência, surgem dificuldades que costumam ser interpretadas de forma isolada: desatenção, impulsividade, baixa tolerância à frustração. Sintomas que, muitas vezes, são tratados como falhas individuais, quando podem refletir uma arquitetura cotidiana que restringe o agir.
Convém reconhecer: não é a tecnologia, por si só, o problema. A literatura é cautelosa ao evitar relações causais simplistas. O ponto mais consistente é outro, o desenvolvimento depende da qualidade das experiências oferecidas à criança. E experiências corporais são insubstituíveis.
Quando o cotidiano infantil é organizado majoritariamente por telas, perde-se a oportunidade de integrar percepção, ação e pensamento em um mesmo fluxo. Perde-se a chance de aprender com o erro físico, com o ajuste do corpo, com a negociação espacial e social que nenhuma interface digital consegue reproduzir plenamente.
Em um cotidiano cada vez mais mediado por experiências digitais, e, não raro, com restritas oportunidades de ação corporal, é importante reposicionar o movimento como elemento estruturante da aprendizagem. Programas educativos que articulam movimento, autorregulação e habilidades socioemocionais, como práticas de psicomotricidade, dança, artes marciais e jogos em equipe, não configuram apenas atividades complementares, mas contextos de integração funcional entre corpo e cérebro.
Ao exigirem coordenação, tomada de decisão, controle inibitório e interação social, essas experiências favorecem o refinamento de circuitos associados às funções executivas, contribuindo para a organização cognitiva de modo coerente com o que a literatura neurodesenvolvimental tem descrito. Elas são oportunidade de integração e desenvolvimento cerebral para avanço cognitivo. Aqui fica a reflexão: se o cérebro aprende com o corpo, o que estamos oferecendo quando mantemos a infância sentada?
*Sheron Mendes é bióloga, especialista em neurociência do comportamento e professora dos cursos de pós-graduação em educação na UNINTER.
Ovodoação permite engravidar mesmo depois dos 50
Especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington explica como técnica amplia as chances de gestação e destaca que idade da doadora, e não da receptora, é o principal fator de sucesso
Uma geração de mulheres que adiou a maternidade para investir na carreira, em projetos pessoais ou simplesmente por ainda não se sentir pronta está chegando ao climatério com o desejo de ser mãe ainda vivo. Para muitas, a notícia da menopausa soa como uma sentença, mas os avanços da medicina reprodutiva mostram que não precisa ser. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres vivem essa fase, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas o acesso à informação sobre alternativas reprodutivas ainda é restrito: apenas 238 mil foram diagnosticadas pelo Sistema Único de Saúde, o que revela falhas no cuidado com a saúde feminina e amplia a urgência do debate sobre maternidade tardia.
A menopausa costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos e é caracterizada pela interrupção definitiva da menstruação e da função ovariana. Ainda assim, os avanços da reprodução assistida têm ampliado as possibilidades para mulheres que desejam engravidar após essa fase da vida.
Entre essas alternativas, a ovodoação vem ganhando espaço como uma opção segura e eficaz para mulheres em idade mais avançada. Nesse modelo, óvulos doados são fertilizados em laboratório e o embrião é transferido para o útero da paciente, que pode levar a gestação normalmente, mesmo já estando na menopausa.
De acordo com a especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, Dra. Thaís Domingues, o processo é viável porque, apesar da interrupção da produção de óvulos, o útero continua apto para receber uma gestação com o preparo hormonal adequado. “Mesmo sem menstruar, a mulher pode engravidar com óvulos doados. A medicina hoje permite que o útero seja preparado para receber esse embrião com segurança”, explica.
A idade da doadora, não da receptora, define as chances de sucesso
Um dos aspectos mais relevante (e menos conhecido) do tratamento é que as chances de sucesso não estão relacionadas à idade da mulher que irá gestar, mas sim à idade da doadora no momento da coleta dos óvulos. Esse fator muda completamente as perspectivas para pacientes em idade mais avançada.
“Costumamos dizer que é um gesto de empatia profunda, que possibilita a realização do sonho da maternidade para quem já não tem mais óvulos viáveis”, afirma a Dra. Thaís.
A técnica surge, assim, não apenas como uma alternativa médica, mas como resposta concreta a uma transformação social em curso: mulheres que chegaram ao climatério com projetos de vida ainda em aberto encontram na ciência uma possibilidade real de realizá-los.
Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva
Com 30 anos de história e tradição, a Huntington Medicina Reprodutiva é uma das principais referências em reprodução assistida no Brasil. Ao longo de sua trajetória, construiu reconhecimento nacional pela excelência médica, rigor científico e pelo cuidado humano oferecido a pacientes e famílias que buscam realizar o sonho da parentalidade.
A clínica atua com um portfólio completo de tratamentos em reprodução assistida, contemplando infertilidade feminina, masculina e do casal, congelamento de óvulos, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas, oncofertilidade, aconselhamento genético e tecnologias avançadas de laboratório, como o sistema time-lapse, sempre com uma abordagem individualizada e acolhedora.
Atualmente, a Huntington integra o Grupo Eugin, uma das maiores e mais respeitadas redes de reprodução assistida do mundo, presente em nove países. Essa conexão internacional fortalece o intercâmbio científico, a inovação contínua e o compromisso da Huntington com a evolução da medicina reprodutiva, mantendo o paciente no centro de todas as decisões.
Mães narcisistas: o reflexo distorcido e construção da autoestima
A relação entre mães e filhos é frequentemente idealizada pela sociedade como um vínculo de amor incondicional e acolhimento absoluto
No entanto, quando a figura materna apresenta traços marcantes de narcisismo, essa dinâmica familiar sofre uma profunda distorção, deixando marcas silenciosas, porém muito profundas no desenvolvimento emocional da criança. Para a psicanálise, a mãe atua como o primeiro “espelho” do bebê e primeiro lugar de amor.
É através do olhar e da resposta materna que a criança começa a reconhecer a si mesma, a dar contorno às suas próprias emoções e a construir o seu valor no mundo. Mas o que acontece quando esse espelho não reflete a criança, e sim a própria mãe?
Uma mãe com comportamento narcisista tem uma grande dificuldade em enxergar os filhos como indivíduos próprios, dotados de desejos, opiniões e necessidades. Em vez disso, ela os enxerga como extensões de si mesma. O papel da criança, muitas vezes de forma inconsciente, passa a ser o de alimentar o ego materno.
Isso pode ocorrer de duas formas: seja alcançando um sucesso irreal para que a mãe possa se exibir perante os outros, seja mantendo-se totalmente submissa para jamais ofuscar o brilho e o controle que a mãe exige possuir.
Nesse cenário de exigências, o desenvolvimento emocional do filho é severamente prejudicado. As emoções genuínas da criança são frequentemente invalidadas, minimizadas ou ignoradas. Se ela demonstra tristeza ou frustração, a mãe pode interpretar isso como uma afronta pessoal ou um ataque, em vez de acolher o sofrimento. Como consequência, a criança aprende desde muito cedo uma lição dolorosa: para receber algum afeto (ou simplesmente para evitar a rejeição), ela precisa esconder quem realmente é.
Para sobreviver a esse ambiente de desamparo, a criança cria o que a psicanálise chama de “falso self” (um falso eu). Trata-se de uma máscara de proteção emocional. O filho passa a agir exclusivamente de acordo com o que a mãe espera, abafando suas próprias vontades e sua espontaneidade. Ele se torna um verdadeiro especialista em monitorar o humor materno para evitar conflitos, vivendo em um estado de alerta constante.
Esse apagamento afeta diretamente a construção da autoestima. Uma autoestima saudável nasce da experiência de ser amado e aceito pelo que se é, com falhas e virtudes. Quando o amor materno é condicional e focado apenas na utilidade da criança para a imagem da mãe, o filho cresce com uma sensação crônica de inadequação e vazio. Ele carrega a crença silenciosa de que “nunca é bom o bastante”.
Na vida adulta, isso pode se traduzir em relacionamentos afetivos abusivos, dificuldade em impor limites, autocrítica implacável e uma busca incessante por aprovação externa. A pessoa continua procurando no mundo o olhar de aceitação que lhe faltou na infância.
Reconhecer que se cresceu sob a sombra de uma mãe narcisista é um processo muito doloroso, pois exige enfrentar a dura realidade do vazio emocional vivenciado no passado. Contudo, essa tomada de consciência é o primeiro passo para a libertação. O processo terapêutico oferece um espaço seguro e sem julgamentos para que o indivíduo possa, finalmente, dar voz àquela criança que foi silenciada.
Ao elaborar essas feridas na análise, é perfeitamente possível quebrar o ciclo de dor, resgatar a própria identidade e reconstruir a autoestima, aprendendo a se olhar com compaixão e libertando-se definitivamente do reflexo distorcido do passado.
* Elizandra Souza é psicanalista, escritora, palestrante e docente com mais de 20 anos de experiência em atendimento clínico e formação de profissionais. Atua com cursos, palestras e atendimentos voltados a psicólogos, psicanalistas, profissionais do Direito e pessoas interessadas em saúde mental, comportamento e relações humanas.
É especialista em Psicanálise e Linguagem e em Magistério do Ensino Superior pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC-SP. Possui Mestrado em Educação pela Universidade São Francisco, em Itatiba, e atualmente é doutoranda em Psicologia pela Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales, em Buenos Aires.
Ao longo da carreira, tornou-se professora convidada em diversas instituições de ensino pelo Brasil e passou a abordar temas como crime e psicanálise, misoginia, feminicídio, ansiedade, depressão, infância hiperconectada, violência, transtornos emocionais e os impactos da saúde mental nas relações pessoais e profissionais
Crianças endividadas? O alerta silencioso do consumo precoce na era do Pix e dos jogos online
Clariana Barcelos, especialista em educação financeira, alerta para o avanço do consumo digital entre crianças e defende que o problema não é o acesso ao dinheiro, mas a ausência de diálogo e orientação dentro de casa
O acesso cada vez mais facilitado ao dinheiro, agora a poucos cliques de distância via Pix, cartões digitais e compras dentro de jogos, está transformando a forma como crianças e adolescentes se relacionam com o consumo. O que antes dependia da mediação direta dos pais, hoje acontece de maneira rápida, silenciosa e, muitas vezes, invisível.
Nesse cenário, cresce um fenômeno ainda pouco discutido: o consumo precoce e desassistido, que pode levar crianças a desenvolver comportamentos impulsivos, dificuldade de lidar com frustrações e uma relação pouco consciente com o dinheiro.
Para a educadora financeira Clariana Barcelos, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela vem sendo incorporada à rotina familiar. “A gente não está falando de crianças com dívidas formais, mas de um comportamento de consumo que começa muito cedo e sem orientação. Isso tem impacto direto na forma como esse indivíduo vai lidar com dinheiro na vida adulta”, explica.
Segundo a especialista, a lógica dos jogos online, que estimulam compras rápidas, recompensas imediatas e o uso de moedas virtuais, pode confundir a percepção de valor das crianças. “Quando o dinheiro deixa de ser físico, ele também deixa de ser concreto. Para uma criança, gastar em um clique não tem o mesmo peso de entregar uma nota ou ver o dinheiro acabar”, afirma.
Além disso, o uso do Pix e de cartões vinculados às contas dos pais reduz ainda mais a barreira entre desejo e consumo. “Hoje, a criança não precisa esperar, juntar ou escolher. Isso elimina etapas fundamentais do aprendizado financeiro, como planejamento, paciência e tomada de decisão”, diz Clariana.
A especialista também chama atenção para o papel das emoções nesse processo. “Muitos pais, por falta de tempo ou por culpa, acabam cedendo com mais facilidade aos pedidos. O consumo vira uma forma de compensação emocional e isso é muito perigoso quando se torna um padrão”, alerta.
Abaixo, Clariana compartilha dicas práticas para ajudar aos pais na orientação do consumo digital:
1. Torne o dinheiro visível
Mesmo no digital, ajude a criança a entender o valor real das compras. Sempre traduza: “isso custa X reais” e não apenas moedas do jogo.
2. Crie combinados claros
Defina regras para compras online, como limites de valor e frequência. O importante é que a criança saiba o que pode e o que não pode.
3. Evite o “sim automático”
Nem todo pedido precisa ser atendido. A frustração também faz parte do aprendizado financeiro.
4. Inclua a criança nas decisões
Mostre escolhas do dia a dia: “vamos gastar com isso ou guardar para aquilo?”. Isso desenvolve consciência e prioridade.
5. Fale sobre dinheiro sem tabu
Quanto mais natural for o tema dentro de casa, maior a chance de a criança desenvolver uma relação saudável com o consumo.
Para Clariana, o caminho não está na proibição, mas na construção de uma relação mais consciente com o dinheiro desde cedo. Isso inclui conversas abertas sobre consumo, a participação das crianças em decisões financeiras simples do dia a dia e a criação de combinados claros sobre gastos digitais.
A especialista compartilha abaixo os 5 erros mais comuns dos pais na educação financeira digital de seus filhos:
1. Achar que “é só um joguinho”
Compras dentro de jogos são consumo real e, muitas vezes, recorrente. Ignorar isso é subestimar o impacto financeiro.
2. Liberar o Pix sem supervisão
Facilidade sem orientação acelera o consumo impulsivo e impede o aprendizado sobre limites.
3. Não falar sobre dinheiro
O silêncio não protege, só faz com que a criança aprenda sobre consumo com o mercado.
4. Usar o consumo como recompensa ou compensação
Presentear para aliviar culpa ou emocionar pode criar uma associação perigosa entre dinheiro e afeto.
5. Evitar dizer “não”
Sem frustração, não existe aprendizado financeiro. O “não” também educa.
“Educação financeira não é quanto a criança tem, mas como ela entende o dinheiro. Se a gente não ensina, o mercado ensina e normalmente da pior forma possível”, conclui.
Sobre Clariana Barcelos
Clariana Barcelos é pedagoga, administradora e empreendedora à frente do Poderoso Cofrinho, projeto referência nacional em educação financeira infantil que já impacta milhares de crianças e famílias no Brasil com livros, cursos, materiais didáticos, projetos para escolas e mentorias.
Autora de obras como Meu Poderoso Cofrinho, Minha Mesada Pode Mais e O Valor das Coisas, Clariana combina sua formação acadêmica e mais de 18 anos de experiência no mercado financeiro para tornar a educação sobre dinheiro acessível, prática e lúdica desde os primeiros anos de vida.
Além disso, ela atua como palestrante, colunista e influenciadora digital, defendendo uma abordagem transformadora e democrática para o desenvolvimento da inteligência financeira das novas gerações.
Sobre a Poderoso Cofrinho:
A Poderoso Cofrinho é uma empresa brasileira de educação financeira infantil que tem como missão formar crianças emocional e financeiramente mais conscientes, preparando-as para decisões mais saudáveis ao longo da vida. Fundada por Clariana Barcelos, a marca desenvolve livros, cursos, jogos, materiais pedagógicos e projetos educacionais para famílias, escolas e empresas, utilizando uma linguagem lúdica, acessível e alinhada ao desenvolvimento infantil.
Referência no tema no Brasil, a Poderoso Cofrinho atua para democratizar o diálogo sobre dinheiro desde a infância, contribuindo para uma relação mais equilibrada, ética e responsável com as finanças nas próximas gerações.
Ampliação da licença-paternidade reforça corresponsabilidade parental e pode redefinir papel do pai na Justiça
Sancionada pelo presidente Lula nova Lei nº 15.371/2026 vai além dos direitos trabalhistas e dialoga com guarda dos filhos
O presidente Lula sancionou a lei que amplia a licença-paternidade para até 20 dias no Brasil. A nova legislação (Lei nº 15.371/2026) inaugura um movimento que vai além das relações de trabalho e começa a repercutir diretamente nas relações familiares. A medida representa um avanço importante na consolidação da corresponsabilidade parental — conceito que prevê a divisão equilibrada de deveres entre mãe e pai desde os primeiros dias de vida da criança.
Na prática, ao garantir mais tempo de convivência entre pais e filhos logo após o nascimento ou adoção, a legislação contribui para fortalecer vínculos afetivos e estabelecer uma participação mais ativa do pai na rotina familiar. Esse cenário pode impactar, inclusive, decisões futuras do Judiciário em casos de guarda, convivência e responsabilidades parentais.
De acordo com Patricia Valle Razuk, sócia do PHR Advogados e especialista em Direito de Família e Sucessões, a ampliação da licença-paternidade sinaliza uma mudança cultural relevante, que tende a se refletir nas disputas familiares.
“A discussão sobre corresponsabilidade parental já é bastante presente nas ações de guarda, e a ampliação da licença-paternidade reforça esse entendimento na prática. Quando o Estado incentiva a presença do pai desde o início, ele também consolida a ideia de que o cuidado é um dever compartilhado, o que pode influenciar diretamente a forma como a Justiça analisa o papel paterno”, explica.
Além disso, a medida também pode contribuir para reduzir a sobrecarga historicamente atribuída às mães, promovendo maior equilíbrio nas dinâmicas domésticas. “Essa mudança pode ter reflexos indiretos em temas como pensão alimentícia, divisão de responsabilidades e até na prevenção de conflitos familiares”, acrescenta a advogada.
Impactos para casais LGBTQIAPN+
Outro ponto de atenção está no potencial das novas regras para diferentes arranjos familiares. Afinal, a nova legislação não é direcionada apenas para pais biológicos. Portanto, para casais LGBTQIAPN+, é importante assegurar o princípio de igualdade perante à lei.
“O entendimento do STF é de que a licença deve proteger a criança e garantir isonomia entre os arranjos familiares. Na prática, quem gesta tem direito à licença-maternidade, independentemente de ser uma mulher cis ou um homem trans. Já o outro genitor ou responsável legal acessa a licença-paternidade, agora ampliada, sem distinção quanto à orientação sexual do casal”, conclui Razuk.
Sobre Patrícia Valle Razuk
Sócia e co-fundadora do PHR Advogados. Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), especialista em Direito de Família e Sucessões pela Escola Paulista de Direito (EPD). Especialista em Mediação de Conflitos pela Harvard Law School.