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Beleza (41) Carreira & negócios (135) Comportamento (39) Cultura (6) Eventos (37) Gastronomia (3) Maternidade (47) Moda (30) Saúde & Bem-estar (104)Luxo invisível: a elegância simplesmente acontece
Vivemos uma era em que a ostentação perdeu espaço para algo muito mais poderoso: a sutileza
Se antes o luxo era associado a logotipos evidentes e marcas facilmente reconhecidas, hoje ele se manifesta de forma silenciosa, refinada e extremamente estratégica.
Esse movimento, conhecido como luxo invisível ou quiet luxury , não está ligado ao preço da peça, mas à forma como ela comunica. É sobre tecidos de qualidade, cortes impecáveis e, principalmente, intenção.
Quando você compreende o poder da sua imagem não precisa “gritar” para ser notada. Ela é percebida pela sua presença. Peças atemporais, cores neutras e combinações bem pensadas transmitem autoridade, sofisticação e segurança. E aqui está o ponto mais importante: elegância não é sobre ter muito, mas sobre saber escolher.
No universo da consultoria de imagem, isso significa trabalhar menos com excesso e mais com estratégia. Um guarda-roupa inteligente, com peças versáteis e alinhadas ao estilo de vida, comunica mais do que dezenas de peças desconectadas.
Outro aspecto essencial do luxo invisível é o comportamento. Postura, linguagem, forma de se expressar e até o cuidado com os detalhes como acessórios discretos e bem escolhidos fazem parte dessa construção.
A verdadeira sofisticação está na harmonia. Adotar esse conceito é também um convite à autenticidade. É sair do padrão imposto e construir uma imagem coerente com quem você é e onde deseja chegar. Porque, no fim das contas, a imagem não é sobre roupa.
É sobre mensagem.
E a pergunta que fica é: o que a sua imagem tem comunicado quando você entra em um ambiente ?
* Andréa Caminha, Consultora e Estrategista de Imagem. Sou membra da AICI (Associação Internacional de Consultoria de Imagem) e idealizadora do Projeto Vozes e Conexões Femininas, que conecta e inspira mulheres por meio do autoconhecimento, da autoestima e do fortalecimento de vínculos.
Atendo com horário agendado na Clínica Ellis, Av. das Américas, 1155, sala 608 – Barra Space Center, Barra da Tijuca. Acompanhe minha trajetória e inspire-se com esse movimento transformador:
@andreacaminha.modas
@vozeseconexoesfemininas
Será que estamos prontas para o retorno da pelúcia nos looks?
Pelo, pelo e mais pelos; tendência fez sucesso nas passarelas e finalmente está chegando às ruas
As grandes marcas de luxo já se manifestaram, alertando nas últimas coleções que seremos transformados em bichos de pelúcia nesta temporada. Temos muitas provas: os casacos estruturados e maximalistas de Alexander McQueen, os casacos Yeti de Alaïa, também com lapelas maxi que cativam completamente.
Mais casacos de pele na Coperni, os conjuntos de duas peças peludas e as estolas de pele drapeadas sobre os ombros da Schiaparelli. Os cachecóis, estolas e ponchos de Marni (todos tamanho GG). Os boleros com ombreiras da Miu Miu. Mais peles e mais casacos na Valentino. Os tops e saias de Simone Rocha.
Mais: a jaqueta biker de Chloé. E todos os tipos de detalhes, das mangas aos acabamentos e golas, em diferentes tipos de peças. Os vestidos e bodies no desfile da Acne Studios. Até Demna incluiu essa tendência na Balenciaga, dos capuzes e moletons peludos ao impressionante casaco vermelho longo que poderia ter desfilado em qualquer tapete vermelho.
Tudo isso deixou bem claro que veremos os pelinhos. Então, está confirmado: a textura estrela das próximas temporadas será a pele. Ou melhor, qualquer coisa que evoque maciez, calor e um toque de felpa. O detalhe que faltava para definir isso como uma das verdadeiras tendências que chegam às ruas, mais pé no chão, foi visto no catálogo da flagship store da Inditex (Ou seja, a Zara), onde agora você pode comprar vários casacos de pele como aqueles de vison usados pelas avós de antigamente, suéteres de tricô que imitam o efeito pele, até sandálias e sapatilhas revestidas do mesmo material, ou peças com golas de pele.
E os especialistas em estilo confirmaram isso durante seus passeios de street style naquela mesma temporada. Todos esses looks sugerem que nos vestiremos como se estivéssemos saindo de um conto de fadas. Ou como um ursinho de pelúcia, mas com muita atitude. Como esquecer Georgina Rodríguez no desfile da Valentino com aquele casaco longo, justo, trespassado e de inspiração retrô, com gola, bainha e punhos de pele, dando-lhe o ar luxuoso tão característico dos casacos dos anos setenta? Ou Alexa Chung no mesmo desfile usando um casaco mais curto e boêmio.
E sejamos francas: o retorno das peças peludas não é novidade, mas sim uma nova interpretação. Desta vez, vem de uma perspectiva mais urbana, com foco em peles artificiais e peças onde tradicionalmente não víamos esse material. Mais uma prova de que as novas peças peludas brincam com o contraste. Estamos falando de volume, estrutura, mas também de maciez. Um gesto dramático que já era esperado há muito tempo, depois de várias temporadas dominadas pela praticidade e pelo minimalismo, porque não podemos negar que quando um casaco parece um cobertor (elegante), sonhamos em não tirá-lo. Um pouco do glamour e do estilo mafioso que vimos em Rosalía ou Kim Kardashian.
Fonte: Glamour México
Os ruídos da imagem: o poder dos detalhes na construção da sua presença
Na construção de uma imagem pessoal marcante, os detalhes têm um papel decisivo
Muitas vezes, não é a roupa principal que define a percepção que as pessoas terão de nós, mas sim pequenos elementos que, silenciosamente, reforçam ou comprometem a mensagem que desejamos transmitir. Na consultoria de imagem, chamamos esses desencontros de ruídos de imagem. Eles acontecem quando existe uma incoerência entre aquilo que a pessoa deseja comunicar e os sinais visuais que ela apresenta.
Imagine um profissional muito competente que chega a uma reunião com roupas amassadas, sapatos desgastados ou acessórios desalinhados com o contexto. Ainda que sua capacidade técnica seja impecável, esses detalhes podem gerar uma percepção inicial de desorganização ou falta de cuidado.
A comunicação da imagem é rápida e, muitas vezes, inconsciente.
Nosso cérebro interpreta sinais visuais em segundos, criando impressões sobre profissionalismo, credibilidade, autoridade e atenção aos detalhes. Por isso, elementos aparentemente simples — como um sapato bem cuidado, uma bolsa adequada ao ambiente, um cabelo bem finalizado ou acessórios escolhidos com equilíbrio — têm grande impacto na construção da presença.
Mas é importante compreender que cuidar da imagem não significa buscar perfeição ou excesso de produção. O verdadeiro objetivo é coerência. A imagem estratégica nasce quando existe harmonia entre quem a pessoa é, o ambiente em que está inserida e aquilo que deseja comunicar. Quando essa coerência acontece, os detalhes deixam de ser ruídos e passam a se tornar aliados poderosos da comunicação.
Outro ponto fundamental é entender que a imagem não fala apenas sobre estética, mas também sobre atenção, respeito e consciência do contexto. Demonstrar cuidado com a própria apresentação comunica que a pessoa valoriza o ambiente, as pessoas ao seu redor e as oportunidades que surgem.
Em um mundo cada vez mais visual, aprender a gerenciar esses pequenos sinais pode fazer grande diferença na forma como somos percebidos. Afinal, a imagem está sempre comunicando. A pergunta que fica é: os detalhes da sua presença estão reforçando ou prejudicando a mensagem que você deseja transmitir?

* Sou mais embra da AICI (Associação Internacional de Consultoria de Imagem) e idealizadora do Projeto Vozes e Conexões Femininas, que conecta e inspira mulheres por meio do autoconhecimento, da autoestima e do fortalecimento de vínculos.
Atendo com horário agendado na Clínica Ellis, Av. das Américas,
1155, sala 608 – Barra Space Center, Barra da Tijuca.
Acompanhe minha trajetória e inspire-se com esse movimento transformador:
@andreacaminha.modas
@vozeseconexoesfemininas
Melissa Susan Fang: designer chinesa assina collab inspirada na natureza
A coleção Melissa Susan Fang lança três modelos com flores esculturais, transparências e tons pastel
A Melissa lançou na terça-feira (17.03) uma nova colaboração com a estilista chinesa Susan Fang. Batizada Melissa Susan Fang, a coleção reinterpreta três silhuetas da marca brasileira com flores esculturais, transparências e uma paleta de cores pastel – elementos que dialogam com o universo delicado e inspirado na natureza que marca o trabalho da designer radicada em Londres.
‘Estamos muito animados em trabalhar com a Melissa porque sempre admiramos as colaborações da marca”, diz Susan. “Tenho a sensação de que talvez nenhuma outra empresa de calçados consiga criar um sapato tão etéreo quanto a Melissa.”
Parte do conceito nasce da pesquisa que a designer desenvolve há anos sobre padrões naturais e crescimento orgânico. “Tentamos criar elementos que parecessem ter florescido, em vez de algo feito por humanos”, explica o designer industrial Orelio De Jonghe, chefe de design de calçados e acessórios do estúdio de Susan Fang e ex-designer industrial sênior da Dyson. “Usamos padrões que também existem na natureza”, completa ele.
A tecnologia teve papel importante nesse processo. Segundo Susan, softwares normalmente utilizados em animação digital ajudaram a simular a forma como as flores se desenvolvem. “Utilizamos programas como o Houdini, em que você pode literalmente inserir fórmulas da natureza”, conta. “Assim as flores crescem da maneira orgânica e não de forma artificial.”
A transparência característica da Melissa também serviu de base para o desenvolvimento dos modelos. “Nós amamos como a marca consegue criar sapatos transparentes que parecem um sonho”, diz a designer. “Então quisemos levar isso ainda mais longe, criando uma transição entre opacidade e efeitos translúcidos.”
A coleção apresenta três modelos: Melissa Luna Bloom, uma sapatilha esportiva com aplicações florais; Melissa Daphnis Ballerina, releitura delicada da clássica bailarina; e Melissa Possession Platform Sakura, nova versão do modelo Possession com plataforma e detalhes tridimensionais.
Além da dimensão estética, as flores presentes nos modelos também carregam um significado simbólico. “Escolhemos uma flor que simboliza sorte e amor”, afirma Susan. “Gostamos da ideia de que o design também possa trazer mensagens positivas.”
Fundada em 2017, logo após sua formação na Central Saint Martins, a marca Susan Fang ficou conhecida por explorar tecidos experimentais, transparências e estruturas 3D inspiradas em padrões da natureza. “Quando desenhamos seguindo esse equilíbrio orgânico, encontramos uma sensação de harmonia”, fala a designer.
“Esperamos que, quando usem nossas criações, sintam um pouco mais de esperança e um pouco mais de alegria.”Os modelos da collab Melissa Susan Fang estão disponíveis desde terça-feira (17.03) na Galeria Melissa São Paulo, no e-commerce da marca e em Clubes Melissa e multimarcas selecionados.
Doze tendências do inverno 2026 para ficar de olho
Alfaiataria sensual, tricôs vintage, texturas dramáticas e novas silhuetas estão entre as tendências que desenham o inverno 2026
Depois de quase um mês de desfiles entre Nova York, Londres, Milão e Paris, a temporada de inverno 2026 chega ao fim com algumas direções claras para os próximos meses. Nas passarelas, a moda se move entre contrastes. De um lado, silhuetas alongadas, alfaiataria sensual e referências históricas. De outro, texturas exuberantes, camadas inesperadas e um romantismo folk que mistura renda, babados e transparências. No meio do caminho, o corpo volta pra jogo, enquanto efeitos desgastados e superfícies felpudas mostram que a roupa perfeita já não é mais prioridade. A seguir, reunimos as 12 principais tendências da temporada:
Cintura peplum
Nesta temporada, várias coleções apostam na cintura império, aquela posicionada logo abaixo do busto, junto de volumes na região do quadril, como basque ou peplum. O efeito traz uma leve referência a trajes históricos, mas sempre misturada com peças bem atuais. Pense nesse tipo de construção aparecendo com jeans, alfaiataria relaxada ou outras bases do guarda-roupa contemporâneo.
Alfaiataria sexy, moderna e feminina
Blazers estruturados, ternos impecáveis e conjuntos de corte preciso ganham uma leitura mais sensual e atual, seja pelo decote profundo, pelo uso direto sobre a pele ou pela mistura com saias fluidas e vestidos leves. Há um perfume clássico, mas também uma feminilidade afiada que aparece nas proporções alongadas e na valorização do corpo de forma mais livre e contemporânea.
Superfícies felpudas
Textura virou espetáculo no inverno 2026. Casacos inteiros cobertos por lã, pelúcias volumosas ou materiais que lembram teddy coats trazem uma dimensão tátil forte às coleções. Elas também arrematam detalhes como punhos e golas, mas vão além: a pelagem domina a roupa inteira e constrói volumes generosos, como mostram propostas de marcas como Chloé, Marni e Simone Rocha.
Camadas mil
Se antes o styling buscava simplificar, agora a ideia parece ser oposta. As novas coleções exploram o jogo de camadas como um exercício de composição: vestidos sobre saias, casacos empilhados, tricôs que deixam outras golas e barras escaparem por baixo. Em muitos looks, cada peça revela um fragmento da anterior, criando combinações ricas em textura, cor e proporção.
Romantismo folk
Vestidos longos de renda, transparências delicadas e camadas de babados trazem uma estética boêmia e etérea. Tecidos leves deixam o corpo aparecer por baixo, enquanto mangas amplas, golas altas e saias fluidas criam movimento. Em vez de parecer fantasioso demais, esse repertório ganha um ar atual quando combinado a botas pesadas, óculos escuros ou acessórios mais urbanos.
Referências históricas
Labels como Fendi e Saint Laurent recorrem ao passado em busca de repertório. Uniformes militares, macacões utilitários e jaquetas de aviador servem de referência para casacos com ombros estruturados, bolsos amplos e cinturas marcadas. Em contraste, vestidos de renda, slip dresses e transparências acenam às lingeries usadas em outras décadas.
Silueta alongada
Outra direção forte da temporada aposta em silhuetas alongadas, especialmente em vestidos e conjuntos de comprimento mídi que criam uma linha contínua do ombro até a barra. Quando o look vem em versão monocromática, esse efeito fica ainda mais evidente. Entram também casacos longos que quase cobrem o corpo inteiro, mas com corte enxuto e proporções mais contidas, reforçando a ideia de verticalidade.
Corpo em evidência
O corpo virou protagonista de novo. Entre a obsessão por wellness e as mudanças visuais trazidas pela popularização das canetas emagrecedoras, a silhueta passou a aparecer com muito mais destaque. Nas passarelas, isso se traduz em roupas que acompanham o corpo de perto: vestidos colados, tecidos tipo segunda pele e uma enxurrada de referências à lingerie. Não é exatamente sobre sensualidade clássica, é mais sobre mostrar o corpo como ele é, sem tanta mediação da roupa.
Tricôs com cara vintage
O tricô também passa por um revival com clima retrô. Cardigãs bordados, pontos grossos, flores aplicadas e suéteres com textura artesanal remetem a peças que poderiam ter saído direto de um brechó ou do armário da avó. Nas coleções da Chloé e Marni, por exemplo, há versões delicadas, com bordados florais e acabamentos manuais. Já na Diesel, ele é arrematado por cores vibrantes e estampas exageradas, num conceito mais irreverente.
Efeitos amassados e desgastados
No inverno 2026, a ideia de roupa impecável perde força. Nos desfiles de casas como Prada, Diesel, Jil Sander e Miu Miu, aparecem peças com cara de já vividas: tecidos levemente amassados, superfícies gastas, barras desalinhadas e couros que parecem ter sido usados por anos.
Glamour Film Noir
As silhuetas mais enxutas da temporada podem até parecer minimalistas à primeira vista, mas a ideia é outra. Em vez do quiet luxury, o clima que domina muitas coleções puxa para um glamour cinematográfico inspirado no universo do film noir dos anos 1940. Entram em cena maquiagem dramática, trench coats e casacos longos, muitas vezes de couro ou com brilho vinílico, quase sempre em tons escuros.
Golas-moldura
Elas deixam de ser detalhe e viram escultura na roupa. São infladas, dobradas ou superaltas, subindo até o queixo e criando volumes que emolduram o rosto e mudam a silhueta. Em muitos looks, especialmente em casacos e jaquetas estruturadas, elas funcionam como o ponto focal do styling.
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Por que a moda está interessada em sapatos ‘esquisitos’?
Do revival da Tabi aos saltos de cogumelos da Chanel, o sapato excêntrico deixou de ser exceção, consolidando-se como ferramenta de experimentação e exercício de identidade
Se existe um campo onde a moda historicamente testa seus limites formais, esse espaço é o dos sapatos. Diferentemente da roupa, que negocia com códigos sociais, função prática e legibilidade imediata, o calçado aceita o exagero com menos concessões. É uma peça que permite distorcer proporções e deslocar o eixo do corpo, tensionando a ideia de beleza sem necessariamente comprometer a harmonia da silhueta.
Não é coincidência que alguns dos momentos mais disruptivos da história recente tenham acontecido nos pés — pense nos “cascos de cabra” de Thierry Mugler na década de 1980, na Armadillo de Alexander McQueen (que virou ícone dos looks de Lady Gaga nos anos 2010) ou na Tabi, apresentada por Martin Margiela no fim dos anos 1980. Em todos esses casos, o sapato opera como uma intervenção quase arquitetônica na figura humana.
O interesse por sapatos que parecem estranhos não é algo novo, mas ganha fôlego como resposta a uma saturação do visual clean que dominou as últimas temporadas. Em vez de seguir a engrenagem acelerada das microtendências, algumas fashionistas têm preferido apostar em modelos que vão na contramação do mainstream, com desenho excêntrico e autoral.
Em sua era na Loewe, Jonathan Anderson deu força a esse movimento com os sapatos cobertos por bexigas e os saltos em forma de ovo, esmalte ou flores, apresentados entre 2022 e 2023. A ideia é aproximar o calçado de um objeto de design ou de uma peça exposta em uma galeria de arte.
Já em 2026, a coleção de estreia de Matthieu Blazy na alta-costura da Chanel deu destaque aos saltos em forma de cogumelo, que não surgiram como mero efeito cenográfico. Há uma intenção clara de recolocar o sapato no centro da narrativa da maison, retomando o legado do modelo bicolor criado por Gabrielle Chanel no fim dos anos 1950 e expandindo essa tradição para um território mais imaginativo.
O elemento “estranho” funciona como um artifício não óbvio, capaz de reintroduzir fricção em uma moda que vinha flertando com a homogeneização. É nesse contexto que os modelos a seguir ganham força, apontando para um desejo de adicionar mais humor, ironia e imaginação ao repertório visual.
Tabi
Inspirada nas meias japonesas do século XV, a Tabi foi popularizada no cenário fashion pela Maison Martin Margiela em 1989. Conhecida pela divisão entre os dedos, que altera a anatomia tradicional do calçado, o modelo desloca o eixo clássico da elegância ocidental e dialoga com um minimalismo de formas mais complexas.
Five fingers
Os modelos com cinco dedos separados e solado de borracha surgiram como equipamento para esportes de aventura nos anos 2000, popularizados pela marca italiana Vibram. Agora, retornam sob uma leitura que combina o imaginário tecnológico do início do milênio à obsessão contemporânea por alta performance.
Madeira ergonômica
Lançada nos anos 1950, a sandália Pescura, da marca Scholl, logo conquistou as consumidoras graças à sola de madeira com formato ergonômico. Depois de colaborações recentes com marcas como Melissa e Balenciaga, o modelo volta ao radar, trazendo novas versões de suas fivelas metálicas evidentes, madeira exposta e construção assumida como parte do desenho.
Salto vitoriano
As botas com amarração frontal, bico alongado e salto inspirado no período vitoriano reaparecem em 2026 como parte de um movimento mais amplo de revisitação histórica. Com cano médio ou alto, o modelo recupera referências que já haviam sido exploradas por grifes como Dior e Vivienne Westwood em diferentes momentos. Hoje, surgem alinhados a uma estética que combina rigor e romantismo, expressando uma teatralidade mais comedida.
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A Paris Fashion Week de inverno acontece até o próximo dia 10
- Evento está sendo considerado um sucesso absoluto e reunirá um total de 68 desfiles e 31 apresentações em showroom
A Chloé, marca famosa por oferecer elegância sem esforço, com peças leves, femininas e confortáveis, é uma das principais atrações do Paris Fashion Week. A diretora criativa Chemena Kamali escreveu que o inverno 2026 da Chloé é sobre como as roupas podem conter emoções e carregar memórias. Segundo ela, é uma reflexão sobre humanidade, empatia e devoção.Vamos por partes, porque elas são muitas.
Na das memórias, temos alguns desdobramentos. O mais evidente são as interpretações de peças ou looks completos que a estilista encontrou nos arquivos da marca. Em sua maioria, da época em que Karl Lagerfeld respondia como diretor de criação (entre meados de 1960 até o início dos anos 1980). Outro ponto de vista mais subjetivo tem a ver com a maneira como o que vestimos é marcado pelo tempo.
Uns amassadinhos aqui e ali, a forma do nosso corpo, uns desgastes em determinadas áreas e as lembranças que ficam registradas nas nossas mentes. Tem ainda um viés social e cultural nessa história: o papel que as roupas desempenham em tradições e rituais populares, como festas ou celebrações folclóricas. Chemena se inspirou em um tanto deles, sobretudo os de regiões europeias.
Tratando-se de Chloé, uma grife conhecida pelo estilo boêmio das décadas de 1960 e 1970, rolam muitas referências ao movimento hippie, com todas suas associações com liberdade, natureza e espírito comunitário. E isso traz algumas novidades para o repertório da estilista.
Há uma abordagem mais natural e menos glamourizada de modo geral – embora a tentativa pareça improvável ou forçada em alguns momentos.
momentos. Além dos vestidos de seda em camadas, dos jeans de cintura alta, das blusas com babados, das capas e dos blazers e jaquetas de proporções infladas, entram em cena uma série de tricôs, camisas xadrez e itens com pegada campestre. Claro, nada é exatamente simples. Pelo contrário.
Devido ao mote da coleção, há uma valorização de processos manuais e, por consequência, humanos. Praticamente todas as peças têm alguma decoração: babados, plissados, bordados, aplicações, acessórios de metal, estampas e por aí vai. Alguns deles, como aquela espécie de cobertura ou capa nos ombros de alguns casacos, são removíveis. Outros são tão pequenos que só podem ser vistos bem de perto (ou com um bom zoom). Todos são feitos artesanalmente.
É muito bem-vinda a intenção de introduzir novos elementos ou direcionar a marca para outros caminhos. Só não vale perder o senso de realidade, nem da pessoa que pode vestir aquele look. Em alguns casos, o espírito livre e a devoção às manualidades parecem sobrecarregados. E assim, a leveza e espontaneidade essencial à garota Chloé parece perdida em meio a folclores.
Fonte: Elle
Retorno das ombreiras: tendência dos anos 1980 em 2026
Detalhe dos anos oitenta que conquistoutodas as peças da temporada
Na década de 1980, as ombreiras se tornaram um statement. Eram a pedra angular do power dressing, uma estética que buscava transmitir autoridade por meio das roupas. Com a ajuda de designers como Thierry Mugler, Claude Montana e Giorgio Armani, os ombros se alargaram e as mulheres conquistaram o escritório vestidas com ternos que transmitiam estilo e confiança.
Em 2025, o revival dos anos 1980 continua a ditar o ritmo da moda, mas as ombreiras deixaram de ser um símbolo exclusivo do poder executivo e dos ternos de negócios. Elas agora são encontradas em todos os tipos de peças e contextos, transformando-se em um recurso de estilo tão versátil que funciona tanto no escritório quanto em um jantar ou evento noturno. Além do clássico blazer, elas se tornaram um detalhe capaz de atualizar tudo, desde peças básicas até as mais sofisticadas.
As passarelas confirmam seu retorno: marcas como Saint Laurent, Stella McCartney e Ángel Schlesser reviveram as ombreiras XXL, reinterpretando a silhueta dos anos 1980 com um toque fresco e contemporâneo. Podemos não encontrar essas proporções extremas no dia a dia, mas encontramos versões adaptadas em diversas peças e presentes em praticamente todas as marcas, prontas para conquistar nossos guarda-roupas.
Camisetas
As ombreiras se infiltraram até nas camisetas mais básicas, transformando-as em verdadeiras peças de destaque. O que antes era uma peça básica e discreta do guarda-roupa agora está sendo reinventado com estilo: ombreiras estruturadas que adicionam força à silhueta e um ar sofisticado que pode elevar qualquer visual em segundos. Em tons neutros, elas se tornam a peça versátil perfeita, podendo se adaptar tanto a um look urbano com jeans quanto a um estilo mais elegante com calças de alfaiataria ou saia midi.
Body ou blusas
As ombreiras também encontram seu lugar ideal em bodies, uma peça que estiliza e se adapta ao corpo naturalmente. Ao destacar a cintura e enfatizar os ombros, elas criam um contraste equilibrado que transforma até as peças mais simples em uma declaração de elegância total. No caso das blusas, ombros estruturados servem como um contraponto perfeito à delicadeza de tecidos fluidos como seda ou chiffon. O resultado é uma silhueta poderosa, feminina e sofisticada, capaz de brilhar tanto em um look de escritório quanto em um jantar especial.
Casacos
Casacos e gabardinas com ombreiras largas criam silhuetas esculturais mesmo nos dias mais frios. Aqui, as ombreiras encontram um lugar para brilhar por muito tempo, transformando essas peças em companheiras infalíveis de inverno. Quanto mais volume elas têm, mais envolventes se tornam: elas não apenas fornecem calor, mas também transformam a figura em uma verdadeira escultura em movimento. Em versões maxi, elas adicionam drama e sofisticação, tornando-se uma armadura elegante contra o frio.
Blazer
Blazeres são o território natural das ombreiras, a peça onde melhor se integram e são mais estilosas. Em sua versão clássica, sobreposta a um terno sob medida, transmitem autoridade e elegância sem esforço, perfeitas para um dia de trabalho. Transformadas em um vestido blazer, com cintura marcada, tornam-se a opção mais sedutora e poderosa para a noite. Essa combinação de blazer e ombreiras é, e continuará sendo, uma fórmula vencedora: um ícone atemporal que merece um lugar permanente em qualquer guarda-roupa.
Jaquetas de couro e jeans
As ombreiras também estão dominando as jaquetas mais icônicas, elevando clássicos que pareciam impossíveis de reinventar. Nesta temporada, o jeans retorna com força, consolidando-se como uma das maiores tendências do street style. A jaqueta jeans, peça atemporal do guarda-roupa, encontra nas ombreiras uma nova aliada para modernizar sua silhueta: ombros definidos que afinam e adicionam presença.
No caso das jaquetas de couro, as ombreiras reforçam ainda mais seu espírito rebelde e desafiador. Com aquela vibe rocker e sofisticada, elas redefinem a estética biker, dando-lhe um toque arquitetônico (e muito poderoso).
Fonte: Glamour
Unhas de poá são a tendência de manicure perfeita para o verão
Pegando emprestada a estampa mais marcante da estação, esse design fará toda a diferença no seu visual para a estação mais quente do ano
As tendências de verão costumam ser leves, divertidas e descomplicadas — e, felizmente, as unhas de poá cumprem todos esses requisitos. Inspiradas na tendência de moda mais quente do verão, as unhas de poá são divertidas e estilosas na mesma medida. Vimos celebridades como Kaia Gerber e Kylie Jenner usando vestidos e capris com poás, então era apenas questão de tempo até que a trend chegasse também às nossas unhas.
E agora que as unhas com poás apareceram, não há mais como parar. Dua Lipa, Sabrina Carpenter e Hailey Bieber (que já usou duas vezes!) são apenas algumas das muitas estrelas que foram flagradas com manicures de poá neste verão. Se você gosta de um visual retrô e vintage na nail art, os poás são perfeitos para você. A melhor parte? Existem inúmeras formas de usá-los: em unhas curtas ou longas no formato amêndoa, com poás preto e branco ou multicoloridos, em todas as unhas ou apenas em algumas como destaque.
A seguir, tudo o que você precisa saber sobre a tendência das unhas de poá, incluindo como criar o visual em casa e muitas imagens inspiradoras para salvar e mostrar à sua nail artist na próxima ida ao salão. Além disso, reunimos dicas e truques diretamente de Evelyn Lim, educadora-chefe do estúdio Paintbox da MiniLuxe, em Nova York.
O que são unhas de poá?
De glass nails e milk bath nails a soap nails e jelly gloss nails, existem muitas tendências de manicure para acompanhar. Embora a maioria delas esteja mais minimalista ultimamente, a popularidade surpreendente (e muito bem-vinda) das unhas de poá traz exatamente o toque de nail art que estávamos desejando. Elas surgem na esteira da enorme tendência de moda dos poás, com vestidos, capris, biquínis e muito mais dominando o verão. Amamos quando beleza e moda se encontram.
Unhas de poá são, como o próprio nome indica, exatamente isso. A manicure apresenta uma base de qualquer cor (ou até uma base de francesinha), com poás aplicados por cima. A beleza está na versatilidade: eles podem ser alinhados ou distribuídos de forma aleatória, multicoloridos ou de uma única cor, do mesmo tamanho ou em tamanhos variados — e as possibilidades são infinitas. Você pode estilizar como quiser, mas Lim destaca algumas combinações favoritas: “preto e branco, vermelho cereja e branco, coral e pink vibrante, ou azul-marinho com verde honeydew”, conta.
Por que as unhas de poá são tão populares?
Além de os poás serem a estampa do momento na moda, por que essa tendência de manicure ganhou tanta força tão rápido neste verão? “Acho que os poás se tornaram populares porque trazem um ar mod à manicure clássica”, explica Lim. Eles remetem aos anos 1960, entregando uma energia divertida e sofisticada ao mesmo tempo — algo que todas nós podemos aproveitar um pouco.
Como criar unhas de poá?
As unhas de poá só ficam melhores. Nosso detalhe favorito? Elas são incrivelmente fáceis de fazer, seja você uma profissional ou alguém que faz as unhas em casa. Até iniciantes conseguem entrar nessa. “Os poás são amigáveis para quem está começando, mas você pode elevar o nível aperfeiçoando o posicionamento de cada bolinha”, diz Lim. Se você não se sentir confortável criando sua própria nail art, também pode optar por unhas postiças (press-on).
Para criar o visual, tudo o que você precisa é de uma ferramenta própria para pontilhar unhas. Depois de aplicar a cor de base desejada, “mergulhe a ferramenta no esmalte e pressione levemente sobre a unha”, orienta Lim. “Repita o processo para garantir poás do mesmo tamanho.” Se quiser poás de tamanhos diferentes, use ferramentas de tamanhos variados.
Não tem a ferramenta? Sem problema. “Se você não tiver um pontilhador, experimente a ponta de um grampo de cabelo ou de uma caneta esferográfica”, recomenda Lim. Funciona perfeitamente em situações de emergência! Você também pode criar poás em 3D, aplicando strass redondos ou pérolas nas unhas para uma versão ainda mais criativa da tendência.
O que há por trás do retorno do naked dress usado pelas famosas?
Impulsionadas pela autoaceitação, celebridades apostam cada vez mais na transparência, até mesmo para bater de frente com a sociedade patriarcal em que vivemos
Atenção, fashionista! Se depender das celebridades, o naked dress está de volta, mas vamos combinar, que ele nunca saiu de moda. Só nos últimos meses, quatro celebridades cruzaram os tapetes vermelhos mundo afora mostrando a peça que customa ganhar forças em momentos mais conservadores quando os assuntos são os corpos e liberdade feminina.
Dakota Johnson apostou em um vestido transparente com renda preta exibindo a lingerie no mesmo tom, assinado pela Gucci. Mais cedo, no mesmo dia, Margot Robbie, que retornou às promoções do filme após nascimento do primeiro filho, escolheu um vestido em tom rosado bordado com pedrarias da Giorgio Armani para divulgar “A Grande Viagem de Sua Vida”.
A canadense Tate McRae e a artista sueca Zara Larsson cruzaram o tapete vermelho do Video Music Awards (VMA) com vestidos exibindo a silhueta. A primeira com um vestilo longo estilo lingerie de Ludovic de Saint Sernin e a segunda com um mini vestido com bordados florais de Sorcha O’Raghallaigh.
Naked dress: a transparência como símbolo de autoaceitação no red carpet
Dua Lipa, Rihanna, Jane Birkin, Madonna, Kendall Jenner, Sabrina Sato, entre outras celebridades, já concentraram os flashes dos fotógrafos ao cruzarem os red carpets das premiações e eventos mundo afora evidenciando os seios a partir dos looks escolhidos. A tendência do naked dress não é novidade, mas segue cada vez mais em alta com a emancipação e autoaceitação do corpo feminino alavancadas por movimentos feministas — aqui, podemos citar a famosa frase “meu corpo, minhas regras” — em contrapartida à censura das redes sociais, que derrubam imagens e vídeos com os mamilos das mulheres à mostra, e das ideias mais conservadoras, tradicionais e ultrapassadas da sociedade ainda patriarcal.
“O avanço do feminismo inspira e sustenta esse movimento do corpo mais à mostra. Ao mesmo tempo, mostrar tem a ver com autoestima, liberdade de escolha, praticar o belo e, para completar, servir de inspiração de moda. O feminismo está cuidando de outras pautas dentro da luta pela equidade. Essa força e essa evolução constante nos fazem sentir potentes para escolher: um dia estar de alfaiataria oversized, no outro, de transparência. Não é diretamente relacionado, mas influencia, sim”, diz Manu Carvalho, especialista em moda e comportamento.
Um dos vestidos com transparência mais comentados é o que Marilyn Monroe escolheu para cantar “Happy Birthday, Mr. President” para John F. Kennedy, em 1962. A mesma peça causou burburinho nas redes sociais ao ser usada novamente por Kim Kardashian durante o Met Gala, em 2022. Jane Birkin, que morreu em julho deste ano, ainda é dona de uma das imagens mais compartilhadas pelos fashionistas: a da première do filme Slogan, em que aparece de mãos dadas com Serge Gainsbourg usando um minivestido preto transparente, sem sutiã.
“O corpo feminino sempre foi o protagonista quando falamos na evolução da moda e da própria mulher. Só lembrar o destaque para os ombros e decotes nos seios dos séculos 15 ao 18. Se formos mais longe, chegamos em Cleópatra e Maria Antonieta, com vários acessórios em lugares estratégicos. Desde os anos1920, quando passamos a ver tornozelos e, nas décadas seguintes, com a Revolução Industrial, a criação do prêt-à-porter e a massificação das peças, o corpo da mulher ganhou cada vez mais holofote. Eu diria que a força do corpo feminino como protagonista do século passado começa em 1920, estourando no fim dos anos 1940 para a década de1950, devido às pinups. Uma década depois, veio a revolução com a minissaia e, nos anos 1970, vieram as transparências”, analisa Manu, que também trabalha como stylist de famosas.
Nos anos 1990, Jean Paul Gaultier retornou com a transparência na moda. É ele, inclusive, o responsável pelo look que Madonna usou e ficou conhecido como “topless filantrópico”. Em setembro de 1992, a rainha do pop fechou o desfile do estilista francês que aconteceu em Los Angeles, nos Estados Unidos. Para arrecadar mais fundos em prol da Fundação Americana de Pesquisa da AIDS (amfAR), a artista abriu o blazer risca–de-giz que usava, deixando os seios à mostra e os convidados chocados com a atitude.
“Imagino que cause mais desejo do que estranhamento. O estranhamento deve vir quando o desejo soar estranho, o que pode ser pessoal e também coletivo”, detalha.
Trinta anos depois, o naked dress ganhou ainda mais fôlego nas mãos do próprio Gaultier, que esgotou uma criação que remete à forma da silhueta feminina, principalmente com ênfase nos seios, após três anos com roupas mais básicas por conta das restrições em torno da Covid-19.
“A tendência do sexy se estabeleceu depois do ‘ciclo pijama’, devido aos moletons, tricôs e utilitários que usamos na pandemia.”
Se o corpo feminino esteve quase sempre no holofote da história e do comportamento da moda, por que quando as mulheres apostam nas transparências, seja com mamilos à mostra ou com tecidos mais leves por cima do corpo, elas viralizam nas redes sociais sob escrutínio do público?
“As plataformas digitais tendem a potencializar tudo devido ao alcance e ao poder de multiplicação. Quando o corpo da mulher está à mostra, a sociedade patriarcal ainda o vê como um produto, o contrário do que acontece com o corpo dos homens”, finaliza.
Fonte: Glamour