Maternidade

Dengue em crianças: sintomas que os pais não podem ignorar

Evolução rápida do quadro clínico torna a doença mais perigosa para os pequenos; pediatra alerta para sintomas que exigem atenção imediata

 

A dengue em crianças de até cinco anos exige um olhar atento, pois o quadro clínico pode variar com mais frequência e o risco de letalidade é consideravelmente mais alto, chegando a ser três vezes superior ao observado na faixa etária de 10 a 14 anos, segundo pesquisa da Fiocruz. Outro fator que preocupa muitos pais nesse cenário é a semelhança entre os sintomas da dengue e do resfriado comum. Porém, a pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Vivian Pereira, aponta que uma das diferenças entre a doença e um resfriado é que a dengue raramente apresenta sintomas respiratórios como coriza ou tosse.

 

“Dentre os sinais que os pais devem estar atentos está o estado de prostração, no qual a criança perde o interesse por brincadeiras, fica bastante sonolenta ou, no caso de bebês, apresenta uma irritabilidade difícil de ser acalmada. Outro sintoma mais característico da doença nos pequenos é o início súbito de uma febre alta, que geralmente oscila entre 39°C e 40°C”, explica a médica.

 

A doença em crianças, especialmente nas menores de cinco anos, é considerada mais perigosa. De acordo com Vivian, isso acontece devido a uma combinação de fatores biológicos e dificuldades no diagnóstico precoce.

 

“O corpo das crianças é composto por uma proporção maior de água e elas possuem uma reserva de líquidos menor do que os adultos. Isso faz com que a desidratação e o extravasamento de plasma, que ocorre em casos graves de dengue – ocasionando dificuldades respiratórias e sangramento –, aconteça de forma muito mais rápida”, comenta a pediatra.

 

Enquanto em adultos os sinais de gravidade costumam aparecer de forma gradual, em crianças o quadro pode evoluir de maneira repentina, muitas vezes logo após a febre baixar. Além disso, a imunidade das crianças ainda está se desenvolvendo.

 

“O sistema imunológico da criança, ainda em formação, pode reagir de maneira intensa à infecção. Em bebês menores de dois anos, a presença de anticorpos maternos pode, curiosamente, aumentar o risco de uma reação inflamatória mais grave em caso de infecção por certos sorotipos da dengue”, reforça Vivian.

 

Quais sintomas observar em crianças?

 

À medida que a doença progride, é comum o surgimento de dores musculares e articulares. Segundo a pediatra, como os pequenos nem sempre conseguem localizar a dor, eles podem manifestar esse desconforto através da recusa em andar e se movimentar.

 

“Outro sinal frequente é a falta de apetite, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Entre o segundo e o quinto dia de febre, também podem aparecer manchas avermelhadas pelo corpo, que às vezes coçam e podem ser confundidas com outras viroses exantemáticas (doenças infecciosas caracterizadas por erupções cutâneas)”, ressalta.

 

O ponto de maior atenção ocorre justamente quando a febre começa a ceder. Este período, que muitos pais interpretam como o início da melhora, é quando podem surgir os sinais de gravidade.

 

“Nesse momento, é necessário monitorar a presença de dor abdominal intensa, vômitos que não param e qualquer tipo de sangramento, seja no nariz ou nas gengivas. A hidratação rigorosa com água, soro e sucos é o principal cuidado, mas o acompanhamento médico é indispensável para evitar complicações”, explica Vivian.

 

A pediatra indica que os pais fiquem atentos à quantidade de fraldas molhadas. “Se a criança estiver urinando menos que o habitual, é um sinal claro de que a hidratação não está sendo suficiente e o médico deve ser consultado novamente com urgência”, conclui a especialista.

 

Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

 

No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.

 

As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica.

 

Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS.

 

A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.

Maternidade

Peito murcho e bebê “brigando” para mamar. Será que isso é falta de leite?

Especialista em amamentação Bruna Ramos explica que com o tempo a produção se ajusta à demanda do bebê e essa mudança, que assusta muitas mães, é totalmente fisiológica. Entenda!

 

Entre as muitas inseguranças que surgem nos primeiros meses de vida do bebê, uma das mais comuns é a suspeita de baixa produção de leite. O peito deixa de vazar, parece mais “murcho” e o bebê começa a mamar mais rápido ou até a “brigar” no peito. Para muitas mulheres, isso soa como um alerta de que o leite está acabando.

 

Mas, segundo a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, essa mudança é esperada — e, na maioria dos casos, não indica problema algum.

 

“Quando o bebê nasce, o corpo da mulher ainda não sabe quanto ele mama. Então produz leite em abundância. É comum o peito ficar cheio, dolorido, vazando. Só que, conforme o bebê mama em livre demanda, o organismo entende qual é a necessidade real e ajusta a produção”, explica.

 

Esse ajuste costuma acontecer entre a 6ª e a 12ª semana de vida. Nessa fase, cerca de 80% do leite passa a ser produzido durante a própria mamada e não antes dela. “O peito deixa de ficar constantemente cheio, mas isso não significa falta de leite”, reforça Bruna.

 

A chamada “crise dos 3 meses”

 

Por volta do terceiro mês, é comum que o bebê fique mais impaciente no peito: mama por poucos minutos, se distrai, larga e volta ou demonstra irritação.

 

“É uma fase em que o bebê está mais curioso, quer explorar o ambiente e também precisa fazer um pouco mais de esforço para mamar, já que o leite agora é produzido principalmente durante a sucção. E isso é normal”, explica a especialista.

 

Segundo Bruna, esse esforço é, inclusive, benéfico. “A sucção ativa fortalece a musculatura da face e contribui para o desenvolvimento oral.”
O ganho de peso também pode gerar insegurança. “O bebê passa a gastar mais energia porque está mais ativo. É esperado que o ritmo de ganho de peso diminua em comparação aos primeiros meses. Isso não significa que há pouco leite.”

 

Quando é preciso atenção?

 

A preocupação deve surgir apenas em situações específicas. “Se o bebê mama em livre demanda, não usa chupeta ou mamadeira, está crescendo, se desenvolvendo, fazendo bastante xixi e ganhando peso, não há motivo para pensar em baixa produção”, orienta.

 

O uso de bicos artificiais pode interferir. “Chupeta e mamadeira podem gerar confusão de fluxo e de sucção, o que impacta a dinâmica da amamentação.”

 

Para evitar intervenções desnecessárias, como a introdução precoce de fórmula, Bruna reforça: “Peito murcho não é sinônimo de pouco leite. Vazamento não é termômetro de produção. E bebê que mama rápido não significa que está passando fome. Muitas vezes, é apenas o corpo funcionando como deveria.”

 

E conclui: “Essa fase passa. Entender o que está acontecendo traz segurança e ajuda a mãe a viver a amamentação com mais leveza e menos culpa.”

 

Sobre Bruna Ramos:

 

Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.
Criadora do perfil @obebe_chegou,

 

Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças. Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.

 

Siga: https://www.instagram.com/obebe_chegou//

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Cinco ideias para criar um quarto infantil mais seguro, funcional e estimulante

Criar um quarto infantil seguro vai muito além da estética. O ambiente precisa favorecer o desenvolvimento da criança, permitir autonomia e reduzir riscos no dia a dia.

 

A seguir, especialistas em desenvolvimento infantil e design apontam cinco ideias que ajudam famílias a transformar o quarto em um espaço mais protegido, funcional e adequado a cada fase da infância.

  1. Priorizar móveis com cantos arredondados e materiais atóxicos
    Móveis sem quinas vivas e produzidos com materiais certificados ajudam a reduzir riscos de acidentes e evitam a exposição a substâncias nocivas. Essa escolha é especialmente importante nos primeiros anos, quando a criança explora o ambiente de forma mais intensa e espontânea.
  2. Apostar em móveis montessorianos para estimular autonomia
    Camas baixas, estantes acessíveis e módulos que a criança consegue usar sozinha favorecem a independência e o aprendizado prático. A proposta montessoriana respeita o ritmo infantil e incentiva decisões simples do cotidiano, como guardar brinquedos ou escolher livros, sempre em um ambiente seguro. Nesse contexto, a Little Duck vem ganhando destaque ao criar móveis de espuma montessorianos que combinam design modular, materiais seguros e uma proposta clara: apoiar o desenvolvimento infantil por meio do brincar e da autonomia no dia a dia.
  3. Criar áreas de brincar com superfícies macias
    Tapetes, módulos de espuma e pisos acolchoados ajudam a absorver impactos e tornam o espaço mais confortável para brincar no chão. Além da segurança, superfícies macias estimulam o movimento livre e a criatividade, especialmente em atividades físicas e sensoriais.
  4. Manter o ambiente organizado e com circulação livre
    A disposição dos móveis influencia diretamente a segurança. Ambientes com circulação desobstruída reduzem quedas e facilitam a supervisão dos adultos. Soluções modulares e multifuncionais ajudam a adaptar o quarto conforme a criança cresce, sem sobrecarregar o espaço.
  5. Pensar o quarto como um espaço que evolui com a criança
    Ambientes infantis precisam acompanhar as mudanças de interesse, mobilidade e rotina ao longo do crescimento. Escolher móveis flexíveis e soluções que se adaptem a diferentes fases permite que o quarto continue funcional por mais tempo, evitando trocas constantes e garantindo um espaço sempre adequado à idade.

 

Ao pensar o quarto infantil como um espaço de aprendizado, movimento e segurança, famílias conseguem criar ambientes mais acolhedores e alinhados às necessidades reais das crianças, unindo cuidado, funcionalidade e estímulo ao desenvolvimento desde cedo.

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Ciclos de violência silenciosa na infância: como romper?

A violência que marca tantas histórias na vida adulta raramente começa ali. Ao longo da minha trajetória profissional, tenho observado que ela costuma ser construída muito antes, nos vínculos afetivos, nos modelos de cuidado e nos silêncios que cercam a infância.

 

Em um país onde os índices de violência contra mulheres permanecem alarmantes, com registros oficiais apontando, no último ano, cerca de quatro mortes por dia, cresce a urgência de olhar para a origem desses ciclos: lares e ambientes onde crianças crescem sem afeto, limite, respeito e são abandonadas.

 

Vejo que a falta de atenção e de cuidados essenciais no desenvolvimento infantil está, frequentemente, associada à chamada pobreza afetiva, à sobrecarga dos cuidadores e à dificuldade de acesso à informação ou à saúde mental. Esse tipo de negligência emocional não se restringe a contextos de vulnerabilidade socioeconômica: também se manifesta em famílias com maior estabilidade material, nas quais o cuidado afetivo acaba sendo substituído por rotinas, exigências ou pela ausência de escuta, configurando formas silenciosas de violência, muitas vezes sem marcas visíveis.

 

Como psicopedagoga, constato, na prática escolar, que a violência vivida nesse ambiente (ainda que menos visível do que aquela que ocorre dentro de casa) é igualmente devastadora. Acredito que o espaço da escola precisa ser seguro para que a criança aprenda não apenas conteúdos, mas também vínculos, respeito e autoestima. Quando há agressões, exclusões ou negligência afetiva, o processo de aprendizagem é interrompido, pois o sofrimento passa a ocupar o lugar da atenção e da criatividade. Por isso, considero essencial promover conversas nas escolas e investir na formação emocional dos professores.

 

Percebo que sinais de sofrimento emocional podem aparecer de forma simbólica nos desenhos, nas brincadeiras e na fala das crianças. Desenhos escuros, figuras incompletas ou temas recorrentes de agressividade podem indicar a necessidade de atenção e olhar atento. Em alguns casos de violência sexual, podem surgir conteúdos sexualizados ou inadequados à idade nos desenhos e nas brincadeiras, o que exige avaliação cuidadosa de profissionais especializados.

 

Brincadeiras em que surgem dor, castigo ou submissão, assim como frases “se eu sumisse, ninguém ia notar”, costumam funcionar, a meu ver, como pedidos de socorro simbólicos, indicando a necessidade de uma atenção qualificada.

 

É urgente barrar a violência contra o público infantojuvenil e romper esse ciclo para proteger as futuras gerações, tendo em vista que crianças expostas a ambientes violentos podem crescer achando que aquilo é “normal” e reproduzirem isso em suas relações futuras. Afirmo que somente o afeto e a intervenção consciente quebram esse ciclo.

 

Em casos de suspeita de abuso, é fundamental agir sem acusar ou confrontar, abrindo espaço para o diálogo por meio de perguntas acolhedoras. Contar histórias que abordem situações de violência, perguntar se a criança ou o adolescente conhece alguém que passe por esse tipo de situação e criar conexão com os personagens são estratégias que fazem a diferença. E frases que ofereçam proteção, como “se houver algo difícil acontecendo, você pode me contar, estou aqui, sem pressa”, ajudam a promover um ambiente de confiança.

 

Procurar ajuda profissional imediatamente e acionar os canais oficiais de denúncia, como o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), o Conselho Tutelar e o Ministério Público, são importantes. Escolas, postos de saúde, igrejas e comunidades também podem atuar como pontos de atenção, acolhimento e encaminhamento. A ajuda deve vir sem medo nem vergonha. Pedir ajuda é proteger.

 

* Por Paula Furtado, psicopedagoga, escritora infantil, palestrante e contadora de histórias.

 

@paulafurtadopf

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Problemas envolvendo o salário-maternidade aumentaram 124% em cinco anos

As ações judiciais envolvendo o pagamento de salário-maternidade contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cresceram 124% nos últimos cinco anos. Em 2020, foram 86.701 processos. E, em 2025, até novembro, o volume chegou a 194.363 ações, o equivalente a uma média de cerca de 580 novos processos todos os dias. É o que aponta levantamento inédito com base no BI (Business Intelligence) do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), por meio da consolidação dos dados e da verificação dos assuntos presentes nas tabelas de gestão processual do órgão.

 

Entre os principais motivos de o órgão federal negar o benefício estão exigências formais incompatíveis com a realidade dos segurados, especialmente em vínculos precários e no meio rural, além de interpretações restritivas sobre quem pode ser considerado titular do salário-maternidade. Como consequência, famílias que atendem aos requisitos legais acabam tendo o benefício negado na via administrativa e só conseguem o reconhecimento do direito por meio de ação judicial, mesmo se tratando de um benefício de natureza alimentar.

 

De acordo com especialistas, é comum que haja problemas na análise do direito dos benefícios por parte do órgão federal, enquanto peritos técnicos nomeados pela Justiça teriam mais especialização e acabariam por reverter decisões incorretas.

 

Para Raphael de Almeida, advogado especialista em Direito Público e sócio do escritório Duarte & Almeida, há uma combinação entre a evolução do entendimento dos tribunais e um sistema administrativo que não se atualizou na mesma velocidade.

 

“O direito se ampliou na Justiça, mas o INSS continuou aplicando filtros antigos. Hoje, o salário-maternidade deixou de ser visto como um benefício exclusivo do parto biológico e passou a ser compreendido como um instrumento de proteção à criança e à família”, afirma o especialista.

 

O Supremo Tribunal Federal já firmou, nos últimos anos, uma interpretação ampliada sobre benefícios e proteções ligados à maternidade, baseada na ideia de parentalidade e no melhor interesse da criança. A Corte reconheceu que o vínculo de filiação não se limita à origem biológica, abrangendo situações como adoção, guarda judicial, paternidade socioafetiva, uniões homoafetivas e casos em que o responsável pelo cuidado do recém-nascido não foi quem gestou.

 

Almeida também observa que o volume de ações poderia ser significativamente menor se os mecanismos já existentes fossem utilizados de forma mais eficiente. “Se o INSS incorporasse os entendimentos do STF aos seus sistemas e a Advocacia-Geral da União ampliasse a conciliação em temas recorrentes, boa parte dessas ações poderia ser resolvida administrativamente, com menos custo e mais previsibilidade para as famílias”, afirma.

 

Configurações familiares

 

Outro ponto abordado pelos especialistas está no fato de a legislação brasileira não ter sido desenhada para arranjos familiares que fogem do modelo tradicional. A lei foi construída a partir de um modelo familiar único, centrado no parto biológico e na maternidade tradicional. E, mesmo após a Constituição de 1988 ampliar a proteção social, o regramento infraconstitucional acabou por permanecer limitado e não acompanhar a pluralidade das famílias contemporâneas”.

 

Com isso, a adequação do direito acabou acontecendo primeiro na Justiça, tanto Federal, em ações contra o INSS, quanto do Trabalho. “O direito passou a reconhecer que a proteção previdenciária não pode depender apenas de quem gestou”, explica a advogada previdenciária Andrea Cruz, sócia do Andrea Cruz Advogados Associados.

 

“Hoje, o foco jurídico está na parentalidade exercida e no melhor interesse da criança, incluindo famílias homoafetivas, monoparentais, adotivas e situações em que um dos pais assume sozinho os cuidados”, complementa.

 

Recentemente, em Porto Alegre, a juíza federal Catarina Volkart Pinto determinou que o INSS concedesse o salário-maternidade a um pai após a morte da mãe no parto, ao considerar que o benefício deve priorizar a proteção da criança.

Já em Capão de Canoa (RS), o juiz federal Oscar Valente Cardoso condenou o INSS a pagar o salário-maternidade a um pai em união homoafetiva, cuja filha nasceu por meio de barriga solidária. Na decisão, ele reforçou que a interpretação de que o benefício se destinaria exclusivamente à mulher já foi superada.

 

Para o magistrado, o salário-maternidade não se destina apenas a compensar os efeitos físicos da gestação, “mas a garantir os cuidados necessários à criança nos primeiros meses de vida e a formação dos vínculos familiares”.

 

Possíveis mudanças

 

No Congresso, o debate começa a avançar. Em outubro de 2025, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou um projeto de lei que propõe a criação da dupla licença-maternidade para casais formados por duas mulheres. A proposta garante 120 dias de licença individual tanto para a mãe gestante quanto para a não gestante, com os mesmos direitos trabalhistas e previdenciários.

 

O texto prevê a aplicação da dupla licença em casos de adoção, filiação afetiva, reprodução assistida e gestação compartilhada, priorizando o cuidado com a criança e a formação dos vínculos familiares.

 

Apesar dos avanços, a aplicação administrativa do benefício pelo INSS ainda encontra resistência. Para a previdenciarista Andrea Cruz, o problema está na lógica interna do órgão previdenciário, ainda estruturada em torno de uma ideia única de família, baseada no parto biológico e na maternidade tradicional.

 

“Quando a realidade foge desse padrão, como mães não gestantes ou pais em uniões homoafetivas, o sistema simplesmente não sabe como conceder o benefício”, afirma.

 

Esse descompasso impacta diretamente a igualdade no acesso ao direito. Andrea destaca que, quando o reconhecimento do salário-maternidade depende de uma decisão judicial, o acesso deixa de ser automático e universal, dependendo de informação, tempo e recursos financeiros.

 

“Cada uma dessas vitórias vem ao custo de tempo, honorários e desgaste emocional, quando o ideal seria que o INSS aplicasse de ofício as teses dos tribunais e evitasse que essas famílias precisassem bater na porta da Justiça”, afirma.

 

Em 2025, houve um avanço ainda tímido no plano legislativo e administrativo para reduzir a judicialização do benefício. A lei passou a prever expressamente a prorrogação da licença e do salário-maternidade em casos de internação prolongada da mãe ou do recém-nascido. O INSS também regulamentou o fim da exigência de carência mínima para a concessão do salário-maternidade a seguradas autônomas, facultativas e desempregadas.

 

Para os especialistas, embora representem avanços importantes, essas mudanças ainda não foram suficientes para reduzir, na prática, o volume de negativas pela via administrativa. Nesses casos, a orientação é atenção ao motivo do indeferimento. Raphael de Almeida explica que o primeiro passo é identificar exatamente por que o pedido foi negado e verificar se a exigência feita pelo INSS está alinhada com o entendimento atual dos tribunais.

 

“Em muitos casos, a via judicial tem se mostrado mais rápida e eficaz do que o recurso administrativo, especialmente quando o direito já está pacificado na Justiça”, afirma.

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Volta às aulas expõe falha estrutural: escolas ainda não estão prontas para crianças autistas

Com o crescimento contínuo de alunos autistas na rede regular, fevereiro escancara um problema que já não é exceção: falta preparo, apoio e articulação entre escola, saúde e família — e o impacto recai diretamente sobre a autoestima e a saúde emocional das crianças. Fevereiro não marca apenas o retorno às salas de aula. Para milhares de famílias brasileiras, especialmente as famílias atípicas, o início do ano letivo representa um momento crítico de reorganização emocional, pedagógica e institucional.

 

O que há pouco mais de uma década era tratado como exceção hoje é realidade cotidiana: crianças autistas estão presentes em praticamente todas as escolas regulares do país. Em muitas salas de aula, já são três ou quatro alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) dividindo o mesmo espaço, exigindo adaptações pedagógicas, sensibilidade institucional e preparo técnico — algo que ainda não acompanha o crescimento dessa população. Um contingente invisibilizado.

 

Dados atualizados do CDC (Centers for Disease Control and Prevention) indicam que uma em cada 31 crianças está no espectro autista

 

No Brasil, o IBGE estima cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas, o equivalente a 1,2% da população. Os números ajudam a dimensionar o impacto real da volta às aulas: não se trata de poucas crianças retornando à escola, mas de um contingente expressivo que desafia o sistema educacional todos os anos. Ainda assim, muitas escolas iniciam o ano letivo sem planejamento específico, sem formação adequada para professores e com estruturas que transferem para a família — especialmente para as mães — a responsabilidade pela inclusão.

 

Sarita e sua filha Elisa de 7 anos autista não verbal

Quando a escola não acolhe, a dor aparece

 

Para Sarita Melo, mãe de Elisa, de 7 anos, autista não verbal, a volta às aulas sempre foi marcada pela insegurança. A filha já foi rejeitada por três escolas, não por incapacidade de aprender, mas pela falta de preparo institucional. “A exclusão não acontece só quando a matrícula é negada. Ela acontece quando a criança está na sala, mas não é compreendida”, afirma.

 

Segundo Sarita, a ausência de adaptações e de apoio adequado transforma o ambiente escolar em um espaço de sofrimento. “Não é apenas sobre conteúdo. É sobre sobreviver ao dia sem adoecer emocionalmente”, diz.

 

Idealizadora da Jornada do TEA, Sarita destaca que a falta de articulação entre escola, família e saúde faz com que a inclusão ainda dependa quase exclusivamente das mães.

 

Quando a dificuldade escolar vira ferida emocional

 

Para a pedagoga e psicopedagoga Talita Pazeto (na foto de capa), mestre e doutora em distúrbios do desenvolvimento e mãe atípica, as dificuldades de aprendizagem não tratadas precocemente não afetam apenas o desempenho acadêmico. Elas atingem diretamente a autoestima, a socialização e a saúde emocional da criança.

 

“Para uma criança, errar repetidamente, não acompanhar a turma ou ser comparada o tempo todo gera uma ferida emocional profunda. O desempenho escolar está diretamente ligado à construção da autoestima”, explica.

 

Segundo a especialista, ainda é comum que famílias busquem ajuda apenas no final do ano letivo, quando o cansaço se acumulou, as notas já estão comprometidas e o impacto emocional já está instalado.

 

“Nesse cenário, muitas intervenções chegam tarde demais para recuperar conteúdos — e tarde também para proteger a autoconfiança da criança”, pontua.

 

Quando o diagnóstico é realizado no início do ano, as dificuldades identificadas e as intervenções começam de forma estruturada, o cenário muda. Com acompanhamento adequado, orientações claras à escola e estratégias individualizadas, os prejuízos acadêmicos são reduzidos e, principalmente, evita-se que a criança associe aprender a fracassar.

 

A autoestima também se constrói na sala de aula

 

O prejuízo escolar contínuo mina a autoestima infantil de forma silenciosa. A criança passa a se perceber como “menos capaz”, evita desafios, se retrai socialmente e, muitas vezes, desenvolve ansiedade, desmotivação e sofrimento emocional.

 

O impacto não fica restrito à sala de aula. Ele se estende para o comportamento, para as relações sociais e para a forma como a criança se enxerga no mundo.

 

Débora Saueressig- jornalista, autista e mãe atípica do Benjamim de 7 anos

Para a jornalista Débora Saueressig, mãe de um menino de sete anos, autista e estudante da educação fundamental, minimizar a importância da autoestima em nome do formalismo acadêmico é perpetuar a exclusão.

 

“Ignorar o desenvolvimento emocional da criança ou tratá-lo como secundário é naturalizar a exclusão dentro da escola. Não existe aprendizagem possível quando a criança é constantemente colocada em posição de fracasso”, afirma.

 

AEE é direito, não concessão — e a conta recai sobre a família

 

De acordo com Talita Pazeto, um dos principais gargalos da inclusão escolar no Brasil está no descumprimento de uma obrigação legal básica: a oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE).

 

Ela lembra que o Decreto nº 12.686 determina que o AEE deve ser ofertado pelas próprias escolas, públicas e privadas, sendo a realização em centros externos uma possibilidade excepcional, e não regra.

 

“O AEE não é opcional e não pode ser tratado como um favor da escola. A legislação é clara ao afirmar que o Atendimento Educacional Especializado deve acontecer dentro da instituição de ensino e deve integrar o Projeto Político Pedagógico da instituição. Quando a escola apenas encaminha o aluno para fora, sem ofertar o serviço internamente, isso não é inclusão — é descumprimento de um direito garantido”, pontua.

 

Na prática, porém, a ausência desse suporte acaba recaindo sobre as famílias, especialmente aquelas em contextos de maior vulnerabilidade social.

 

Kátia e o marido com o filho Lael, autista de 8 anos

É o que relata Katia Kintino, mãe de Lael, de 8 anos, autista nível 3 de suporte e não verbal. Mulher preta e periférica, professora da Educação Infantil e de Educação Física, com pós-graduação em Educação Especial e Inclusiva e em Autismo, Katia afirma que a volta às aulas expõe um padrão recorrente.

 

“Na prática, a inclusão ainda depende da família. Muitas escolas não têm AEE estruturado, mediadores ou plano pedagógico adaptado. O que deveria ser responsabilidade institucional acaba sendo empurrado para os pais. Eu já precisei dar entrada na defensoria pública e no ministério público para garantir o básico para o Lael.”, diz.

 

Segundo ela, a falta de preparo impacta diretamente o bem-estar das crianças. “Quando a escola não está preparada, o ambiente deixa de ser um espaço de aprendizagem e passa a ser um lugar de sofrimento. Isso afeta a autoestima da criança e aprofunda desigualdades, principalmente para famílias periféricas”, afirma.

 

Talita reforça que a ausência do AEE compromete não apenas o desempenho escolar, mas todo o desenvolvimento da criança. “Não existe inclusão possível sem AEE efetivo. E não existe respaldo legal para a omissão disfarçada de encaminhamento. Quando esse serviço não é oferecido, quem paga o preço é a criança”, conclui.

 

Um debate que precisa sair do privado

 

A volta às aulas não é apenas um evento escolar. É uma questão de saúde pública, educação e desenvolvimento social. Ignorar essa realidade significa perpetuar um ciclo de frustrações que se repete ano após ano para milhares de crianças e famílias.

 

A orientação dos especialistas é clara: se a criança apresenta dificuldades na leitura, escrita, atenção, comportamento ou organização, buscar ajuda no início do ano pode evitar um ciclo de fracassos silenciosos.

 

No fim das contas, garantir aprendizado é importante. Mas garantir a autoestima é essencial e começa com diagnóstico, apoio estruturado e escolas preparadas para uma realidade que já chegou.

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A importância da prevenção contra o vírus VSR nos primeiros meses de vida

Especialista da USP explica sobre os riscos causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR) especialmente em bebês e medidas preventivas para evitar o contágio

 

O vírus sincicial respiratório (VSR) é um agente que provoca infecção respiratória e é um dos principais causadores da bronquiolite e pneumonia viral nos menores de 2 anos, doenças que podem levar à insuficiência respiratória. Esses quadros são mais graves nessa faixa etária devido à imaturidade imunológica e menor calibre das vias aéreas, que ficam mais facilmente obstruídas pelo excesso de secreção produzidas durante a atividade da doença.

 

Pelo vírus ter maior circulação no ambiente entre março e julho, os médicos alertam sobre a importância do tratamento preventivo neste período, com medicamentos injetáveis chamados de imunização passiva.

 

A prevenção é de forma medicamentosa, em que o paciente recebe as células de defesa já prontas, para que quando ele tenha contato com o vírus, esse não consiga se proliferar no organismo, evitando as complicações dessa infecção”, diz a reumatologista pediatra da clínica EVCITI, Lara Melo e médica da Fundação Faculdade de Medicina da USP.

 

“Essas células de defesa já prontas se chamam palivizumabe e nirsevimabe, sendo conhecidas comercialmente como Beyfortus e Synagis”, explica.

 

Para prevenção das doenças do trato respiratório provocadas pelo VSR, os medicamentos injetáveis são aplicados mensalmente ou em dose única, no período de maior circulação do vírus. Quanto ao nirsevimabe (Beyfortus), ele será aplicado em dose única no mês que antecede a sazonalidade (fevereiro) ou no período de maior circulação do vírus (março a julho).

 

No caso do palivizumabe (Synagis) o número de doses são de até cinco (março a julho), sendo que a profilaxia finda ao término do período de aplicação, portanto não são todos os pacientes que receberão as 5 aplicações, pois dependerá da data de nascimento.

 

Segundo a médica, é indicado aplicar o palivizumabe nos seguintes casos:

 

  • • Crianças menores de 1 ano, que nasceram prematuras (com idade gestacional menor de 29 semanas), durante a sazonalidade do vírus.
  • bebês prematuros nascidos entre 29 e 31 semanas e 6 dias de idade gestacional nos primeiros 6 meses de vida, durante a sazonalidade do vírus.
  • • Crianças menores de 2 anos, portadoras de doença pulmonar crônica da prematuridade e que necessitaram de terapêutica (corticosteroides, broncodilatador, diuréticos, suplementação de oxigênio).
  • • Crianças menores de 2 anos com cardiopatia congênita, com repercussão hemodinâmica, hipertensão pulmonar grave ou necessidade de tratamento de insuficiência cardíaca congestiva (ICC).

Já para o caso do nirsevimabe, a indicação é

  • • Crianças menores de 8 meses de idade, cujas mães não se vacinaram na gestação.
  • • Crianças de 8 a 23 meses de idade com risco para infecção grave por VSR.
  1. • Crianças de até 23 meses, mesmo com vacinação materna, que apresente as seguintes condições:
  • Mãe imunossuprimida vacinada durante a gestação;
  • Parto ocorrido antes de 14 dias da vacinação materna;
  • RN de alto risco, que pode incluir, mas não se limita a: doença pulmonar crônica da prematuridade, doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa, imunocomprometidos, Síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas

 

Dra Lara Melo recomenda também que bebês em geral evitem aglomerações e contato com pessoas que apresentem sintomas de resfriado ou gripe. “Caso o paciente tenha contato com o vírus e desenvolva a doença, a profilaxia deve ser suspendida”, orienta a médica.

 

É importante ressaltar que, além das crianças, a infecção pelo VSR é perigosa em pessoas idosas, imunocomprometidas, transplantadas e pacientes com doenças pulmonares ou cardíacas crônicas.  “Como não se trata de uma vacina, esses medicamentos não geram imunidade duradoura, sendo assim, uma pessoa que tenha recebido o palivizumabe ou nirsevimabe na infância não está protegido na vida adulta, por isso a importância de ficar atento aos meios de prevenção nesses outros grupos etários”, afirma a médica.

 

No caso dos idosos, há a vacina Arexvy e Abrysvo, que podem sem aplicadas independente da sazonalidade do vírus. Para as gestantes, é indicado a vacina Abrysvo em que as células de defesa produzidas pela mãe são transferidas pera o bebê através da placenta. Lembrando que a proteção da família também gera proteção para os bebês.

 

Dra Lara Melo – é médica da Unidade de Reumatologia Pediátrica do ICr, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem título de especialista pela Sociedade Brasileira de Reumatologia e faz parte do corpo clínico da EVCITI, do Grupo CITA.

 

Sobre a Clínica EV Citi

 

A EVCITI Terapia Assistida pertence ao Grupo Cita (Centros Integrados de Terapias Assistidas), uma holding referência em todo Brasil para tratamentos de doenças raras e autoimunes composta por cinco clínicas, IBIS, Novaclin e Cliagen, em Salvador e EVCITI e Quiron, em São Paulo elencadas no core business: neuroimunologia, reumatologia, dermatologia e gastroenterologia.

 

O Grupo dispõe de médicos especializados em alta complexidade e cuidado com o paciente, trabalhando dentro das normas rígidas de segurança e qualidade, buscando sempre o aperfeiçoamento e a melhoria dos seus serviços.

 

A EV Citi possui o selo de acreditação de excelência Nível 3 ONA pela Organização Nacional de Acreditação, uma entidade não governamental e sem fins lucrativos, que certifica a qualidade de serviços de saúde no Brasil, com foco na segurança do paciente. O nível 3 comprova que a clínica atingiu a excelência, adotando indicadores para a avaliação de resultados.

 

A Clínica EV Citi possui o selo DNA USP, reforçando a sua excelência e inovação.

 

Clínica EVCiti – Grupo CITA

Av. 09 de Julho, 3755 – Jardim Paulista – São Paulo – SP

Telefone: (11) 30512233 / 94191-9911

@clinicaevciti

 

 

Maternidade

Volta às aulas: como lidar com a adaptação escolar dos pequenos?

Com o início do ano letivo, uma dúvida que surge para muitos pais é qual a melhor forma de vivenciar a adaptação escolar

O cheiro de material  novo e a ansiedade para conhecer a turma marcam o início de um dos períodos mais importantes para os alunos: a volta às aulas. Para as crianças que estão ingressando na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental Anos Iniciais, esse momento é um processo complexo de adaptação escolar.

 

A diretora-pedagógica da Educação Infantil da Rede Alfa CEM Bilíngue, Profª Mariane Araújo, ressalta que a forma como a criança atravessa essas primeiras semanas pode ditar sua relação com o conhecimento pelos próximos anos. “A escola é o primeiro microssistema social fora da família. Se a transição é traumática, o cérebro entende que aquele ambiente é hostil”, comenta.

 

Nos primeiros anos de vida, o sentimento de segurança é a base para qualquer descoberta. A educadora explica que quando uma criança entra em um ambiente desconhecido, seu sistema límbico — responsável pelas emoções — entra em estado de alerta. Uma adaptação gradual ajuda a reduzir os níveis de cortisol (hormônio do estresse), permitindo que o foco mude do “medo do abandono” para a “curiosidade de aprender”.

 

“A fase de adaptação escolar é um marco importante, tanto para a criança quanto para  a família. A maneira como os responsáveis lidam com os momentos de separação e reencontro pode influenciar significativamente a segurança emocional do pequeno e a duração do processo de adaptação”, explica Mariane.

 

A educadora dá algumas dicas de como tornar esse momento mais leve para o aluno:

 

Despedida de “um minuto”: muitos pais, na tentativa de acalmar a criança, acabam prolongando o momento da saída, cedendo a pedidos de “só mais um abraço” ou “fica só mais um pouquinho”. Prolongar a despedida tende a aumentar a angústia da criança e a insegurança dos pais.

 

“O ideal é que a despedida seja firme, carinhosa e, acima de tudo, breve. Um abraço apertado, uma frase de carinho e um tchau decidido. Ao sair, transmita confiança de que a criança está segura e será bem cuidada. A firmeza dos responsáveis é o que, paradoxalmente, traz segurança à criança”, ressalta a diretora-pedagógica.

 

Promessa do retorno: crianças pequenas, especialmente aquelas abaixo dos quatro anos, ainda não têm a noção de tempo abstrato (horas, minutos) completamente desenvolvida. Dizer “volto às cinco da tarde” não faz sentido para elas.

 

Para que a promessa do retorno e gere menos ansiedade, ela deve estar atrelada a eventos concretos e rotineiros do ambiente escolar. Dizer “volto depois do seu lanche” ou “a mamãe chega depois da sua soneca” é muito mais claro e reconfortante do que usar horários. A criança consegue visualizar o evento e antecipar o reencontro.

 

Como observar a adaptação?

Existem alguns fatores que os responsáveis podem esperar durante o processo de adaptação da criança ao ambiente escolar e estes podem ser divididos em três fases principais.

 

“Nos primeiros dias, o comportamento mais comum é a manifestação de intensa curiosidade ou choro na hora da entrada. O papel dos responsáveis nesse momento é manter a calma e, principalmente, confiar na equipe escolar”, afirma Mariane.

 

Em seguida, a segunda fase é marcada pela percepção da criança de que a ida à escola será diária, o que pode levá-la a relutar em ir. Logo, a atitude dos Responsáveis deve ser de reforçar os pontos positivos da escola e manter a rotina estabelecida. Por fim, a fase de Estabilização é caracterizada pela criação de vínculos significativos com professores e colegas.

 

“A adaptação não tem um prazo de validade fixo. Enquanto algumas crianças se sentem em casa em algumas horas, outras precisam de mais momentos de observação e paciência. O sucesso desse rito de passagem não é medido pela ausência de choro, mas pela construção de uma ponte de confiança entre a casa e a sala de aula”, finaliza a diretora-pedagógica.

 

Sobre a Rede Alfa CEM Bilíngue

 

A Rede Alfa CEM Bilíngue foi idealizada através do sonho de uma professora de História e tem uma Filosofia Educacional que impulsiona a percepção do aluno, fazendo-o refletir, questionar e principalmente transformar. Hoje, a Rede mantém uma sólida premissa de que o conhecimento humano é o maior tesouro a ser legado para as próximas gerações e que, ao mesmo tempo, a autonomia intelectual oferecerá ao estudante a capacidade de manusear o conhecimento, adquirido e/ou produzido, de maneira única e autêntica.

 

A Rede Alfa CEM Bilíngue  aposta na diversificação metodológica para gerar o prazer da aprendizagem, seguida pelo desenvolvimento de múltiplas formas de aprender durante toda a vida, o que permite obter resultados em primeiro lugar nos últimos anos do ENEM em toda a Rede e manter a taxa de 100% de aprovação das Provas de Proficiência de Cambridge. Saiba mais em: alfacembilingue.com.br.

Maternidade

Férias: cantinho de leitura é atividade divertida e educativa

Veja como montar um cantinho de leitura acolhedor e aproveite as férias para incentivar o interesse pelos livros desde cedo.

 

A leitura é um hábito saudável para a vida toda e quanto mais cedo for incentivado, melhor! Uma ótima forma de fazer isso é dedicar um espaço especial para os livros e para a hora das histórias. Por isso, separamos algumas dicas de como montar um cantinho da leitura em casa, uma atividade simples e educativa para fazer com as crianças durante as férias. Confira e saiba como deixar o cantinho da leitura do seu filho mais atrativo e acolhedor, além de aproveitarem esse momento juntos de forma leve e longe das telas!

 

1. Conforto é tudo!

 

Ao montar um cantinho da leitura, a palavra de ordem é conforto! Se não for possível criar um ambiente no próprio quartinho, escolha um local que seja sereno e bem iluminado e o torne o mais acolhedor possível para incentivar o amor pelos livros. E tem algo mais confortável do que pufes fofinhos, almofadões ou futons para se jogar na leitura?

 

Versátil e prático, o colchonete infantil tamanho master da Biramar Baby é uma ótima opção para quem tem um bom espaço disponível. Ele é perfeito, inclusive, para os momentos de leitura compartilhada. Sim, utilizar o cantinho da leitura com o seu filho será um grande incentivo para que ele tenha prazer com esse hábito, além de fazer com que esse tempo seja importante para fortalecimento do vínculo entre vocês.

 

2. Aposte no lúdico

 

Para espaços menores, abuse das almofadas e não se esqueça do tapete para decorar, proteger a criança do piso e ainda a delimitar o cantinho da leitura. As opções lúdicas podem ajudar a deixar o ambiente ainda mais divertido e atrativo para os pequenos.

 

“Outro item queridinho dos cantinhos de leitura são as cabaninhas de piso ou tipo dossel, aquelas presas no teto. Além do toque charmoso na decoração, elas mexem bastante com o imaginário das crianças”, afirma Thayane Ramalho, diretora de criação da Biramar Baby, tradicional fábrica de enxovais e artigos para bebês e crianças.

 

3. Decore com brinquedos e pelúcias

 

Para deixar o cantinho da leitura com a carinha do bebê ou criança, uma dica é decorar com alguns brinquedos e bichinhos de pelúcia que já fazem parte do dia a dia da família. Atenção apenas para não exagerar e tirar a atenção do objetivo principal que é ler!

 

Para além das prateleiras, cestos ajudam a organizar tantos os brinquedos quanto os livros e a manter tudo ao alcance das crianças. Outra vantagem é que eles não ficam restritos apenas ao ambiente destinado à leitura. Sim, a ideia é que a criança possa carregar os seus títulos favoritos para os mais diferentes locais onde deseje ler.

 

Outra alternativa ideal para tornar o cantinho da leitura confortável, lúdico e funcional são os pufes infantis confeccionados em pelúcia. Os motivos de animais são os mais comuns. “É uma peça versátil, que também pode servir para os momentos de descanso e brincadeiras ou até mesmo como mesinha de apoio para os livros. Também é fácil para transportar e transformar qualquer espaço da casa em um cantinho da leitura!”, afirma Ramalho.

 

Outras dicas que vão ajudar a criar uma história de amor entre as crianças e os livros:

 

– Incentive a autonomia e deixe os livros sempre ao alcance das mãos dos pequenos. Em prateleiras, mantenha as capas viradas para frente.

 

– Levar os livros à boca, rasgar e morder são comuns no caso dos bebês! Tudo isso faz parte do início da experiência de ler, relaxe!

 

– Capriche nas escolhas dos títulos infantis. Há, inclusive, opções de clubes de livros que oferecem essa curadoria, disponibilizando leituras de acordo com a idade do bebê.

 

Sobre a Biramar Baby

 

A Biramar Baby & Kids é uma tradicional fábrica de enxovais e artigos para bebês e crianças, com sede em Ibitinga, no interior de São Paulo. Há 40 anos no mercado, a empresa se destaca pela confecção de kits completos para berços, roupas de cama para solteiros, além de roupas e acessórios infantis.

 

A Biramar Baby é pioneira no segmento, oferecendo uma linha completa de roupinhas e complementos que coordenam perfeitamente com os enxovais, unindo qualidade, conforto e estilo em cada peça.

Maternidade

Dicas para seu filho equilibrar a rotina de estudos com o descanso

Educadora comenta sobre o papel do ócio no aprendizado e ajuda a identificar os principais sinais de sobrecarga nos aluno

O recesso escolar e as pautas diárias são, muitas vezes, vistos como um luxo ou um tempo desperdiçado. Contudo, a neurociência e a pedagogia moderna apontam que o descanso, seja nas férias ou durante o ano letivo, não é mais tido como a ausência de aprendizado, mas sim uma parte essencial e ativa dele.

 

Dormir bem, por exemplo, desempenha um papel importante no desenvolvimento do aluno. Um estudo publicado na revista Science, realizado por pesquisadores do Langone Medical Center, apontou que o sono após os estudos ajuda no processo de aprendizagem.

 

“Para o aluno de hoje, entender a importância de desconectar para consolidar é um divisor de águas entre a sobrecarga e o sucesso acadêmico. Priorizar o sono e o lazer não apenas recarrega as energias, mas também aprimora a memória, a criatividade e a resiliência”, explica Karla Lavrador, Diretora-Pedagógica do Ensino Fundamental Anos Iniciais da Rede Alfa CEM Bilíngue.

 

A transição de uma rotina intensa de estudos para um período de recesso ou descanso diário requer intencionalidade. A educadora dá dicas práticas de como os alunos podem adotar o descanso como parte do aprendizado.

 

Crie uma rotina de sono 

 

Mantenha um horário de sono relativamente estável, mesmo nos fins de semana, afinal, grandes variações desregulam o ritmo circadiano. Outro ponto importante é desligar dispositivos eletrônicos (celular, tablet, TV) pelo menos 30 a 60 minutos antes de dormir para evitar que a luz azul iniba a produção de melatonina, o hormônio do sono. Também adote atividades relaxantes antes de deitar, como ler um livro físico, tomar um banho morno ou praticar exercícios de respiração.

 

Planeje o tempo livre

 

Não deixe que o recesso seja engolido pela pressão da produtividade. “Se houver necessidade de revisão, defina horários fixos e curtos (por exemplo, das 9h às 11h). O resto do dia é para o recesso. Além disso, escolha um dia ou um período para se afastar das redes sociais e e-mails. Este período é um momento para o seu cérebro processar o que é importante”, ressalta Karla Lavrador.

 

Faça atividades que não tenham foco acadêmico

 

Atividades não relacionadas à nota também são necessárias para o desenvolvimento global, pois estimulam a criatividade, a resiliência e as habilidades sociais. “Desde praticar esportes, caminhar, dançar até passatempos como desenho, música, teatro ou hobbies manuais, essas atividades ativam áreas do cérebro diferentes das exigidas em sala de aula, promovendo a resolução de problemas de forma não linear”, comenta a Diretora-Pedagógica.

 

A educadora ainda recomenda que o aluno socialize com amigos e participe de atividades sociais, pois essas interações fortalecem habilidades interpessoais, como negociação e cooperação.

 

Como identificar quando o aluno está sobrecarregado

 

A escola tem um papel fundamental em observar e intervir, mas o aluno e a família também precisam estar alertas aos indícios de estresse e esgotamento mental. Para a educadora, alguns dos sinais que podem ser preocupantes são: mudanças comportamentais como irritabilidade constante, retraimento social, apatia ou tristeza persistente, e queda no desempenho escolar, marcada por dificuldade de concentração, perda de motivação e procrastinação.

 

“Manifestações físicas também são comuns, incluindo dores de cabeça frequentes, fadiga constante, alterações de apetite e insônia ou sonolência excessiva, frequentemente acompanhadas por uma pressão exagerada sobre si mesmo, com autocrítica excessiva, perfeccionismo improdutivo e uma sensação de incapacidade”, explica.

 

Karla Lavrador aponta que ao identificar esses sinais, é essencial procurar a equipe pedagógica e/ou o aconselhamento discente da escola. “O apoio proativo da instituição, que envolve conversas individuais, suporte emocional e o envolvimento dos pais, é essencial para gerenciar o estresse e promover o bem-estar integral do estudante”, finaliza.

 

Sobre a Rede Alfa CEM Bilíngue

 

A Rede Alfa CEM Bilíngue foi idealizada através do sonho de uma professora de História e tem uma Filosofia Educacional que impulsiona a percepção do aluno, fazendo-o refletir, questionar e principalmente transformar. Hoje, a Rede mantém uma sólida premissa de que o conhecimento humano é o maior tesouro a ser legado para as próximas gerações e que, ao mesmo tempo, a autonomia intelectual oferecerá ao estudante a capacidade de manusear o conhecimento, adquirido e/ou produzido, de maneira única e autêntica.

 

A Rede Alfa CEM Bilíngue  aposta na diversificação metodológica para gerar o prazer da aprendizagem, seguida pelo desenvolvimento de múltiplas formas de aprender durante toda a vida, o que permite obter resultados em primeiro lugar nos últimos anos do ENEM em toda a Rede e manter a taxa de 100% de aprovação das Provas de Proficiência de Cambridge. Saiba mais em: alfacembilingue.com.br.